Gazária genovesa

Gazária
Colônia do(a) República de Gênova
 
 
 
1266–1475
Bandeira Brasão


Colônias da Gazária da República de Gênova na Crimeia em vermelho; excluindo as colônias nas atuais Ucrânia, Bulgária e Romênia
Capital Cafa
Atualmente parte de  Rússia
 Ucrânia
Roménia

Líder Cônsul
1266 Alberto Spinola (primeiro)
1471–1475 Antoniotto da Cabella (último)

1266 Transferência de Cafa pela Horda Dourada
1475 Conquista pelos otomanos

Gazária foi o nome dado às possessões coloniais da República de Gênova na Crimeia e ao redor das costas do Mar Negro nos territórios das atuais regiões da Rússia, Ucrânia e Romênia, de meados do século XIII até o final do século XV. O domínio genovês era representado por um cônsul, e sua capital era a cidade de Cafa (atual Teodósia) na península da Crimeia.[1]

O nome Gazária deriva de Cazária, embora os cazares já tivessem deixado de governar a região muito antes da chegada dos genoveses.

História

A premissa política do estabelecimento das colônias da Gazária foi o Tratado de Ninfeu em 1261, pelo qual o Imperador de Niceia concedeu aos genoveses o direito exclusivo de comercializar no "Mare Maius" (Mar Negro). Consequentemente, em 1266, Cafa foi concedida aos genoveses, que se tornou a capital dos domínios da Gazária. [2]

Em 1308, os mongóis da Horda Dourada, comandados pelo cã Tocta, conquistaram Cafa após um longo cerco. Cinco anos depois, os genoveses conseguiram retomar a colônia do sucessor de Tocta, Usbeque Cã. Em 1313, tendo recuperado a posse da cidade, a República organizou a administração da colônia de forma mais estruturada. O poder legislativo foi atribuído ao Officium Gazarie, composto por oito magistrados que permaneciam no cargo por seis meses e nomeavam seus sucessores. O poder executivo foi confiado ao Cônsul de Cafa, com mandato de um ano, auxiliado por um escrivão ou chanceler, ambos nomeados pelo governo genovês. O conselho eleito, composto por 24 membros, também com mandato de um ano, era formado por metade de nobres e metade de mercadores ou artesãos. Destes últimos, quatro podiam ser habitantes locais que haviam obtido a cidadania genovesa. Finalmente, o conselho elegia um conselho restrito de seis membros externos ao conselho de 24. As outras cidades da colônia tinham administrações semelhantes, subordinadas à de Cafa.[2][3]

Em 1341, as leis em vigor na Gazária genovesa foram compiladas no Liber Gazarie, agora guardado nos Arquivos do Estado de Gênova. A coleção foi posteriormente atualizada em 1441 com o nome Statuta Gazarie.[2]

Em 1347, a Horda Dourada, desta vez liderada por Jani Begue, sitiou novamente Cafa. Uma crônica anônima conta que os sitiantes lançavam os cadáveres dos defensores mortos dentro das muralhas da cidade com catapultas. Esses defensores haviam morrido de uma doença que se espalhava do Oriente, a Peste Negra. Os habitantes de Cafa jogavam os corpos no mar assim que podiam, mas a peste se espalhou mesmo assim. Uma vez em Cafa, a peste foi introduzida na vasta rede comercial dos genoveses, que se estendia por todo o Mediterrâneo. A bordo dos navios mercantes que partiram de Cafa no outono de 1347, a peste chegou a Constantinopla, a primeira cidade europeia infectada, e mais tarde chegou a Messina e se espalhou por toda a Europa.[4]

As receitas fiscais da Gazária tinham sido atribuídas à compera di Gazaria, a associação de credores do Estado que adiantara as despesas para a defesa da colônia. Na verdade, a compera pertencia ao Banco de São Jorge, que por conseguinte geriu a tributação da Gazária.[5]

Após a queda de Constantinopla em 1453, a República cedeu a soberania da Gazária ao Banco de São Jorge, acreditando que era a única entidade capaz de organizar a resistência contra os turcos. No entanto, esses domínios foram conquistados pelo Império Otomano em 1474.[5]

Colônias

Teodósia, década de 1830. À esquerda, encontra-se um prato com marcador contendo a heráldica da nobreza genovesa e os brasões das primeiras casas comerciais genovesas (sobrenomes) na costa do Mar Negro

Crimeia

  • Caffa
  • Cembalo
  • Soldaia
  • Vosporo
  • Sarsona
  • Capitanatu Gotia (território de Teodoro)

Mar Negro Ocidental (Ucrânia e Romênia)

Além da Crimeia, Gênova possuía vários castelos na costa ocidental do Mar Negro, como o castelo de Maurocastro (Bilhorod-Dnistrovsky) no estuário do Rio Dniestre, o castelo de Ginestra perto de Odessa, o castelo de Licostomo (Kilia), a colônia de Costanza (Constança) e a colônia de Caladda (Galați).

Península de Taman e Tanais (Rússia)

  • Tana (Azove)
  • Matrega (Tmutarakan)
  • Copa (Slaviansk do Kuban)
  • Mapa (Anapa)
  • Batario (Novorossiisk)
  • Costa e Layso (Sóchi)

Abcásia

  • Chacari (Gagra)
  • Santa Sofia (Alakhadzi)
  • Pesonqa (Bichvinta)
  • Cavo di Buxo (Gudauta)
  • Niocoxia (Nova Atos)
  • Sebastópolis (Sucumi)

Ajara (Geórgia)

  • Lo Bati (Batúmi)
Panorama do Castelo de Soldaia perto de Sudak

Referências

  1. «Genova e il mare» (PDF). Consultado em 5 de março de 2022 
  2. a b c Forcheri, Giovanni. Navi e navigazione a Genova nel Trecento : il Liber Gazarie (em italiano). [S.l.]: Istituto internazionale di Studi Liguri 
  3. Pardessus, Jean-Marie. Collection de Lois Maritimes Anterieures Au Xviiie Siecle (em francês). [S.l.: s.n.] pp. 423–434 
  4. «The Genoese Gazaria and the Golden Horde». e-anthropology.com. Consultado em 10 de junho de 2021 
  5. a b «La Casa delle Compere e dei Banchi di San Giorgio». 17 de agosto de 2017. Consultado em 10 de junho de 2021. Cópia arquivada em 17 de agosto de 2017