Omaia ibne Abede Xemece
Omaia ibne Abede Xemece (em árabe: امية بن عبد شمس; romaniz.: Umayya ibn ʿAbd Shams) foi um coraixita, progenitor da linhagem dos califas omíadas. O nome da dinastia que governou o Califado Omíada, bem como o clã Banu Omaia foram nomeados em sua honra.
Vida
Como outros epônimos de tribos e clãs árabes, sua história está impregnada de fatos míticos. O nome Omaia é comum na onomástica árabe e ocorre tanto entre tribos do norte quanto do sul; o significado que a polêmica antiomíada lhe atribui (um diminutivo de ama, “escrava”) faria dele um apelido; ademais, existe a forma positiva Banu Ama como nome de uma tribo. Era filho de Abede Xemece e neto de Abede Manafe ibne Cussai[1] e os genealogistas afirmam que era pai de cinco filhos: Harbe, Abu Alas, Alas, Abu Alis e Abu Anre.[2] Segundo uma provável lenda erudita que traduz a futura rivalidade entre os omíadas e os haxemitas (álidas e abássidas), diz-se que Omaia rivalizou com seu tio paterno, Haxim ibne Abde Manafe. Por conta de sua inveja, desafiou Haxim para uma mundafara, cujo juiz seria um cohen dos cuzaítas. Ao ser derrotado, Omaia foi obrigado a exilar-se de Meca por dez anos. De modo semelhante, o relato da embaixada de Omaia e de seu sobrinho Abedal Motalibe, juntamente com outros chefes dos coraixitas, ao rei himiarita Ceife ibne Di Iazane (r. 571–575), após este ter derrotado os abissínios, visa apenas aumentar o prestígio dos coraixitas e profetizar o advento do Islã. Outras histórias problemáticas de supostas testemunhas oculares colocam que viram Omaia, já um velho decrépito, percorrendo as ruas de Meca apoiado em seu filho Abu Anre.[3]
Algumas fontes colocam que Omaia, como seu pai Abede Xemece, comandava o exército de Meca em tempos de guerra (al-qiyāda), cargo que mais tarde foi transmitido a seu filho Harbe e a seu neto Abu Sufiane. Essa tradição não deve ser interpretada literalmente como um posto militar permanente desse clã, pois além dos descendentes de Omaia, numerosos membros de outros clãs e até ḥulafāʾ (clientes) serviram como comandantes. Além disso, é provável que a qiyāda seja melhor entendida como a direção ocasional dos assuntos militares da comunidade, mais do que o comando efetivo de tropas em campanha. O clã dos Banu Omaia aparece como o mais poderoso de Meca e dividia-se em dois ramos principais: os Aias e os Anabiça (plural de Ambaça, comum na família). Os primeiros afirmavam descender de um filho do epônimo cujos nomes provinham da mesma raiz ou de raiz semelhante: Abu Alas, Aluais, Alaci e Abu Alaci; os outros eram representados pelas famílias de Harbe, Abu Harbe, Sufiane, Abu Sufiane (cujo nome era Ambaça, tio do célebre Abu Sufiane ibne Harbe), Anre e Abu Anre (este último, cujo nome se dizia ter sido Dacuane).[3]
De um filho de Abu Alas, Aláqueme, descendem, por intermédio de Maruane ibne Aláqueme, os califas omíadas que sucederam a Maruane, bem como os emires (posteriormente califas) do Alandalus. Alguns ramos da família califal estabeleceram-se no Egito e na Pérsia; embora a maior parte da família tenha sido exterminada em 132/750 pelos abássidas, alguns de seus membros sobreviveram até épocas bem posteriores. Entre estes estava Abu Alfaraje de Ispaã, autor do Kitāb al-Aghānī, descendente de um irmão de Maruane I. Outro filho de Abu Alas, Afane, foi o pai do califa Otomão; seus descendentes são numerosos (entre eles o poeta Alarji), e vários deles exerceram cargos importantes sob os omíadas. Da linhagem de Alas ibne Omaia, o membro mais célebre é Saíde ibne Alas, governador de Cufa sob Otomão, cujos desmandos foram uma das principais causas da rebelião contra este último. A família de Abu Alas também produziu diversos personagens notáveis sob os omíadas, todos descendentes de Asside ibne Abi Alas.[3]
Do ramo Anabiça, a família mais ilustre é a de Harbe, cujo filho Abu Sufiane desempenhou um relevante na narrativa das origens do Islã. Por meio de seu filho Moáuia I, ele é o fundador da dinastia dos califas sufiânidas, que se extinguiu precocemente com Moáuia II, filho de Iázide I. Outro filho de Iázide, Calide, goza de uma reputação lendária como fundador da alquimia árabe, e um neto, Abu Maomé Ziade ibne Abedalá ibne Iázide Assufiani, foi morto pelos abássidas em Medina no ano 132/750. Iázide ibne Abi Sufiane, que precedera Moáuia no comando do exército da Síria durante o reinado de Omar, não deixou descendentes. Dos outros filhos de Abu Sufiane — Oteba, Ambaça, Iázide, Maomé e Anre — apenas os dois primeiros tiveram descendência.[4]
Um ramo colateral dos Banu Omaia, descendente de Abu Anre ibne Omaia, incluiu entre seus membros Aluaide ibne Uqueba, governador de Cufa sob Otomão e, mais tarde, favorito de Moáuia durante o seu califado, sendo também conhecido como poeta. Seu pai, Uqueba, foi capturado na Batalha de Badre e executado por Maomé, que não lhe perdoara os insultos que lhe dirigira no início de sua pregação em Meca; a memória vergonhosa do pai pesou fortemente sobre o filho e é frequentemente evocada nas polêmicas álidas contra os Banu Omaia. Um filho de Alualide, Abu Catifa Anre, também é conhecido como poeta. Todos os membros da linhagem de Abu Anre se estabeleceram no Iraque e na Jazira.[5]
Referências
- ↑ Bosworth 2000, p. 837.
- ↑ Bosworth 2000, p. 837-838.
- ↑ a b c Bosworth 2000, p. 838.
- ↑ Bosworth 2000, p. 838-839.
- ↑ Bosworth 2000, p. 839.
Bibliografia
- Bosworth, Thierry (2000). «Umayya ibn ʿAbd Shams». In: Bearman, P.J.; Bianquis, Thierry; Bosworth, C. E.; Donzel, E. van; Heinrichs, W. P. The Encyclopaedia of Islam Vol. X T-U. Leida e Nova Iorque: Brill