Claudia Cardinale

Claudia Cardinale

Claudia Cardinale em 1962
Nome completo Claude Josephine Rose Cardinale
Nascimento 15 de abril de 1938
Túnis, Protetorado Francês da Tunísia
Nacionalidade italiana
francesa
Morte 23 de setembro de 2025 (87 anos)[1]
Nemours, Ilha de França
Ocupação Atriz
Atividade 1958–2025
Cônjuge Franco Cristaldi (c. 1966; div. 1975)
Filho(a)(s) 2
Festival de Berlim
Urso de Ouro Honorário
2002
Festival de Veneza
Prémio de Honra - Leão de Ouro
1993
Outros prêmios
Prémio Carreira do Festival Internacional de Cinema do Funchal (2008)

Claude Josephine Rose Cardinale (Túnis, 15 de abril de 1938 – Nemours, 23 de setembro de 2025) foi uma atriz ítalo-francesa nascida na Tunísia. Estrelou alguns dos filmes europeus mais aclamados das décadas de 1960 e 1970, principalmente italianos ou franceses, mas também em muitos filmes em inglês.

Criada em La Goulette, município próximo a Túnis, Cardinale venceu o concurso "A Mais Linda Garota Italiana na Tunísia", em 1957, cujo prêmio foi uma viagem à Itália, que rapidamente levou-a a contratos de filmes, devido principalmente ao envolvimento de Franco Cristaldi, que atuou como seu mentor por vários anos e depois a desposou.

Após sua estreia em um papel menor com Omar Sharif, em Goha (1958), Cardinale tornou-se uma das atrizes mais conhecidas na Itália depois de papéis em filmes, como Rocco e i suoi fratelli (1960), La ragazza con la valigia (1961), Cartouche (1962), Il gattopardo (1963) e de Fellini (1963).[nota 1]

A partir de 1963, Cardinale tornou-se conhecida nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha após seu papel em The Pink Panther, ao lado de David Niven. Por vários anos apareceu em filmes de Hollywood, como Blindfold (1965), Lost Command (1966), The Professionals (1966), The Hell with Heroes (1968) e o épico Western de Sergio Leone Once Upon a Time in the West (1968), uma produção conjunta EUA-Itália, na qual ela é elogiada por seu papel como ex-prostituta, ao lado de Jason Robards, Charles Bronson e Henry Fonda.

Cansada da indústria cinematográfica de Hollywood e desejando não se tornar um clichê, Cardinale voltou ao cinema italiano e francês, onde recebeu o prêmio David di Donatello de melhor atriz por seus papéis em Il giorno della civetta (1968) e como prostituta, ao lado de Alberto Sordi, em A Girl in Australia (1971). Em 1974, Cardinale conheceu o diretor Pasquale Squitieri, que viria a se tornar seu parceiro e de cujos filmes costumava aparecer, incluindo I Guappi (1974), Corleone (1978) e Claretta (1984), o último dos quais ganhou o Prêmio Nastro d'Argento, como Melhor Atriz.

Em 1982 estrelou no Fitzcarraldo, de Werner Herzog, como o interesse amoroso de Klaus Kinski, que levanta os fundos para comprar um navio a vapor no Peru. Em 2010, Cardinale recebeu o prêmio de Melhor Atriz no 47º Festival Internacional de Cinema de Antalya, recebendo o Golden Orange por sua atuação como uma idosa italiana que recebe um jovem estudante de intercâmbio turco, em Signora Enrica.

Falando sobre causas dos direitos da mulher ao longo dos anos, Cardinale foi Embaixadora da Boa Vontade para a Defesa dos Direitos da Mulher da UNESCO, desde março de 2000 e Embaixadora da boa vontade do Dia Mundial da Água, em 2006.[2]. Em fevereiro de 2011, a Los Angeles Times Magazine nomeou Cardinale entre as cinquenta mulheres mais bonitas da história do cinema.

Biografia

Primeiros anos

Claudia Cardinale nasceu Claude Joséphine Rose Cardinale, em La Goulette, um bairro de Túnis, protetorado francês da Tunísia, em 15 de abril de 1938.[3][4] Seus pais, Francesco Cardinale e Iolanda Greco, eram ambos nascidos na Tunísia de famílias sicilianas originárias da província de Trápani.[5]

Seus avós maternos tinham uma pequena empresa de construção naval em, Trápani, mas depois se estabeleceram em La Goulette, onde existia uma numerosa comunidade italiana.[5]

Suas línguas nativas eram o francês e o siciliano de seus pais. Ela aprendeu a falar italiano após ser escalada para filmes da Itália.[6]

Cardinale foi educada na escola de Saint-Joseph-de-l'Apparition, em Cartago, a qual frequentou junto com sua irmã mais nova, Blanche.[7] Ela então estudou na Paul Cambon School, onde se formou com a intenção de tornar-se professora.[8] Quando adolescente foi descrita como "silenciosa, esquisita e selvagem" e, como outras garotas de sua geração, ficou fascinada por Brigitte Bardot, que ganhou destaque no filme de 1956, Et Dieu... créa la femme, dirigido por Roger Vadim.[9]

Carreira

Cardinale no Festival de Cannes de 2010

Pode-se dizer que ela atuou em mais filmes de qualidade que os seus contemporâneos. Algumas das suas atuações consideradas memoráveis são em Vagas estrelas da Ursa, de Visconti, onde interpreta uma órfão de pai, morto no Holocausto, que desenvolve uma relação incestuosa com o irmão, e La Storia, de Luigi Comencini, com a sua interpretação de uma viúva durante a segunda guerra mundial. Além desses filmes, podemos citar também La ragazza con la valigia, de Valerio Zurlini, e Libera, de Mauro Bolognini. Participou de grandes filmes na Europa, como , O Leopardo, Rocco e seus irmãos. Em 1971 estrelou, ao lado de Brigitte Bardot, o filme As Petroleiras.

A sua carreira no circuito norte-americano de cinema não progrediu devido a falta de interesse em deixar a Europa. Os seus filmes em Hollywood incluem A Pantera Cor-de-Rosa (1963), Circus World (1964) e The Hell With Heroes (1968). Ela permaneceu ativa no cinema europeu, seus últimos filmes incluem Qui comincia l'avventura (1975), Fitzcarraldo (1982), La Storia (1985) e Un homme amoureux (1987).

A 30 de outubro de 2001 foi agraciada com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal, pelo Presidente Jorge Sampaio, numa cerimónia realizada no Teatro Rivoli, no Porto.[10][11]

Vida pessoal

Claudia Cardinale conheceu o produtor de cinema italiano Franco Cristaldi, em 1958.[12] Segundo Cardinale, o casal teve uma festa de casamento, mas não se casou,[13] e eles se tornaram cada vez mais desapegados. Mais tarde, Cristaldi se casou com Zeudi Araya e não teve mais relações contratuais com Cardinale.[14]

Cardinale viveu com Pasquale Squitieri, diretor de cinema italiano, por 42 anos, de 1975,[15] até Squitieri morrer, em 18 de fevereiro de 2017, aos 78 anos.[16]

Cardinale tem dois filhos: Patrick, que nasceu quando ela tinha 19 anos e mais tarde foi adotado por Cristaldi,[17] e Claudia,[18] que ela teve com Squitieri. Cardinale era fluente em francês, italiano, inglês e espanhol.[19] A sobrinha Francesca também é atriz.[20]

Cardinale foi uma liberal que apoiou causas feministas e gays ao longo dos anos. Embora vivesse em Paris, era muito sincera sobre ser identificada como italiana.

Cardinale publicou uma autobiografia com Anne Mori, Io, Claudia, tu, Claudia, em 1995.[6] Ela participou regularmente do Oscar. Seus prêmios incluem um Leão de Ouro honorário, no Festival de Veneza de 1993, e um Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim de 2002. A Los Angeles Times Magazine, em um recurso on-line de fevereiro de 2011, nomeou Cardinale entre as cinquenta mulheres mais bonitas da história do cinema.[21][22] Cardinale disse sobre sua atuação: "Nunca sentir escândalo e fé eram necessários para ser atriz. Nunca me revelei nem mesmo meu corpo em filmes. O mistério é muito importante".[23] Em uma entrevista de 2014, ela revelou o segredo do sucesso dela: "Se você quer praticar esse ofício, precisa ter força interior. Caso contrário, perderá a ideia de quem você é. Todo filme que faço implica tornar-se uma mulher diferente. E na frente de uma câmera, nem menos! Mas, quando terminei, sou eu de novo".[24]

Cardinale morreu aos 87 anos em 23 de Setembro de 2025, em sua casa em Nemours, Île-de-France.[25][26] Seu funeral foi realizado na Saint-Roch em Paris.[27]

Filmografia

  • I soliti ignoti, de Mario Monicelli (1958)
  • Vento del sud (1959)
  • Tre straniere a Roma (1959)
  • Un maledetto imbroglio (1959)
  • Il magistrato (1959)
  • Su e giù per le scale (1959)
  • Audace colpo dei soliti ignoti (1960)
  • I delfini (1960)
  • Il bell'Antonio, de Mauro Bolognini (1960)
  • Austerlitz (1960)
  • Rocco e Seus Irmãos, de Luchino Visconti (1960)
  • La viaccia (1961)
  • La ragazza con la valigia (1961)
  • Cartouche (1962)
  • Senilità (1962)
  • La ragazza di Bube (1963)
  • , de Federico Fellini (1963)
  • O Leopardo, de Luchino Visconti (1963)
  • A Pantera Cor-de-rosa, de Blake Edwards (1963)
  • Gli indifferenti (1964)
  • O Mundo do Circo (1964)
  • Il magnifico cornuto (1964)
  • Una rosa per tutti (1965)
  • Vaghe stelle dell'Orsa... (1965)
  • Le fate (1966)
  • L'affare Blindfold (1966)
  • The Professionals (1966)
  • Lost Command (1966)
  • Don't Make Waves (1967)
  • Ruba al prossimo tuo... (1968)
  • The Hell with Heroes (1968)
  • C'era una volta il West, de Sergio Leone (Era uma Vez no Oeste, Once Upon a Time in the West, 1968)
  • Il giorno della civetta (1968)
  • Nell'anno del Signore (1969)
  • La tenda rossa (1969)
  • Certo, certissimo, anzi... probabile (1969)
  • Le avventure di Gerard (1970)
  • Fuori il malloppo (Popsy Pop) (1971)
  • Bello, onesto, emigrato Australia sposerebbe compaesana illibata (1971)
  • L'udienza (1972)
  • Les Pétroleuses (1971)
  • Il clan dei marsigliesi (1972)
  • Il giorno del furore (1973)
  • I guappi (1974)
  • Violência e Paixão (1974)
  • Libera, amore mio! (1975)
  • Qui comincia l'avventura (1975)
  • A mezzanotte va la ronda del piacere (1975)
  • Il comune senso del pudore (1976)
  • Goodbye & Amen (L'uomo della CIA) (1977)
  • Il prefetto di ferro (1977)
  • Jesus de Nazaré (1977)
  • Corleone (1978)
  • L'arma (1978)
  • Amici e nemici (1979)
  • Si salvi chi vuole (1980)
  • Il regalo (1982)
  • Fitzcarraldo, de Werner Herzog (1981)
  • La pelle (1981)
  • Una cascata tutta d'oro (1983)
  • Claretta (1984)
  • Enrico IV (1984)
  • La donna delle meraviglie (1985)
  • Un uomo innamorato (1987)
  • Blu elettrico (1988)
  • Atto di dolore (1990)
  • Son of the Pink Panther (1993)
  • Nostromo (1996)
  • Li chiamarono... briganti! (1999)
  • Luchino Visconti (1999)
  • And now ... ladies and gentlemen (2002)
  • Gebo et l'ombre, de Manoel de Oliveira (2012)
  • All Roads Lead to Rome (2015)

Galeria

Il bell'Antonio (1960)
Em 8½, de Federico Fellini (1963)
O Leopardo, de Visconti (1963)
Nell'anno del Signore (1969)

Notas

  1. Rocco and His Brothers, The Leopard e em particular são frequentemente classificados por diretores e críticos como uns dos melhores filmes já feitos.

Referências

  1. Le Monde (23 de setembro de 2025). «Claudia Cardinale, l'égérie du cinéma italien, est morte à l'âge de 87 ans» (em francês). Consultado em 23 de setembro de 2025 
  2. «Claudia Cardinale participates in ETF Conference 'Skills for Progress' and the International Scientific Conference on Desertification and Drylands Research». UNESCO. 22 de junho de 2006. Consultado em 18 de julho de 2015. Cópia arquivada em 4 de março de 2016 
  3. Clancy-Smith 2011, p. 712.
  4. Sleeman 2001, p. 90.
  5. a b Cardinale & Mori 1995, p. 5.
  6. a b Cardinale & Mori 1995.
  7. Cardinale & Mori 1995, p. 12.
  8. Cardinale & Mori 1995, p. 28.
  9. Cardinale & Mori 1995, p. 19.
  10. «Entidades Estrangeiras Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Claudia Cardinali". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  11. «Uma vida maior do que o cinema». Consultado em 24 de setembro de 2025 
  12. Cardinale & Mori 1995, p. 31.
  13. Iken, Katja (13 de abril de 2018). «Claudia Cardinale wird 80: Glückwunsch, Tigerin!». Der Spiegel (em alemão). ISSN 2195-1349. Consultado em 23 de setembro de 2025 
  14. Cardinale & Mori 1995, p. 59.
  15. Gani, Martin (10 April 2012). «Interview with Claudia Cardinale». Italy Magazine. Consultado em 12 August 2020  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  16. «Lutto nel cinema: è morto Squitieri, sceneggiatore e regista». Il Mattino (em italiano). 18 de fevereiro de 2017. Consultado em 12 de abril de 2020 
  17. «Film Star Reveals Secret of Baby Son». The Sun Herald. 16 de abril de 1967 
  18. «Interview with Claudia Cardinale». Italy Magazine. 10 de abril de 2012. Consultado em 5 de julho de 2015. Cópia arquivada em 4 de agosto de 2015 
  19. «Claudia Cardinale: Biography». Internet Movie Database. Consultado em 18 de julho de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  20. «Rosato Conquers Forte Dei Marmi». Rosato. Consultado em 21 de junho de 2016. Cópia arquivada em 7 de agosto de 2016 
  21. Georges, Cary; Leiba, Freddie (fevereiro de 2011). «The 50 Most Beautiful Women in Film». Los Angeles Times Magazine. Consultado em 10 de junho de 2011. Cópia arquivada em 14 de maio de 2011. (pede subscrição (ajuda)) 
  22. «Isabelle Adjani tops Time Magazine's beautiful women list». Mid-Day. 9 de fevereiro de 2011. Consultado em 22 de julho de 2015. Cópia arquivada em 22 de julho de 2015 
  23. Mosiello & Reynolds 2009, p. 227.
  24. Juraj Fellegi (27 de junho de 2014). «CLAUDIA CARDINALE: I've lived 141 lives». artfilmfest. Consultado em 11 de julho de 2015. Arquivado do original em 12 de julho de 2015 
  25. «Italian screen queen Claudia Cardinale dies aged 87». France 24 (em inglês). 23 de setembro de 2025. Consultado em 23 de setembro de 2025 
  26. Seagal, Nina (23 September 2025). «Claudia Cardinale, Actress Who Was 'Italy's Girlfriend,' Is Dead at 87». New York Times. Consultado em 24 September 2025  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  27. «Paris bids farewell to iconic actress Claudia Cardinale». Euronews (em inglês). 30 de setembro de 2025. Consultado em 2 de outubro de 2025 

Bibliografia

Ligações externas