Videonistagmografia

Videonistagmografia (VNG) é um exame para testar a função do ouvido interno e as funções motoras centrais, num processo conhecido como avaliação vestibular.[1][2] O VNG pode determinar se a tontura é causada por doença do ouvido interno, nomeadamente a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), ou, ao invés, se se deve a outras causas, como hipotensão arterial ou ansiedade.[3] O VMG é em geral,  realizado por um fonoaudiólogo, mas esse é um teste que pode ser realizado por qualquer profissional de saúde especializado em distúrbios da audição e do equilíbrio.[1]

Procedimentos

O teste de VNG é composto por várias etapas. O examinado é convidado a usar óculos infravermelhos para rastrear os movimentos dos olhos durante a estimulação visual e mudanças posicionais.[4] Durante a primeira parte do teste, o paciente é instruído a seguir um ponto num ecrã com os olhos. O ponto pode subir, descer, ir de lado a lado, ou mudar de posição aleatoriamente. Videocâmeras são colocadas em lentes binoculares à prova de luz método que possibilitam a observação direta e a gravação dos movimentos oculares em várias posições.[5]

Outra parte do teste requer que o paciente se sente em várias posições diferentes (deitado de costas, cabeça para a direita, cabeça para a esquerda, corpo rodado para a direita e corpo rodado para a esquerda).[1]

A parte final da VNG requer teste de resposta calórica.[1]

Teste oculomotor

Olhar

O teste do olhar é realizado para avaliar o nistagmo espontâneo, ou seja, um nistagmo presente na ausência de estimulação visual ou vestibular. A posição inicial é tipicamente olhar para frente, depois para cima, para baixo, para a esquerda e para a direita, e manter por um curto período de tempo. O olhar é tipicamente avaliado com a visão e com a visão bloqueada (os óculos são cobertos para bloquear qualquer estímulo visual).[1]

Perseguição suave/Rastreamento

O teste de perseguição suave faz com que o paciente siga um alvo visual da esquerda para a direita ou de cima para baixo. Os aspectos analisados ​​são ganho de velocidade, assimetria e ângulo de fase.[6]

Sacadas

As sacadas avaliam o movimento sacádico voluntário, que são movimentos oculares rápidos em direção a um alvo. Um ponto ou alvo visual aparece em pontos aleatórios ao longo da tela, embora apenas ao longo do eixo horizontal seja comum. O paciente é instruído a não tentar adivinhar onde o alvo estará. Este teste mede latência, velocidade e precisão.[1]

Teste optocinético

O teste optocinético avalia uma resposta que ocorre ao tentar estabilizar o foco em um alvo enquanto o próprio campo visual se move (devido ao movimento da cabeça da pessoa). Um exemplo dessa resposta é ao focar em objetos passando pela janela enquanto se está sentado em um trem, ônibus ou carro em movimento. Este teste avalia o ganho de velocidade e a assimetria.[6]

Recomendações

A Videonistagmografia  é um exame que precisa ser realizado cuidadosamente com os óculos firmemente fixados à região cefálica do paciente, pois movimentos da câmera em relação à cabeça resultarão em erro ao gerar os resultados.[5]

Algumas pessoas podem ter dificuldades para realizar a  Videonistagmografia como: [5]

  • Pacientes claustrofóbicos podem não tolerar a sensação de confinamento;
  • Pacientes com ptose palpebral ou cílios que obscurecem a pupila podem ser difíceis de avaliar;
  • Paciente que usa Cosméticos ao redor dos olhos podem interferir com a iluminação infravermelha e prejudicar a avaliação27;
  • Pacientes que sejam crianças com menos de cinco anos que não toleram o uso da máscara do equipamento devido às dimensões reduzidas da face;
  • pacientes com doenças que afetam a forma da pupila e
  • pacientes que, por diversas razões, são incapazes de manter os olhos abertos.


É fundamental a realização da a anamnese e da exploração clínica, consideran

do que a Videonistagmografia se trata de um exame complementar que ajuda no diagnóstico da vertigem e desequilíbrio, mas não identifica etiologias específicas.[7]

Referências

  1. a b c d e f Noreikaite, Gabriele; Winters, Ryan; Shermetaro, Carl (2025). «VNG/ENG Testing». Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. PMID 38261701. Consultado em 12 de julho de 2025 
  2. The Role of Videonystagmography (VNG), American Academy of Audiology
  3. Key Hearing (clinical practice) Arquivado em 2010-05-26 no Wayback Machine
  4. National Dizzy & Balance Center (clinical practice)
  5. a b c Ganança, Maurício Malavasi; Caovilla, Heloísa Helena; Ganança, Fernando Freitas (junho de 2010). «Eletronistagmografia versus videonistagmografia». Brazilian Journal of Otorhinolaryngology: 399–403. ISSN 1808-8694. doi:10.1590/S1808-86942010000300021. Consultado em 7 de julho de 2025 
  6. a b McCaslin, Devin L. (14 de outubro de 2019). Electronystagmography and Videonystagmography (ENG/VNG), Second Edition (em inglês). [S.l.]: Plural Publishing. Consultado em 12 de julho de 2025 
  7. Ribeiro Teixeira, Adriane; Laybauer Silveira, Adriana (30 de maio de 2022). «VIDEONISTAGMOGRAFIA EM IDOSOS COM QUEIXA DE TONTURA E VERTIGEM». Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano (3). ISSN 2317-6695. doi:10.5335/rbceh.v18i3.13589. Consultado em 7 de julho de 2025