Síndrome de Pierre Robin

    Síndrome de Pierre Robin
    Especialidadegenética médica
    Classificação e recursos externos
    CID-11LA56
    OMIM261800
    DiseasesDB29413
    MedlinePlus001607
    eMedicineped/2680 ent/150
    MeSHD010855
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    A Pierre Robin Sequence (SPR) é uma condição congênita caracterizada pela tríade clássica composta por micrognatia (mandíbula pequena ou hipoplásica), glossoptose (deslocamento posterior e inferior da língua) e obstrução das vias aéreas superiores. A hipoplasia mandibular reduz o espaço da cavidade oral, o que faz com que a língua seja posicionada posteriormente em direção à orofaringe, podendo causar dificuldade respiratória, episódios de apneia e dificuldades alimentares no período neonatal. A obstrução das vias aéreas pode variar de leve a grave e, em alguns casos, requer intervenção médica ou cirúrgica. Frequentemente, a sequência está associada à fenda palatina, presente em grande parte dos pacientes, resultado da interferência da língua na fusão normal do palato durante o desenvolvimento embrionário.

    O termo “sequência” é utilizado porque um defeito inicial — geralmente a micrognatia — desencadeia uma cadeia de eventos embriológicos que levam às demais alterações. A incidência estimada da condição varia entre aproximadamente 1:8.500 e 1:14.000 nascidos vivos. A SPR pode ocorrer de forma isolada ou estar associada a outras síndromes genéticas, como a Síndrome de Stickler, a Síndrome de Treacher Collins e a Síndrome velocardiofacial. Em muitos casos sindrômicos, há também alterações oculares, auditivas ou esqueléticas associadas.

    Clinicamente, além das alterações craniofaciais, os recém-nascidos podem apresentar dificuldade para sucção e deglutição, baixo ganho ponderal, engasgos frequentes e episódios de dessaturação. O manejo inicial geralmente envolve medidas posicionais (como manter o lactente em posição prona ou lateral), suporte alimentar especializado e monitorização respiratória. Em casos mais graves de obstrução respiratória podem ser necessários dispositivos como cânula nasofaríngea, ventilação não invasiva ou intervenções cirúrgicas, incluindo glossopexia ou distração osteogênica mandibular.

    Historicamente, a condição foi mencionada pela primeira vez em 1891, mas foi descrita de forma mais detalhada em 1923 pelo estomatologista francês Pierre Robin, que relatou casos de lactentes com micrognatia e dificuldade respiratória associada ao posicionamento posterior da língua.