Herodes Antipas
| Herodes Antipas | |
|---|---|
| Tetrarca da Galileia | |
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| Consorte de | Herodias |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 20 a.C. |
| Morte | 39 (58 anos) |
| Pai | Herodes |
| Mãe | Maltace |
Herodes Antipas (em grego antigo Ἡρῴδης Ἀντίπατρος, translit. Hērǭdēs Antipatros; nascido em 20 a.C. – morto em 39 d.C.), foi um filho de Herodes, o Grande por uma de suas esposas, a samaritana Maltace. Ele foi tetrarca da Galileia e da Pereia. É mais conhecido através dos relatos do Novo Testamento por seu papel nos eventos que levaram às execuções de João Batista e Jesus de Nazaré.
Herodes Antipas era idumeu. Os idumeus ou edomitas (descendentes de Esaú) ocupavam originalmente a área situada entre o Mar Morto e o Golfo de Ácaba. Foram judaizados, sobretudo no período de João Hircano. Mesmo sendo gentios, eram conhecedores e obrigados aos usos e costumes religiosos judaicos. A partir de 63 a.C., a Judeia passara a ser administrada pelo governador romano da Síria e dividida em quatro tetrarquias. Antípatro, pai de Herodes (o Grande), por ter feito grandes conquistas recebeu de Roma vários benefícios, entre os quais a cidadania romana, isenção de tributos e o cargo de administrador da Judeia.[1]

1308-11. Por Duccio, atualmente no Museo dell'Opera del Duomo, em Siena, na Itália.
Herodes Antipas era um príncipe frívolo, que foi acusado de vários crimes. Ordenou a decapitação de João Batista, por pedido de Salomé, instigada por Herodias, ex-esposa do seu meio-irmão Herodes Filipe, com quem ele havia se casado.
Pôncio Pilatos enviou Jesus para Herodes, quando este estava em Jerusalém, durante a Páscoa. Antipas fez algumas perguntas a Jesus, porém não encontrou motivos para incriminá-lo e mandou-o de volta a Pilatos. Santa Joana, mulher de Cuza, mordomo de Antipas, foi uma das primeiras discípulas de Jesus.[2]
Reinado
Após a morte de Herodes, o Grande, Augusto confirmou Antipas como tetrarca da Galileia e da Pereia, onde governou por 42 anos. A Galileia, ao norte, e a Pereia, ao sul, eram separadas pela Decápolis. Ele enfrentou ameaças em ambas as regiões. Dissidentes atacaram Séforis, na Galileia. Em retaliação, o governo romano destruiu Séforis e escravizou seus habitantes. A Pereia fazia fronteira com o Reino Nabateu, gerando tensões com romanos e judeus.
Antipas reconstruiu Séforis, fortificou Betaramfta, na Pereia, que passou a chamar-se Lívias e, depois, Júlias, em homenagem à Lívia e à Júlia, filha de Augusto. Sua obra mais notável foi Tiberíades, uma capital na costa ocidental do Mar da Galileia, nomeada em homenagem a Tibério. A cidade possuía fontes termais e, na época da Primeira Guerra Judaico-Romana, também estádio, palácio real e santuário.
Tiberíades tornou-se o centro de aprendizado rabínico, depois das guerras judaico-romanas. Judeus puristas relutaram em viver lá por ter sido construída sobre um cemitério, então Antipas a povoou com uma mistura de estrangeiros, gentios, imigrantes forçados, pobres e escravos libertos. Ele demonstrou sensibilidade à tradição judaica: suas moedas não tinham imagens, evitando idolatria. E solicitou a remoção dos escudos votivos de Pôncio Pilatos, no palácio Antônia, em Jerusalém.
Exílio e Morte
A queda de Antipas deveu-se a Calígula e ao seu próprio sobrinho Agripa, filho do seu meio-irmão Aristóbulo e irmão da esposa Herodias. Quando o jovem endividou-se, durante o reinado de Tibério, apesar de suas ligações com a família imperial, Herodias convenceu Antipas a sustentá-lo. Entretanto, os dois homens brigaram e se separaram. A seguir, Agripa foi flagrado conversando com Calígula sobre seu desejo a respeito da morte de Tibério, para que o amigo o sucedesse. Tal fato ocasionou sua prisão. Quando Calígula tornou-se imperador, em 37, libertou seu amigo e concedeu-lhe o governo da antiga tetrarquia de Filipe, com o título de rei. [3]
Josefo relata que Herodias, com ciúmes do sucesso de Agripa, convenceu Antipas pedir ao imperador o título de rei. No entanto, Agripa apresentou a Calígula uma lista de acusações contra o tetrarca. Supostamente, ele havia conspirado com Sejano contra Tibério — Sejano foi executado em 31. Agora, estava conspirando com o rei Artabano contra o próprio imperador. Como evidência, Agripa afirmou que Antipas tinha um estoque de armas suficiente para 70.000 homens. Ao ouvir sua admissão sobre esta última acusação, Calígula acreditou na conspiração. Em 39, ele foi exilado e seus bens e seu território foram entregues a Agripa. O local de seu exílio é controverso. Foi descrito por Josefo, em "Antiguidades", como Lugdunum, uma cidade na Gália (atual Lyon); ou como Hispânia, em "As Guerras dos Judeus". Antipas morreu no exílio. O historiador Cássio Dio, do século III, sugere que o imperador ordenou sua morte, mas tal informação é tratada com ceticismo pelos historiadores modernos.[4]
Referências
- ↑ Cronologia da Bíblia. 37 AC – (Anno Mundi 3859) – Herodes governador da Judeia
- ↑ Conforme Lucas 8:3
- ↑ Josefo, Antiguidades 18.143–239 2.178–181; Bruce 19–20. em inglês
- ↑ Dio 59.8.2 em inglês
Bibliografia
- JOSEFO, Flávio - "História dos Hebreus". Obra Completa, Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1992.
- ALLEGRO, John - "The Chosen People", London, Hodder and Stoughton Ltd, 1971.

