Intoxicação por arsênico

Intoxicação por arsênico
Áreas do mundo com altos níveis naturais de arsênio na água subterrânea
EspecialidadeToxicologia
SintomasAgudo: vômito, dor abdominal, diarreia aquosa[1]
Crônico: pele grossa, pele mais escura, câncer[1]
CausasArsênio[1]
Método de diagnósticoExames de urina, sangue ou cabelo[1]
PrevençãoBeber água potável sem arsênio[1]
TratamentoÁcido dimercaptossuccínico, dimercaptopropano sulfonato[2]
Frequência>200 milhões[3]
Classificação e recursos externos
CID-11NE61
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A intoxicação por arsênico é uma condição médica que ocorre devido a níveis elevados de arsênico no corpo.[4] Se a intoxicação por arsênico ocorrer durante um breve período de tempo, os sintomas podem incluir vômitos, dor abdominal, encefalopatia, e diarreia aquosa contendo sangue.[1] Exposições prolongadas podem resultar em espessamento da pele, escurecimento da pele, dor abdominal, diarreia, doenças cardíacas, dormência e câncer.[1]

A razão mais comum para a exposição prolongada é a ingestão de água contaminada.[3] Águas subterrâneas na maioria das vezes ficam contaminadas naturalmente; no entanto, a contaminação também pode ocorrer em decorrência da mineração ou da agricultura.[1] Ela pode ocorrer também no solo e no ar.[5] Os níveis recomendados na água são inferiores a 10-50 µg/L (10–50 partes por bilhão).[1] Outras fontes de exposição incluem áreas de estocagem de resíduos tóxicos e medicamentos tradicionais.[1][3] A maioria dos casos de intoxicação é acidental.[1] O arsênico atua alterando o funcionamento de cerca de 200 enzimas.[1] O diagnóstico é realizado por exames de urina, sangue ou do cabelo.[1]

A prevenção se faz pelo uso de água que não contenha níveis elevados de arsênico.[1] Isto pode ser conseguido através do uso de filtros especiais ou pelo aproveitamento da água da chuva.[1] Não existem fortes evidências de tratamentos específicos para intoxicação por longos períodos de exposição.[1] Para intoxicações agudas, é importante o tratamento da desidratação.[4] O Ácido dimercaptossuccínico (DMSA) ou o dimercaptopropano sulfonato (DMPS) pode ser usado, enquanto 2,3-dimercapropanol (BAL) não é recomendado.[2] A hemodiálise é também uma alternativa de tratamento.

Através da água potável, mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo estão expostas a níveis de arsênico acima dos níveis seguros.[3] As áreas mais afetadas são Bangladesh e Bengala Ocidental.[3] A exposição também é mais comum na população de baixa renda e nas minorias.[6] A intoxicação aguda é incomum.[3] A toxicidade do arsênico foi descrita já em 1500 a.C. no Papiro Ebers.[7]

Ligações externas

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p Ratnaike, R N (1 de julho 2003). «Acute and chronic arsenic toxicity». Postgraduate Medical Journal. 79 (933): 391–396. PMC 1742758Acessível livremente. PMID 12897217. doi:10.1136/pmj.79.933.391 
  2. a b Andersen, Ole; Aaseth, Jan (dezembro 2016). «A review of pitfalls and progress in chelation treatment of metal poisonings». Journal of Trace Elements in Medicine and Biology. 38: 74–80. PMID 27150911. doi:10.1016/j.jtemb.2016.03.013 
  3. a b c d e f Naujokas, Marisa F.; Anderson, Beth; Ahsan, Habibul; Aposhian, H. Vasken; Graziano, Joseph H.; Thompson, Claudia; Suk, William A. (3 de janeiro 2013). «The Broad Scope of Health Effects from Chronic Arsenic Exposure: Update on a Worldwide Public Health Problem». Environmental Health Perspectives. 121 (3): 295–302. PMC 3621177Acessível livremente. PMID 23458756. doi:10.1289/ehp.1205875 
  4. a b Vahidnia, A.; van der Voet, G.B.; de Wolff, F.A. (1 de outubro 2007). «Arsenic neurotoxicity A review». Human & Experimental Toxicology. 26 (10): 823–832. PMID 18025055. doi:10.1177/0960327107084539 
  5. Hughes, MF; Beck, BD; Chen, Y; Lewis, AS; Thomas, DJ (outubro 2011). «Arsenic exposure and toxicology: a historical perspective.». Toxicological Sciences. 123 (2): 305–32. PMC 3179678Acessível livremente. PMID 21750349. doi:10.1093/toxsci/kfr184 
  6. Joca, L; Sacks, JD; Moore, D; Lee, JS; Sams R, 2nd; Cowden, J (2016). «Systematic review of differential inorganic arsenic exposure in minority, low-income, and indigenous populations in the United States.». Environment International. 92-93: 707–15. PMID 26896853. doi:10.1016/j.envint.2016.01.011 
  7. Howie, Frank (2013). Care and Conservation of Geological Material (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781135385217. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2017