Fetichismo por gordura
Fetichismo por gordura ou adipofilia (do latim adeps – "gordura" e do grego φιλία – "amor") é uma forma de atração sexual dirigida a pessoas com sobrepeso ou obesas, devido principalmente ao seu peso e tamanho.[1][2]
Uma variedade do fetichismo por gordura é o alimentacionismo (do inglês feederism) ou ganho de peso erótico (gaining), no qual a gratificação sexual é obtida a partir do processo de ganhar gordura corporal, ou ajudar outras pessoas a ganhá-la, não necessariamente da gordura em si, embora haja grande sobreposição entre esses grupos. O fetichismo por gordura também incorpora a prática de empanturramento (stuffing) e de acolchoamento (padding), nas quais o foco da excitação está nas sensações e propriedades de um ganho real ou simulado.[3]
Como subcultura
A comunidade do fetichismo por gordura apresenta sobreposição com os movimentos de positividade corporal e feminismo gordo. A National Association to Advance Fat Acceptance (NAAFA) atuou como uma organização de defesa de pessoas gordas, mas foi parcialmente formada para ajudar homens fetichistas de gordura e outros admiradores de pessoas gordas (FAs) a encontrar mulheres gordas para namorar e manter relações sexuais.[4][5]
A comunidade é predominantemente heterossexual, focada em mulheres gordas e homens mais magros. Inclui interações presenciais e comunidades na internet. As práticas e subculturas relacionadas incluem pornografia online; ganho de peso intencional e alimentação erótica; hogging, quando homens procuram mulheres gordas para explorá-las sexualmente; e squashing, atração sexual pela ideia de ser esmagado por uma pessoa gorda ou mais de uma.[4]
De acordo com The Routledge Companion to Beauty Politics, "as dinâmicas de poder relacionadas a gênero, raça e classe em muitas dessas subculturas frequentemente refletem, reforçam e até exageram desigualdades raciais, de gênero, de classe e sexuais já existentes".[4] A socióloga Abigail C. Saguy propôs que, ao objetificar o peso das mulheres, reforça-se a importância cultural desse peso para a aparência física, e, portanto, também a desigualdade de gênero.[6][5]
Alimentacionismo
Ganhadores (gainers) e alimentados (feedees) são pessoas que apreciam a fantasia ou a realidade de serem alimentadas e/ou ganharem peso. Incentivadores (encouragers) e alimentadores (feeders) tipicamente gostam da fantasia de ajudar outra pessoa a ganhar peso.[3] Esses termos são comuns entre homossexuais masculinos, enquanto homens e mulheres heterossexuais, assim como mulheres lésbicas, frequentemente se identificam como alimentadores e alimentados.[7] Alguns preferem o termo alimentacionismo a feederism, por sugerir uma relação mais igualitária entre quem alimenta e quem é alimentado.[3]
Embora o ganho de peso erótico e a alimentação erótica sejam frequentemente considerados fetiches, muitos dentro dessas comunidades relatam vê-los mais como um estilo de vida, identidade ou orientação sexual.[7]
O alimentacionismo é retratado pela mídia como um tabu ou interesse de nicho.[3] Retratações negativas incluem o filme Feed, de 2005, que é um exemplo de alimentacionismo não consensual. Pesquisas mostram que a esmagadora maioria das relações dessa prática são plenamente consensuais, e que a imobilidade é, na maior parte, mantida apenas como fantasia para os participantes.[3]
A comunidade gay de ganhadores surgiu do movimento Girth & Mirth nos anos 1970. Em 1988, já existiam boletins específicos para ganhadores e, em 1992, foi realizado o primeiro evento do tipo, chamado EncourageCon, em New Hope (Pensilvânia). Em 1996, foi lançado o GainRWeb, o primeiro site dedicado a homens gays interessados em ganho de peso.[8]
Referências
- ↑ Merkin, Daphne (22 de agosto de 2010). «The F Word». The New York Times
- ↑ Griffiths, Mark D. (30 de junho de 2015). «The Fat Fetish, Explained». Psychology Today
- 1 2 3 4 5 Charles, Kathy; Palkowski, Michael (2015). Feederism Eating, Weight Gain and Sexual Pleasure. [S.l.: s.n.]
- 1 2 3 Pfeffer, Carla A. (2021). «17: Fat Activism and Beauty Politics». In: Craig, Maxine Leeds. The Routledge companion to beauty politics. Abingdon, Oxon: [s.n.] ISBN 9781032043319. Consultado em 19 de agosto de 2021
- 1 2 Saguy, Abigail C. (1 de dezembro de 2002). «Sex, Inequality, and Ethnography: Response to Erich Goode». Qualitative Sociology. 25 (4): 549–556. doi:10.1023/A:1021071101130
- ↑ Swami, V.; Tovée, M. J. (2009). «Big Beautiful Women: The Body Size Preferences of Male Fat Admirers». Journal of Sex Research. 46 (1): 89–96. CiteSeerX 10.1.1.614.550
. PMID 19116865. doi:10.1080/00224490802645302 - 1 2 Bestard, Alyshia (setembro de 2008). Feederism: an exploratory study into the stigma of erotic weight gain. University of Waterloo Thesis Paper (Master Thesis). pp. 27–28. OCLC 650872028
- ↑ Textor, Alex Robertson (julho de 1999). «Organization, Specialization, and Desires in the Big Men's Movement: Preliminary Research in the Study of Subculture-Formation.» (PDF). International Journal of Sexuality and Gender Studies. 4 (3): 218–220. doi:10.1023/A:1023223013536. hdl:2027.42/44662

Fontes
- Giovanelli, Dina e Natalie Peluso. 2006. "Feederism: a new sexual pleasure and subculture"
- pp 309–314 em The Handbook of New Sexuality Studies. Editado por Steven Seidman. Oxford, Reino Unido: Routledge.
- Kathleen LeBesco. 2004. Revolting Bodies?: The Struggle to Redefine Fat Identity. Univ of Massachusetts Press. ISBN 1-55849-429-4
- Don Kulick e Anne Meneley. 2005. Fat: The Anthropology of an Obsession, ISBN 1-58542-386-6.
- Charles, K. e Palkowski, M. 2015. Feederism: Eating, Weight Gain and Sexual Pleasure, Palgrave, ISBN 978-1-137-47045-4.
Leitura complementar
- Pardes, Arielle (19 de março de 2015). «The Women Who Get Off by Watching Men Gain Weight – VICE». Vice
- Textor, Alex Robertson (1999). «Organization, Specialization, and Desires in the Big Men's Movement: Preliminary Research in the Study of Subculture-Formation». International Journal of Sexuality and Gender Studies. 4 (3): 217–239. doi:10.1023/A:1023223013536. hdl:2027.42/44662
