Cracídeos

Cracídeos
Crax daubentoni
Classificação científica e
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Galliformes
Família: Cracidae
Rafinesque, 1815
Subfamílias
  • Cracinae
  • Penelopinae

Cracídeos[1] (Cracidae) é uma família da ordem Craciformes que inclui as aves conhecidas popularmente no Brasil como mutum (gêneros Crax, Mitu e Oreophasis), jacu (gêneros Penelope e Pipile) e aracuã (gênero Ortalis). O grupo habita, sobretudo, as zonas tropicais e subtropicais da América do Sul, América Central e América do Norte até ao México; a espécie Ortalis vetula, no entanto, chega a incluir, em sua área de distribuição, o estado americano do Texas. Mutum (do tupi mi'tu[2]) é a designação comum às aves galiformes da família dos cracídeos, florestais, dos gêneros Crax e Mitu, sendo várias espécies dessas aves ameaçadas de extinção. Tais animais possuem uma plumagem geralmente negra, com topete com penas encrespadas ou lisas e bico com cores vivas.

Assemelham-se morfologicamente aos seus parentes distantes, os faisões e perdizes europeias e asiáticas (pertencendo, tal como estes, à ordem dos Galliformes), diferindo deles, no entanto, pelo fato de preferirem habitat florestais aos campestres, nidificarem em árvores, e não no chão, e terem uma alimentação mais frugívora do que granívora. Segundo a classificação de Sibley & Monroe, os cracídeos estariam estreitamente aparentados aos megapodídeos da Oceania e Sul da Ásia, formando com eles uma ordem separada, a dos Craciformes; diferentemente dos seus parentes próximos, no entanto, não possuem a prática da incubação em montes de terra e material orgânico decomposto.

Todas são espécies cinegéticas e algumas em vias de extinção.

Classificação

A classificação da família Cracidae sofreu algumas mudanças, tanto devido à proposta de uma ordem própria, a Craciformes (Taxonomia de Sibley-Ahlquist), juntamente com a família Megapodiidae, como pelas propostas de subdivisão, ou seja, as subfamílias. Vaurie (1968) reconhecia três divisões principais dentro da família, baseado em critérios morfológicos: tribo Penelopini, tribo Cracini e tribo Oreophasini. Delacour e Amadon (1973) considerou que o gênero Oreophasis pertencia ao grupo Penelope-Ortalis, e reconheceu apenas dois grupos: a) os mutuns, e b) o restante das espécie. Del Hoyo (1994) reconheceu duas subfamílias: Cracinae com quatro gêneros e Penelopinae, com o restante dos gêneros. Recentes estudos filogenéticos (Pereira et al., 2002; Crowe et al., 2006; e Hoeflich et al., 2007) tem sugerido que a família Cracidae se divide em dois grandes grupos: (i) Oreophasis (extralimital), Pauxi, Mitu, Nothocrax e Crax, e (ii) Chamaepetes, Penelopina (extralimital), Penelope e Pipile/Aburria. A posição do Ortalis em um ou outro grupo é controversa. Os estudos moleculares mostram relações com os mutuns: entretanto, os estudos morfológicos e comportamentais mostram correlação com os Penelopinae. Os nomes populares das espécies que ocorrem no Brasil estão padronizadas com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO).[3]

Subfamília Penelopinae

  • Gênero Chamaepetes Wagler, 1832
    • Chamaepetes unicolor Salvin, 1867
    • Chamaepetes goudotii (Lesson, 1828)
  • Gênero Penelopina Reichenbach, 1861
    • Penelopina nigra (Fraser, 1852)
  • Gênero Penelope Merrem, 1786
    • Penelope argyrotis (Bonaparte, 1856)
    • Penelope barbata Chapman, 1921
    • Penelope ortoni Salvin, 1874
    • Penelope montagnii (Bonaparte, 1856)
    • Penelope marail (Statius Müller, 1776) - Jacumirim
    • Penelope superciliaris Temminck, 1815 - Jacupemba
    • Penelope dabbenei Hellmayr e Conover, 1942
    • Penelope purpurascens Wagler, 1830
    • Penelope perspicax Bangs, 1911
    • Penelope albipennis Taczanowski, 1878
    • Penelope jacquacu Spix, 1825 - Jacu-de-spix
    • Penelope obscura Temminck, 1815 - Jacuguaçu
    • Penelope pileata Wagler, 1830 - Jacupiranga
    • Penelope ochrogaster Pelzeln, 1870 - Jacu-de-barriga-castanha
    • Penelope jacucaca Spix, 1825 - Jacucaca
  • Aracuã-do-pantanal (Ortalis canicollis)
    Gênero Pipile[4] Bonaparte, 1856
    • Pipile pipile (Jacquin, 1784)
    • Pipile cumanensis (Jacquin, 1784) - Jacutinga-de-garganta-azul
    • Pipile cujubi (Pelzeln, 1858) - Cujubi
    • Pipile jacutinga (Spix, 1825) - Jacutinga
  • Gênero Aburria Reichenbach, 1853
    • Aburria aburri (Lesson, 1828)
  • Gênero Oreophasis[5] G. R. Gray, 1844
    • Oreophasis derbianus G. R. Gray, 1844 - Mutum-cornudo
  • Gênero Ortalis[6] Merrem, 1786
    • Ortalis vetula (Wagler, 1830)
    • Ortalis cinereiceps G. R. Gray, 1867
    • Ortalis garrula (Humboldt, 1805)
    • Ortalis ruficauda Jardine, 1847
    • Ortalis erythroptera Sclater e Salvin, 1870
    • Ortalis wagleri G. R. Gray, 1867
    • Ortalis poliocephala (Wagler, 1830)
    • Ortalis canicollis (Wagler, 1830) - Aracuã-do-pantanal
    • Ortalis leucogastra (Gould, 1843)
    • Ortalis guttata (Spix, 1825) - Aracuã-comum
    • Ortalis motmot (Linnaeus, 1766) - Aracuã-pequeno
    • Ortalis superciliaris G. R. Gray, 1867 - Aracuã-de-sobrancelhas

Subfamília Cracinae

  • Gênero Nothocrax Burmeister, 1856
    • Nothocrax urumutum (Spix, 1825) - Urumutum
  • Gênero Crax Linnaeus, 1758
    • Crax rubra Linnaeus, 1758 - Mutum-grande
    • Crax alberti Fraser, 1852
    • Crax daubentoni G. R. Gray, 1867
    • Crax alector Linnaeus, 1766 - Mutum-poranga
    • Crax globulosa Spix, 1825 - Mutum-de-fava
    • Crax fasciolata Spix, 1825 - Mutum-de-penacho
    • Crax blumenbachii Spix, 1825 - Mutum-de-bico-vermelho
  • Gênero Mitu Lesson, 1831
    • Mitu salvini Reinhardt, 1879
  • Gênero Pauxi Temminck, 1813
    • Pauxi pauxi (Linnaeus, 1766)
    • Pauxi unicornis Bond e Meyer de Schauensee, 1939
    • Pauxi tuberosa (Spix, 1825) - Mutum-cavalo
    • Pauxi tomentosa (Spix, 1825) - Mutum-do-norte
    • Pauxi mitu (Linnaeus, 1766) - Mutum-do-nordeste

Nomes vulgares de algumas espécies

  • mutum-do-nordeste
  • mutum-do-sudeste
  • mutum-de-penacho
  • mutum-cavalo

Referências

  1. «Cracídeos». Infopédia. Consultado em 17 de abril de 2022 
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 176
  3. Listas de Aves do Brasil do CBRO versão de 16/08/2007. Outros nomes populares podem ser encontrados nos verbetes específicos das espécies
  4. Grau et al., (2005) demonstraram que o gênero Pipile é sinônimo do Aburria por estudo molecular, osteológico e biogeográfico.
  5. Em algumas classificações reprenta uma subfamília própria, a Oreophasinae.
  6. Pode vir a constituir uma subfamília própria, ainda não nominada, visto que o nome Ortalinae, já está em uso.

Bibliografia

  • CROWE, T.M., BOWIE, R.C.K., BLOOMER, P., MANDIWANA, T., HEDDERSON, T., RANDI, E., PEREIRA, S.L., & WAKELING, J. (2006). Phylogenetics and biogeography of, and character evolution in gamebirds (Aves: Galliformes): effects of character exclusion, partitioning and missing data. Cladistics 22: 495-532. [1]
  • FRANK-HOEFLICH, K., SILVEIRA, L.F., ESTUDILLO-LOPEZ, J., GARCIA-KOCH. A.M., ONGAY-LARIOS, L. & PINERO, D. 2007. Increased taxon and character sampling reveals novel intergeneric relationships in the Cracidae (Aves: Galliformes). J. Zool. Syst. Evol. Res. [2]
  • GRAU, E. T., S. L. PEREIRA, L. F. SILVEIRA, E. HÖFLING, AND A. WAJNTAL. 2005. Molecular phylogenetics and biogeography of Neotropical piping guans (Aves: Galliformes): Pipile Bonaparte, 1856 is synonym of Aburria Reichenbach, 1853. Molecular Phylogenetics & Evolution 35: 637-645. [3]
  • PEREIRA, S.L., BAKER, A.J.& WAJNTAL, A. (2002). Combined nuclear and mitochondrial DNA sequences resolve generic relationships within the Cracidae (Galliformes, Aves). Systematic Biology 51(6): 946-958. [4]
  • PEREIRA, S.L. & BAKER, A.J. (2004). Vicariant speciation of curassows (Aves, Cracidae): a hypothesis based on mitochondrial DNA phylogeny. The Auk 121: 682-694. [5][ligação inativa]
  • Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) - Lista de Aves do Brasil - versão 16 de agosto de 2007
  • Josep del Hoyo, Andrew Elliott, Jordi Sargatal, José Cabot (eds.) (1994). Handbook of the birds of the world (Volume 2, New World Vultures to Guineafowl) (em inglês). Barcelona: Lynx Edicions. ISBN 978-84-87334-15-3. Consultado em 7 de agosto de 2015 

Ligações externas