Solução ideal

A solução ideal funciona como um ponto de referência fundamental para interpretar o comportamento de soluções reais, desempenhando um papel semelhante ao do gás ideal na descrição dos gases reais.

Propriedades termodinâmicas

Em uma solução ideal (líquida, gasosa ou sólida), assume-se que:

a) As moléculas dos componentes apresentam tamanhos, formas e características químicas tão parecidos que as forças intermoleculares entre elas não se distinguem. Assim, uma molécula interage com outra espécie diferente (A–B) exatamente da mesma forma que interage com moléculas idênticas (A–A ou B–B).

b) A homogeneidade das interações faz com que o processo de mistura, em condições isobáricas e isotérmicas, não esteja associado a alterações nem da energia interna nem do volume molar da solução.

ΔUMIS​ = 0 e ΔVMIS ​= 0

c) A mistura sempre aumenta a entropia porque o arranjo aleatório das moléculas torna o sistema mais desordenado e estatisticamente mais provável do que quando os componentes estão separados. Como não existe preferência por vizinhos iguais ou diferentes, o ganho entrópico provém unicamente dessa dispersão espacial. A entropia é dada por:

ΔSMIS​ ​= − R(nA ln xA ​+ nB ​ln xB​​)

d) A variação de energia livre de Gibbs de mistura é puramente entrópica:

ΔHMIS = 0  e ΔGMIS ​= −TΔSMIS

ΔGMIS​ ​= − R (nA ln xA ​+ nB ​ln xB​​)

e) O potencial químico de cada componente em uma solução ideal é dado por:

μi ​= μiº ​(T,P) + RT ln xi

Em uma solução ideal, o potencial químico de cada componente é inferior ao do estado puro. Ele cresce conforme a fração molar do componente aumenta e se aproxima do valor puro, e diminui indefinidamente quando o componente está altamente diluído.

Definição termodinâmica de uma solução ideal

Uma solução é dita ideal quando, para todos os componentes, o potencial químico segue a equação abaixo em qualquer composição, mantendo-se temperatura e pressão constantes.

μiideal = μio + RT ln xi

Onde:

  • μiideal: potencial químico do componente i na solução ideal;
  • μio: potencial químico padrão do componente i (estado de referência);
  • R: constante dos gases ideais (8,314 J·mol⁻¹·K⁻¹);
  • T: temperatura absoluta;
  • lnxi⁡: logaritmo natural da fração molar do componente i na solução.

A fugacidade de cada componente obedece à Lei de Raoult, ou seja:

fi = xifiº

Onde:  

  • fiº é a fugacidade do componente puro nas mesmas condições de T e P.

Para soluções líquidas ideais, essa fugacidade se relaciona diretamente com a pressão de vapor. Portanto, a forma mais comum da Lei de Raoult é:

Pi = xiPiº

Onde:

  • Pi: pressão parcial do componente i no vapor;
  • xi: fração molar do componente i na fase líquida;
  • Piº: pressão de vapor do componente i puro (à mesma temperatura).

A pressão total da solução é dada pela soma das pressões parciais dos componentes:

Ptotal= xiPiº

Referências

[1] ATKINS, Peter; DE PAULA, Julio. Físico-química. Tradução e revisão técnica: Silvana Moss de Oliveira, Fernanda Oliveira Faria. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018. 1 v. ISBN 978-85-216-2938-2.

[2] LEVINE, Ira N. Físico-química. Tradução e revisão técnica: Edilson Clemente da Silva, Oswaldo Esteves Barcia. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. 1 v. ISBN 978-85-216-0634-5.