Agogô
O agogô, também conhecido como gã, é um instrumento musical formado por um único ou múltiplos sinos originado da música iorubá, da África Ocidental. Está presente no maracatu e capoeira.[1] Tradicionalmente usado no candomblé, o agogô ainda é utilizado no samba de roda e no samba carioca.[2]
Etimologia
A palavra "agogô" vem do iorubá agogô, que significa "sino"[3]. É o nome usado pelos povos Yoruba-, Igala- e Edo, que vivem na Nigéria, para descrever um sino golpeado sem badalo.[4]
Usos

O sino era utilizado na terra iorubá e em certas outras regiões da Nigéria antes do desenvolvimento das redes sociais, das telecomunicações e das estações de rádio para comunicar informações à população. Usando o sino para chamar atenção, o arauto da cidade informa o povo sobre mensagens vindas do monarca ou dos líderes. Assim que o sino é tocado com um bastão de madeira, todos se reúnem em um único local para ouvir o que o arauto tem a dizer. O sino, que pode ser comparado ao tweet atual enviado ao mundo inteiro, é tão significativo nessa situação quanto o próprio arauto.[5]
Um sino conhecido como agogo é usado para fins religiosos além de seu uso como sino de percussão. Ele possui uma lingueta e um badalo utilizados para gerar som ao golpear o corpo metálico. Congregações pentecostais o utilizam como um tipo de instrumento musical e para oração. A importância do agogo é a mesma em todo o mundo.[6][7]
Instrumento musical
O agogô é um instrumento musical idiofone, compõe-se de duas até 4 campânulas de ferro, ou dois cones ocos e sem base, de tamanhos diferentes, de folhas de Flandres, ligados entre si pelas vértices.
Para se tirar som desse instrumento bate-se com uma baqueta de madeira nas duas bocas de ferro, também chamadas de campânulas, do instrumento.
Na religião
Pertence ao Orixá Ogum, usado no candomblé onde também é chamado de Gã e em outras religiões afro-brasileiras, por isso é o primeiro instrumento que deve ser tocado nas liturgias dos cânticos. Como é um objeto sagrado, antes do seu uso deve passar por rituais litúrgicos de consagração, isso implica banho de folha, ervas, sacrifícios vegetais, animais e minerais para adquirir o (axé) "força vital" no sentido de interferir no transe dos iniciados. No candomblé é tocado com o aguidavi.
Na capoeira
Faz parte da "bateria" da roda da capoeira, onde é mais conhecido por "gã" - nome este que vem de akokô, palavra nagô que significa "relógio" "tempo", assim como um som extraído de um instrumento metálico ou de madeira.
Ver também
- Gonguê
- Baqueta
- Educação musical
- Pegada
- Notação de percussão
- Rudimentos de percussão
Referências
- ↑ «Agogô». musicabrasilis.org.br. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «Agogô». Universidade Federal da Paraíba - UFPB Laboratório de Estudos Etnomusicológicos - LABEET. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.63
- ↑ «Agogô — Universidade Federal da Paraíba - UFPB Laboratório de Estudos Etnomusicológicos - LABEET». www.ccta.ufpb.br. Consultado em 28 de agosto de 2022
- ↑ Nelson, Lance (5 de fevereiro de 2015). «The Agogô: Yoruban "Double Bell"». Center for World Music (em inglês). Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ «A YORUBA MUSICAL INSTRUMENT: AGOGO | EveryEvery» (em inglês). 5 de junho de 2019. Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ «Portada | espazoABALAR». espazoabalar.edu.xunta.gal. Consultado em 20 de novembro de 2025