Transtorno por uso de tabaco
| Transtorno por uso de tabaco | |
|---|---|
| Explicação em vídeo (inglês) | |
| Especialidade | Medicina familiar |
| Sintomas | Uso em quantidades maiores do que o planejado, desejo persistente de consumir, dificuldades para reduzir ou interromper o uso, e continuidade do hábito mesmo diante de problemas de saúde ou prejuízos no trabalho, na escola ou em outras áreas da vida |
| Duração | Longo prazo |
| Fatores de risco | Histórico familiar, baixa escolaridade, pobreza, TDAH, transtorno de conduta, depressão, ansiedade, transtorno de personalidade, psicose, outros transtornos de uso de substância |
| Tratamento | Aconselhamento, medicamentos |
| Medicação | Terapia de reposição de nicotina, bupropiona, vareniclina |
| Frequência | 592 milhões -- uso diário por 15.2% da população global -- ocorre entre 50% dos que fumam diariamente |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-11 | 6C4A.2 |
| CID-10 | F17.20, F17, F17.2 |
| OMIM | 188890 |
| eMedicine | 287555 |
O transtorno por uso de tabaco é caracterizado pelo consumo de tabaco de forma que cause prejuízo significativo.[1] Isso pode incluir o uso em quantidades maiores do que o planejado, desejo persistente de consumir, dificuldades para reduzir ou interromper o uso, e continuidade do hábito mesmo diante de problemas de saúde ou prejuízos no trabalho, na escola ou em outras áreas da vida.[1] Outros sintomas podem incluir abstinência de nicotina.[1] Embora mais de 70% dos fumantes desejem parar de fumar, o transtorno por uso de tabaco é geralmente uma condição crônica, marcada por recaídas frequentes.[2] O tabagismo representa um grave problema de saúde pública e é uma das principais causas evitáveis de morte em todo o mundo.[3]
Após um único uso de nicotina, cerca de 32% das pessoas desenvolvem o transtorno por uso de tabaco.[4] Fatores de risco incluem histórico familiar da condição, baixa escolaridade, pobreza, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno de conduta, depressão, ansiedade, transtornos de personalidade, psicose e outros transtornos relacionados ao uso de substâncias.[1] Diversos métodos de avaliação podem ser utilizados para diagnosticar a dependência de tabaco.[5] Muitas pessoas com esse transtorno costumam fumar dentro de 30 minutos após acordar e apresentam desejo intenso pela substância caso fiquem algumas horas sem fumar.[1]
O tratamento pode dobrar ou até triplicar as chances de sucesso na cessação do tabagismo.[6] Recomenda-se que os profissionais de saúde perguntem a todos os adultos sobre o uso de tabaco e ofereçam aconselhamento e medicamentos àqueles que desejam parar de fumar.[7] Os medicamentos indicados incluem a terapia de reposição de nicotina, a bupropiona e a vareniclina.[8] Em 2021, a eficácia dos cigarros eletrônicos como método de cessação ainda não está bem esclarecida.[7] A taxa de sucesso após uma única tentativa de parar de fumar é inferior a 5%; no entanto, aproximadamente 50% das pessoas conseguem parar após múltiplas tentativas.[1] Estima-se que metade dos fumantes de longo prazo morra em decorrência de doenças relacionadas ao tabagismo.[1][9]
Atualmente, há cerca de 1,3 bilhão de usuários de tabaco no mundo, dos quais cerca de 1,2 bilhão fazem uso diário.[9][10] Nos Estados Unidos, aproximadamente 20% da população são fumantes, sendo que 80% desses fumam todos os dias.[1] Homens e mulheres são afetados em proporções semelhantes nos EUA, enquanto, na maioria dos países em desenvolvimento, o tabagismo é mais comum entre os homens.[1] Entre os fumantes diários, cerca de metade apresenta transtorno por uso de tabaco.[1] É raro que alguém comece a fumar após os 21 anos de idade.[1] As primeiras preocupações documentadas com o vício em nicotina remontam a 1610, relatadas por Sir Francis Bacon.[11]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders Fifth ed. [S.l.]: American Psychiatric Association. 2013. pp. 571-574. ISBN 978-0-89042-555-8. doi:10.1176/appi.books.9780890425596.156852
- ↑ Falcone, Mary; Lee, Bridgin; Lerman, Caryn; Blendy, Julie A. (2015). «Translational Research on Nicotine Dependence». Translational Neuropsychopharmacology. Col: Current Topics in Behavioral Neurosciences. 28. [S.l.: s.n.] pp. 121–150. ISBN 978-3-319-33911-5. ISSN 1866-3370. PMID 26873019. doi:10.1007/7854_2015_5005
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- ↑ MacDonald, K; Pappa, K (abril 2016). «WHY NOT POT?: A Review of the Brain-based Risks of Cannabis». Innov Clin Neurosci. 13 (3–4): 13–22. PMC 4911936
. PMID 27354924 - ↑ Piper, Megan; McCarthy, Danielle; Baker, Timothy (2006). «Assessing tobacco dependence: A guide to measure evaluation and selection». Nicotine & Tobacco Research. 8 (3): 339–351. ISSN 1462-2203. PMID 16801292. doi:10.1080/14622200600672765. Consultado em 1 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 29 de agosto de 2021
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