João III, Duque da Bretanha
| João III | |
|---|---|
| Duque da Bretanha Visconde de Limoges 5.º Conde de Richmond | |
![]() Funeral de João III, "o Bom", Duque da Bretanha, por Jean Froissart | |
| Duque da Bretanha | |
| Duque | 27 de agosto de 1312 a 30 de abril de 1341 |
| Duque | Artur II |
| Sucessor(a) | disputado entre João, conde de Montfort e Joana de Penthièvre |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 8 de março de 1286 Castelo de Champtoceaux |
| Morte | 30 de abril de 1341 (55 anos) Caen |
| Sepultado em | Notre-Dame des Carmes |
| Esposa | Isabel de Valois (prometidos) Isabel de Castela (1310 – 24 de julho de 1328) Joana de Saboia, Duquesa da Bretanha (21 de março de 1330 – 30 de abril de 1341) |
| Casa | Casa de Dreux |
| Pai | Artur II, Duque da Bretanha |
| Mãe | Maria de Limoges |
| Religião | Católico Apostólico Romano |
| Brasão | ![]() |
João III, cognominado "o Bom" (em bretão: Yann III, em francês: Jean III; Castelo de Champtoceaux, 8 de março de 1286 – Caen, 30 de abril de 1341), foi Duque da Bretanha de 1312, e Conde de Richmond (Earl) de 1330, até à sua morte.
Biografia
Primeiros anos de vida
João nasceu no castelo de Châteauceaux (atual Champtoceaux), a 8 de março de 1286, filho de Artur II, duque de Bretanha e de sua primeira mulher, Maria, viscondessa de Limoges. Era pertencente, por via paterna, à Casa de Dreux, dos duques de Bretanha.[1]
João, com 11 anos, é prometido a casamento a Isabel de Valois. No entanto, com o falecimento desta, a 1309, acaba por ter seu casamento arranjado desfeito. Herdou, com o falecimento de sua mãe, o viscondado de Limoges, que governou de 1301 a 1314.
Primeiro casamento
Em 1310, João casou-se com Isabel de Castela em Burgos. Em 1312, com a morte de seu pai, João torna-se o Duque da Bretanha, sendo assim Isabel, a duquesa consorte da Bretanha. Após uma concessão breve do viscondado de Limoges à sua mulher, em 1314, doa o viscondado ao seu meio-irmão Guido de Penthièvre.[2]
Duque da Bretanha
A 27 de agosto de 1312, com a morte de seu pai, João torna-se Duque da Bretanha. Agora como Duque, João teve uma relação conflituosa com a segunda esposa de seu pai, Iolanda de Dreux, e seu meio irmão, João de Montfort. Tenta, portanto, de tudo para afastar a linhagem do segundo casamento de seu pai do trono do Ducado da Bretanha. Em 1313, tenta, junto do Papa Clemente V, contestar a legitimidade do segundo casamento de seu pai com Iolanda. No entanto, após as inquirições papais, esta contestação é recusada.[3] Visto não ter tido sucesso, em 1317 inicia um longo processo legal, contra os executores do testamento de seu pai, que iria durar até 1328. Este processo é confiado, em 1319, ao Papa João XXII, que cria uma comissão apostólica, conduzida por João Millet, abade da Abadia de São Florêncio de Saumur. Após a morte do abade, em 1324, é dada a condução desta comissão ao bispo de Dol-de-Bretagne, Guilherme Meschin. Apesar do acórdão final ser desconhecido, parece que este processo se finalizou com um acordo amigável entre ambas as partes.[4]
O Parlamento Geral (Cortes bretãs), reunido em Rennes em 1315, na presença dos nove bispos da Bretanha e dos capitulares da Bretanha, são registadas as decisões que poriam fim a disputas legais com a coroa. É nesta ocasião, que na Bretanha é registado a presença dos "Três Estados".
Durante o reinado de João, os bispos bretões criaram três colégios na Universidade de Paris para um total de 57 bolseiros. O colégio da Cornualha, colégio de Pléssis e o colégio de Tréguier.[5]
Relações com o Reino de França

Em 1314, João III enviou um contingente militar de bretões comandados por Henrique de Avaugour, Senhor de Avaugour e Rolland de Dinan para Flandres, no contexto da campanha de Luís X da França, contra os flamencos. Em 1315, João III lidera pessoalmente a hoste bretã, na campanha. Como recompensa, Luís X concede-lhe o castelo de Saint-James de Beuvron, na fronteira entre a Bretanha e a Normandia. O duque era, então, o fiel aliado dos reis da França e lutou ao lado de Filipe VI com "quinze bandeiras de bretões" na Batalha de Cassel, onde foi ferido. No entanto, após a morte de seu tio e homónimo João da Bretanha , Conde de Richmond , João III fez um juramento de lealdade ao Rei Eduardo III da Inglaterra nas mãos do Arcebispo de Cantuária, João de Stratford, a 8 de maio de 1334 e foi colocado na posse do feudo da Bretanha por Eduardo III no dia 24 do mesmo mês.[5]
Guerra dos Cem Anos

Apesar do juramento de lealdade a Eduardo III da Inglaterra, João era, o que se poderia considerar um forte francófilo, tendendo muito fortemente para o lado francês dentro da corte bretã. Com o desdém com seus meios-irmãos, e sem ter filhos, João esteve mesmo a ponto de ter considerado, À sua morte, passar o ducado aos reis da França, ideia abandonada após forte pressão da nobreza bretã. Durante a sua vida, levou com muita devoção o seu título de Par do Reino, respondendo sempre em auxílio do rei francês. Com a eclosão da Guerra dos Cem Anos , no entanto, o duque foi colocado numa posição complexa. João possuía terras e, interesses em ambos os reinos, apesar da sua preferência pessoal pelos reis da França. No entanto, a aplicação estrita do código de cavalaria o fez participar da campanha de Flandres, mesmo contra o seu suserano inglês.
Em 1340, ele enviou sua frota para Sluis em apoio à do Rei da França, mas esta foi destruída pelos ingleses. Após a Trégua de Esplechin, concluída entre a França e a Inglaterra a 25 de setembro de 1340, e que inclui a Bretanha, o duque acompanha o rei Filipe VI e passa o inverno com ele até a Páscoa de 1341. Ele então pega a estrada para seu ducado e morre em Caen em 1341. Sem filhos herdeiros, o duque João III morre a 30 de abril de 1341, e é enterrado, numa cerimónia fúnebre muito emocionante e dramática. Esta cerimónia fúnebre, é representada por Jean de Froissart nas suas crónicas. [6]
Sucessor e Guerra de Sucessão
Durante a sua vida, o seu desdém e desconfiança de parte dos herdeiros de seu pai do casamento deste com Iolanda de Dreux, originou um conflito legal e diplomático, que, mais tarde, iria originar a Guerra da Sucessão Bretã. João III escolheu, em vida, Joana de Penthièvre como sua sucessora ao trono do ducado. Esta, em 1337, casa-se com Carlos de Blois, um segundo filho de uma das casas mais poderosas do reino da França. No entanto, um ano antes da sua morte, João III reconciliou-se com seu meio-irmão, João de Montfort e fez um testamento nomeando este, como o herdeiro da Bretanha. Suas últimas palavras na sucessão, proferidas em seu leito de morte, foram: "Pelo amor de Deus, deixem-me em paz e não perturbem o meu espírito com essas coisas". Com isto, é aberta uma contenda entre os dois pretendentes, dando origem a uma guerra sucessória de mais de vinte anos (conhecida posteriormente como a Guerra da Sucessão Bretã) que foi, também ela, um conflito que se engloba no contexto da Guerra dos Cem Anos.[7] Está sepultado com seu pai, em Saitn-Armel.
| Precedido por João II |
![]() Duque da Bretanha 1312 – 1341 |
Sucedido por Guerra da Sucessão Bretã
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Referências
- ↑ Morvan, Frédéric (2009). La Chevalerie bretonne et la formation de l'armee ducale, 1260-1341 (em francês). [S.l.]: Presses Universitaires de Rennes. ISBN 9782753508279
- ↑ de La Borderie, Arthur (1906). Histoire de Bretagne. 995-1364. 3. Rennes / Paris: [s.n.]
- ↑ Bula papal de 7 de fevereiro de 1313
- ↑ Pocquet du Haut-Jussé, Barthélemy (2000). Les Papes et les Ducs de Bretagne [Os Papas e os Duques da Bretanha] (em francês). [S.l.]: COOP Breizh Spézet. ISBN 2843460778
- ↑ a b Dupouy, Auguste (1941). Histoire de Bretagne Ancienne (em francês). Paris: Boivin et Cie éditeurs
- ↑ Jones, Michael (1988). Creation of Brittany: A Late Medieval State. [S.l.]: Hambledon Press
- ↑ Chagas, Manuel Pinheiro (1876). Diccionario popular: historico, geographico, mythologico, biographico, artistico, bibliographico e litterario. [S.l.]: Lallemant Frères, typ. Consultado em 21 de julho de 2025

