Iúçufe ibne Taxufine
| Iúçufe ibne Taxufine | |||||
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| Miralmuminim | |||||
![]() Quirate do reinado de Iúçufe | |||||
| Emir do Império Almorávida | |||||
| Reinado | 1061-2 de setembro de 1106[1] | ||||
| Antecessor(a) | Abu Becre ibne Omar | ||||
| Sucessor(a) | Ali ibne Iúçufe | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 1009/10 | ||||
| Morte | 2 de setembro de 1106 | ||||
| Cônjuge | Zainabe | ||||
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| Casa | Almorávida | ||||
| Pai | Taxufine ibne Ibraim | ||||
| Religião | Islamismo | ||||
Iúçufe ibne Taxufine Nacerarim ibne Talacaquinim (em árabe: يوسف بن تاشفين ناصر الدين بن تالاكاكينن, Yūsuf ibn Tāshfīn Nāṣir al-Dīn ibn Tālākākīnīn; em berbere: ⵢⵓⵙⴼ ⴰⴶ ⵜⴰⵛⴼⵉⵏ ⴰⴶ ⵜⴰⵍⴰⴽⴰⴽⵉⵏ ⴰⵍⵎⵜⴰⵏ ⴰⵥⵏⴰⴳ, Yusef ag Tacfin ag Talakakin Alemtan; 1009/10–2 de setembro de 1106), mais conhecido apenas como Iúçufe ibne Taxufine,[2][3][4] Iúçufe ibne Texufine,[5][6][7] Iúçufe ibne Texefine,[8] Iúçufe ben Texufine[9] e Iúçufe ben Taxefine,[10] foi o primeiro emir do Império Almorávida de 1061 até 2 de setembro de 1106. Nascido no Suz, integrou-se desde cedo ao movimento almorávida e ascendeu na hierarquia por meio de campanhas militares e capacidade administrativa. Após a morte de Iáia, serviu a Abu Becre e conquistou posições-chave, como o governo de Tafilete. Com o crescimento territorial dos almorávidas, foi encarregado da administração setentrional do movimento e assumiu o comando efetivo durante a ausência de Abu Becre, consolidando sua autoridade pessoal sobre as tribos sanajas e sobre os territórios recém-conquistados.
A partir de 1061, Iúçufe consolidou progressivamente seu domínio no Magrebe. Incorporou várias regiões à autoridade almorávida, conquistando cidades como Sefru e Fez, reformulando seu espaço urbano e organizando guarnições militares estáveis. Expandiu-se sobre territórios controlados pelos zenetas e outras confederações amazigues, avançando até o Mediterrâneo e anexando cidades importantes como Tremecém e Argel. Fundou novos assentamentos e administrou a criação de bases militares capazes de sustentar futuras campanhas. Também enfrentou os vizinhos, como o Reino Hamádida, cujo emir Almançor ibne Nácer foi seu rival, o que levou a um prolongado equilíbrio armado entre almorávidas e hamádidas, estabilizado apenas após acordos eventuais de paz.
No Alandalus, Iúçufe interveio inicialmente como aliado dos reis de taifas, pressionados pelo avanço cristão. Após conquistar Ceuta, cruzou para a Península e obteve vitória decisiva sobre Afonso VI na Batalha de Zalaca em 1086, embora seus ganhos imediatos fossem limitados. Frustrou campanhas cristãs e, ao retornar em intervenções sucessivas, enfrentou a indecisão e rivalidade entre os soberanos andalusinos. Com o agravamento da crise interna e a falta de unidade política, Iúçufe deixou de apoiar os reinos taifas e passou a destituí-los. Ao longo de campanhas bem-sucedidas, tomou cidades como Sevilha, Córdova e Málaga e dissolveu de forma definitiva o sistema de taifas, integrando seus territórios ao Império Almorávida. No fim do reinado, Iúçufe formalizou a autoridade do Califado Abássida sobre seus domínios, ao mesmo tempo em que era reconhecido como governante legítimo do vasto território norte-africano e ibérico sob seu controle. Foi sucedido por seu filho Ali após viagens cerimoniais ao Alandalus. Morreu quase centenário em 1106.
Vida
Primeiros anos
De acordo com a tradição, Iúçufe ibne Taxufine nasceu em 1009/10[11] na região amazigue do Suz, onde passou a infância e a juventude.[12] Sabe-se que pertencia ao clã dos tarfutitas dos sanajas lantunas[11] e era filho de Taxufine ibne Ibraim e primo-irmão de dois dos primeiros seguidores do ideólogo Abedalá ibne Iacine, Iáia e Abu Becre ibne Omar.[13] Começou sua carreira junto a Abu Becre, que tornou-se o segundo chefe militar almorávida após a morte de Iáia.[12] Foi provavelmente governador da região de Tafilete durante vários anos, após sua conquista em 1056 pelos almorávidas,[14] e participou nas campanhas de submissão das planícies costeiras do rio Suz.[15] Em 1070, segundo Ibne Idari, Abu Becre, chefe militar do movimento após a morte de seu irmão Iáia, fundou Marraquexe, que tornar-se-ia a capital do ascendente Império Almorávida, em substituição de Agmate;[16] em certas datações, sobremaneira amparadas na data apresentada em algumas fontes árabes (Ibne Abi Zar e Ibne Caldune), assume-se que a cidade foi fundada em 1062 (Dreses dá o improvável ano de 1178).[17] Algumas tradições, por conseguinte, colocam erroneamente Iúçufe como fundador da cidade.[18] De todo modo, nesse mesmo ano, Abu Becre deixou sob comando de Iúçufe os territórios almorávidas ao norte e a continuidade das campanhas contras os zenetas, enquanto ele marcharia para enfrentar os sanajas massufas, que se tinham rebelado contra o movimento, invejosos dos privilégios dos lantunas, seus rivais tradicionais.[19]
Durante a ausência de Abu Becre, que durou até finais de 1072 (ou 1062), Iúçufe empreendeu uma crucial reorganização militar e administrativa do território.[20] Graças a sua liberalidade e dotes de comando, ganhou as simpatias de seus subordinados.[20] Além disso, obteve muitos escravos do Sudão e cativos cristãos do Alandalus, de modo que não dependia mais exclusivamente dos contingentes sanajas.[21] Antes de partir, Abu Becre divorciou-se de sua esposa Zainabe, que então foi desposada por Iúçufe. Quando Abu Becre retornou, Iúçufe recusou-se a devolver-lhe o poder. Por intermédia de Zainabe, Iúçufe concordou em dar-lhe grande quantidade de presentes para dissuadi-lo.[22] Desejando evitar um novo conflito no seio do movimento, Abu Becre aceitou os presentes partiu ao sul para combater os Estados negros do deserto.[23] Abu Becre nunca mais retornou ao fronte norte, mas seguiu sendo reconhecido como líder do movimento até sua eventual morte em 1087. Outrossim, a cunhagem emitida no período seguiu apresentando o nome de Abu Becre, o que reforça que Iúçufe manteve-se leal ao primo.[24] Nesse ponto, Iúçufe dedicou-se a organizar a administração do novo Estado e o exército, que ficou dividido em cinco grupos; reservou para si o comando do maior, que abarcava metade das tropas.[25]
Consolidação do Magrebe
Estabelecida a estrutura administrativa do Estado e reorganizado o exército, Iúçufe retomou as campanhas de unificação, avançando para a planície do Saís.[26] Dali, apoderou-se de Sefru e dedicou algum tempo a controlar toda a área circundante a Fez, antes de investir contra ela e tomá-la. Em 1963, investiu contra a cidade, cujo emir Muançar ibne Hamade (r. 1063–1067/8) foi derrotado em combate e decidiu abandoná-la.[27][28] Como essa conquista, todo o norte do atual Marrocos estava sob controle almorávida, salvo Ceuta e Tânger.[29] Algum tempo depois, contudo, os magrauas rebelaram-se, Muançar ibne Hamade depôs o tenente almorávida instalado na cidade e retomou sua capital.[27] Isso obrigou Iúçufe a conduzir uma campanha contra eles,[30] depois da qual submeteu os gomaras do Rife e alcançou o Mediterrâneo.[31] Após essas novas vitórias, Fez foi atacada, o que causou a morte de Muançar. O filho de Muançar, Tamime, resistiu por algum tempo aos ataques, mas foi derrotado e executado sua capital conquistada.[27][32] A depender da cronologia adotada, a data da conquista é variadamente descrita como pertencendo aos anos 1060 ou 1070.[33] Alguns autores colocam que Fez caiu em 1069,[34] enquanto outros sugerem 1070[35] ou 1074/75.[36] Fez foi amplamente reformada, para minimizar os danos decorrentes dos vários ataques: Iúçufe uniu o bairro andalusino e o cairuanês, ergueu uma nova muralha e uma fortaleza para o governador e a guarnição e construiu novas mesquitas e banhos.[32] Além disso, Iúçufe designou Omar ibne Solimão Almassufi como governador.[37]
Em 1071, Iúçufe conquistou a região do rio Mulucha.[38] Em 1072/3, o exército conquistou a cidade de Adimna, ao sudeste de Tânger, a um dia de marcha de Ceuta. De lá, marchou para o monte Aludane, nos territórios gomaras. Em meados de 1073, tomou o controle de Calate Almadi em Fazaz.[39] Em 1074-1075, subjugou várias tribos miquenassas entre Fez e Taza.[40] Em 1077, o general Sale ibne Inrane tomou Tânger, após derrotar seu governante, o ex-excravo Sucute Albarguati.[41] Na sequência, Iúçufe marchou ao leste e tomou Melilha e arrasou Necor.[13] Depois, em 1079, enviou um exército de 20 mil homens de Marraquexe rumo a Tremecém, a fim de atacar os ialaítas, a tribo zenata que ocupava a região. Liderado por Masdali ibne Tilancane, o exército derrotou os ialaítas perto do vale do Mulucha e executou seu comandante, Mali ibne Ialá, filho do governante de Tremecém. No entanto, Ibne Tilancane não avançou imediatamente para Tremecém, pois a cidade de Ujda, ocupada pelos isnassanitas, era muito forte para ser conquistada. Em vez disso, o próprio Iúçufe retornou com um exército em 1081, que capturou Ujda e, em seguida, conquistou Tremecém, massacrando as forças magrauas e seu líder, Alabás ibne Baqueti Almagraui.[42] Ele prosseguiu e, em 1082, conquistou Orã e Argel.[13][34] Naquela época, Iúçufe fundou ao lado de Agadir a cidade de Tacrarte, que mais tarde fundiu-se com Agadir no período almóada para se tornar a cidade atual de Tremecém.[43][44]
Na mesma época, Iúçufe também entrou em conflito com o Reino Hamádida de Alcalá. De Tremecém, os almorávidas estavam atacando território sanaja com conivência dos zenetas, eles próprios incitados pelos macuquitas, apesar da relação deles por casamento com o emir Almançor ibne Nácer (r. 1088–1105). Almançor puniu os macuquitas e investiu contra Tremecém, obrigando Iúçufe ibne Taxufine a pedir a paz. Os almorávidas logo quebraram a paz, mas foram novamente forçados a se retirar. Mais tarde, em algum momento provavelmente após 1091, Almançor foi derrotado por zenetas sob Macuque e foi obrigado a voltar para Bugia. Em retaliação, matou sua esposa, filha de Macuque, e saqueou Tremecém em 1103. Em 1104, uma tratado de paz hamádida-almorávida foi assinado e Almançor ficou livre para reprimir os zenetas do Magrebe Central.[45] Desse ponto em diante, Argel tornou-se seu posto avançado mais oriental dos almorávidas.[46]
Após todas essas conquistas, Iúçufe envidou esforços para organizar seu império magrebino. Sob o seu governo, o Magrebe ocidental foi dividido em províncias administrativas bem definidas pela primeira vez — anteriormente, tratava-se sobretudo de território tribal. Um governo central em formação foi estabelecido em Marraquexe, ao passo que ele confiou províncias-chave a aliados e parentes importantes.[47] O nascente Estado almorávida foi financiado em parte pelos impostos permitidos pela lei islâmica e pelo ouro que vinha do território do antigo Império do Gana ao sul, mas na prática permaneceu dependente dos butins de novas conquistas. A maior parte do exército almorávida continuou a ser composta por recrutas sanajas, mas Iúçufe também passou a recrutar escravos para formar uma guarda pessoal (ḥashm), incluindo cinco mil soldados sudaneses (ʿabid) e 500 soldados brancos (uluj, provavelmente de origem europeia).[48]
Primeiras ações no Alandalus
Desde o colapso do Califado de Córdova, os territórios muçulmanos no Alandalus fragmentaram-se em pequenos reinos, por vezes hostis entre si, chamados taifas. A desunião abriu espaço para a expansão dos reinos cristãos (Reconquista). A turbulência militar (perda de territórios), econômica (salários dos mercenários, exação de butins de parias) e política (imposição de protetorados, vassalagens, zonas de influência) criaram uma situação em que a opinião pública andalusina exigia urgentemente o controle efetivo dos cristãos além-fronteiras, a restauração de uma ordem islâmica interna, a redução de impostos e um certo retorno à unidade califal.[49] Em 1077 (ocupação de Tânger) e 1083 (devido à campanha castelhana contra Sevilha, Medina Sidônia e Tarifa em 1082), Iúçufe recebeu pedidos de ajuda das taifas contra os reinos cristãos. Iúçufe fez da captura de Ceuta seu objetivo principal antes de tentar intervir no Alandalus. Ceuta, a última grande cidade no lado africano do estreito de Gibraltar que ainda resistia a ele, era controlada pelas forças zenetas sob o comando de Iáia Dia Adaulá, filho de Sucute Albarguati.[50] Quando Iáia se mostrou pouco cooperativo e não respondeu aos pedidos de Iúçufe para permitir a travessia do estreito, Iúçufe e a delegação enviada pelos andalusinos convocaram juízes para emitirem fátuas contra ele. Durante onze meses, Iúçufe sitiou Ceuta. Em seguida, pediu e recebeu ajuda naval do rei de Sevilha, Almutâmide (r. 1069–1091).[51] A frota sevilhana bloqueou a cidade por mar, enquanto o filho de Iúçufe, Tamime, liderou o cerco por terra.[50] A cidade finalmente se rendeu em junho-julho de 1083[48][52] ou em agosto de 1084.[50]
Em 1085, a Taifa de Toledo foi tomada por Afonso VI (r. 1065–1109). Esse novo revés compeliu Almutâmide a convocar uma reunião com seus vizinhos, Omar Almotauaquil (r. 1072–1094) de Badajoz e Abedalá ibne Bologuine (r. 1073–1090) de Granada e eles concordaram em enviar uma embaixada a Iúçufe para solicitar auxílio. Almutâmide teria dito na ocasião: "Melhor apascentar camelos do que porcos" — isto é, melhor submeter-se a outro soberano muçulmano do que terminar como súdito de um rei cristão.[53][54] Como condição para prestar auxílio, Iúçufe exigiu que Algeciras (cidade na margem norte de Gibraltar, em frente a Ceuta) fosse entregue a ele, de modo que pudesse utilizá-la como base para suas tropas, o que Almutâmide concordou. Desconfiado da hesitação dos reis, Iúçufe enviou uma força avançada de 500 soldados através do estreito para tomar Algeciras. Eles o fizeram em julho de 1086, sem encontrar resistência. O restante do exército almorávida, em número aproximado de 12 mil homens, partiu logo em seguida.[53] Diz-se que Abedalá ibne Bologuine ordenou que os tambores da capital ressoassem com a notícia da chegada almorávida, bem como decretou celebrações oficiais.[49] Iúçufe marchou para Sevilha, onde se uniu às forças de Almutâmide, Almutauaquil e Abedalá. Ciente da ameaça, Afonso VI, levantou seu cerco contra Saragoça e marchou ao sul para confrontá-los. Os exércitos se encontraram ao norte de Badajoz, num local chamado Zalaca, e na Batalha de Zalaca de 23 de outubro, Afonso foi completamente derrotado e forçado a recuar desordenadamente para o norte. Almutâmide recomendou explorar a vantagem, mas Iúçufe não continuou a perseguição, retornando a Sevilha e depois ao Norte da África. É possível que não quisesse permanecer afastado de sua base por muito tempo ou que a morte de seu filho mais velho, Sir, o tenha compelido a voltar.[55][56]
Embora Zalaca tenha sido uma vitória relevante, a partida repentina de Iúçufe deu aos cristãos tempo para se recuperarem; em sua ausência, ocupou-se da administração territorial e realizou uma viagem de inspeção por distintas regiões.[57] Após a partida de Iúçufe, Afonso VI retomou rapidamente a pressão sobre as taifas, forçando-as novamente a enviar tributo. Capturou a fortaleza de Aledo, isolando o leste de Alandalus do restante dos domínios muçulmanos. Enquanto isso, Ibne Raxique (r. 1081–1088), governante de Múrcia, envolveu-se em rivalidade com Almutâmide de Sevilha. Assim, desta vez foram as elites ou notáveis (wujūh) do Alandalus que chamaram os almorávidas, e não os reis.[58] Em maio-junho de 1088, Iúçufe desembarcou em Algeciras com outro exército, logo reunido às forças de Almutâmide, Abedalá ibne Bologuine e outras enviadas por Almotácime ibne Sudami (r. 1051–1091) de Almeria e Ibne Raxique de Múrcia. Avançaram então para tentar retomar Aledo, de onde os castelhanos assolavam os territórios sudorientais da península.[59] Os almorávidas eram ineptos na guerra de cerco e estavam melhor preparados para batalhas campais. Por essa razão, dependeram da experiência dos soldados de Múrcia,[60] mas as dissenções entre os reis das taifas frustraram seus planos.[61] Em novembro, ao saber que Afonso VI marchava com um exército de socorro, Iúçufe decidiu levantar o cerco.[59] Após enviar um exército a Valência, regressou à África.[61] Afonso VI enviou seu comandante de confiança, Álvar Fáñez, para pressionar novamente as taifas, e ele conseguiu obrigar Abedalá ibne Bologuine a retomar os tributos e passou a pressionar Almutâmide.[62]
Descontente com esses acordos feitos com Afonso após o fracasso da campanha de Aledo, Iúçufe regressou à península em junho de 1090, pela primeira vez sem ter sido chamado pelos soberanos andalusinos.[63] A essa altura, parece ter desistido dos reis das taifas e passou a mirar no controle direto da região.[62][64] Iúçufe avançou até Córdova e iniciou um cerco fracassado de dois meses contra Toledo (julho-agosto).[65] Na mesma época, a causa almorávida beneficiou-se do apoio dos juristas (alfaquis) da escola maliquita no Alandalus, que exaltavam a devoção dos almorávidas ao jiade enquanto criticavam os reis das taifas como ímpios, indulgentes e portanto ilegítimos.[62][66] Munido de fátuas, em setembro e outubro, Iúçufe forçou a capitulação de Abedalá ibne Bologuine de Granada e seu irmão, Tamime ibne Bologuine (r. 1073–1090) de Málaga,[67] que foram desterrados e enviados ao Magrebe (o primeiro para Agmate, e o segundo para Suz).[68] Depois, ele deixou a tarefa de livrar-se do resto dos régulos a seu primo, Sir ibne Abi Becre.[69] Almutâmide, buscando salvar sua posição, tentou aliar-se a Afonso VI, o que prejudicou ainda mais seu apoio popular.[62] No início de 1091, os almorávidas tomaram Córdova e marcharam para Sevilha, derrotando uma força castelhana comandada por Álvar Fáñez que viera em socorro de Almutâmide na Batalha de Almodóvar do Rio. Em setembro de 1091, Almutâmide rendeu Sevilha aos almorávidas e foi exilado em Agmate;[62][70] no rescaldo, Iúçufe colocou sob seu serviço Ibne Alcacira, o antigo secretário de Almutâmide.[71] No fim de 1091, os almorávidas tomaram Almeria.[62] Em fins de 1091 ou janeiro de 1092, Ibne Aixa, um dos sobrinhos de Iúçufe, tomou o controle de Múrcia.[72]
Campanhas contra Valência
A captura de Múrcia colocou os almorávidas ao alcance de Valência, que estava oficialmente sob o controle de Iáia Alcadir, o antigo governante da Taifa de Toledo. Ele havia sido instalado ali em 1086 pelos castelhanos após estes tomarem Toledo.[73] O governo impopular de Alcadir em Valência era apoiado por uma guarnição castelhana chefiada por El Cid. Em outubro de 1092, quando El Cid estava longe da cidade, houve uma insurreição e um golpe de Estado liderado pelo cádi (juiz) Abu Amade Jafar ibne Jaafe. Este convocou ajuda dos almorávidas em Múrcia, que enviaram um pequeno grupo de guerreiros à cidade. A guarnição castelhana foi forçada a sair e Alcadir foi capturado e executado.[74][75] Entretanto, os almorávidas não enviaram forças suficientes para se opor ao retorno de El Cid e Ibne Jaafe perdeu apoio popular ao instalar-se como governante, atuando como mais um rei de taifa.[75][74] El Cid iniciou um longo cerco à cidade, cercando-a completamente, incendiando aldeias vizinhas e confiscando safras da região. Ibne Jaafe chegou a aceitar pagar tributo para El Cid pôr fim ao cerco, o que resultou na escolta dos almorávidas para fora da cidade.[76] Por razões ainda obscuras, um exército almorávida de socorro liderado pelo sobrinho de Iúçufe, Abu Becre ibne Ibraim, aproximou-se de Valência em setembro de 1093, mas recuou sem enfrentar El Cid.[75] Ibne Jaafe continuou a negociar. No fim, recusou pagar o tributo e o cerco prosseguiu.[75] Em abril de 1094, com a cidade faminta, decidiu rendê-la pouco depois. El Cid voltou a entrar em Valência em 15 de junho de 1094, após 20 meses de cerco. Em vez de governar por meio de um fantoche, assumiu o poder diretamente como rei.[77]
Enquanto isso, também em 1094, os almorávidas tomaram Badajoz, depois que seu soberano Almutauaquil buscou aliança com Castela.[62] A expedição foi liderada por Sir ibne Abi Becre, nomeado governador de Sevilha.[77] Os almorávidas então voltaram sua atenção a Valência, onde outro sobrinho de Iúçufe, Maomé ibne Ibraim, foi ordenado a tomar a cidade.[75][77] Ele chegou às muralhas em outubro de 1094 e iniciou ataques. O cerco terminou quando El Cid lançou um ataque em duas frentes: enviou uma surtida por um portão fingindo ser sua força principal para fixar os almorávidas, enquanto ele próprio comandou outra tropa por outro portão e atacou o campo inimigo desprotegido. Isso infligiu a primeira grande derrota almorávida na Península Ibérica.[78] Após a vitória, o Cid executou Ibne Jaafe, queimando-o vivo em público, talvez em retaliação por traição.[75] Apesar do revés, Sir ibne Abi Becre atacou Lisboa, que foi tomada em novembro daquele ano, de Raimundo de Borgonha, vassalo de Afonso VI.[79] El Cid fortaleceu o novo reino construindo fortalezas ao sul da cidade para defendê-la contra novos ataques almorávidas.[78] No final de 1096, Ibne Aixa liderou um exército de 30 mil homens para sitiar a mais forte dessas fortalezas, Penha Cadielha (ao sul de Xátiva).[78] El Cid os enfrentou e chamou o Reino de Aragão como reforço. Com a aproximação das tropas aragonesas, os almorávidas levantaram o cerco, mas armaram uma emboscada contra as forças El Cid enquanto retornavam a Valência. Eles conseguiram surpreender os cristãos num desfiladeiro entre a serra e o mar, mas El Cid reagiu e expulsou os almorávidas novamente.[80] Em 1097, o governador almorávida de Xátiva, Ali ibne Alhaje,[75] liderou outra incursão em solo valenciano, mas foi derrotado e perseguido até Almenara, que El Cid tomou após três meses de cerco.[80]
Em 1097, o próprio Iúçufe conduziu outro exército ao Alandalus. Partindo de Córdova com Maomé ibne Alhaje como comandante de campo, marchou contra Afonso VI, então em Toledo. Os castelhanos foram derrotados na Batalha de Consuegra. El Cid não participou, mas seu filho, Diego, caiu no combate.[81] Pouco depois, Álvar Fáñez também foi derrotado perto de Cuenca por tropas almorávidas lideradas por Ibne Aixa, que depois devastou terras valencianas e derrotou outra força enviada por El Cid.[81] Apesar dessas vitórias, os almorávidas não conquistaram novas cidades ou fortalezas importantes.[82] El Cid tentou cristianizar Valência, convertendo sua mesquita em igreja e estabelecendo um bispado, mas não conseguiu atrair colonos cristãos em número significativo.[81] Ele morreu em 10 de julho de 1099, deixando sua esposa, Jimena, no governo. Ela não conseguiu resistir à pressão almorávida, que culminou num cerco sob o veterano comandante Masdali ibne Tilancane no início de 1102. Entre abril e maio, Jimena e os cristãos que desejavam partir foram evacuados com ajuda de Afonso VI. Os almorávidas ocuparam a cidade após sua partida.[81][82] O rei de Saragoça, Almostaim II (r. 1085–1110), o único outro poder muçulmano remanescente na península, enviou um embaixador e firmou tratado com os almorávidas.[82] Por sua vez, os almorávidas conseguiram outra vitória na Batalha de Mollerussa (setembro de 1102), que terminou com a morte do conde Ermengol V (r. 1092–1102).[83]
Legitimidade e morte
Em certo momento, Iúçufe passou a reconhecer o Califado Abássida de Baguedade como seus suserano. Embora os próprios abássidas tivessem pouco poder político direto nesse período, o simbolismo desse ato era importante e reforçou a legitimidade de Iúçufe.[84] Segundo Ibne Idari, foi nesse mesmo momento que Iúçufe adotou o título de miralmuminim ("comandante dos muçulmanos"). Ibne Idari data esse evento para 1073–1074, mas alguns autores — entre eles o historiador moderno Évariste Lévi-Provençal — datam essa decisão política para mais tarde, muito provavelmente quando os almorávidas estavam no processo de assegurar o controle do Alandalus.[85] De acordo com Amira Bennison, o reconhecimento do califa abássida deve ter sido estabelecido no mais tardar na década de 1090.[86] Quando Abu Becre ibne Alárabi e Abu Becre, filho de Iúçufe,[16] visitaram Baguedade entre 1096 e 1098, possivelmente como parte de uma embaixada almorávida ao califa Almostadir (r. 1094–1118), alegou que as orações de sexta-feira já estavam sendo realizadas em nome do califa abássida por todos os territórios governados por Iúçufe.[86]
Em 1103, em celebração da vitória em Valência, Iúçufe realizou uma cerimônia pública em Córdova na qual seu filho, Ali, foi reconhecido como herdeiro.[82][87] Essa comemoração foi antecedida por outra semelhante, realizada em Marraquexe, na qual Ali foi proclamado herdeiro no ano anterior. A cerimônia em Córdova contou com a participação de todos os representantes do Alandalus, incluindo o filho do rei de Saragoça. Já a partir do ano 498/1104-1105 começaram a espalhar-se notícias sobre a enfermidade do emir, que desde então confiou o poder a Ali, vindo finalmente a falecer em Marraquexe no dia 1 de moarrão do ano 500 (2 de setembro de 1106), sendo sepultado em seu alcácer.[13] Quando faleceu, além de seus domínios magrebinos, os almorávidas controlavam todo o Alandalus, exceto Saragoça, e, de modo geral, não haviam reconquistado as terras perdidas para os reinos cristãos no século anterior.[88]
Características e legado
Iúçufe tinha tez castanho-escura (asmar também podendo significar uma coloração nitidamente negra), e pode ter sido incapaz de se expressar em árabe. Com seus hábitos ascéticos e frugais, permaneceu fiel ao seu modo de vida e ao seu traje do deserto; vivendo de farinha de cevada, produtos lácteos e carne de camelo, parecia ser o antípoda dos príncipes indolentes e ostentosos de Alandalus.[11] Diz-se que era o modelo de monge-soldado das arrábitas. Inteligente, era um grande organizador, melhor inclusive do que militar. Hábil e astuto, podia conciliar opiniões diversas. De enorme energia e atividade, dominou todos os assuntos políticos e militares do Estado. Era piedoso, equilibrado e generoso com os juízes (alfaquis) maliquitas, a quem nunca deixava de consultar,[89] e evitava atos de crueldade. Como a casa de Abu Becre e Iúçufe negava o sangue berbere e, em seus parentes agnáticos, ostentava uma linhagem himiarita, vários juízes árabes, especialmente aqueles de origem catanita, foram nomeados para cargos importantes. Diz-se, inclusive, que Iúçufe não realizava quaisquer ações sem antes estar estar munido de fátuas suficientes.[71]
Um grande estrategista, Iúçufe reuniu um formidável exército composto por contingentes sudaneses, mercenários cristãos e pelas tribos saarianas judalas, lantunas e massufas. Esse instrumento militar permitiu-lhe assegurar a conquista do Marrocos e de grande parte da Península Ibérica. Nunca hesitava nas negociações e confiava amplos poderes aos seus comandantes. Enriquecido pelo comércio saariano, cunhou moedas que, durante vários séculos, se tornaram o padrão-ouro das terras mediterrânicas. Suas habilidades pessoais manifestaram-se na remoção incruenta de seu primo Abu Becre e na fidelização dos vassalos saarianos que pertenciam ao ramo de seu primo. Diz-se que empregou artifícios para livrar-se de aliados incertos, como o governante da montanha Gazula.[11]
Referências
- ↑ Vilá & López 1998, p. 167.
- ↑ RP 1968, p. 99.
- ↑ AP 1967, p. 331.
- ↑ Revista 1962, p. 311.
- ↑ Lopes 1924, p. 7.
- ↑ Soares 1989, p. 38.
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- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em castelhano cujo título é «Yusuf ben Tasufín».
