Gato-bravo
| Gato-bravo | |
|---|---|
| |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Mammalia |
| Ordem: | Carnivora |
| Família: | Felidae |
| Gênero: | Felis |
| Espécies: | F. silvestris
|
| Nome binomial | |
| Felis silvestris Schreber, 1777[3]
| |
| |
O gato-selvagem (nome científico: Felis silvestris), também conhecido como gato-cabeçana ou gato-montês, é um pequeno felídeo do gênero Felis, natural da Europa, África e Ásia. A espécie é bastante versátil e ocupa habitats diversificados como savanas, florestas e estepes. O gato-doméstico evoluiu a partir do gato-selvagem e é considerado como sua subespécie (Felis silvestris catus).
Características
O gato-selvagem é um carnívoro de médio porte, semelhante aos gatos-domésticos, porém mais robusto. A cabeça é grande e arredondada, com um focinho curto e poderosas mandíbulas. Os olhos são geralmente verdes. As patas são curtas e fortes.
A pelagem é acastanhada e/ou acinzentada, o que permite camuflar-se no seu ambiente. A principal característica distintiva é a sua cauda grossa e de aspecto tufado, que apresenta 3 a 5 anéis pretos, largos e bem espaçados, terminando numa ponta negra arredondada. O corpo também tem riscas ao longo dos flancos e patas. Ao contrário de muitos gatos-domésticos, a pelagem do gato-selvagem não tem pintas.

Os machos têm entre 52 e 65 cm de comprimento e pesam em média 5 kg (máximo 7 kg), enquanto as fêmeas medem entre 48 e 57 cm e pesam cerca de 3,5 kg. O peso dos animais varia sazonalmente.
Habitat
O gato-selvagem habita preferencialmente bosques fechados, mas também ocorrem em matagais mediterrâneos e florestas de coníferas. Durante o dia podem refugiar-se em buracos de árvores, fendas nas rochas ou tocas abandonadas de outros animais.
Comportamento
É um animal tímido e esquivo, de hábitos noturnos e difícil de observar na natureza. Como quase todos os felinos, o gato-selvagem é um animal solitário.
Cada animal controla um território que defende tenazmente de invasores. Machos e fêmeas procuram-se apenas na época do acasalamento, no final do inverno boreal. Os territórios podem ter entre 0.6 e 3,5 km², ainda que em Portugal os territórios tendem a ser maiores, alcançando 10–12 km².
Os gatos-selvagens tem excelentes sentidos: audição, olfato e visão. São também grandes trepadores, passando grande parte do tempo sobre os ramos das árvores.
Alimentação
O gato-selvagem come principalmente pequenos mamíferos como roedores (ratos-selvagens) e lagomorfos (coelhos e lebres). Também come aves, peixes e, mais raramente, pode alimentar-se de répteis, anfíbios e até mesmo de invertebrados como insetos, aracnídeos, crustáceos e moluscos.
Reprodução
Os acasalamentos ocorrem no final do inverno, entre janeiro e março. Nessa época os machos mais dominantes copulam com várias fêmeas. Após um período de gestação de entre 63 a 70 dias nascem os filhotes, a maioria entre o final de março e o final de abril. As ninhadas têm entre 3 a 7 crias. As fêmeas têm uma ninhada por ano.
As crias são amamentadas entre 6 a 7 semanas, e a partir dessa idade começam a tornar-se independentes e a procurar um território onde estabelecer-se. As fêmeas alcançam a maturidade sexual aos 9-10 meses de idade, e os machos aos 12 meses.
Distribuição e subespécies
As várias subespécies selvagens do gato-selvagem têm ampla distribuição geográfica, ocorrendo em grande parte da Europa, Ásia e quase toda a África excetuando o deserto do Sahara.

De acordo com um estudo genético de 2007, há cinco sub-espécies de gato-selvagem:[4]
- Felis silvestris silvestris (Europa e Turquia).
- Felis silvestris lybica (Norte da África, Oriente Médio e Ásia Central).
- Felis (silvestris) catus (Grande parte do globo! Derivado da subespécie anterior).
- Felis silvestris cafra (África subsariana).
- Felis silvestris ornata (Paquistão, noroeste da Índia, Mongólia e norte da China).
- Felis silvestris bieti (China).
- Felis silvestris caucasica (Região do Cáucaso).
Além das sub-espécies selvagens, os gatos-domésticos são considerados membros da subespécie Felis silvestris catus, derivada da domesticação do gato-da-Líbia (Felis silvestris lybica) na região do Crescente Fértil mais de 9000 anos atrás.
O gato-selvagem desapareceu de várias regiões da Europa Ocidental. Em Portugal ocorre a subespécie Felis silvestris silvestris de norte a sul do país, mas não se conhece sua tendência populacional. Várias áreas de conservação em Portugal abrigam populações de gatos-selvagems, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês, Parque Natural do Alvão, o Parque Natural de Montesinho, o Parque Natural do Douro Internacional, o Parque Natural da Serra de São Mamede, a Reserva Natural Serra da Malcata, etc.
Ameaças
Ainda que globalmente considerado uma espécie abundante, o gato-selvagem é ameaçado localmente pela caça furtiva, destruição de habitats e diminuição das suas presas naturais (roedores e coelhos). Na Europa, um dos principais problemas é a hibridação da sub-espécie selvagem, Felis silvestris silvestris, com o gato-doméstico, que pertence a outra sub-espécie. Estudos genéticos[4] mostram que, em algumas regiões europeias, grande parte dos gatos-selvagems europeus são híbridos entre as sub-espécies selvagem e doméstica.
Ver também
- Lince
- Gineta
- Gato feral
- Bakeneko (um gato demônio da mitologia japonesa)
Referências
- ↑ Driscoll, C. A.; Menotti-Raymond, M.; Roca, A. L.; Hupe, K.; Johnson, W. E.; Geffen, E.; Harley, E. H.; Delibes, M.; Pontier, D.; Kitchener, A. C.; Yamaguchi, N.; O’Brien, S. J.; Macdonald, D. W. (2007). «The Near Eastern Origin of Cat Domestication» (PDF). Science. 317 (5837): 519–523. Bibcode:2007Sci...317..519D. PMC 5612713
. PMID 17600185. doi:10.1126/science.1139518
- ↑ a b Gerngross, P.; Ambarli, H.; Angelici, F.M.; Anile, S.; Campbell, R.; Ferreras de Andres, P.; Gil-Sanchez, J.M.; Götz, M.; Jerosch, S.; Mengüllüoglu, D.; Monterroso, P.; Zlatanova, D. (2023) [amended version of 2022 assessment]. «Felis silvestris». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2023: e.T181049859A224982454. doi:10.2305/IUCN.UK.2023-1.RLTS.T181049859A224982454.en
- ↑ Schreber, J.C.D. (1778). «Die wilde Kaze» [The wild Cat]. Die Säugthiere in Abbildungen nach der Natur mit Beschreibungen (Dritter Theil) [Mammals illustrated from nature with descriptions]. Erlangen: Expedition des Schreber'schen Säugthier – und des Esper'schen Schmetterlingswerkes. pp. 397–402
- ↑ a b c Driscoll , CA,; et al. (28 de junho de 2007). «The Near Eastern Origin of Cat Domestication». Science. 317 (5837): 519-523. doi:10.1126/science.1139518


