Esclerose sistêmica
Esclerose sistêmica (português brasileiro) ou esclerose sistémica (português europeu) é uma doença reumatológica que se caracteriza por produzir esclerose em diferentes órgãos, pela produção e acúmulo excessivos de colágeno, chamado fibrose, na pele e órgãos internos, e por lesões em pequenas artérias. Como afeta fundamentalmente a pele, o termo esclerodermia (esclerose da pele) é geralmente estabelecido como sinônimo de esclerose sistêmica.[1][2][3]. Tem uma natureza progressiva e de etiologia desconhecida, que pode levar a óbito. Tem origem em alterações inflamatórias crônicas que causam espessamento, fibrose cutânea e de tecidos moles, associada a alterações vasculares periféricas e viscerais, fazendo com que a pele fique espessa e rígida, atrapalhando a movimentação. Os sintomas normalmente pioram quando o doente se expõe a temperaturas mais baixas, causando vasoconstrição.
Afeta geralmente mulheres entre os 20 e os 40 anos. O prognóstico da doença depende na maioria da extensão e dos órgãos afetados. As pessoas cuja doença se limita à pele apresentam, geralmente, um bom prognóstico. No entanto, os doentes com doença cutânea difusa, ou envolvimento de órgãos como os pulmões, os rins ou o coração, apresentam um prognóstico substancialmente pior. A principal causa de morte nestes doentes é a infecção, seguida de complicações pulmonares e cardíacas. Na forma mais grave, a cutânea difusa, a sobrevivência é de 70% aos 5 anos e de 55% aos 10 anos. Praticamente todo o corpo humano tem tecido conjuntivo, e por essa razão, várias partes do corpo estão sujeitas a alterações produzidas pela doença (excesso de produção de colágeno, formando tecido espesso, ou seja, fibrose).
Classificação
1. Sistêmica: (mais grave)
- Difusa
- Limitada (CREST)
- Overlap ou síndrome de sobreposição (mais de uma doença)
- Visceral (órgãos internos) pele + rígida em todos os locais / canal do esôfago, que é elástico, não se dilata mais ao alimento (tem disfagia: regurgitação do alimento)
2. Localizada: (menos grave)
- Linear
- Morfeia (atinge somente um segmento do corpo)
- Generalizada
3. Induzida: devido à atuação de agentes externos
Epidemiologia
- 2,19 casos por milhão de habitantes
- Sintomas entre 30 e 40 anos
- Predomínio no sexo feminino
- Prevalência — 126 casos a cada 1 milhão de habitantes
Etiologia
- Fatores genéticos
- Fatores imunológicos
- Fatores ambientais
Patogênese
Lesões repetidas do endotélio de microvasos — leva alterações da permeabilidade, ativa fibroblastos que secretam mais colágeno que se deposita na camada adventícia. Alterações imunológicas associadas ao aumento da síntese de colágeno, ocorrendo fibrose, lesão vascular e isquemia distal de pequenos vasos.
Quadro clínico
Forma difusa: Progressão rápida, lesão cutânea, aumento do risco de lesão renal, cardíaca e pulmonar nos primeiros 5 anos.
Forma limitada: Curso mais lento e benigno, somente Raynaud durante anos, podem ter lesões viscerais com os anos.
Manifestações cutâneas — Espessamento (escleroderma) mais característica da doença. Fase edematosa: pele brilhante, com edema difuso em mãos e pés.
Fenômeno de Reynaud
- Bastante relacionado com o frio e doenças vasculares
- Distúrbio vaso motor
- Isquemia bem localizada, palidez (vasoespasmo), cianose e rubor
Esse fenômeno é transitório; desaparece em 20 a 30 minutos, mas pode reaparecer.
Fase indurativa
- Pele endurecida, inelástica e aderida aos tecidos profundos, ulcerando-se com facilidade e prejudicando a mobilidade articular.
- A pele atrapalha o movimento, ao estar aderida aos demais tecidos internos, impedindo a mobilidade articular
- Desaparecem as rugas de expressão da face
- Nariz e comissura labial afilados
- Microstomia (menor abertura da boca) — Influência na nutrição do paciente, tendo assim dificuldade para mastigação e para falar, a pele fica plana, elástica, atrapalhando as articulações.
- Pele seca, áspera e sem pelos.
Manifestações vasculares
Microulceração isquêmica da polpa digital, podendo evoluir para úlceras, gangrenas e amputações que ocorrem naturalmente devido à complicação do caso.
Manifestações articulares e musculoesqueléticas
Principal causa de morbidade e incapacidade:
- Poliartralgias e mialgias
- Dor e rigidez, maiores que a inflamação
- Crepitação articular ao movimento
- Contraturas articulares
- Retrações tendíneas divido a inelasticidade e fibrose periarticular
- Garra esclerodérmica nas mãos (mãos em garra — flexão dos dedos)
- Fraqueza e atrofia muscular (devido ao pouco uso)
Manifestações gastrointestinais
- Disfunção esofágica — por atrofia e fibrose, disfagia, pirose retroesternal, regurtição e sensação de parada do alimento no esôfago (causa de morte) — paciente pode broncoaspirar o alimento que pode levar a uma pneumonia
Manifestações pulmonares
- Hipertensão pulmonar
- Cardíacas: pericardite, arrimias
- Renais: glomerulonefrite até insuficiência renal.
Diagnóstico
- Critério Maior: — Esclerodermia proximal
- Critério Menor: — Esclerodactilia (espessamento da pele dos dedos), úlceras distais ou reabsorção de falanges distais, fibrose pulmonar basilar
Tratamento medicamentoso
- Analgésicos
- AINEs
- Corticoesteroides
- Drogas vasoativas
- Imunossupressores
Fisioterapia
Objetivo
Manter e aumentar mobilidade da pele e articular, melhorar equilíbrio, marcha, força muscular, consciência corporal e postural, e educação sobre a doença.
Orientações
- Encaminhar ao Nutricionista;
- Usar luvas;
- Ensinar mudanças de postura;
- Cuidado com cosméticos na face;
- Lubrificar a pele;
- Cuidado com os dentes;
- Cabeceira da cama elevada.
Ver também
- Calcineurina
Ligações externas
- Dia da Auto Estima - Campanha de conscientização sobre a Esclerose Múltipla
- - Conhecerem - O portal exclusivo sobre Esclerose sistemica
- BayerHealthCare - Esclerose sistemica
- Wordpress - Tudo sobre EM
- Homefisio - Esclerose sistemica
- Associação Brasileira de EM
- Universidade Federal Fluminense - Material para estudo acadêmico da EM
- ↑ Jimenez, SA; Cronin, PM; Koenig, AS; O'Brien, MS; Castro, SV (15 Fevereiro de 2012). Varga, J; Talavera, F; Goldberg, E; Mechaber, AJ; Diamond, HS, ed. «Scleroderma». Medscape Reference. WebMD. Consultado em 5 de março de 2014
- ↑ Hajj-ali, RA (junho de 2013). «Systemic Sclerosis». Merck Manual Professional. Merck Sharp & Dohme Corp. Consultado em 5 de março de 2014
- ↑ «Recomendações sobre diagnóstico e tratamento da esclerose sistêmica». 16 de setembro de 2013. Consultado em 25 de setembro de 2025