Filho de José Mendes Cabeçadas e de sua mulher Maria da Graça Guerreiro, neto paterno de João Mendes Cabeçadas, oriundo da Quinta das Cabeçadas, e de sua mulher Joana Maria e neto materno de João Nunes Guerreiro e de sua mulher Maria da Graça. Casou em Lisboa, Santa Isabel, em 23 de março de 1911[3] com Maria das Dores Formosinho Vieira, (Silves, 6 de janeiro de 1880 – Lisboa, São Jorge de Arroios, 22 de dezembro de 1949), filha de José Francisco Vieira e de sua mulher Maria das Dores Formosinho, da qual teve quatro filhas: Maria José Vieira Cabeçadas (fevereiro de 1912 - 2000), Maria Dolores Vieira Cabeçadas (1913 - 2011), Maria da Graça Vieira Cabeçadas (1915 - 2016) e Raquel Vieira Cabeçadas (1919 - 1935).[4][5]
Oficial da Marinha, foi um dos responsáveis pela revolta a bordo do Adamastor, durante a Implantação da República Portuguesa. Pertenceu ao Partido da União Republicana e ao Partido Liberal Republicano, tendo sido Deputado da Assembleia Nacional Constituinte de 1911 e da Câmara dos Deputados do Congresso da República por Silves de 1911 a 1915, 1915 a 1917 e em 1921.[6]
Fez parte da Maçonaria, tendo sido iniciado na Loja Pureza em 1911. Havendo-lhe sido oferecidas diversas condecorações, aceitou apenas a Medalha de Prata de Comportamento Exemplar. A 11 de março de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de São Bento de Avis de Portugal.[7] Foi Presidente da Comissão de Obras de Construção do Arsenal, Presidente da Junta Autónoma do Arsenal, Intendente da Marinha Portuguesa e 2.º Governador do Banco de Angola. No entanto, cedo se desiludiu com o regime que ajudara a criar.[4]
Retrato oficial do Presidente Mendes Cabeçadas (1957), por Romano Esteves. Museu da Presidência da República.
Mendes Cabeçadas, revolucionário de uma linha moderada, julgava ainda ser possível constituir um governo que não pusesse em causa o regime constitucional, mas apenas livre da nefasta influência do Partido Democrático. No entanto, os demais conspiradores (entre os quais Gomes da Costa e Óscar Carmona) julgaram-no como sendo incapaz e, no fundo, o último vestígio do regime constitucional da I República. Após uma reunião dos revoltosos no seu quartel-general em Sacavém, a 17 de junho de 1926, Mendes Cabeçadas foi forçado a renunciar às funções de presidente da República e de presidente do Ministério a favor de Gomes da Costa.[4]
Mais uma vez passou a apoiar os oposicionistas, tendo-se envolvido em várias revoltas, nomeadamente na Revolta da Mealhada em 10 de outubro de 1946,[8] e subscrito até manifestos contra a ditadura, até à sua morte, em 1965.
Faleceu no dia 11 de junho de 1965 na sua casa na Avenida Almirante Reis, na freguesia de São João de Deus em Lisboa, vitimado por um cancro do pulmão. Está sepultado no Cemitério dos Prazeres.
Foi tio-bisavô de José Manuel Garcia Mendes Cabeçadas.
José Mendes Cabeçadas (interino) •Armando da Gama Ochoa (não empossado) •José Mendes Cabeçadas (interino) •Manuel Gomes da Costa •António Claro •Manuel Gomes da Costa (2.ª vez; interino) •Felisberto Pedrosa (2.ª vez) •José Ribeiro Castanho •Jaime Afreixo (interino) •José Ribeiro Castanho (continuação) •Adriano da Costa Macedo •José Vicente de Freitas •Artur Ivens Ferraz •Eduardo da Costa Ferreira (interino) •Artur Ivens Ferraz (continuação) •António Lopes Mateus •Mário Pais de Sousa •Albino dos Reis •Antonino Gomes Pereira •Henrique Linhares de Lima •Mário Pais de Sousa (2.ª vez) •João Lumbrales (interino) •Mário Pais de Sousa (2.ª vez; continuação) •Júlio Botelho Moniz •Augusto Cancela de Abreu •Manuel Cavaleiro de Ferreira (interino) •Augusto Cancela de Abreu (continuação) •Joaquim Trigo de Negreiros •José Pires Cardoso •Arnaldo Schulz •Alfredo dos Santos Júnior •António Manuel Gonçalves Rapazote •
Junta de Salvação Pública •José Mendes Cabeçadas (inicialmente interino) •Manuel Rodrigues •António Maria de Bettencourt Rodrigues •José da Silva Monteiro •Mário de Figueiredo •Francisco Xavier da Silva Teles (interino) •Luís Maria Lopes da Fonseca •Domingos Oliveira •José de Almeida Eusébio •Manuel Rodrigues (2.ª vez) •Adriano Vaz Serra •Manuel Cavaleiro de Ferreira •João Antunes Varela •Fernando Pires de Lima (interino) •João Antunes Varela (2.ª vez) •Mário Júlio de Almeida Costa •António Maria Lino Neto
Junta de Salvação Pública •José Mendes Cabeçadas (interino) •Manuel Gomes da Costa (inicialmente não empossado) •Óscar Carmona (2.ª vez) •Abílio Passos e Sousa •Júlio Morais Sarmento •Amílcar Pinto •João Namorado de Aguiar •Júlio Schiappa de Azevedo •António Lopes Mateus (inicialmente interino) •António de Oliveira Salazar (interino) •Daniel de Sousa •Luís Alberto de Oliveira •Abílio Passos e Sousa (2.ª vez) •Joaquim Abranches (interino) •Abílio Passos e Sousa (2.ª vez; continuação) •António de Oliveira Salazar (2.ª vez; interino) •Fernando dos Santos Costa (interino no final) •Adolfo Abranches Pinto •Fernando dos Santos Costa (2.ª vez; interino) •Afonso de Almeida Fernandes •Mário Silva •Joaquim da Luz Cunha •José Manuel Bettencourt Rodrigues •Horácio de Sá Viana Rebelo •Alberto de Andrade e Silva
Junta de Salvação Pública •José Mendes Cabeçadas (interino) •Manuel Gomes da Costa (não empossado) •Ezequiel de Campos (não empossado) •Felisberto Pedrosa •Joaquim Nunes Mexia •Joaquim Mendes do Amaral •José de Araújo Correia (interino) •Joaquim Mendes do Amaral (continuação) •Pedro Bravo •Henrique Linhares de Lima •Sebastião Ramires •Leovigildo Franco de Sousa •Rafael Duque •João Mota de Campos