Marcabru
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Marcabru foi um importante trovador occitano da Gasconha que floresceu entre 1130 e 1150.[1] Ele disputa com Cercamon o título de primeiro trovador profissional da história.[2]
Poeta moralista, Marcabru centrava sua obra na crítica à conduta e à imoralidade da nobreza, denunciando práticas como adultério, promiscuidade sexual, inveja, arrogância, ociosidade, gula, embriaguez e falta de consciência religiosa.[3]
Ele teve diversos patronos pelo Midi e pela Espanha, incluindo Guilherme X, o filho do "primeiro trovador", e Afonso VIII de Castela e Leão.[4]
Marcabru se tornou uma figura de liderança para o trovadorismo moralista, e seu estilo influenciou poetas posteriores, sendo considerado fundador da chamada Escola Marcabruniana, integrada por Peire d'Alvernhe, Gavaudan, Bernart Marti e Bernart de Venzac.[5]
Dos seus quarenta e dois poemas sobreviventes, trinta e dois são caracterizados hoje como sirventeses.[3]
Vida

O trovador possui duas vidas, uma no manuscrito A e outra no K. A vida do último narra o nome de sua mãe e a origem gascã do poeta:[6]
Marcabruns si fo de Gascoingna, fils d'una paubra femna que ac nom Mar-cabruna [...] Marcabru foi de Gasconha, filho de uma pobre mulher chamada Marcabruna [...]
Marcabru realmente era da Gasconha,[2] mas o suposto nome de sua mãe foi retirado da última estrofe do poema XVIII (Dirai vos senes duptansa).[6]
Sua vida no manuscrito A, porém, é muito mais elaborada. Segundo a biografia, Marcabru foi abandonado ainda bebê à porta de um homem rico chamado Audric del Vilar. Adotado por Audric e posteriormente tutorado pelo trovador Cercamon, aprendeu rapidamente a versejar. Inicialmente, seu apelido era Panperdut (Pão Perdido), em referência ao seu abandono, mas depois passou a adotar o nome Marcabru. [6]
Tornou-se um trovador famoso e temido pela língua afiada. Foi assassinado pelos senhores da Aquitânia, dos quais havia falado mal.[6]
Ele passou seus primeiros anos, possivelmente até 1139, na corte de Guilherme X da Aquitânia. Depois da morte de seu patrono, Marcabru vagou pelas cortes do Midi e da Espanha sem encontrar alojamento permanente. O trovador Peire d'Alvernhe, por volta de 1157, sugeriu que ele havia caído em desgraça.[2]
Referências
- ↑ De Riquer, Martin (1975). Los trovadores: historia literaria y textos. Barcelona: Editorial Planeta. pp. 170–179. ISBN 978-8432076008
- ↑ a b c Lindsay, Jack (1976). The troubadours and their world of the twelfth and thirteenth centuries. London: Muller. pp. 50–53. ISBN 978-0584103168
- ↑ a b Remy, Paul; Keller, Hans-Erich, eds. (1986). Studia occitanica in memoriam Paul Remy: in 2 volumes. Kalamazoo, Mich: Medieval Institute Publications, Western Michigan University. pp. 161-165
- ↑ Goldin, Frederick (1973). Lyrics of the troubadours and trouvères: an anthology and a history (em inglês) 1st ed. ed. Garden City, N.Y: Anchor Books. pp. 51–53. ISBN 0385008775
- ↑ Gaunt, Simon; Kay, Sarah, eds. (1999). The troubadours: an introduction. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 48–49. ISBN 978-0521574730
- ↑ a b c d Topsfield, Leslie T. (1978). Troubadours and love 1. paperback ed. 1978 ed. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 70–74. ISBN 978-0521098977