Bifidobacterium
Bifidobacterium
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![]() B. adolescentis | |||||||||||||
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B. angulatum | |||||||||||||
Bifidobacterium é um gênero de bactéria anaeróbica e atua como um probiótico beneficente para a saúde humana. As Bifidobactérias são uns dos maiores grupos de bactéria que compõe a microbiota intestinal; estas residem no cólon e promovem benefícios para a saúde de seus hospedeiros. Bifidobactérias estão associadas a uma menor incidência de alergias (Björkstén et al., 2001) e também com a prevenção do crescimento de algumas formas de tumor (Guarner e Malagelada, 2003).
Antes da década de 1960 estas espécies eram conhecidas coletivamente como Lactobacillus bifidus.
As bifidobactérias são conhecidas como microrganismos probióticos, ou seja, que trazem benefícios à flora intestinal e podem estar presentes em alguns alimentos industrializados. São importantes na prevenção do câncer, doenças gastrintestinais e outros.
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Antes da década de 1960, as espécies de Bifidobacterium eram coletivamente classificadas dentro da espécie "Lactobacillus bifidus".
História

Em 1899, Henry Tissier, um pediatra francês no Instituto Pasteur de Paris, isolou da flora intestinal de bebés lactentes uma bactéria caracterizada por ter uma morfologia com forma de Y ("bífida") e nomeou-a "bifidus".[1] Em 1907, Elie Metchnikoff, diretor adjunto no Instituto Pasteur, propôs a teoria de que as bactérias do ácido lático são benéficas para a saúde humana.[1] Metchnikoff observou que a longevidade dos camponeses búlgaros era o resultado do seu consumo de produtos de leite fermentado.[2] Elie Metchnikoff também indicou que “a administração oral de culturas de bactérias fermentativas implantaria as bactérias benéficas no trato intestinal”.[3]
Probióticos
Algumas estirpes de Bifidobacterium são consideradas importantes probióticos e são utilizadas na indústria alimentar. Diferentes espécies e/ou estirpes de bifidobactérias podem exercer diversos efeitos benéficos para a saúde, como a regulação da homeostasia microbiana intestinal, a inibição de agentes patogénicos e bactérias prejudiciais que colonizam ou infetam a mucosa intestinal, a modulação de respostas locais e sistémicas, a repressão de atividades enzimáticas pro-carcinogénicas na microbiota, a produção de vitaminas, e a bioconversão de vários compostos da dieta em moléculas bioactivas.[4] As Bifidobacterium melhoram a função da barreira mucosa intestinal e baixam os níveis de lipopolissacarídeo no intestino.[5]
As Bifidobacterium spp. naturais dificultam o crescimento de agentes patogénicos gram-negativos nos bebés.[6]
O leite materno contém altas concentrações de lactose e menores quantidades de fosfato (tampão do pH). Portanto, quando o leite materno é fermentado pelas bactérias do ácido lático (incluindo as bifidobactérias) no trato intestinal do bebé, o pH pode ser reduzido, tornando mais difícil o crescimento das bactérias gram-negativas.
Metabolismo
O género Bifidobacterium possui uma via da frutose-6-fosfato fosfocetolase exclusiva utilizada para fermentar os hidratos de carbono.
Muitas das investigações metabólicas sobre as bifidobactérias focaram-se no metabolismo dos oligossacarídeos, uma vez que esses hidratos de carbono estão disponíveis nos seus habitats que costumam ser bastante limitados em nutrientes. Nos filótipos bifidobacterianos associados aos bebés parece ter evoluído a capacidade de fermentar os oligossacarídeos do leite, enquanto as espécies associadas aos adultos usam os oligossacarídeos de origem vegetal, o que é consistente com o que encontram nos seus respetivos ambientes. Como os bebés lactentes albergam frequentemente consórcios bacterianos no intestino dominados pelas bifidobactérias, numerosas aplicações tentaram imitar as propriedades bifidogénicas dos oligossacarídeos do leite. Estes são grosso modo classificados como fruto-oligossacarídeos derivados de plantas ou galacto-oligossacarídeos derivados dos produtos lácteos, que são metabolizados de forma diferente e distinta do catabolismo dos oligossacarídeos do leite.[4]
Resposta ao oxigénio
A sensibilidade dos membros do género Bifidobacterium ao O2 limita geralmente a atividade probiótica a habitats anaeróbicos. As recentes investigações informaram que algumas estirpes de Bifidobacterium mostram vários tipos de crescimento óxico. As baixas concentrações de O2 e CO2 podem ter um efeito estimulante sobre o crescimento destas estirpes de Bifidobacterium. Baseando-se nos perfis de crescimento em diferentes concentrações de O2, as espécies de Bifidobacterium foram classificadas em quatro classes: hipersensíveis ao O2, sensíveis ao O2, tolerantes ao O2, e microaerófilas. O principal fator responsável pela inibição do crescimento aeróbico acredita-se ser a produção de peróxido de hidrogénio (H2O2) no meio de crescimento. Purificou-se uma NADH oxidase formadora de H2O2 de um Bifidobacterium bifidum sensível ao O2 e foi identificada como uma di-hidroorotato desidrogenase de tipo b. Os parâmetros cinéticos sugerem que a enzima poderia estar envolvida na produção de H2O2 em ambientes muito arejados.[7]
Referências
- 1 2 «Potential of probiotics as biotherapeutic agents targeting the innate immune system» (PDF). African Journal of Biotechnology. Fevereiro de 2005
- ↑ «Probiotics: 100 years (1907–2007) after Elie Metchnikoff's Observation» (PDF). Communicating Current Research and Educational Topics and Trends in Applied Microbiology. Fevereiro de 2007. Consultado em 4 de setembro de 2015. Arquivado do original (PDF) em 4 de outubro de 2012
- ↑ «Pioneers of Probiotics». European Probiotic Association. Fevereiro de 2012. Consultado em 4 de setembro de 2015. Arquivado do original em 22 de julho de 2013
- 1 2 Mayo, B.; van Sinderen, D. (2010). «Bifidobacteria: Genomics and Molecular Aspects». Caister Academic Press. ISBN 978-1-904455-68-4
- ↑ Pinzone, MR.; Celesia, BM.; Di Rosa, M.; Cacopardo, B.; Nunnari, G. (2012). «Microbial translocation in chronic liver diseases». Int J Microbiol. 2012. 694629 páginas. PMC 3405644
. PMID 22848224. doi:10.1155/2012/694629 - ↑ Lievin, V (1 de novembro de 2000). «Bifidobacterium strains from resident infant human gastrointestinal microflora exert antimicrobial activity». Gut. 47 (5): 646–652. doi:10.1136/gut.47.5.646
- ↑ Sonomoto, Kenji; Yokota, Atsushi (2011). Lactic Acid Bacteria and Bifidobacteria: Current Progress in Advanced Research. [S.l.]: Caister Academic Press. ISBN 978-1-904455-82-0
Bibliografia
- Björkstén B, Sepp E, Julge K, Voor T, and Mikelsaar M. 2001. Allergy development and the intestinal microflora during the first year of life. Journal of Allergy and Clinical Immunology, Volume 108, 4ª edição, pp 516–520. Resumo disponível.
- Guarner F and Malagelada JR. 2003. Gut flora in health and disease. The Lancet, Volume 361, 9356ª edição, 8 de Fevereiro de 2003, pp 512–519. Resumo disponível.
