Fotolitografia

Parte do wafertrack usado para ser iluminada com luz de 365 nm (ultravioleta).

A Fotolitografia (também denominada litografia óptica) é um processo que consiste na utilização de radiação luminosa para a transferência de um padrão para uma camada de fotorresiste (resina fotossensível) depositada sobre uma amostra, geralmente um substrato de silício (wafer). Trata-se de uma técnica fundamental na manufatura de circuitos integrados (CI).

O processo inicia-se com a aplicação de um material fotossensível, denominado fotorresiste, sobre o substrato. Em seguida, uma fotomáscara contendo o padrão desejado é posicionada sobre a camada de fotorresiste. A exposição à luz através da fotomáscara promove a incidência seletiva de radiação em determinadas regiões do material fotossensível. As áreas expostas sofrem modificações químicas que as tornam solúveis ou insolúveis em uma solução reveladora, dependendo do tipo de fotorresiste utilizado (positivo ou negativo). Após a etapa de revelação, o padrão é transferido ao substrato por meio de processos subsequentes, tais como corrosão (etching), deposição química em fase de vapor (CVD), deposição física em fase de vapor (PVD), galvanoplastia ou implantação iônica.

Os processos de fotolitografia podem ser classificados de acordo com o tipo de radiação empregada, incluindo litografia ultravioleta (UV), ultravioleta profunda (DUV), ultravioleta extrema (EUVL) e litografia por raios X. O comprimento de onda da radiação utilizada determina a dimensão mínima das estruturas que podem ser definidas no fotorresiste. Tradicionalmente, emprega-se radiação ultravioleta.

A fotolitografia constitui o método predominante na fabricação de semicondutores para circuitos integrados (ICs ou “chips”), como memórias de estado sólido e microprocessadores. A técnica possibilita a formação de padrões extremamente reduzidos, alcançando escalas de poucos nanômetros, com elevado grau de precisão dimensional e geométrica. Além disso, permite a padronização de toda a superfície de uma pastilha em uma única etapa, de maneira relativamente rápida e com custos competitivos. Em dispositivos integrados complexos, uma mesma pastilha pode ser submetida ao ciclo fotolitográfico dezenas de vezes, frequentemente até cerca de cinquenta iterações. A fotolitografia também desempenha papel central na microfabricação em geral, incluindo a produção de sistemas microeletromecânicos (MEMS). Entretanto, a técnica apresenta limitações, como a necessidade de superfícies altamente planas e condições operacionais extremamente limpas, características comuns aos processos de fabricação de semicondutores.

A fotolitografia constitui uma subclasse da microlitografia, termo abrangente que designa processos destinados à geração de filmes finos padronizados. Outras tecnologias inseridas nesse escopo incluem o uso de feixes de elétrons direcionáveis, nanoimpressão, litografia por interferência, métodos baseados em campos magnéticos e técnicas com sondas de varredura. Em um nível mais amplo, pode competir com abordagens baseadas em auto-organização direcionada de micro- e nanoestruturas.

Do ponto de vista conceitual, a fotolitografia compartilha princípios fundamentais com a fotografia, uma vez que o padrão no fotorresiste é formado pela exposição controlada à luz — seja por projeção óptica através de um sistema de lentes, seja por iluminação direta de uma máscara em contato com o substrato. A técnica pode ser compreendida como uma versão de alta precisão do método tradicional utilizado na produção de placas para impressão litográfica em papel. A denominação do processo decorre dessa analogia histórica; contudo, as etapas subsequentes apresentam maior semelhança com processos de corrosão química do que com a litografia clássica.

Fotorresistes convencionais são, em geral, constituídos por três componentes principais: uma resina (matriz polimérica), um agente sensibilizador e um solvente.

Ver também

  • Litografia
  • Litografia de raios X

Ligações externas