Fetichismo por gordura

Escultura de Fernando Botero

Fetichismo por gordura ou adipofilia (do latim adeps – "gordura" e do grego φιλία – "amor") é uma forma de atração sexual dirigida a pessoas com sobrepeso ou obesas, devido principalmente ao seu peso e tamanho.[1][2]

Uma variedade do fetichismo por gordura é o alimentacionismo (do inglês feederism) ou ganho de peso erótico (gaining), no qual a gratificação sexual é obtida a partir do processo de ganhar gordura corporal, ou ajudar outras pessoas a ganhá-la, não necessariamente da gordura em si, embora haja grande sobreposição entre esses grupos. O fetichismo por gordura também incorpora a prática de empanturramento (stuffing) e de acolchoamento (padding), nas quais o foco da excitação está nas sensações e propriedades de um ganho real ou simulado.[3]

Como subcultura

A comunidade do fetichismo por gordura apresenta sobreposição com os movimentos de positividade corporal e feminismo gordo. A National Association to Advance Fat Acceptance (NAAFA) atuou como uma organização de defesa de pessoas gordas, mas foi parcialmente formada para ajudar homens fetichistas de gordura e outros admiradores de pessoas gordas (FAs) a encontrar mulheres gordas para namorar e manter relações sexuais.[4][5]

A comunidade é predominantemente heterossexual, focada em mulheres gordas e homens mais magros. Inclui interações presenciais e comunidades na internet. As práticas e subculturas relacionadas incluem pornografia online; ganho de peso intencional e alimentação erótica; hogging, quando homens procuram mulheres gordas para explorá-las sexualmente; e squashing, atração sexual pela ideia de ser esmagado por uma pessoa gorda ou mais de uma.[4]

De acordo com The Routledge Companion to Beauty Politics, "as dinâmicas de poder relacionadas a gênero, raça e classe em muitas dessas subculturas frequentemente refletem, reforçam e até exageram desigualdades raciais, de gênero, de classe e sexuais já existentes".[4] A socióloga Abigail C. Saguy propôs que, ao objetificar o peso das mulheres, reforça-se a importância cultural desse peso para a aparência física, e, portanto, também a desigualdade de gênero.[6][5]

Alimentacionismo

Ganhadores (gainers) e alimentados (feedees) são pessoas que apreciam a fantasia ou a realidade de serem alimentadas e/ou ganharem peso. Incentivadores (encouragers) e alimentadores (feeders) tipicamente gostam da fantasia de ajudar outra pessoa a ganhar peso.[3] Esses termos são comuns entre homossexuais masculinos, enquanto homens e mulheres heterossexuais, assim como mulheres lésbicas, frequentemente se identificam como alimentadores e alimentados.[7] Alguns preferem o termo alimentacionismo a feederism, por sugerir uma relação mais igualitária entre quem alimenta e quem é alimentado.[3]

Embora o ganho de peso erótico e a alimentação erótica sejam frequentemente considerados fetiches, muitos dentro dessas comunidades relatam vê-los mais como um estilo de vida, identidade ou orientação sexual.[7]

O alimentacionismo é retratado pela mídia como um tabu ou interesse de nicho.[3] Retratações negativas incluem o filme Feed, de 2005, que é um exemplo de alimentacionismo não consensual. Pesquisas mostram que a esmagadora maioria das relações dessa prática são plenamente consensuais, e que a imobilidade é, na maior parte, mantida apenas como fantasia para os participantes.[3]

A comunidade gay de ganhadores surgiu do movimento Girth & Mirth nos anos 1970. Em 1988, já existiam boletins específicos para ganhadores e, em 1992, foi realizado o primeiro evento do tipo, chamado EncourageCon, em New Hope (Pensilvânia). Em 1996, foi lançado o GainRWeb, o primeiro site dedicado a homens gays interessados em ganho de peso.[8]

Referências

  1. Merkin, Daphne (22 de agosto de 2010). «The F Word». The New York Times
  2. Griffiths, Mark D. (30 de junho de 2015). «The Fat Fetish, Explained». Psychology Today
  3. 1 2 3 4 5 Charles, Kathy; Palkowski, Michael (2015). Feederism Eating, Weight Gain and Sexual Pleasure. [S.l.: s.n.]
  4. 1 2 3 Pfeffer, Carla A. (2021). «17: Fat Activism and Beauty Politics». In: Craig, Maxine Leeds. The Routledge companion to beauty politics. Abingdon, Oxon: [s.n.] ISBN 9781032043319. Consultado em 19 de agosto de 2021
  5. 1 2 Saguy, Abigail C. (1 de dezembro de 2002). «Sex, Inequality, and Ethnography: Response to Erich Goode». Qualitative Sociology. 25 (4): 549–556. doi:10.1023/A:1021071101130
  6. Swami, V.; Tovée, M. J. (2009). «Big Beautiful Women: The Body Size Preferences of Male Fat Admirers». Journal of Sex Research. 46 (1): 89–96. CiteSeerX 10.1.1.614.550Acessível livremente. PMID 19116865. doi:10.1080/00224490802645302
  7. 1 2 Bestard, Alyshia (setembro de 2008). Feederism: an exploratory study into the stigma of erotic weight gain. University of Waterloo Thesis Paper (Master Thesis). pp. 27–28. OCLC 650872028
  8. Textor, Alex Robertson (julho de 1999). «Organization, Specialization, and Desires in the Big Men's Movement: Preliminary Research in the Study of Subculture-Formation.» (PDF). International Journal of Sexuality and Gender Studies. 4 (3): 218–220. doi:10.1023/A:1023223013536. hdl:2027.42/44662Acessível livremente

Fontes

  • Giovanelli, Dina e Natalie Peluso. 2006. "Feederism: a new sexual pleasure and subculture"
  • pp 309–314 em The Handbook of New Sexuality Studies. Editado por Steven Seidman. Oxford, Reino Unido: Routledge.
  • Kathleen LeBesco. 2004. Revolting Bodies?: The Struggle to Redefine Fat Identity. Univ of Massachusetts Press. ISBN 1-55849-429-4
  • Don Kulick e Anne Meneley. 2005. Fat: The Anthropology of an Obsession, ISBN 1-58542-386-6.
  • Charles, K. e Palkowski, M. 2015. Feederism: Eating, Weight Gain and Sexual Pleasure, Palgrave, ISBN 978-1-137-47045-4.

Leitura complementar