Amigos dos Amigos

Amigos dos Amigos
Fundação1998
Local de fundaçãoComplexo Penitenciário de Bangu, Rio de Janeiro, Brasil
Anos ativoentre 1994 e 1998–presente
Território (s)Rio de Janeiro
AtividadesAssassinatos e tráfico de drogas
RivaisTerceiro Comando Puro, Comando Vermelho

Amigos dos Amigos, conhecido pela sigla ADA, é uma organização criminosa originária da cidade do Rio de Janeiro.[1][2] O grupo foi formado em 1998 por ex-membros da facção Comando Vermelho (CV), entre eles Celso Luís Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, e Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê. Inicialmente, o Amigos dos Amigos aliou-se ao Terceiro Comando (TC); contudo, em 2002, um racha nessa organização levou à divisão de seus integrantes entre o Amigos dos Amigos e o Terceiro Comando Puro (TCP), uma dissidência liderada por Nei da Conceição Cruz (Facão) e Robson André da Silva (Robinho Pinga).[3]

Origem

Em 13 de junho de 1994, Orlando da Conceição, mais conhecido como o Orlando Jogador, então líder do líder do Comando Vermelho, foi assassinado em uma emboscada articulada por Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, que até então era da mesma facção. Uê foi expulso do Comando Vermelho e jurado de morte. Em 1996, Uê foi preso em Fortaleza e encarcerado no Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro.[4]

No presídio, Uê uniu-se com José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha e com Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, e formaram o Amigos dos Amigos. A facção se aliou ao Terceiro Comando para diminuir o poderio do Comando Vermelho.[4][5]

Em 11 de setembro de 2002, em uma rebelião no Complexo de Gericinó, Fernandinho Beira-Mar e seus comparsas mataram Uê e ameaçam Celsinho da Vila Vintém, que para escapar da morte, fingiu se aliar ao Comando Vermelho, sendo por isso acusado, por parte dos membros do Terceiro Comando, de traidor. Este fato decretou o fim do Terceiro Comando e a debandada de todos os seus membros, ou para os Amigos dos Amigos, ou para o Terceiro Comando Puro (TCP).[3]

Domínio na Rocinha

Em 2004, a facção passou a controlar a Rocinha, maior favela do Rio de Janeiro, após a guerra entre os traficantes Lulu e Dudu da Rocinha, ambos do Comando Vermelho (CV). Sentindo-se traídos pela facção, o grupo de Lulu, morto pela polícia após os confrontos, decidiu migrar para os Amigos dos Amigos.[6] Esse confronto terminou com 15 mortos, incluindo civis e policiais do Bope. Posteriormente, Lulu acabou sendo morto em uma operação do Bope, mas a Rocinha continuou controlada pelo ADA, desta vez sob o comando de Erismar Rodrigues, o Bem-Te-Vi.[7]

Em 2005, Bem-Te-Vi foi morto durante uma operação da Polícia Civil. Então, a chefia do tráfico local ficou dividida entre João Rafael da Silva, o Joca, e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Dois anos depois, após a prisão de Joca, Nem passou a comandar sozinho o tráfico da Rocinha.[7]

A Rocinha só foi "perdida" pela facção em 2011, com a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O último líder da facção, Nem, foi preso pela polícia enquanto tentava fugir escondido no porta-malas de um carro.[7] Desse modo, o traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, foi decretado como o novo chefe da Rocinha.[8]

Em 2017, depois de Rogério 157 superfaturar produtos, impor taxas elevadas aos vendedores da Rocinha e expulsar Danúbia de Souza Rangel — esposa do traficante Nem — da comunidade, Nem tentou retomar o controle enviando três comparsas para enfrentar Rogério. Esses homens, porém, foram encontrados mortos pela polícia, o que desencadeou uma guerra na Rocinha. Posteriormente, com Rogério 157 migrando para o Comando Vermelho, a comunidade passou a ser dominada por essa facção, encerrando o domínio do ADA no local.[9]

Alianças

Em 2017 chegou a ser esboçada uma união com o TCP, que geraria uma nova facção chamada TCA — Terceiro Comando dos Amigos — mas esta proposta foi abortada no final de 2017.[9] Ao longo de 2018, os Amigos dos Amigos perdeu diversos de seus territórios, sobrevivendo basicamente apenas na Vila Vintém e em algumas favelas fora da capital.[9]

Em 2022, Celsinho da Vila Vintém foi solto, mas em 2025 foi preso novamente em uma operação da Polícia Civil. Segundo as investigações, Celsinho teria articulado um acordo com Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma das lideranças do Comando Vermelho, e com o miliciano André Costa Bastos, conhecido como Boto, para tentar recuperar áreas da zona oeste que haviam sido perdidas pelo ADA.[10]

Principais líderes

Nome Vulgo Status Observação Ref.
Ernaldo Pinto de Medeiros Morto Um dos fundadores da facção [11]
Paulo César Silva dos Santos Linho Desaparecido Um dos fundadores da facção, os integrantes fazem a letra "L" em sua alusão até os dias de hoje [12]
Celso Luís Rodrigues Celsinho da Vila Vintém Preso Único fundador da facção ainda em atividade [13][5]
Antônio Francisco Bonfim Lopes Nem da Rocinha Preso Comandou o tráfico na Rocinha. Foi para a facção TCP, rival do ADA [14]
João Rafael da Silva Joca da Rocinha Preso Comandou o tráfico na Rocinha. Preso em Fortaleza [15]
José Carlos dos Reis Encina Escadinha Morto Um dos principais líderes do CV nos anos 80 e 90 e que ajudou Uê a criar o ADA [16][4]
Erismar Rodrigues Moreira Bem-Te-Vi Morto Comandou o tráfico na Rocinha [17]
Celso Pinheiro Pimenta Playboy Morto Traficante responsável pelo controle do tráfico em Costa Barros, na Zona Norte do Rio [18]
Rogério Rios Mosqueira Roupinol Morto Foi um dos que levaram a facção para Macaé (RJ), além de atuar no Complexo do São Carlos, no centro [19]

Ver também

Referências

  1. Fernando Lannes-Fernandes (Janeiro de 2005). «Os discursos sobre as favelas e os limites ao direito à cidade (especialmente página 3)» (PDF). Periódico Cidades (Presidente Prudente: Grupo de Estudos Urbanos. Consultado em 25 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 25 de fevereiro de 2017 
  2. Christovam Barcellos e Alba Zaluar (2014). «Homicídios e disputas territoriais nas favelas do Rio de Janeiro (especialmente páginas 97 a 100)» (PDF). Revista de Saúde Pública. Consultado em 25 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 25 de fevereiro de 2017 
  3. a b Procurados.org. «Terceiro Comando». Consultado em 14 de dezembro de 2011. Arquivado do original em 25 de novembro de 2011 
  4. a b c Hanrrikson de Andrade (4 de maio de 2017). «Traições no tráfico já motivaram mortes brutais e rachas em facções no Rio». UOL. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  5. a b Camille Couto (8 de maio de 2025). «Quem é Celsinho da Vila Vintém, líder do tráfico preso no Rio». CNN Brasil. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  6. «Nos anos 80, guerra na Rocinha assustou moradores e deixou o Rio em alerta». O Globo. 21 de fevereiro de 2014. Consultado em 9 de dezembro de 2025 
  7. a b c Rafael Spuldar (14 de novembro de 2011). «UPPs põem fim a modelo de tráfico de drogas vigente há 30 anos, dizem analistas». BBC News Brasil. Consultado em 9 de dezembro de 2025 
  8. «Rogério 157 mudou gerentes do tráfico na Rocinha de dentro de presídio federal». Extra Online. 17 de setembro de 2018. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  9. a b c Cecília Olliveira, Yuri Eiras (13 de Dezembro de 2018). «O fim de uma facção». The Intercept Brasil. Cópia arquivada em 14 de dezembro de 2018 
  10. Cleber Rodrigues (8 de maio de 2025). «Celsinho da Vila Vintém se aliou ao CV e à milícia, revela investigação». CNN Brasil. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  11. «Líder-fundador da ADA morreu carbonizado em rebelião». Folha Online. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  12. Projeto Comprova (20 de outubro de 2022). «Sinal de 'L' feito por traficantes não é referência a Lula e, sim, saudação de facção que atua no Rio». GZH. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  13. Cleber Rodrigues (8 de maio de 2025). «Celsinho da Vila Vintém se aliou ao CV e à milícia, revela investigação». CNN Brasil. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  14. Bruna Lima (2 de novembro de 2024). «Nem da Rocinha pediu gratuidade na Justiça do Rio de Janeiro». Metrópoles. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  15. «Chefe do tráfico de drogas na Rocinha é preso no Ceará». Folha de S.Paulo. 22 de outubro de 2007. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  16. Paulo Carvalho (27 de setembro de 2009). «Escadinha é fuzilado na Avenida Brasil». Extra Online. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  17. Marcelo Gomes (11 de janeiro de 2009). «Bem-Te-Vi: de retirante nordestino a chefe do tráfico da Rocinha». Extra Online. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  18. «Corpo de traficante Playboy é sepultado no Rio de Janeiro». UOL. Estadão. 9 de agosto de 2015. Consultado em 6 de dezembro de 2025 
  19. Aloysio Balbi (23 de março de 2010). «Morte do traficante Roupinol fecha comércio em bairros de Macaé». O Globo. Consultado em 6 de dezembro de 2025 

Bibliografia

  • Abusado - O Dono do Morro Dona Marta, Caco Barcellos, Rio de Janeiro, Editora Record, 2003.