Elizabeth (filme)

Introdução

Elizabeth
Elizabeth (filme)
 Reino Unido
1998 •  cor •  124 min 
Gênero filme de drama
filme biográfico
Direção Shekhar Kapur
Roteiro Michael Hirst
Elenco Cate Blanchett
Geoffrey Rush
Joseph Fiennes
Christopher Eccleston
Richard Attenborough
Idiomas língua inglesa
língua francesa
Orçamento US$ 30 milhões
Receita US$ 82 milhões
Cronologia
Elizabeth: The Golden Age

Elizabeth é um filme britânico de 1998, dos gêneros drama e biografia, dirigido por Shekhar Kapur.[1] Indicado para 10 categorias do BAFTA Awards, 6 Academy Awards e 3 Globos de Ouro, esta produção é considerada a consagração de Cate Blanchett no cinema mundial.

O elenco inclui Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Joseph Fiennes e Emily Mortimer, como protagonistas, e Christopher Eccleston, Vincent Cassel, Fanny Ardant e John Gielgud como antagonistas. O filme é uma biografia de Elizabeth I, que assume o trono inglês em um período conturbado e decide sacrificar sua vida pessoal para enfrentar as ameaças ao seu reinado.

Ficha técnica básica

  • Título no Brasil: Elizabeth
  • Título original: Elizabeth
  • Ano: 1998
  • Direção: Shekhar Kapur
  • Roteiro: Michael Hirst
  • Trilha sonora: David Hirschfelder
  • Direção de fotografia: Remi Adefarasin
  • Elenco Principal: o Cate Blanchett - Elizabeth I
  • o Geoffrey Rush - Francis Walsingham o Joseph Fiennes - Robert Dudley o Emily Mortimer - Kat Ashley
  • o Christopher Eccleston, Vincent Cassel, Fanny Ardant e John
  • Gielgud como antagonistas
  • Gênero: Drama histórico e biografia

Sobre a produção

Elizabeth é uma produção britânica reconhecida mundialmente pela estética marcante, figurinos elaborados e reconstrução visual do século XVI. O filme consolidou Cate Blanchett no cinema internacional e recebeu amplo reconhecimento da crítica, sendo indicado a 10 categorias do BAFTA Awards, 6 Academy Awards e 3 Globos de Ouro. A produção recria o contexto político e religioso que moldou o início do reinado de Elizabeth I.

Contexto e Sinopse

Contexto Histórico Apresentado

A narrativa se passa no século XVI, período de declínio do sistema feudal e ascensão das bases do Estado moderno. O ambiente político inglês era marcado por profundas tensões religiosas entre católicos, protestantes e puritanos. Após o conturbado reinado da católica Mary I, Elizabeth assume um país dividido, fragilizado e ameaçado por conspirações internas e pressões externas de potências como França e Escócia. Conforme o historiador José Renato Ferraz da Silveira, sua principal missão era restaurar a estabilidade religiosa e consolidar sua autoridade sobre um reino à beira do caos.

Sinopse

Após a morte da rainha católica Mary I em 1558, sua meia-irmã Elizabeth, anteriormente presa por "conspirar contra a coroa', torna-se rainha da Inglaterra. Jovem, protestante e vista com desconfiança pela nobreza, Elizabeth precisa enfrentar a oposição do Duque de Norfolk, as ameaças de Mary Stuart e Maria de Guise, a declaração de ilegitimidade emitida pelo Papa e as conspirações internas que visavam derrubá-la. Pressionada a se casar para gerar um herdeiro e "estabilizar" o reino, Elizabeth transforma o matrimônio em arma diplomática, mantendo alianças pela incerteza e recusando compromissos que comprometeriam a soberania inglesa. Sua relação com Robert Dudley, embora pessoalmente significativa, também é sacrificada por razões políticas. Ao longo do filme, ela amadurece, identifica traidores e se firma como líder política. O clímax ocorre quando se declara "casada com a Inglaterra", assumindo sua figura mítica como Rainha Virgem[2].

Em 1558 a rainha católica Mary I sucumbe a um tumor maligno, deixando como única herdeira sua meia-irmã Elizabeth, que já havia sido presa por "conspirações contra a Coroa". Elizabeth é aconselhada a casar-se e gerar um herdeiro que lhe asseguraria o trono inglês e a confiança do povo. A "Rainha Virgem" tem, então, de enfrentar diversas ameaças ao seu reinado: o Duque de Norfolk e Mary Stuart, seus primos católicos, e Maria de Guise, que firma aliança com os franceses para derrotá-la. Outro grande opositor de Elizabeth é o Papa, que a acusa de permitir a morte de milhares de católicos.

Análise Crítica (Cinematográfica e Histórica)

Aspectos Cinematográficos

A produção trabalha com contraste entre luz e sombra para expressar a tensão religiosa e política do período. Os figurinos acompanham a evolução da rainha, de jovem vulnerável a ícone de poder. A trilha sonora intensifica os momentos-chave da narrativa, enquanto Cate Blanchett entrega uma atuação impactante, mesclando fragilidade emocional e força política. A direção de Shekhar Kapur utiliza enquadramentos simbólicos para reforçar a transformação da personagem.

Representação Histórica e Temática

O filme dialoga com princípios políticos de Maquiavel (1469-1527), especialmente quando aborda a questão de “ser amada ou ser temida”, presente na trajetória da protagonista. Além disso, o uso do casamento como estratégia política reproduz ideias maquiavélicas sobre a manutenção do poder. Elizabeth também recorre a decisões duras para consolidar o Estado, alinhando-se à noção de que “os fins justificam os meios”.[3] Por outro lado, também é possível relacionar o enredo ao pensamento de Thomas Hobbes (1588-1679). A Inglaterra pré-elisabetana é retratada como um reino em “estado de natureza”, instável e violento, e o fortalecimento da autoridade real por Elizabeth expressa a busca pela soberania como forma de restaurar a ordem. A cena final, em que Elizabeth aparece vestida de branco e declara-se “casada com a Inglaterra”, sintetiza sua transformação em símbolo político e mito nacional.

Conclusão

Impacto e Legado do Filme

Elizabeth teve grande impacto na crítica internacional, recebendo 6 indicações ao Oscar e vencendo na categoria de Melhor Maquiagem, além de conquistar 10 indicações ao BAFTA, com 5 vitórias, incluindo a de Melhor Filme Britânico. No Globo de Ouro, Cate Blanchett foi premiada como Melhor Atriz. O filme destaca o legado político de Elizabeth I, que estabilizou religiosamente a Inglaterra, fortaleceu a autoridade real e iniciou transformações que contribuíram para que o país se tornasse uma potência marítima. A construção da Rainha Virgem como símbolo de soberania e identidade nacional ocupa papel central na narrativa.

Posição crítica

O filme representa de maneira eficaz as tensões políticas e religiosas do período, mesmo com liberdades dramáticas típicas de obras cinematográficas. Construindo um retrato denso da protagonista, os autores do verbete consideram Elizabeth uma produção que equilibra precisão histórica com narrativa envolvente.

Recomendação

O filme é recomendado para:

  • estudantes e professores de História;
  • interessados em política, filosofia e formação do Estado moderno;
  • apreciadores de narrativas históricas, dramas biográficos e figuras femininas marcantes;
  • público geral que valoriza filmes com estética elaborada e atuação de destaque.
Elizabeth
Elizabeth (filme)
 Reino Unido
1998 •  cor •  124 min 
Gênero filme de drama
filme biográfico
Direção Shekhar Kapur
Roteiro Michael Hirst
Elenco Cate Blanchett
Geoffrey Rush
Joseph Fiennes
Christopher Eccleston
Richard Attenborough
Idiomas língua inglesa
língua francesa
Orçamento US$ 30 milhões
Receita US$ 82 milhões
Cronologia
Elizabeth: The Golden Age

Elenco

Principais prêmios e indicações

Oscar 1999 (EUA)

Ano Categoria Notas Resultado
1999 Melhor Filme Elizabeth Indicado
Melhor Atriz Cate Blanchett Indicado
Melhor Direção de Arte John Myhre e Peter Howitt Indicado
Melhor Fotografia Remi Adefarasin Indicado
Melhor Figurino Alexandra Byrne Indicado
Melhor Maquiagem Jenny Shircore Venceu
Melhor Trilha Sonora (Drama) David Hirschfelder Indicado

Globo de Ouro 1999 (EUA)

Ano Categoria Notas Resultado
1999 Melhor Filme Dramático Elizabeth Indicado
Melhor Diretor Shekhar Kapur Indicado
Melhor Atriz em Filme Dramático Cate Blanchett Venceu

BAFTA 1999 (Reino Unido)

Ano Categoria Notas Resultado
1999 Melhor Filme Elizabeth Indicado
Prêmio Alexandre Korda Venceu
Melhor Atriz Cate Blanchett Venceu
Melhor Ator Coadjuvante Geoffrey Rush Venceu
Melhor Roteiro Original Michael Hirst Indicado
Melhor Edição Jill Bilcock Indicado
Melhor Desenho de Produção John Myhre Indicado
Melhor Fotografia Remi Adefarasin Venceu
Melhor Figurino Alexandra Byrne Indicado
Melhor Maquiagem Jenny Shircore Venceu
Prêmio Anthony Asquith David Hirschfelder Indicado

Referências

  1. «Elizabeth». Encyclopædia Britannica Online (em inglês). Consultado em 2 de dezembro de 2019 
  2. SILVEIRA, José Renato Ferraz da. A Inglaterra elisabetana e os conflitos pelo poder. Aurora, São Paulo, v. 6, n. 16, 2013.
  3. * CASTRO, Susana de. A origem do Estado moderno em Maquiavel e Hobbes. Sofia, Vitória (ES), v. 6, n. 2, 2017.