Micro-história

A micro-história é um gênero historiográfico surgido com a publicação, na Itália, da coleção "Microstorie", sob a direção de Carlo Ginzburg e Giovanni Levi, pela Editora Einaudi, entre 1981 e 1988. Vem sendo praticada principalmente por historiadores italianos, franceses, ingleses e estadunidenses, com ênfase no papel desempenhado pelos primeiros, na importância da revista "Quaderni Storici" e no sucesso da referida coleção "Microstorie".

Metodologia

A abordagem da micro-história está intimamente ligada ao que o historiador Carlo Ginzburg definiu como o "paradigma indiciário". Em seu ensaio "Sinais", Ginzburg propõe que o historiador, de forma semelhante a um detetive ou a um médico, deve focar sua análise em detalhes minúsculos, pistas e indícios aparentemente irrelevantes (como atos falhos ou traços involuntários). Segundo esta perspectiva, é através da análise profunda desses "sinais" que se torna possível reconstruir realidades sociais e culturais complexas que, de outra forma, permaneceriam ocultas nas grandes narrativas.[1]

Debates Historiográficos

O surgimento da micro-história na década de 1970 representou uma reação direta às abordagens macro-históricas dominantes na época. A corrente italiana, em particular, posicionou-se criticamente em relação a duas grandes escolas historiográficas. A primeira era a vertente da Escola dos Annales focada na "longa duração" (como a de Fernand Braudel), que, segundo os micro-historiadores, privilegiava estruturas econômicas e geográficas em detrimento da experiência humana, resultando em uma "história sem pessoas".[2][3]

Ver também

  • Paradigma Indiciário

Referências

  1. Carlo Ginsburg Sinais E Raizes De Um Paradigma Indiciario. [S.l.: s.n.] Consultado em 14 de novembro de 2025  Carlo Ginzburg
  2. Schueler, Alessandra Frota Martinez de; Silva, José Cláudio Sooma (2008). «A micro-história italiana: escalas, indícios e singularidades». Revista Brasileira de História de Educação (1): 235–241. ISSN 2238-0094. Consultado em 14 de novembro de 2025 
  3. Cardozo, José Carlos da Silva (2010). «Reflexões sobre a abordagem macro e micro na história». Mneme - Revista de Humanidades (28). ISSN 1518-3394. Consultado em 14 de novembro de 2025 

Bibliografia

  • LEVI, Giovanni. Sobre a micro-história. in: BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da UNESP, 1992. p. 133-161.
  • LEVI, Giovanni. A herança imaterial: trajetória de um exorcista no Piemonte do século XVII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
  • LIMA, Henrique Espada. A micro-história italiana: Escalas, Indícios e Singularidades. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. v. 1. 528p .
  • VAINFAS, Ronaldo. Os protagonistas anônimos da História: micro-história . Rio de Janeiro: Campus, 2002. 115p.

Ligações externas