Culto de personalidade

O culto de personalidade, ou culto à personalidade, é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes - reais e/ou supostas - do governante, bem como da divulgação positiva de sua figura.[1][2] Cultos de personalidade são frequentemente encontrados em ditaduras, embora também existam em democracias.[3] Historicamente, ela foi desenvolvida por meio de técnicas como a manipulação da mídia de massa, a disseminação de propaganda, a encenação de espetáculos, a manipulação das artes, a instilação do patriotismo e manifestações e comícios organizados pelo governo. Um culto à personalidade é semelhante à apoteose, exceto que é estabelecido por meio do uso de técnicas modernas de engenharia social; geralmente, é estabelecido pelo Estado ou pelo partido em Estados de partido único e Estados de partido dominante. Cultos à personalidade frequentemente acompanham os líderes de governos totalitários ou autoritários. Também podem ser observados em algumas monarquias, teocracias, democracias falidas e até mesmo em democracias liberais.
Pode também assumir o aspecto de um culto à masculinidade artificial, característico de certas lideranças políticas.[4]
Origem da expressão
O termo "culto à personalidade" foi utilizado pela primeira vez em 1956 por Nikita Khrushchov no Discurso secreto para denunciar Josef Stalin,[3] apesar desta ideia aparecer sem este nome desde a Revolução Francesa quando os líderes políticos deixaram de ser vistos como representantes de terceiros para serem vistos como representantes de si mesmos.[5] Em inglês, o termo "culto à personalidade" provavelmente surgiu por volta de 1800-1850, juntamente com as versões francesa e alemã do termo.[6] Inicialmente, não tinha conotações políticas, mas estava intimamente relacionado ao "culto ao gênio" romântico. O primeiro uso político conhecido da expressão apareceu em uma carta de Karl Marx ao político alemão Wilhelm Blos, datada de 10 de novembro de 1877:[6]
Nenhum de nós se importa com a popularidade. Permita-me citar uma prova disso: tamanha era minha aversão ao culto à personalidade [orig. Personenkultus] que, na época da Internacional, atormentada por inúmeras mudanças... para me conceder honraria pública, nunca permiti que nenhuma delas entrasse no domínio da publicidade...[6][7]
Contexto

Ao longo da história humana, monarcas e outros chefes de Estado foram frequentemente tratados com enorme reverência e também eram considerados dotados de qualidades sobre-humanas. Através do princípio do direito divino dos reis, notadamente na Europa medieval, dizia-se que os governantes ocupavam cargos pela vontade de Deus ou pela vontade dos deuses. O Egito Antigo, o Japão Imperial, os incas, os astecas, o Tibete, o Sião (atual Tailândia) e o Império Romano são especialmente notáveis por sua redefinição de monarcas como "reis-deuses". Além disso, o culto imperial da Roma Antiga identificava os imperadores e alguns membros de suas famílias com a autoridade divinamente sancionada (auctoritas) do Estado Romano.
A disseminação de ideias democráticas e seculares na Europa e na América do Norte nos séculos XVIII e XIX tornou cada vez mais difícil para os monarcas preservarem essa aura, embora Napoleão III[8] e a Rainha Vitória[9] apreciassem sua perpetuação em seus retratos carte-de-visite que proliferaram, circularam e foram colecionados no século XIX.[10][11][12]
O desenvolvimento subsequente dos meios de comunicação de massa, como o rádio, permitiu que líderes políticos projetassem uma imagem positiva de si mesmos para as massas como nunca antes. Foi a partir dessas circunstâncias, no século XX, que surgiram os cultos de personalidade mais notórios. Frequentemente, esses cultos são uma forma de religião política.[13]
O advento da internet e da World Wide Web no século XXI renovou o fenômeno do culto à personalidade. A desinformação via plataformas de mídia social e o ciclo de notícias 24 horas por dia permitiram a ampla disseminação e aceitação de informações e propaganda enganosas.[14] Como resultado, os cultos à personalidade cresceram e permaneceram populares em muitos lugares, correspondendo a um aumento acentuado de governos autoritários em todo o mundo.[15]
Estados e sistemas com cultos de personalidade


Regimes totalitários que praticaram culto à personalidade de seus líderes incluem Stalin, Hitler,[16] Franco, Mussolini, Mao, Ceauşescu, Kim Il-Sung, Kim Jong-Il[17] e Rafael Leónidas Trujillo.[18]
Na União Soviética retratos de Stalin eram sempre colocados ao lado de outros símbolos comunistas, por exemplo, na parada esportiva anual de Moscou, retratos enormes de Stalin e outros líderes soviéticos eram usados.[19] Stalin era chamado pelo Pravda de Vozhd (em russo: Вождь, Líder), e deveria ser admirado pelo povo.
Na Alemanha nazista houve um fortíssimo culto à personalidade de Hitler, a saudação de Hitler que consistia em levantar-se o braço e dizer Heil Hitler (em português Salve Hitler) era comum, especialmente por oficiais do exército, que a usavam como continência. Muitas vezes ao atender ao telefone em vez de dizer de Alô, dizia-se Heil Hitler. Hitler era considerado o "übermensch" (super-homem) e chamado de Führer (Líder).[20]
Argentina
Brasil
China
Na República Popular da China ocorreu um forte culto ao Presidente Mao Tsé-Tung que permanece até a atualidade. Dizia-se "Viva o Presidente Mao", em 1949 o retrato de Mao foi exposto na entrada da Cidade Proibida, na Praça da Paz Celestial e permanece lá até a atualidade. As Citações do Presidente Mao Tsé-Tung, um livro que expunha as ideias de Mao, o "Maoísmo",[21] era uma exigência não oficial para todo cidadão chinês conhecê-lo e possuí-lo, especialmente durante a Revolução Cultural, tornando-se o segundo livro mais vendido na história, atrás apenas da Bíblia, teve aproximadamente 900 milhões de cópias impressas.
Coreia do Norte
O jornalista Bradley Martin documentou os cultos à personalidade dos líderes da Coreia do Norte, Kim Il-sung (chamado de "Eterno (ou Antigo, ou ainda Grande) Líder" e "Grande (ou Querido ou ainda Caro) Líder" Kim Jong-il.[22] Quando visitou a Coreia do Norte em 1979, observou que diversos aspectos culturais, tal como a música, arte e escultura glorificavam o "Grande Líder" Kim Il-sung, culto à personalidade este que foi estendido para o seu filho, o "Querido Líder" Kim Jong-il. Kim Il-Sung negou que que ele tinha criado um culto em torno de si próprio. Um pesquisa confirmou que na Coreia do Norte nas escolas os alunos aprenderam a agradecer a Kim Il-sung por todas as bênçãos que possuem, de uma forma quase religiosa.[23]
Espanha
Na Espanha ocorreu um forte culto ao ditador Francisco Franco; um exemplo de propaganda usada para criar um culto à personalidade de Franco, foram os panfletos com o rosto do ditador, distribuídos para os cidadãos em toda a Espanha.[24] Franco também inventou seu próprio folclore, na forma de poemas, hinos e canções que foram impostas à população civil.[25]
Estados Unidos
Vários presidentes na história estadunidense foram mencionados por vários historiadores como sendo apoiados pelos efeitos de um culto à personalidade,[26] entre eles George Washington, Thomas Jefferson, Andrew Jackson, Theodore Roosevelt,[27][28] Franklin D. Roosevelt,[29] Ronald Reagan e Donald Trump.[30][31][32][33] Conrad Black, que escreveu várias biografias de presidentes americanos, argumentou que o "campeão supremo do culto à personalidade americana" foi "merecidamente" Abraham Lincoln.[34] O culto à personalidade de John F. Kennedy surgiu em grande parte após seu assassinato, embora a aparência dele e de sua esposa Jackie Kennedy tenha contribuído para a aura de "Camelot" que cercava sua administração.[35]
Outro político americano a quem foi atribuído um culto à personalidade é Huey Long, o governador populista da Louisiana de 1928 a 1932, que continuou a controlar a política do estado como senador dos Estados Unidos até ser assassinado em 1935.[36][37] O Movimento LaRouche foi considerado um culto à personalidade baseado em Lyndon LaRouche.[38][39][40]
Portugal
Venezuela
Superestrelas comerciais
Alguns executivos comerciais seniores, seguindo os passos de campeões da livre iniciativa como Henry Ford ou Thomas J. Watson,[41] também se tornaram "superestrelas onipotentes" e objetos de cultos de personalidade,[42] incluindo Elon Musk[43] e Jeff Bezos.[44][45]
Ver também
- Carisma político
- Clã político
- Complexo de deus
- Culto imperial
- Liderança carismática
- Panem et circenses
- Personalismo
- Populismo
- Religião na Coreia do Norte
- Teoria do grande homem
Referências
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A cultura da IBM — na verdade, o culto a Watson — girava em torno da adoração a Watson, que era tanto flagrante (foto de Watson pendurada em todos os escritórios e fábricas) quanto sutil (gerentes imitando seu estilo de vestir). [...] ninguém poderia buscar e absorver mais adulação do que Watson, e fazê-lo sem a menor sombra de constrangimento.
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Esse culto à personalidade infectou todo o sistema. Investidores institucionais que exigiam mudanças viam o CEO como a variável crucial no sucesso e no fracasso dos negócios [...]. [...] Analistas de investimentos responderam a essa visão centrada no líder de seus clientes finais, exploraram estratégias de relações com investidores que cooptaram os CEOs como seus principais ativos de marketing e substituíram uma análise dos pontos fortes intrínsecos dos negócios de uma empresa por uma avaliação do caráter, filosofia e estilo de gestão de seu CEO e exames detalhados de seus pronunciamentos, declarações e frases de efeito. [...] O culto ao "CEO como herói" era conveniente para gestores de ativos e analistas de ações [...]. [...] Banqueiros de investimento [...] também acharam o culto ao CEO conveniente [...]. [...] A elevação de CEOs a superestrelas onipotentes com salários à altura não é [...] uma consequência inevitável da interação de impulsos humanos naturais com o sistema capitalista. [...] É, em vez disso, o produto de uma "falha de mercado" [...].
- ↑ Diane Brady & Joey Abrams (24 de outubro de 2024). «Tesla, Musk, and the cult of personality» (em inglês). Fortune
- ↑ Pras Subramanian (18 de agosto de 2015). «How the Bezos cult of personality drives Amazon» (em inglês). Yahoo Finance
- ↑ Brian Kenny & Sunil Gupta (21 de maio de 2019). «If the Key to Business Success Is Focus, Why Does Amazon Work?». Harvard Business Review (em inglês)
Bibliografia
- Plamper, Jan (2012). The Stalin Cult: A Study in the Alchemy of Power (em inglês). [S.l.]: New Haven, Connecticut: Yale University Press. ISBN 978-0300169522
Ligações externas
- «Why Dictators Love Kitsch» (em inglês). por Eric Gibson, The Wall Street Journal, 10 de agosto de 2009.
- Koch, Natalie (maio de 2022). «"On the Cult of Personality and Its Consequences": American Nationalism and the Trump Cult». Spatializing Authoritarianism (em inglês). [S.l.]: Syracuse University Press. pp. 194–221. doi:10.2307/j.ctv2djhg8q.14







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