O Cidadania é um partido político brasileiro de alinhamento entre a centro-direita e a centro-esquerda.[9] Foi fundado e registrado em 1992 com o nome Partido Popular Socialista (PPS), a partir de uma manobra política de parte da executiva nacional do Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PCB).[7] Em março de 2019, alterou o nome para Cidadania, oficializado pelo TSE em setembro.[19][20] Em dezembro de 2025, o partido possuía 416.826 filiados, tendo mais membros nos estados de São Paulo, de Minas Gerais e do Paraná.[12]
Em 2022 se juntou ao seu aliado histórico PSDB para formar a Federação PSDB Cidadania,[24] mas em 2025 votou para a dissolução da federação partidária.[25]
Mesmo tendo alinhamento (em votações na Câmara dos Deputados até abril de 2021) de 83% com o governo do presidente Jair Bolsonaro,[40] em fevereiro de 2021 o Diretório Nacional aprovou um indicativo de impeachment dele.[41]
História
Sob o nome "Partido Popular Socialista"
A fundação do Partido Popular Socialista (PPS), antiga nomenclatura do atual "Cidadania", ocorreu por decisão controversa de parte da executiva nacional do Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PCB) de alterar sua denominação e sigla.[19] A maior parte dos delegados presentes no X Congresso que realizou a mudança de nome de PCB para PPS estavam ali por fruto de uma manobra política que feria os estatutos do partido. A manobra constituiu na realização de "Fóruns Socialistas" que elegeram os delegados para o referido Congresso, sendo que esses fóruns contavam com a presença de não filiados ao partido. De tal modo, a maioria existente que extinguiu o antigo PCB era composta por vários indivíduos não-fíliados, o que contrariava os seus estatutos e não constituía, portanto, em maioria de direito.[42]
O partido foi fundado e obteve registro permanente em 19 de março de 1992.[43] Em 1992, cerca de mil militantes que formavam o grupo chamado "Movimento Nacional em Defesa do PCB" decidiram não participar do "X Congresso" que foi manipulado para destruição da sigla passando por cima do IX congresso e do Estatuto, nesse mesmo momento foi feito uma conferencia de organização e mantido o marxismo-leninismo, a sigla PCB os símbolos do Partido Comunista Brasileiro.[44]
Mantendo a postura que adota desde 2004, permaneceu na oposição ao governo petista. Com a morte do ex-presidente e senador pelo PPS, Itamar Franco, o partido perdeu sua única cadeira no Senado. Atualmente é processado pelo PCB no STF por uso indevido de sua imagem em propagandas políticas.[47]
Em abril de 2013 a executiva nacional do partido anunciou a fusão com Partido da Mobilização Nacional (PMN) para formar a Mobilização Democrática (MD), entretanto em junho a executiva nacional do PMN rejeitou a proposta, anulando o processo de fusão.[48] Em 2014, o PPS esteve envolvido noutro processo de fusão (ou incorporação), dessa vez com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), com possibilidades de participação do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) e do Partido Ecológico Nacional (PEN), cujas negociações foram suspensas em 2015.[49][50][51]
O mais recente caso de um possível processo de fusão foi durante o fim de 2018, quando entrou em discussão a união com o Partido Verde (PV) e com a Rede Sustentabilidade (Rede). Entretanto, o processo não se deu devido à discordâncias nas lideranças dos outros dois partidos.[52][53][54]
Sob o nome "Cidadania"
Governo Bolsonaro
Em meio a uma tentativa de atrair novos eleitores devido ao desgaste provocado pela crise político-econômica de 2014,[55] o PPS decidiu, em março de 2019, mudar seu nome para "Cidadania".[19] No dia 19 de setembro de 2019 o TSE aprovou a mudança.[20] O Cidadania (como partido político) faz oposição ao Governo Jair Bolsonaro.[56] No entanto, em votações mais polêmicas, como a votação recente da PEC do Voto impresso (Proposta de Emenda à Constituição 135/19), apesar da recomendação do voto: "não", apenas cerca de 60% (e não a totalidade, como era esperado) dos deputados votaram alinhados com a recomendação do partido.[57]
Para as Eleições gerais no Brasil em 2022, o Cidadania formou uma federação partidária com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), a Federação PSDB Cidadania.[58] Para presidente, a federação apoiou a candidatura de Simone Tebet do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).[59] Para o segundo turno, o Cidadania declarou apoio à Luiz Inácio Lula da Silva contra Jair Bolsonaro.[60]
Diagrama da origem histórica do partido[61][62][63]
O PPS se considerava, em seu estatuto, como um partido socialista, e em discursos, como uma terceira via. Entretanto, as recentes alianças com partidos tradicionalmente de centro e de direita, como DEM, PTB e PSDB, tanto na esfera federal quanto em governos estaduais e municipais, e afastamento de outros partidos oposicionistas de esquerda como o PSOL e o PSTU, despertam críticas de jornalistas e analistas políticos sobre a real posição do partido no espectro político, sendo muitas vezes considerado "linha auxiliar" dos tucanos.O partido é oficialmente a favor do parlamentarismo.[5][64][65]
Roberto Freire, figura influente na sigla e presidente do partido por mais de 30 anos, é amigo de José Serra desde os tempos de liderança estudantil.[66] Ainda em 2005, o então Ministro da Integração Nacional pelo PPS, Ciro Gomes, fez duras críticas às políticas de Roberto Freire, reforçando a ideia de que o mesmo queria transformar o partido em uma "linha auxiliar de José Serra e do PSDB".[46]
O ex-deputado Raul Jungmann mostrou ter divergências sobre os rumos do partido, afirmando que "(...) infelizmente o PPS tem se posicionado como aliado do PSDB, sem nenhuma reciprocidade por parte desse. Estes interesses dos aliados são legítimos, mas cabe a nós a organização enquanto partido, e não como linha auxiliar". Porém, após o anúncio de sua pré-candidatura para a Prefeitura de São Paulo em 2012, Soninha Francine reiterou que "o PPS insiste na tese da construção de uma terceira via, fora da polarização PT × PSDB", e citou o histórico do PPS em apoiar candidatos como Luiz Inácio Lula da Silva e Luiza Erundina.[67]
Desde 2004, o ex-PPS não mais participa do "Foro de São Paulo" por discordar e divergir dos seus participantes que chegaram ao poder em países como Bolívia, Venezuela, Equador, Colômbia, Argentina, Cuba e o próprio Brasil.[68] O partido estava na oposição ao governo Dilma Roussef, apoiando movimentos como a "Marcha Pela Liberdade",[69] uma iniciativa da direitaliberal que pedia pelo impeachment da então presidente brasileira.
Também na oposição do governo Dilma, o Partido Comunista Brasileiro emitiu nota em repúdio ao PPS, distanciando-se do partido ao classificá-los como uma sigla pertencente à direita política. Conforme a publicação do PCB, no ano de 1992 os atuais líderes do PPS empreenderam ação liquidacionista contra o Partido Comunista Brasileiro no contexto da crise mundial do socialismo e da queda da União Soviética e do Leste Europeu. Estes líderes então teriam organizado "um congresso fajuto, com a participação de delegados não pertencentes aos quadros do PCB e decidiram pela criação de um novo partido chamado PPS".[70]
Após mudar o nome para 'Cidadania' em 2017, o partido abandonou o socialismo democrático e os ideais anticapitalistas e iniciou a defesa pelo liberalismo econômico, apesar de ainda ter mantido o caráter progressista.[23]
A Fundação Astrojildo Pereira (FAP) é uma entidade vinculada ao Cidadania, dedicada à formação política, produção intelectual e promoção do debate democrático. Seu nome homenageia o jornalista e militante Astrojildo Pereira, um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro.[71] Atua como centro de estudos e pesquisa, desenvolvendo atividades como cursos, seminários, publicações de livros e revistas, e apoio a projetos culturais e educativos.[72] Em Brasilia aFAP mantém a Biblioteca Salomão Malina, um centro público de consulta e empréstimo de obras.[73]
Observações: Em 2022, o então Cidadania elegeu 5 deputados federais.[74] Em 2024 Carmen Zanotto renunciou ao cargo para tomar posse como prefeita de Lages.[75]
Deputados estaduais atuais (14)
UF
Deputado(a)
UF
Deputado(a)
AP
Telma Nery*
RR
Marcelo Cabral
CE
Luana Ribeiro
SP
Rafa Zimbaldi*²
MG
Raul Belém
SP
Ana Carolina Serra
MG
João Vítor Xavier*³
SP
Dirceu Dalben*²
MG
João Bosco
SE
Georgeo Passos*²
MT
Faissal Calil
SE
Samuel Carvalho*²
PR
Douglas Fabrício⁴
TO
Eduardo do Dertins⁴
Observações: Nomes marcados com o símbolo * foram eleitos em 2018 por outros partidos. Nomes marcados com o símbolo + são suplentes em exercício ou efetivados. Os números (a partir de 2) indicam a quantidade de mandatos exercidos no cargo.
De 1994 a 2018, o Cidadania apoiou oficialmente 175 candidaturas a governadores no primeiro turno. Dessas 175 candidaturas, 45 eram do PSDB, 25 do MDB, 20 do próprio Cidadania, 17 do PT, 16 do PSB, 13 do PDT e 10 do DEM. Foram 64 vitórias no total, sendo 23 por candidaturas do PSDB e 12 do MDB. Foram eleitos governadores pelo Cidadania Blairo Maggi (MT, dois mandatos), Ivo Cassol (RO) e Eduardo Braga (AM). O Cidadania também ajudou a eleger 75 mandatos de senadores, 38 deles eleitos pelo PSDB, MDB e DEM, e apenas 6 pelo próprio partido.[92]
Mandatos do Cidadania.
Mandatos de outros partidos eleitos com a ajuda do Cidadania através das coligações majoritárias (governadores e senadores) e das coligações proporcionais (deputados).
Candidatos
majoritários eleitos (10 governadores e 16 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PPS durante a eleição. Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PPS compôs. Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores. Não estão listados os futuros suplentes empossados.
Candidatos majoritários eleitos (10 governadores e 8 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PPS durante a eleição. Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PPS compôs. Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores. Não estão listados os futuros suplentes empossados.
Participação e desempenho do PPS nas eleições estaduais de 2010[92]
Candidatos majoritários eleitos (11 governadores e 18 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PPS durante a eleição. Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PPS compôs. Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores. Não estão listados os futuros suplentes empossados.
Participação e desempenho do PPS nas eleições estaduais de 2006[92]
Candidatos majoritários eleitos (15 governadores e 10 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PPS durante a eleição. Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PPS compôs. Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores. Não estão listados os futuros suplentes empossados.
UF
Candidatos(as) a Governador(a) e a Vice
Candidatos(as) a Senadores(as)
Coligação majoritária (governo e senado)
Deputados(as) federais eleitos(as) — 99
Deputados(as) estaduais eleitos(as) — 101
AC
Márcio Bittar (PPS)
ninguém
PPS / PMDB / PDT / PTC / PHS
Ilderlei Cordeiro (PPS) + 1 PMDB
Delinho (PPS), Dr. Donald (PPS), Idalina (PPS) + 1 PDT
Participação e desempenho do PPS nas eleições estaduais de 2002[92]
Candidatos majoritários eleitos (4 governadores e 7 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PPS durante a eleição. Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PPS compôs. Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores. Não estão listados os futuros suplentes empossados.
Participação e desempenho do PPS nas eleições estaduais de 1998[92]
Candidatos
majoritários eleitos (10 governadores e 8 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PPS durante a eleição. Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PPS compôs. Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores. Não estão listados os futuros suplentes empossados.
José Augusto da Silva Ramos (PPS), Marquinho Tortorello (PPS), Roberto Morais (PPS) + 14 PT, 2 PCdoB
Newton Lima Neto (PT)
TO
Moisés Avelino (PMDB)
Derval de Paiva (PMDB)
PPS / PMDB / PCdoB / PSD
2 PMDB
6 PMDB
Mário Vaz (PCdoB)
Participação e desempenho do PPS nas eleições estaduais de 1994[92]
Candidatos
majoritários eleitos (5 governadores e 8 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PPS durante a eleição. Os cargos obtidos na Câmara Federal e nas Assembleias Legislativas são referentes às coligações proporcionais que o PPS compôs. Tais coligações não são necessariamente iguais às coligações majoritárias e geralmente são menores. Não estão listados os futuros suplentes empossados.
Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000. O PPS ocupava a oitava posição no ranking, com quatorze cassações, atrás do DEM, PMDB, PSDB, PP, PTB, PDT e PR.[95]
↑Alzira Alves de Abreu. «PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Fundação Getulio Vargas. Consultado em 5 de julho de 2019
↑Jean Spritzer. «PARTIDO PÁTRIA LIVRE (PPL)». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Fundação Getulio Vargas. Consultado em 5 de julho de 2019
↑Esquerda’, Milton Alves Ativista político e social Autor dos livros ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada contra Lula e o PT’e ‘A Saída é pela (28 de março de 2022). «Astrojildo Pereira e o centenário de fundação do Partido Comunista». Brasil de Fato. Consultado em 13 de junho de 2025