Gastroplastia endoscópica

A gastroplastia endoscópica foi descrita na literatura médica na década de 2010 como uma alternativa minimamente invasiva para o tratamento da obesidade. O procedimento consiste na realização de suturas endoscópicas no estômago com o objetivo de reduzir seu volume e modificar a dinâmica gástrica, promovendo saciedade precoce e perda de peso.[1][2][3] Após sua introdução internacional, a técnica começou a ser adotada em diversos centros de endoscopia bariátrica no Brasil em 2016, sendo os pioneiros na implementação da tecnica no Brasil: Dr Manoel Galvao MD MSc FASGE IFASMBS, Dr Jimi Scarparo, Dr Flavio Mitidieri Ramos, MD MSc FASGE, Dr Eduardo Grecco, Dr Felipe Matz, Dr Sergio Barrichello, Dr Bruno Sander, Dr Luis Gustavo Quadros MD MSc PHD FASGE, entre outros.[4][5] Surgiram estudos Clínicos e Publicações Científicas que contribuíram para a disseminação e padronização do procedimento no país, incluindo participação em Consenso e publicações multicentricas sobre a tecnica.

Esse procedimento médico, o qual consiste em uma técnica similar a uma cirurgia bariátrica do tipo Sleeve, mas realizado por meio de uma endoscopia,[6] apresenta resultados satisfatórios na perda de peso dos pacientes. A técnica promove perda de peso principalmente por redução do volume gástrico, aumento da saciedade precoce e alterações no esvaziamento gástrico. estando baseada na restrição do espaço disponível para alimentos e na redução dos movimentos perístalticos[7] sem interferir na absorção dos nutrientes. A ideia do método é diminuir a capacidade gástrica através de pontos, dados pelo endoscopista através de um dispositivo de Sutura Gastrica na ponta de uma aparelho de endoscopia.[8]

Indicações

Esse método pode ser indicado para pacientes que mesmo com mudanças de estilo de vida não perderam peso, ou perderam e reganharam o peso perdido e que busquem um método mais duradouro e eficiente. É normalmente indicado para pacientes com IMC acima de 30.

A obesidade é uma doença crônica e multifatorial e a limitação do volume do estômago do paciente pode colaborar muito com a mudança de estilo de vida. Quando associado a medicações coma a semaglutida pode ser ainda mais eficaz.[9] Também pode ser recomendado à pacientes obesos mórbidos, ou seja, dotados de IMC maior que 40, que eventualmente não possam ou não desejem se submeter à métodos mais invasivos, caso dos demais tipos de cirurgias bariátricas.[2]

Entretanto esta técnica tende a apresentar menor eficiência a longo prazo quando comparado à cirurgia bariátrica tradicional.[10][11]

Procedimento

Com o paciente sedado sob anestesia geral, o médico insere um endoscópio pela boca do paciente, chegando até o estômago. Com um equipamento especialmente desenvolvido para este fim, o médico sutura o estômago criando uma invaginação, reduzindo drasticamente seu volume, o que diminuirá a sensação de fome sentida pelo paciente.[12][13]

Referências

  1. Barrichello, Sérgio; Moura, Diogo Turiani Hourneaux de; Moura, Eduardo Guimaraes Hourneaux de; Jirapinyo, Pichamol; Hoff, Anna Carolina; Fittipaldi-Fernandez, Ricardo José; Baretta, Giorgio; Lima, João Henrique Felício; Usuy, Eduardo N. (1 de novembro de 2019). «Endoscopic sleeve gastroplasty in the management of overweight and obesity: an international multicenter study». Gastrointestinal Endoscopy (em inglês) (5): 770–780. ISSN 0016-5107. PMID 31228432. doi:10.1016/j.gie.2019.06.013. Consultado em 22 de junho de 2025
  2. 1 2 «Redução do estômago por endoscopia: entenda essa nova técnica». www.minhavida.com.br. Consultado em 1 de dezembro de 2020
  3. Sharaiha, Reem Z.; Kumta, Nikhil A.; Saumoy, Monica; Desai, Amit P.; Sarkisian, Alex M.; Benevenuto, Andrea; Tyberg, Amy; Kumar, Rekha; Igel, Leon; Verna, Elizabeth C.; Schwartz, Robert; Frissora, Christina; Shukla, Alpana; Aronne, Louis J.; Kahaleh, Michel (2017). «Endoscopic Sleeve Gastroplasty Significantly Reduces Body Mass Index and Metabolic Complications in Obese Patients». Clinical Gastroenterology and Hepatology. 15 (4): 504–510. ISSN 1542-7714. PMID 28017845. doi:10.1016/j.cgh.2016.12.012
  4. Galvão Neto, Manoel P.; Grecco, Eduardo; Souza, Thiago F.; Quadros, Luiz Gustavo (2016). «Endoscopic sleeve gastroplasty – minimally invasive therapy for primary obesity treatment» 1 ed. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva. 29: 95–97. doi:10.1590/0102-6720201600S10023
  5. Galvão Neto, Manoel (2021). «Brazilian Consensus on Endoscopic Sleeve Gastroplasty». Obesity Surgery. doi:10.1007/s11695-020-04915-4
  6. «Gastroplastia Endoscópica – Apollo Overstitch». Consultado em 1 de dezembro de 2020
  7. Abu Dayyeh, Barham K.; Acosta, Andres; Camilleri, Michael; Mundi, Manpreet S.; Rajan, Elizabeth; Topazian, Mark D.; Gostout, Christopher J. (2017). «Endoscopic Sleeve Gastroplasty Alters Gastric Physiology and Induces Loss of Body Weight in Obese Individuals». Clinical Gastroenterology and Hepatology. 15 (1): 37–43.e1. ISSN 1542-7714. PMID 26748219. doi:10.1016/j.cgh.2015.12.030
  8. «Gastroplastia Endóscopica». Clínica Healthme. Consultado em 22 de junho de 2025
  9. Hoff, Ana Carolina; Barrichello, Sergio; Badurdeen, Dilhana; Kumbhari, Vivek; Neto, Manoel Galvao; Sharaiha, Reem Z. (1 de junho de 2021). «ID: 3492486 SEMAGLUTIDE IN ASSOCIATION TO ENDOSCOPIC SLEEVE GASTROPLASTY: TAKING ENDOSCOPIC BATRIATRIC PROCEDURES OUTCOMES TO THE NEXT LEVEL». Gastrointestinal Endoscopy (em inglês) (6): AB6–AB7. ISSN 0016-5107. doi:10.1016/j.gie.2021.03.083. Consultado em 22 de junho de 2025
  10. clinicaconcon (17 de agosto de 2017). «A Redução de Estômago por endoscopia não pode ser comparada à uma Cirurgia Bariátrica.». Blog | Clinica Concon. Consultado em 7 de novembro de 2024
  11. «"Nova bariátrica" não é cirurgia e ainda divide especialistas». www.uol.com.br. Consultado em 7 de novembro de 2024
  12. «Gastroplastia Endóscopica». Clínica Healthme. Consultado em 22 de junho de 2025
  13. «Gastromed | Os fios da gastroplastia endoscópica podem soltar». Consultado em 1 de dezembro de 2020