Império Medo
Média
Império Medo | |||||||||||||||||||||||||||||
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![]() Mapa hipotético do Império Medo em sua extensão máxima
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| Região | Ásia Ocidental | ||||||||||||||||||||||||||||
| Capital | Ecbátana | ||||||||||||||||||||||||||||
| Línguas oficiais | meda | ||||||||||||||||||||||||||||
| Religião | Politeísmo, Zoroastrismo | ||||||||||||||||||||||||||||
| Forma de governo | Monarquia | ||||||||||||||||||||||||||||
| Rei | |||||||||||||||||||||||||||||
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| Período histórico | Idade do Ferro | ||||||||||||||||||||||||||||
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A Média (em persa antigo: Māda; em grego: Mēdía; em acádio: Mādāya[1]; em grego clássico: Μῆδοι[2]; Maday[3][4] (em hebraico)) foi uma entidade política centrada em Ecbátana que do século VII a.C. até meados do século VI a.C. teria dominado grande parte do planalto iraniano, abrangendo uma região que ia do norte, entre o rio Araxes e o Monte Elbrus, até o deserto de Dasht-e Kavir a leste e as Montanhas Zagros a oeste, precedendo o Império Aquemênida.[5] Há fontes que consideram um antigo império oriental que existiu entre os anos de 728 a.C. e 549 a.C.[6]. A frequente interferência dos assírios nos Zagros resultou no processo de unificação das tribos medas. Em 612 a.C., os medos eram fortes o suficiente para derrubar o declinante Império Assírio em aliança com os babilônios. No entanto, estudiosos modernos são céticos sobre a existência de um "reino" ou "Estado" medo unificado, pelo menos durante a maior parte do século VII a.C.[7] Há registros num relevo assírio mostrando a captura dos medos.[8]
O Estado foi fundado inicialmente no que é hoje considerado o Azerbaijão histórico[9][10][11][12][13][14] ou no norte do Irã[15], mas rapidamente se expandiu e tornou-se uma das potências mais influentes da Ásia Ocidental, deixando marcas duradouras na história e cultura dos povos da região.[16]A confederação tribal dos madais se formou nas províncias a leste e sudeste do que é hoje o Azerbaijão Meridional.[17] Os medos são considerados um dos povos ancestrais envolvidos no etnogênese dos azerbaijanos modernos[18][19][20][21][22][23], e seu império é considerado o sucessor cultural, histórico e étnico do Estado de Manna.[24][25][26] O território medo localizava-se ao sudeste de Manna, e sua capital era Ecbátana (atualmente Hamadã).[27][28] O nome Mídia (Maday, Matay, Amadai) aparece pela primeira vez em fontes do século IX a.C.[29] No século IX–VIII a.C., o território era controlado por pequenos governantes locais. A província de Gizilbunda, pertencente a Manna, formava a fronteira entre os dois territórios.[30]
Segundo a historiografia clássica, a Média emergiu como uma grande potência no antigo Oriente Próximo após o colapso da Assíria. Sob Ciaxares (r. 625–585 a.C.), as fronteiras do país foram estendidas para leste e oeste com a subjugação de povos vizinhos, como os persas e armênios. A expansão territorial da Média resultou na formação do primeiro império iraniano, que no auge de sua extensão territorial teria exercido controle sobre mais de dois milhões de quilômetros quadrados, estendendo-se das margens orientais do rio Hális, na Anatólia, até a Ásia Central. Nesse período, o Império Medo[b] foi uma das grandes potências econômicas, políticas e militares do antigo Oriente Próximo juntamente com a Babilônia, Lídia e Egito. Durante seu reinado, Astíages (r. 585–550 a.C.) empenhou-se para fortalecer e centralizar o Estado medo, contrariando a vontade da nobreza tribal, o que pode ter contribuído para a queda do reino. Em 550 a.C., a capital meda Ecbátana foi conquistada pelo rei persa Ciro II, marcando o início ao Império Aquemênida.[32]
Embora seja geralmente aceito que os medos desempenharam um papel significativo no antigo Oriente Próximo após a queda da Assíria, há um debate entre os historiadores sobre a existência de um império ou até mesmo de um reino medo. Alguns estudiosos aceitam a existência de um poderoso e estruturado império que teria influenciado as estruturas políticas do posterior Império Aquemênida. Outros estudiosos argumentam que os medos constituíram uma frouxa confederação de tribos e não um Estado centralizado.
Fontes históricas
Fontes textuais
Durante o período neoassírio dos séculos IX ao VII a.C., bem como nos subsequentes períodos neobabilônico e persa inicial, as fontes oferecem apenas uma visão externa dos medos. Não há uma única fonte meda representando uma perspectiva meda sobre sua própria história.[33] As fontes textuais disponíveis sobre a Média consiste principalmente em textos contemporâneos assírios e babilônicos,[34] bem como a inscrição persa de Beistum, as Histórias do historiador grego Heródoto, a Pérsica de Ctésias, e alguns textos bíblicos.[35] Antes das descobertas arqueológicas das ruínas e arquivos cuneiformes assírios e babilônicos, em meados do século XIX, a história das civilizações do Oriente Próximo no período anterior ao Império Aquemênida baseava-se apenas em fontes clássicas e bíblicas. As informações sobre os medos, assim como os assírios e os babilônicos, derivavam das obras de autores clássicos como Heródoto e seus sucessores. Eles coletavam informações de círculos eruditos do Império Aquemênida, mas essas informações não eram diretas nem contemporâneas, tampouco baseadas em arquivos sólidos ou materiais históricos. Embora nenhuma fonte textual contemporânea foi descoberta na Média, as informações disponíveis nas fontes assírias e babilônicas são bastante relevantes.[36]

Devido à ausência de registros escritos da Média pré-aquemênida e, até recentemente, à falta de evidências arqueológicas, o "Median logos" de Heródoto (1. 95-106) foi por muito tempo a principal e geralmente aceita narrativa histórica dos antigos medos.[5] Em seu relato no primeiro livro de suas Histórias, Heródoto traça o desenvolvimento de um Estado ou império medo unificado, com uma capital em Ecbátana.[37] Embora o que ele descreve tenha acontecido séculos antes e ele provavelmente tenha se baseado em relatos orais não confiáveis, seu relato pode ser correlacionado em algum grau com as fontes assírias e babilônicas.[38] O historiador grego Ctésias trabalhou como médico à serviço do rei aquemênida Artaxerxes II e escreveu sobre a Assíria, a Média e o Império Aquemênida em sua obra Pérsica,[39] que consiste em 23 livros supostamente baseados em arquivos reais persas.[40] Embora tenha criticado muito Heródoto e o acusasse de contar muitas mentiras, Ctésias segue Heródoto e também relata que houve um longo período em que os medos governaram um vasto império.[39] O que sobreviveu de sua obra está repleto de histórias românticas, anedotas exóticas, fofocas da corte e listas de confiabilidade duvidosa.[40] Isso faz de Ctésias um dos poucos autores antigos não muito confiáveis. No entanto, outros o consideraram uma fonte importante.[39][41]
As inscrições reais assírias, datando de Salmaneser a Assaradão (ca. 850-670 a.C.) contêm o maior conjunto de informações históricas sobre os medos. O relato herodoteano ao lidar com o período anterior a Ciaxares foi praticamente descartado em favor dos registros contemporâneos assírios.[36] As fontes assírias que fornecem informações sobre os medos nunca mencionam um Estado medo unificado. Em vez disso, essas fontes mostram uma paisagem política fragmentada, composta por entidades em pequena escala lideradas por vários senhores da cidade. Embora estudiosos tenham sugerido conexões entre certos indivíduos nesse meio e os nomes mencionados em fontes clássicas, as identificações baseadas em semelhança de nomes são questionáveis.[42] As fontes assírias oferecem uma visão clara apenas até aproximadamente 650 a.C. Para o período subsequente, há uma lacuna na quantidade e qualidade das fontes assírias.[43] A evidência histórica de um Estado medo unificado só surge muito mais tarde, quando em 615 a.C. os medos reaparecem em fontes babilônicas liderados por Ciaxares. Após esse evento, os medos mais uma vez retrocedem da história até 550 a.C., quando o rei persa Ciro II derrota o rei medo Astíages para se tornar a figura política dominante no Irã.[37] Assim, a história do período de c. 650 a 550 a.C., durante o qual o poder dos medos teria atingido seu auge, permanece pouco compreendida.[44] Embora fontes gregas clássicas afirmem a existência de um Império Medo durante este período, evidências tangíveis que sustentem a existência de tal império ainda não foram encontradas e fontes contemporâneas desse período raramente fazem referência aos medos.[45]
Fontes arqueológicas
O período medo é um dos períodos menos compreendidos da arqueologia iraniana, e a geografia meda permanece em grande parte obscura.[46] Qualquer esforço para identificar elementos distintivos da cultura material meda da Idade do Ferro III (c. 800-550 a.C.) na região oeste do Irã concentra-se principalmente em sítios próximos à antiga capital da Média, Ecbátana (atual Hamadã).[47] Além disso, a falta de clareza no registro arqueológico torna desafiador determinar se certos materiais arqueológicos devem ser atribuídos à cultura meda ou à aquemênida.[35][48] A atividade arqueológica moderna na área central da antiga Média foi especialmente intensa e frutífera nas décadas de 1960 e 1970, quando foram realizadas as escavações de Godin Tepe, Tepe Nus-i Jã, Baba Jã. Além disso, na região adjacente do antigo reino de Manai, as escavações em Hasanlu e em Ziwiye também tiveram resultados produtivos. A atividade arqueológica nessa região revelou que, durante os séculos VIII e VII a.C., os sítios medos experimentaram um notável crescimento, mas foram despovoados na primeira metade do século VI a.C., período em que se presume que o suposto Império Medo atingiu seu apogeu de desenvolvimento.
A fase Nus-i Jã I, com data aproximada de 750 a.C. a 600 a.C., revelou uma sequência de vários edifícios no local. O "Edifício Central" foi construído no início dessa fase, no século VIII a.C., enquanto o "Forte" e o "Edifício Ocidental", este último com seu notável salão de colunas, foram acrescentados ao sítio ao longo do século VII a.C. Esses edifícios públicos foram posteriormente abandonados, e na primeira metade do século VI a.C. o sítio foi ocupado por populações de caráter menos institucional. Em um de seus relatórios, os escavadores David Stronach e Michael Roaf conjecturaram que o colapso da Assíria e a gradual erosão do poder cita podem ter influenciado a deserção de várias fortalezas, especialmente aquelas localizadas próximas ao núcleo territorial da Média. Em outro relatório, foi sugerido que os vários edifícios foram abandonados de maneiras diferentes durante o período em que o poder medo ainda estava em ascensão. O Nível II de Godin Tepe, escavado por T. Cuyler Young e Louis Levine, contêm estruturas arquitetônicas semelhantes às de Nus-i Jã I e apresenta uma narrativa semelhante: o progressivo crescimento de edifícios públicos durante as fases 1 a 4, seguido por um período de "abandono pacífico" e "ocupação irregular" na fase 5. Uma história semelhante também é contada pelos resultados das escavações em Baba Jã, embora o escavador apoie uma cronologia mais elevada com a florescente fase III nos séculos IX-VIII e a ocupação irregular no século VII - mas principalmente por razões históricas (supostos ataques assírios e citas). De qualquer forma, o sítio parece está completamente abandonado na primeira metade do século VI a.C.
Os desenvolvimentos arqueológicos em Manai parecem ter sido exatamente os mesmos da Média: assentamentos florescentes com edifícios públicos na segunda metade do século VIII a.C. e durante todo o século VII a.C., seguidos por um período de ocupação irregular na primeira metade do século VI a.C. Tal imagem não se encaixa com a reconstrução de um Império Medo com base nos historiadores clássicos.[36] O historiador Mario Liverani argumenta que as evidências arqueológicas desses sítios medos se alinham bem com as evidências das fontes mesopotâmicas.[49] Alguns estudiosos sugerem que o abandono de Tepe Nus-i Jã e outros sítios no noroeste do Irã pode estar relacionado à centralização do poder em Ecbatana. Nesse contexto, a observação de Heródoto sobre Déjoces compelindo os nobres medos a deixarem suas pequenas cidades para viver perto da capital torna-se pertinente.[50] Um cenário possível sugere que Tepe Nus-i Jã passou por um fechamento formal por volta de 550 a.C., com ocupação informal ou irregular persistindo até aproximadamente 500 a.C. A datação revisada sugere que Tepe Nus-i Jã e potencialmente outros sítios do período III da Idade do Ferro mantiveram uma ocupação formal até o início do período aquemênida. Se isso for o caso, então não haveria interrupção na ocupação de sítios medos entre 600 e 550 a.C., como sugerido por alguns estudiosos, implicando uma quebra de autoridade central nesse período.[7] Segundo Stuart Brown, a ascensão do domínio persa pode ter sido um fator contribuinte para o abandono de vários sítios medos, incluindo Godin Tepe.[50]
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Vários dos sítios escavados no Irã, incluindo Godin Tepe, Tepe Nus-i Jã, Moush Tepe, Gunespan, Baba Jan e Tepe Ozbaki, apresentam semelhanças significativas na arquitetura, cerâmica e achados pequenos a ponto de serem considerados possivelmente medos. Os assentamentos medos podem ser resumidos como dispersos, com nodos fortificados controlando planícies, vales e passagens principais.[37] Os maiores sítios identificados na Média medem apenas 3-4 hectares, o tamanho de pequenas aldeias. Notavelmente, a arquitetura monumental encontrada em muitos sítios medos não parece estar integrada a assentamentos maiores. É difícil conciliar essa imagem arqueológica com o sistema de "senhores da cidade" mencionado nas fontes assírias.[51] A capital da Média, Ecbátana, é um local de grande interesse para o estudo arqueológico, mas as escavações até o momento revelaram vestígios que pertencem ao período sassânida.[36] A antiga capital em Ecbátana foi simplesmente enterrada ou destruída pela ocupação subsequente substancial do local.[51] A identificação de sítios medos fora do Irã é desafiadora, mas certas características cerâmicas e arquitetônicas podem indicar uma presença ou pelo menos alguma influência meda dispersa em locais como Nova Armavir e Arimberde na Armênia, Altintepe, Vã e Tille Höyük na Turquia, Qizkapan e Tell Gubba no Iraque e Ulug Depe no Turquemenistão.[37] Os achados arqueológicos no sítio urartiano de Erebuni, na Armênia, mostraram que uma sala com colunas inicialmente datada do período aquemênida agora provavelmente foi construída no final do século VII a.C. Este é o período após a queda da Assíria, quando os medos teriam começado sua expansão para o norte, de acordo com Heródoto. Uma sala semelhante com colunas em Altintepe, no leste da Turquia, também pode ser datada deste período. A disseminação da forma da sala com colunas antes da ascensão do Império Aquemênida sugere alguma forma de presença ou influência meda em regiões adjacentes durante o final do século VII e início do século VI a.C.[51] Evidências de escavações e levantamentos recentes sugerem que o assentamento permanente na Média persistiu além do final do século VII a.C. A construção monumental parece ter continuado em vários sítios, e uma forma inicial de moeda aparentemente estava em uso no coração da Média por volta de 600 a.C.[5] No entanto, o Império Medo ainda não é um fato arqueológico concreto e sua história é amplamente baseada nas informações fornecidas por Heródoto e outros textos influenciados direta ou indiretamente por ele.[52]
História

No final do II milênio a.C., as tribos medas começaram a se estabelecer no território da futura Média no oeste do Irã. A partir do século IX a.C., os assírios regularmente invadiram e saquearam regiões do noroeste do Irã, onde naquela época existiam dezenas de pequenos principados.
Relações com Manna
Por volta da metade do século VII a.C., após serem derrotados pelos assírios, os mannas perderam sua posição como uma potência regional. Apesar disso, graças a alianças com cimérios, citas e medos, os mannas mantiveram certo poder. No entanto, no final da década de 670 a.C., uma traição por parte de alguns citas aliados aos assírios enfraqueceu a aliança. Sob liderança de Partatua, esses citas ajudaram o rei assírio Esar-Hadom a atacar os mannas. Parte dos citas, liderados por Ispacaia, permaneceu aliada aos mannas. O rei assírio vangloriava-se: "Espalhei os habitantes do país dos mannas, exterminei com armas os exércitos de seu aliado citas, comandados por Ispacaia".[53]
Durante o reinado de Assurbanípal (668–627 a.C.), por volta de 660 a.C., os assírios infligiram pesada derrota aos mannas, que foram reduzidos à condição de vassalos de Nínive. Isso levou os medos a se distanciarem de seus antigos aliados e a buscarem meios próprios de defesa.
Expedições assírias
Os reis da Assíria também realizaram campanhas militares contra a Média, como já faziam contra os mannas. Na segunda metade do século IX a.C., Shamshi-Adad V e seu filho Adad-nirari III fizeram incursões na região. Na segunda metade do século VIII a.C., Tiglate-Pileser III avançou sobre o território medo e exigiu tributo. Durante a campanha contra os mannas, Sargão II também invadiu a Média. Nessa época, um governante medo sob a autoridade dos mannas, chamado Deyoces (Dayaukku), envolveu-se em rebeliões, sendo posteriormente deportado para Hamate com sua família.[54]
No final do século VIII a.C., houve a tentativa de formar um Estado unido na Média. Segundo Heródoto, isso ocorreu sob o comando de Deyoces (712–675 a.C.). Ele teria unificado as tribos medas, fundado a cidade de Ecbátana, e declarado-a capital do novo reino.[55][56]
A primeira menção dos medos em textos assírios refere-se a 834 a.C., quando o rei Salmaneser III (r. 858–824 a.C.) retornava de uma campanha com seu exército passando na planície de Hamadã através do território medo.[1] Os medos se constituíram em numerosas pequenas entidades sob chefes tribais,[57] e mesmo conseguindo subjugar vários chefes medos, os os reis assírios nunca conquistaram toda a Média.[35] Em 815 a.C., Samsiadade V (r. 823–811 a.C.) marchou contra Saguebita, a "cidade real" do chefe medo Hanasiruca, e a conquistou. Segundo a inscrição assíria, 2.300 medos foram mortos e Saguebita, assim como 1.200 assentamentos localizados em suas proximidades, foram destruídos. Essa campanha foi de grande importância, pois a partir de então a Assíria impunha tributo regular às tribos medas em cavalos, gado e produtos artesanais. Agora os assírios transferiram a direção principal de seus ataques para a Média. Essa transferência foi parcialmente causada pelos eventos na zona de Úrmia, já que no final do século IX a.C. os urartianos conquistaram as margens oeste e sul do lago Úrmia e começaram a avançar para Manai.
A Assíria falhou em deter o avanço urartiano e gradualmente se tornou um aliado de Manai em sua luta contra Urartu. Os assírios não conseguiram de garantir os resultados das seis campanhas (nos anos 809, 800, 799, 793, 792 e 788 a.C.) travadas contra os medos por Adadenirari III (r. 810–781 a.C.) e, posteriormente, uma longa crise política começou a se desenvolver na Assíria. Mais tarde, durante o reinado de Tiglate-Pileser III (r. 745–728 a.C.), a Assíria começou a organizar províncias em países conquistados, o que garantiu uma fonte regular de renda e também serviu de base para a conquista de territórios vizinhos. A leste de seu país, os assírios criaram mais duas províncias, onde foram instalados governadores e guarnições assírias, fazendo as fronteiras da Assíria aproximaram-se da Média. Em 744 a.C., os assírios receberam tributo dos medos e em 737 a.C., Tiglate-Pileser invadiu a Média, e desta vez os assírios alcançaram as partes mais remotas do país e exigiram tributo dos "governantes da cidade" dos medos até o deserto de sal e o monte Bicni. Em um relato dessa campanha, Tiglate-Pileser menciona "as províncias dos poderosos medos" e também afirma que ele deportou 6.500 pessoas do noroeste do Irã para a Síria e a Fenícia.[1]
Sob Sargão II (r. 722–705 a.C.), a presença assíria na Média atingiu o seu ponto culminante. Sargão tentou estabelecer um controle administrativo direto sobre essas regiões distantes, seguindo o sistema provincial já implementado em áreas mais acessíveis e próximas. Os governadores assírios coexistiram com os senhores de cidades locais: os primeiros, provavelmente, eram responsáveis pelo controle do comércio de longa distância e a arrecadação de tributos, enquanto os últimos permaneciam no poder para lidar com assuntos locais.[36] Apesar de estar ativo na região de Zagros, Senaqueribe (r. 704–681 a.C.) operou em um nível muito discreto em comparação com seus antecessores, Tiglate-Pileser III e Sargão II. Isso pode sugerir que, após os problemas iniciais para controlar as novas províncias Kar-Sarrukin e Kār-Nergal, as coisas progrediram tranquilamente nos territórios assírios orientais após 713 a.C. O sistema dual estabelecido, envolvendo a administração provincial assíria e os senhores locais das cidades, parece ter encontrado um equilíbrio mutuamente benéfico. As fontes disponíveis mostram o controle contínuo assírio sobre as províncias fundadas por Tiglate-Pileser e Sargão, pelo menos até o reinado de Assaradão. Em 702 a.C., Senaqueribe envolveu-se com os medos durante uma campanha contra o reino de Elipi, nas montanhas de Zagros. Isso marcou seu único contato direto registrado com os medos em seu próprio território, recebendo tributo dos medos que residiam fora das regiões controladas pelos assírios.[58]
Os assírios consistentemente se referiam aos medos como habitantes de assentamentos governados por bēl ālāni ("senhores das cidades"). A coalescência de um poder autoritário mais amplo provavelmente teve suas origens nas relações interpessoais entre esses bēl ālāni medos.[44] A aplicação de um modelo de formação de Estado secundário ao caso da Média propõe que, estimulados por décadas de intrusão assíria agressiva, os bēl ālāni medos aprenderam pelo exemplo a se organizar e administrar politicamente e economicamente para alcançar um status semelhante ao de um Estado.[37] Os frequentes ataques assírios forçaram os vários habitantes da Média a cooperar e desenvolver uma liderança mais eficaz. Os assírios também apreciavam produtos do leste, como o lápis-lazúli bactriano, e a rota leste-oeste através da Média se tornava cada vez mais importante. O comércio pode explicar a ascensão de Ecbátana como a cidade central da Média e pode ter sido o gatilho que iniciou o processo de unificação.[35]
Unificação
Segundo Heródoto, Déjoces planejou estrategicamente estabelecer um governo autocrático sobre os medos. Em um período de grande anarquia na Média, Déjoces trabalhou diligentemente para estabelecer a justiça, ganhando uma reputação como juiz imparcial e justo. Eventualmente, ele deixou de administrar a justiça, levando ao caos na Média. Isso levou os medos a se reunirem e decidirem eleger um rei, resultando finalmente em Déjoces tornando-se o governante deles. Em seguida, uma cidade fortaleza chamada Ecbátana foi construída, onde toda a autoridade governante foi centralizada.[59][51] No entanto, isso não é indicado em fontes textuais da época, nem em achados arqueológicos.[60] A julgar pelas fontes assírias, nenhum Estado medo unificado como o que Heródoto descreve para o reinado de Déjoces existia no início do século VII a.C. e seu relato é na melhor das hipóteses uma lenda meda sobre a fundação de seu reino.[61][62][58] Em contraste, Ctésias apresenta uma narrativa diferente centrada em um medo chamado Arbaces. Arbaces serviu como general no exército assírio e como governador dos medos em nome do rei assírio. Ele conheceu seu futuro aliado, o babilônico Belesys, em Nínive, onde ambos comandaram as tropas auxiliares medas e babilônicas da Assíria durante um ano de serviço militar. Encorajados pela fraqueza do rei assírio Sardanápalo, Arbaces e Belesys se rebelaram contra a Assíria, e Arbaces emergiu como o primeiro rei da Média. Embora nomes semelhantes ou idênticos a Déjoces e Arbaces apareçam em fontes assírias, esses nomes parecem ter sido comuns entre as pessoas do planalto iraniano durante o período assírio. Assim, nenhum dos indivíduos com esses nomes pode ser identificado conclusivamente como os protagonistas descritos pelos historiadores gregos. Embora alguns personagens em Heródoto e Ctésias possam ser identificados com figuras conhecidas em fontes assírias e babilônicas, permanece desconhecido em que medida muitos detalhes em suas histórias refletem a realidade histórica.[63]
O rei assírio Assaradão (r. 680–669 a.C.) realizou várias expedições ao território iraniano. Comparado com as conquistas de Sargão, os resultados da campanha de Assaradão foram bastante insignificantes.[1] Provavelmente em 676 a.C., e certamente antes de 672 a.C., os senhores das cidades Uppis de Partakka, Zanasana de Partukka e Ramateia de Uracazabarna trouxeram cavalos e lápis-lazúli como tributo a Nínive. Esses governantes, originários de regiões além das províncias assírias no Zagros, se submeteram a Assaradão e buscaram sua assistência contra senhores das cidades rivais. Este episódio é seguido pela deportação de dois senhores das cidades do país de Patušarri para a Assíria, indicando que as atividades de Assaradão contra os medos "distantes" alcançaram o Mar Cáspio e o Deserto de Sal próximo ao Monte Bicni. No entanto, ao contrário de seus predecessores, Assaradão não parece ter expandido o território assírio no Irã.[58] Ramateia também é mencionado nos chamados “juramentos de lealdade” que foram concluídos por ocasião da nomeação do sucessor do trono assírio em 672 a.C. Nesse ano foram concluídos acordos entre Assaradão e chefes de várias regiões ocidentais da Média, que garantiam sua lealdade ao rei assírio, bem como a segurança de suas posses. Os estudiosos geralmente consideram este acordo como um “tratado vassalo” imposto pela administração assíria aos vassalos recentemente submetidos, mas Mario Liverani argumentou que este acordo foi resultado de lutas internas entre vários grupos medos, bem como da presença de guerreiros armados medos no palácio assírio servindo como guarda-costas do príncipe herdeiro. Os chefes medos tiveram que fazer um juramento de que seus homens na corte assíria seriam leais a Assaradão e seu filho Assurbanípal.[1]
A julgar pelos textos assírios da época de Assaradão, a situação nas fronteiras orientais da Assíria era extremamente tensa.[1] Enquanto entrar nas províncias assírias em Zagros para coletar tributos é rotina para vários governadores após 713 a.C., tais missões eram repletas de perigo na época de Assaradão. Esse aumento no risco decorreu não apenas de adversários tradicionais como os medos e maneanos, mas também dos cimérios e citas ativos no Irã. A principal ameaça no leste provinha das ações de Kaštaritu, o senhor da cidade de Kār-Kaššî, que é mencionado de forma proeminente em consultas de oráculos sobre assuntos medos. Os assírios viam Kaštaritu como um líder político de influência substancial e uma força a ser considerada; Assaradão estava preocupado com Kaštaritu tramando com outros senhores das cidades medas, mobilizando-se contra a Assíria e atacando as fortalezas e cidades assírias. As fontes disponíveis não revelam se uma resolução pacífica ou militar para os problemas com Kaštaritu foi alcançada; esse silêncio pode sugerir um desfecho negativo. Ataques às fortalezas assírias mostram que a Assíria começou a perder o controle do território no leste durante o reinado de Assaradão. Saparda, que foi incorporada à província de Harhar em 716 a.C., não estava mais sob controle assírio, e seu senhor da cidade, Dusanni, é mencionado, ao lado de Kaštaritu, como inimigo da Assíria em várias consultas de oráculos.[58] Durante o reinado de Assurbanípal (r. 668–630 a.C.), referências aos medos tornam-se muito escassas. Em uma inscrição, Assurbanípal relata que três senhores da cidade medos haviam se rebelado contra o domínio assírio, foram derrotados e levados para Nínive durante sua quinta campanha em 656 a.C. Esta é a última menção aos medos nas fontes assírias. O fato de os três governantes medos serem descritos como senhores da cidade pode indicar que a estrutura de poder entre os medos nesse momento era a mesma que no século VIII a.C. Não se sabe se as províncias assírias nos Zagros, Parsua, Bīt-Hamban, Kišessim (Kār-Nergal) e Harhar (Kar-Sarrukin), ainda faziam parte do império durante o reinado de Assurbanípal.[58] Embora o silêncio mantido nas fontes assírias sobre os iranianos nesse período possa indicar que a Assíria estava menos preocupada com eles do que durante o reinado de Assaradão,[64] tudo parece indicar que os assírios estão perdendo o controle sobre as províncias estabelecidas nos Zagros. Isso poderia ter ajudado a deixar espaço para o desenvolvimento de um Estado medo unificado[65] e embora as fontes assírias não façam referência a um Estado territorial medo unificado que seria comparável à própria Assíria ou a outros principados contemporâneos, como Elão, Manai ou Urartu, muitos estudiosos ainda relutam em atribuir nenhuma relevância histórica ao relato de Heródoto.[58]
Os medos reaparecem em fontes contemporâneas cerca de quarenta anos depois, em 615 a.C., sob a liderança de Ciaxares, lançando um ataque ao coração do Império Assírio e aliando-se aos babilônios. Nada nas fontes assírias existentes fornece insights sobre como Ciaxares assumiu a liderança de uma força meda unificada, uma vez que as décadas anteriores são marcadas por uma escassez de fontes sobre as políticas internas e externas da Assíria.[58] O raciocínio atual sustenta que a transição em direção a um Estado unificado pode ter ocorrido no período de 670 a 615 a.C., durante o reinado do rei Assurbanípal ou de seus sucessores. A falta de registros assírios ou outras fontes contemporâneas para esse período deixou o espaço "livre" para a aceitação do relato de Heródoto. Embora as informações do historiador grego sobre os períodos anteriores carecem de confiabilidade, no caso de Ciaxares, sua existência e seu papel na queda de Nínive são corroborados pela Crônica Babilônica. Assim, as demais informações concernentes à cronologia de seu reinado e ao seu status como rei de um Estado unificado têm mais credibilidade.[36] Segundo Heródoto, Déjoces foi sucedido por seu filho Fraortes. Heródoto pode ter adiantado os eventos relacionados aos reis medos por um reinado. Assim, o fundador do reino medo, que uniu todas as tribos medas e construiu a nova capital da Média, poderia ter sido o sucessor de Déjoces.[66] Fraortes é comumente identificado com o Castariti que liderou a revolta meda contra os assírios em 672 a.C., embora alguns estudiosos tendem a rejeitar essa identificação ou considerá-la duvidosa.[1] Outros estudiosos acreditam que os medos só foram unificados sob Ciaxares, que segundo Heródoto era filho de Fraortes e iniciou seu reinado por volta de 625 a.C.[67][57][68] A partir de 627 a.C., os assírios estavam definitivamente com sérios problemas, tanto em casa quanto na Babilônia, e, portanto, é provável que o Reino Medo tenha surgido após 627, ou possivelmente já após 631 a.C.[63]
Interregno cita

Nos tempos antigos, as extensas áreas ao norte do Mar Negro e do Cáspio eram habitadas pelos citas.[69] No final do século VIII a.C. e início do século VII a.C., grupos de guerreiros nômades entraram no oeste do Irã. Entre os grupos dominantes estavam os citas, e sua entrada nos assuntos do planalto ocidental durante o século VII a.C. talvez possa marcar um dos pontos de virada mais importantes na história da Idade do Ferro. Heródoto fala com alguns detalhes de um período de domínio cita, o chamado interregno cita na dinastia meda. A datação desse evento permanece incerta, mas tradicionalmente é vista como ocorrendo entre os reinados de Fraortes e Ciaxares.[61] O iranologista russo Edvin Grantovski data esse evento como ocorrendo entre 635 a.C. e 615 a.C., enquanto o historiador George Cameron data entre 653 a.C. e 625 a.C.[1]
Com a chegada dos citas ao sul do Azerbaijão e à Ásia Menor, os medos intensificaram sua oposição à Assíria. De acordo com Heródoto, essa luta foi liderada por Fraortes (675–653 a.C.), também conhecido nos textos cuneiformes como Kaštariti.[70] É possível que os citas, estabelecidos na Manna, tenham ajudado os medos na resistência. Em 672 a.C., os medos libertaram-se do domínio assírio e estabeleceram um Estado independente. Fraortes conseguiu unir diversos pequenos reinos sob sua liderança.[71][72]
Segundo Dyakonov, na década de 650 a.C., os medos voltaram a confrontar os assírios. Fraortes organizou uma campanha contra a Assíria, mas foi derrotado e morto por forças citas lideradas por Madius (Madiy), que apoiavam os assírios.[73] Assim, entre 625 e 585 a.C., a Média passou a ser dominada pelos citas, com Madius governando como o terceiro rei medo. Apesar da estabilidade interna, a política externa passou a alinhar-se com os interesses assírios.[74]
Segundo Heródoto, o rei Fraortes liderou um ataque contra a Assíria, mas o rei assírio conseguiu repelir a invasão e o próprio Fraortes, juntamente com grande parte de seu exército, teria morrido na batalha.[75] Heródoto relata que Ciaxares queria vingar a morte de seu pai e marchou com o exército em direção a capital assíria Nínive, com o objetivo de destruir a cidade. Enquanto sitiavam Nínive, os medos foram atacados por um grande exército de citas sob o comando de Mádies, filho de Bartatua. Uma batalha foi travada, na qual os medos foram derrotados e perderam seu poder na Ásia, que foi tomada em sua totalidade pelos citas.[76] O jugo cita teria sido muito insuportável, caracterizado pela brutalidade, injustiça e altos impostos. Segundo Heródoto, Ciaxares convidou os líderes citas para um banquete e os induziu a beber até que estivessem totalmente bêbados, atacou-os e os matou facilmente. Consequentemente teria se sucedido uma guerra que resultou na derrota dos citas.[69] No entanto, é mais provável que, nessa época, os citas se retirassem voluntariamente do oeste do Irã e fossem saquear em outros lugares ou fossem simplesmente absorvidos por uma confederação em rápido desenvolvimento sob a hegemonia meda.[61]
Heródoto acreditava que desde a vitória cita sobre os medos até o assassinato dos líderes citas foi um período de exatamente 28 anos, mas essa cronologia é problemática.[69] É muito improvável que os citas tenham dominado os medos por quase três décadas, os citas eram nômades e, embora fossem guerreiros ferozes, eram incapazes de governar grandes territórios por um longo período.[76] Essas e outras razões levam à conclusão que a dominação cita foi de muito mais curta. Não pode ter se passado muito tempo depois do ataque cita para que os medos começassem a se recuperar e limpar seus territórios dos citas. Se a invasão ocorreu no reinado de Ciaxares, e não no reinado de Fraortes, onde Eusébio a coloca, é provável que oito anos após sua ocorrência os medos estavam fortes para retomar seus antigos projetos e, pela segunda vez, levar um exército para a Assíria.[69] Embora o relato de Heródoto sobre o interregno cita não seja implausível, exceto pela duração da dominação cita,[76] seu relato tem um caráter lendário e não é confiável.[1] Apesar da historicidade do interregno cita ser duvidosa, os citas são mencionados nas fontes assírias no mesmo período do suposto interregno.[77]
Queda do Império Assírio

Após a morte de Assurbanípal em 631 a.C., o Império Assírio entrou num período de instabilidade política.[78] Em 626 a.C., os babilônios se rebelaram contra a dominação assíria. Nabopolassar, governador das regiões do sul e líder da revolta, foi logo reconhecido como rei da Babilônia.[1] Nabopolassar ganhou controle da cidade de Babilônia, mas não de todo o território babilônico. Ele estava envolvido em combates intensos com os assírios, e provavelmente deve ter procurado possíveis aliados. É interessante notar que Heródoto menciona que o rei medo Fraortes foi morto por volta de 625 a.C. durante uma invasão malsucedida da Assíria. Não há evidências sobre as relações entre os medos e os assírios entre 624 e 617 a.C. Não se sabe se os medos ainda estavam geograficamente separados do coração da Assíria pelas montanhas Zagros e povos circundantes, ou se já estavam se afirmando nas províncias montanhosas assírias, especialmente em Mazamua (atual Suleimaniya). No entanto, para os anos subsequentes de 616 a 595 a.C., grande parte da Crônica Babilônica está preservada e fornece um relato razoavelmente confiável dos eventos. O documento não é um registro completo da história do período,[79] concentrando-se exclusivamente nos eventos na Mesopotâmia.[63] Após assegurar controle total do território babilônico, Nabopolassar (r. 626–605 a.C.) marchou contra a Assíria.[1]
Em 616 a.C., os babilônios derrotaram um exército assírio no meio do Eufrates e capturaram as forças maneanas que estavam ajudando os assírios. Se o reino de Manai ainda existia nessa época permanece incerto. No mesmo ano, os babilônios derrotaram os assírios perto de Arrapa (atual Quircuque). No terceiro mês de 615 a.C., os babilônios marcharam diretamente pelo Tigre e atacaram Assur, mas foram repelidos. No oitavo mês, os medos estavam ativos perto de Arrapa, o que sugere um acordo mútuo entre medos e babilônios.[79] Uma vez que Arrapa estava muito perto dos principais centros da Assíria (Assur, Nínive e Arbela), todas as posições do império no oeste do Irã provavelmente já haviam sido perdidas.[63] Os medos chegaram a Nínive no quinto mês de 614 a.C., devastando o território entre Arrapa e Nínive. Em meados de 614 a.C., os medos capturaram Tarbisu, uma cidade ao norte de Nínive, e depois desceram o Tigre para atacar Assur, que capturaram antes da chegada do exército babilônico que estava vindo em sua ajuda. Este esforço colaborativo indica uma aliança preexistente entre Nabopolassar e o rei medo Ciaxares (r. 625–585 a.C.), que então se encontram pessoalmente e formalizam sua relação.[79] O historiador babilônico Beroso menciona que essa aliança entre a Babilônia e a Média foi selada com o casamento de Amitis, provavelmente filha de Ciaxares, com o filho de Nabopolassar, Nabucodonosor II.[76] Posteriormente, Ciaxares e seu exército retornaram para sua terra. Em 613 a.C., os medos não são mencionados na crônica. No entanto, em 612 a.C., o rei dos ummān-manda aparece em cena; ele é certamente idêntico ao rei dos medos, embora seja estranho que uma única tabuinha cuneiforme descreva um povo por dois termos diferentes. As forças militares combinadas de Ciaxares e Nabopolassar sitiaram Nínive, resultando em sua queda após três meses. Após o saque da capital assíria, apenas os babilônios parecem ter continuado a campanha, e parte do exército babilônio avançou sobre Nasibina e Rasappa, enquanto Ciaxares e seu exército retornaram à Média. Enquanto isso, os assírios estavam se reorganizando sob um novo rei mais a oeste, em Harã. Os medos parecem estar ausentes do relato de 611 a.C., enquanto os babilônios estão militarmente ativos avançando em direção à Síria e ao alto Eufrates.[79] O faraó egípcio Neco II enviou ajuda ao exército assírio que se havia entrincheirado em Harã. Então, Nabopolassar parece ter pedido ajuda aos medos.[80] Os medos reapareceram em cena em 610 a.C., quando se uniram aos babilônios para um ataque a Harã. Diante da formidável aliança, os assírios e seus aliados egípcios abandonaram Harã, que foi capturada. Depois disso, os medos partiram pela última vez,[79] e conhecemos suas atividades principalmente por fontes clássicas.[81] Em 605 a.C., os babilônios marcharam para Carquemis e a conquistaram, derrotando totalmente os assírios e egípcios. Não está claro se os medos também participaram dessa derrota final dos assírios.[1]
O resultado da queda da Assíria para a expansão territorial meda é desconhecido, mas a Crônica Babilônica e outras evidências implicam que a maior parte do antigo território assírio passou para o controle babilônico.[82] Mario Liverani argumenta contra a noção de que os medos e os babilônios compartilharam o território assírio, em vez os medos apenas assumiram o Zagros, que a Assíria já havia perdido anteriormente.[36] Até recentemente, era uma opinião comum que, como resultado da queda da Assíria, os medos tomaram posse das terras assírias a leste do rio Tigre, bem como da região de Harã. Esta visão é parcialmente baseada em um texto do rei babilônico Nabonido, que indica que os medos dominaram Harã por 54 anos até o terceiro ano de seu reinado, e fontes clássicas posteriores. Nesse caso, os medos possuíram Harã de 607 a 553 a.C. No entanto, alguns estudiosos argumentam que o coração assírio e Harã permaneceram sob controle babilônico desde 609 a.C. e até a queda do Império Neobabilônico em 539 a.C. É verdade que, a julgar pela Crônica Babilônica, Harã permaneceu sob domínio babilônico, enquanto os medos voltaram para sua terra. No entanto, é possível que algum tempo depois de 609 a.C., os medos tomaram Harã novamente e permaneceram lá por um longo período de tempo.[1]
A restauração sob Ciaxares
Segundo Heródoto, o domínio cita sobre a Média terminou com a ascensão de Ciaxares (também conhecido como Huvaxštra nas inscrições de Beistum e Umakištar nas fontes babilônicas).[83][84] Em 585 a.C., Ciaxares depôs os citas após cerca de 60 anos de domínio e tornou-se o quarto rei medo.[85]
Heródoto relata que, durante seu reinado, os pequenos governantes locais foram submetidos à autoridade central.[86] Segundo Ziya Bünyadov, Ciaxares pode ter adotado o título de "Rei dos Reis".[87] Com a estabilização interna, ele começou a expandir os domínios do reino, incorporando várias regiões, inclusive o território dos persas, culturalmente mais atrasados, que passaram a assimilar a cultura meda.[88]
Campanha Medo-Babilônica contra Assur
Após criar um Estado centralizado, Ciáxares preparou-se para a guerra contra Assur. Para isso, reorganizou o exército medo. Ciáxares dividiu suas tropas entre lanças e arqueiros, além de criar uma unidade de cavalaria. Reuniu um dos exércitos mais poderosos da Antiguidade, incorporando guerreiros de várias tribos espalhadas pelas regiões do reino. Sabendo da força do inimigo, procurou apoio e selou uma aliança com o rei da Nova Babilônia, Nabopolassar, também afetado pelas campanhas devastadoras dos assírios. Ambos concordaram em atacar o inimigo simultaneamente.[89]
A guerra contra Assur durou vários anos. Temendo que seu exército não conseguisse resistir até o fim, o rei assírio Assur-Ubalite III tentou unir todos os povos sob domínio assírio contra os medos e babilônios. No entanto, na batalha próxima da cidade de Qablin, as forças assírias foram derrotadas. Entre 615 e 612 a.C., as tropas medo-babilônicas conquistaram e saquearam as cidades de Assur, Arbela, Kalat e a capital Nínive. Assim, o temido Império Assírio, outrora uma das potências mais dominantes do Oriente Próximo, colapsou em 604 a.C., com seu território dividido entre a Média e a Babilônia.[90]
Guerra Medo-Lídia
Após a queda da Assíria, Ciáxares iniciou campanhas expansionistas para alcançar as margens do Mar Egeu. Seu primeiro alvo foi o Urartu, já em decadência, por estar localizado na rota para a Anatólia. A situação do reino de Mannai, entre Média e Urartu, permanece incerta. Segundo o historiador Ziya Bünyadov, Mannai pode ter se tornado vassalo político da Média, mantendo relativa independência interna.[91]
De acordo com Heródoto, houve dois motivos para a guerra entre a Média e a Lídia: o desejo de ambos os lados em controlar a Anatólia e um caso de vingança pessoal.[92] Alguns líderes citas sob domínio medo foram derrotados por tribos locais, e Ciáxares, enraivecido, os insultou. Em retaliação, os citas sequestraram um de seus filhos e fugiram para Sárdis, capital da Lídia. Ciáxares exigiu a devolução do filho, mas o rei Aliates II recusou, levando o medo a invadir a Lídia.[93]
A guerra durou cinco anos e culminou na famosa Batalha do Hális, em 28 de maio de 585 a.C., nas margens do rio Hális (atual Kızılırmak, na Turquia). Durante a batalha, ocorreu um eclipse solar, interpretado por ambos os lados como sinal da ira divina. A guerra foi interrompida e um tratado de paz foi selado. O rio Hális tornou-se a fronteira oficial entre os dois reinos,[94] e Ariênis, filha de Aliates II, casou-se com Astíages, filho de Ciáxares.[95]Heródoto relata o evento da seguinte forma:
No sexto ano da guerra, durante uma batalha às margens do rio, o dia transformou-se repentinamente em noite. Ambos os lados, vendo nisso a manifestação da ira divina, decidiram encerrar o conflito. A paz foi selada por meio de uma aliança matrimonial: Ariênis, filha de Aliates, casou-se com Astíages, filho de Ciáxares. Desde então, não houve mais hostilidade entre os dois reinos.
— Heródoto – Histórias, I, 73–74
Império ?

Ao final do século VII a.C., os medos parecem ter se unido em uma entidade política significativa sob um monarca, como evidenciado pela conquista medo-babilônica da Assíria. Nada se sabe sobre a estrutura sociopolítica meda, e os estudiosos diferem significativamente no que inferem a partir de evidências bastante ambíguas. Alguns postulam a existência de um império altamente desenvolvido, fortemente influenciado pelas práticas imperiais assírias. Em contraste, outros, destacando a falta de evidências concretas, inclinam-se a ver os medos como certamente uma força poderosa, mas sem desenvolver instituições estatais..[82] É no período entre a queda de Nínive em 612 a.C. e a conquista da capital meda Ecbátana pelo rei persa Ciro II em 550 a.C. que se postula a existência de um poderoso Império Medo. No entanto, fontes contemporâneas sobre os medos nesse período são escassas.[36] Em qualquer caso, a evidência disponível nas fontes babilônicas e bíblicas indicam de que os medos desempenharam um papel político importante no antigo Oriente Próximo após a queda da Assíria.[96] Quatro potências dominavam o antigo Oriente Próximo a partir de então: Babilônia, Média, Lídia e, mais ao sul, Egito.[1]
Os medos parecem ter estabelecido uma fronteira comum com a Lídia, na Anatólia central. Segundo Heródoto, hostilidades entre os medos e os lídios começaram cinco anos antes de uma batalha precisamente datada por um eclipse em 585 a.C. Se esse relato for verdadeiro, isso implica que, antes de 590 a.C., os medos já haviam subjugado Manai e Urartu. Julian Reade propôs que a entrada na Crônica Babilônica para 609 a.C. pode se referir a um ataque medo a Urartu em vez de um ataque babilônico. Esse evento, ocorrendo pouco antes dos ataques babilônicos em 608 e possivelmente 607 a.C., pode indicar que os babilônios forneceram apoio para a expansão meda para oeste no planalto anatoliano. Outra hipótese é que, já em 615 a.C., Ciaxares e Nabopolassar tinham forjado um plano para destruir tanto Urartu quanto a Assíria.[79] Sabe-se muito pouco sobre o fim de Urartu pois as fontes escritas termina após 640 a.C. e embora os citas e os medos serem postulados como responsáveis pelo fim de Urartu, o consenso geral é de que Urartu foi destruído pelos medos no final do século VII a.C.[97]
No início do século VII a.C., os cimérios invadiram o Cáucaso e a Anatólia. Enquanto os cimérios se estabeleciam nas planícies da Capadócia, emergia na Anatólia o reino da Lídia, com capital em Sardes. Os governantes lídios repeliram a invasão ciméria e iniciaram uma ofensiva para o leste, aproximando-se gradualmente da Capadócia.[98] O poder cimério — outrora grande e significativo na Capadócia entrou em colapso, quase ao mesmo tempo que Urartu. Havia espaço para os medos, que após conquistar Urartu, entraram na Ásia Menor subjugando a Capadócia. O espaço talvez fosse também familiar, visto que textos assírios do século VII a.C. descrevem a situação na Anatólia a oeste do Eufrates de maneira semelhante à região de Zagros.[97] Heródoto relata que Ciaxares enviou uma embaixada para a Lídia para exigir a extradição de fugitivos citas da Média, mas o monarca lídio Alíates recusou-se, levando a guerra entre os dois reinos. A guerra entre os medos e lídios resultou em uma série de confrontos ao longo de cinco anos, onde ambas as partes tiveram vitórias alternadas. No sexto ano de conflito a ocorrência de um eclipse solar interrompeu uma batalha e levou os dois lados a concluir um tratado de paz mediado por Labineto da Babilônia e Sienésis I da Cilícia. Como resultado, o rio Hális foi estabelecido como a fronteira entre as duas potências. O tratado foi selado pelo casamento entre Arienis, filha de Alíates, e Astíages, filho de Ciaxares,[69] e estabeleceu um novo equilíbrio de poder entre as potências do Oriente Próximo.[61]
Em poucas palavras, Heródoto afirma que Ciaxares subjugou toda a Ásia à leste do rio Hális, o que pelo menos sugere que ele se envolveu numa sequência de batalhas com vários povos da região para subjugá-los. Essa afirmação pode implicar que além da Capadócia e Urartu, os ibenanos, macronos, moscos, marres, mossínecos e tibarenos foram subjugados por Ciaxares.[69] Evidências indiretas posteriores sugerem que os medos teriam conquistado a Hircânia, Pártia,[1] Sagárcia,[99] Drangiana,[100] Ária[101] e Báctria tornando-se um império que se estendia da Anatólia, no oeste, até a Ásia Central, no leste.[1] Qualquer que seja o papel político dos medos no leste, a representação de uma embaixada indiana na corte de Ciaxares (Xenofonte, Ciropédia 2.4.1) parece um resultado plausível de contatos comerciais.[99]

Ciaxares morreu pouco tempo após o tratado com os lídios, deixando o trono para seu filho Astíages.[76] Em comparação com Ciaxares, pouco se sabe sobre o reinado de Astíages.[61] Seu casamento com Arienis o tornou cunhado do futuro rei lídio Creso; e o casamento de sua irmã, Amitis, com o rei babilônico Nabucodonosor II, o tornou cunhado deste último também.[76] Nem tudo estava bem com a aliança com a Babilônia, e há algumas evidências que sugerem que a Babilônia pode ter temido o poder dos medos.[61] As relações entre Babilônia e Média parecem ter se deteriorado, visto que, na década de 590 a.C., era esperado que os Medos invadissem o território babilônico, conforme pode ser visto nos discursos de Jeremias.[102] Segundo Heródoto, Astíages casou sua filha, Mandane, com o rei persa Cambises I, com quem ela teria um filho, Ciro II, conectando a dinastia meda a dinastia aquemênida. Esse casamento teria ocorrido antes de 576 a.C., mas há alguma dúvida sobre sua historicidade.[103]
Durante seu reinado, Astíages teria se empenhado para fortalecer e centralizar o Estado medo, contrariando a vontade da nobreza tribal. Isso pode ter contribuído para a queda do reino.[32] Segundo Ctesias, os reis medos também travaram guerras contra os cadúsios e os sacas, embora não haja evidências concretas para apoiar isso. No entanto, a referência a uma guerra contra os sacas pode indicar desafios contínuos de incursões nômades, enquanto a narrativa sobre a guerra contra os cadúsios pode indicar que os medos não tinham controle sobre as margens sul do Mar Cáspio, onde os cadúsios viviam.[45] Aparentemente, o reinado de Astíages foi relativamente imperturbado até pouco antes de seu encerramento. Moisés de Corene declara que ele travou uma longa luta com um rei armênio chamado Tigranes, mas pouco crédito pode ser atribuído a essas declarações.[69]
Decadência do Estado Medo
Logo após a Batalha do Hális, o poderoso rei Ciáxares faleceu. Seu filho Astíages (r. 585–550 a.C.) assumiu o trono. Seu longo reinado foi cercado por lendas e tradições. Nos primeiros anos, focou no progresso interno, fortalecendo a economia e a estrutura social. Essa fase é considerada o auge da cultura medo.[104]
Astíages herdou um vasto império aliado ao seu cunhado lídio Creso e ao babilônio Nabucodonosor II. A irmã de Astíages, Amitis, era esposa de Nabucodonosor, e os famosos Jardins Suspensos da Babilônia teriam sido construídos em sua homenagem.
Astíages casou-se com Ariênis, irmã de Creso, conforme os acordos de paz. Sua coroação ocorreu um ano após a morte de Ciáxares. Sua filha Mandane casou-se com o persa Cambises I, príncipe aquemênida.[105]
Durante seu reinado, o império conheceu estabilidade e desenvolvimento. No leste, surgiu o zoroastrismo, enquanto no oeste, filósofos como Tales de Mileto, Sólon e Esopo floresciam sob proteção de Creso. Babilônia, por sua vez, tornou-se uma das maiores cidades do mundo antigo sob Nabucodonosor.
Contudo, com o tempo, Astíages afastou-se dos assuntos de Estado, entregando-se a festas e prazeres. Isso o distanciou da nobreza medo e da aristocracia, minando seu apoio político. Assim, a situação interna e externa do Estado começou a se deteriorar.
A disputa com a Babilônia pela região de Harrã também provocou tensões. Ambos reivindicavam a província, e Astíages agiu rapidamente, enviando tropas para ocupá-la. Aproveitando-se disso, seus opositores dentro da corte intensificaram as críticas. Como Astíages havia restringido os privilégios dos nobres, a oposição tornou-se ainda mais acirrada.[106]
Revolta persa

Segundo Heródoto, forças pró-persas atuavam secretamente na corte meda. Um grupo de nobres, liderados por Harpages, teria conspirado com Ciro II e ajudado na sua ascensão ao poder.[107] Os persas, aproveitando-se do enfraquecimento militar da Média após prolongadas guerras, rebelaram-se, declararam independência e acabaram por desintegrar o Império Medo.[108]
À frente das forças persas estava Ciro II, neto do rei medo Astiages, filho de sua filha Mandane. Após sonhar que o neto seria uma ameaça ao seu trono,[109] Astiages ordenou a Harpages que matasse o recém-nascido, mas este, relutando em derramar sangue real, entregou o bebê (Ciro) a um pastor chamado Mitridates, que o criou como filho.[110]
Quando Astiages descobriu que Ciro estava vivo, puniu Harpages de forma cruel: matou o filho deste e serviu sua carne em um banquete. Harpages, ao perceber o ocorrido, permaneceu impassível, recolheu os restos mortais do filho e os sepultou. Mais tarde, consultando os magos, Astiages foi aconselhado a manter o menino longe da corte. Assim, Ciro foi enviado de volta aos pais, Cambises I e Mandane, em Anshã (próximo à moderna Xiraz).[111]
Em 559 a.C., Ciro sucedeu seu pai como rei da Pérsia e, em 553 a.C., com apoio de Harpages, rebelou-se contra o avô. Após uma série de batalhas, em 550 a.C., os persas venceram na Batalha de Pasárgada, e o exército medo se recusou a obedecer a Astiages, levando à sua queda.[112] O Império Medo foi assim destruído. Ciro II depôs Astiages e o humilhou publicamente.[113]
Conquista pelos persas
Tanto Heródoto quanto Ctesias retratam o conflito medo-persa como uma longa rebelião liderada pelo rei persa Ciro II contra seu suserano medo. No entanto, a noção de suserania meda sobre a Pérsia carece de apoio em evidências contemporâneas. Segundo a Crônica de Nabonido, em 550 a.C., o rei medo Astíages marchou com suas tropas contra Ciro da Pérsia "para conquista". No entanto, seus próprios soldados se revoltaram, o capturaram e o entregaram a Ciro. Posteriormente, Ciro capturou a capital meda de Ecbatana. Os detalhes básicos deste relato se alinham com a narrativa detalhada de Heródoto. Que o confronto provavelmente foi mais longo do que a concisa entrada na crônica transmite é indicado por uma inscrição de Sipar onde o rei babilônico Nabonido parece se referir a um conflito entre persas e medos já em 553 a.C.[114]
Na narrativa de Heródoto, Ciro além de ser vassalo da Média era neto de Astíages. As fontes babilônicas não mencionam isso; elas se referem a Ciro apenas como "o rei de Ansã" (ou seja, da Pérsia), enquanto Astíages é chamado de "rei dos medos". Heródoto relata que o general medo Hárpago organizou uma conspiração contra Astíages e durante uma batalha ele desertou com grande parte das tropas para o lado de Ciro. Então o próprio Astíages comandou o exército na batalha, mas os medos foram derrotados e seu rei foi feito prisioneiro.[1] É possível que a causa mais profunda da rebelião do exército medo tenha sido a insatisfação com a política de Astíages. No século VI a.C., as tribos iranianas se tornaram cada vez mais estabelecidas, e seus chefes não eram mais como os primeiros chefes tribais, mas começaram a se comportar como reis. Quando Astíages começou a punir alguns desses chefes tribais, a revolta foi inevitável.[103]
Após a captura de Astíages, Ciro marchou para Ecbátana e levou os objetos de valor da cidade para Ansã.[1] Como a extensão do território controlado pelos medos é disputada, não se sabe exatamente o que Ciro conquistou com sua vitória.[114] Assumir o controle da Média pode ter implicado assumir o controle de estados vassalos como a Armênia, Capadócia, Pártia, Drangiana e Ária. Se Ciro foi neto de Astíages como Heródoto diz, então isso explicaria por que os medos aceitaram o seu reinado. Mas também é possível que a conexão entre Ciro e Astíages tenha sido inventada para justificar o governo persa sobre os medos.[115] Segundo Ctésias, Astíages tinha uma filha chamada Amitis, que era casada com Espitamas, que assim se tornou o sucessor presuntivo de seu sogro. Após matar Espitamas, Ciro teria se casado com Amitis para obter legitimidade. Embora a autenticidade do relato de Ctésias seja questionável, é muito provável que Ciro tenha se casado com uma filha do rei medo.[116]

Após a derrota de Astíages, o rei lídio Creso cruzou o rio Hális na esperança de expandir suas fronteiras para o leste. Isso resultou numa guerra, que levou a Lídia a ser conquistada pelos persas.[103] Posteriormente, Ciro conquistou a Babilônia, pondo fim a três potências do Oriente Próximo: Média, Lídia e Babilônia, em apenas uma década.[35] No Império Aquemênida, a Média manteve sua posição privilegiada, ocupando o segundo lugar, depois da própria Pérsia. A Média era uma província grande, e sua capital, Ecbátana, se tornou uma das capitais aquemênidas e a residência de verão dos reis persas.[1] O domínio persa na Média foi abalado por uma grande revolta no início do reinado de Dario, o Grande, que tomou o poder após assassinar o usurpador Gaumata. Esse evento foi seguido por uma série de rebeliões nas satrapias aquemênidas. Quando Dario suprimiu essas rebeliões e ficou na Babilônia, um certo Fraortes (ou Castariti) fez sua tentativa de conquistar o poder e restaurar a independência meda. Ele afirmou ser descendente de Ciaxares e assumiu o trono com o nome de Khshathrita; ele conseguiu apreender Ecbátana em dezembro de 522 a.C. Mais ou menos ao mesmo tempo, houve uma nova rebelião em Elão e houve rebeliões em províncias adjacentes, como Armênia, Assíria e Pártia. Na primavera, o líder persa invadiu a Média pelo oeste e, em maio de 521 a.C., derrotou Fraortes. A vitória persa foi completa, e Fraortes fugiu para a Pártia, mas foi capturado em Rages (atual Teerã). Posteriormente, o rei rebelde foi torturado e crucificado em Ecbátana. Após sua vitória, Dario poderia enviar tropas para a Armênia e para a Pártia, onde seus generais conseguiram derrotar os rebeldes restantes.[117] Um sagárcio chamado Tritantecmes, que também afirmava ser descendente de Ciaxares, deu continuidade a rebelião, mas também foi derrotado. Essa é última rebelião meda contra o domínio aquemênida. Após o fim do Império Aquemênida, a Média continuou a ter grande importância sob os posteriores impérios selêucida e parta.[118]
Sob domínio persa
Em 550 a.C., Ciro II da Pérsia derrotou seu avô Astiages e assumiu o poder. Um dos fatores decisivos para a vitória de Ciro foi o descontentamento dos nobres medos com a administração de Astiages. Assim, sobre as ruínas do Império Medo foi fundado o primeiro império persa, o Império Aquemênida.[119]
O historiador X. Khalili afirma: "Apesar de perderem o poder político, os medos, por possuírem uma cultura forte e criativa, não foram assimilados pela cultura persa. Pelo contrário, influenciaram-na profundamente. A formação do estado centralizado no Azerbaijão e o surgimento inicial dos turcos azerbaijanos ocorreram em um contexto de resistência à dominação política e cultural persa. A cultura Medo–Mana dominou a cultura persa em todos os aspectos."[120]
Apesar disso, os medos passaram a servir aos persas, que antes desprezavam. Iniciou-se um período de opressão e pilhagem. Ciro impôs pesados tributos aos medos e os subordinou dentro da nova estrutura imperial. Os persas passaram a ocupar posições superiores no exército e na administração, adaptando as leis e costumes ao seu modelo cultural, até mesmo alterando o Avesta, livro sagrado zoroastriano.[121]

Os medos resistiram à dominação e tentaram restaurar sua independência. A primeira rebelião ocorreu ainda durante o reinado de Ciro II, liderada por um general medo chamado Ciáxares, mas foi suprimida e Ecbátana reconquistada. Outra revolta importante aconteceu em 409 a.C., sob o governo de Dario II.[122] Entretanto, a resistência mais duradoura no território do atual Azerbaijão foi liderada pelos cadúsios, que habitavam a costa do mar Cáspio. Diversos reis aquemênidas lançaram campanhas para sufocar suas revoltas, muitas vezes com apoio dos caspeus, vizinhos de origem túrquica.[123][124]
Após a conquista persa, a Média foi dividida em duas satrapias: a chamada "Pequena Média", correspondente ao núcleo original medo (atual Azerbaijão) e a "Grande Média", composta pelos territórios conquistados. Durante o reinado de Dario I, a Grande Média tornou-se a XIª satrapia, enquanto a Pequena Média, incluindo regiões como Alardi, terras dos saspírios e partes da Armênia, formou a VIIIª satrapia.[125]
Perto do colapso do Império Aquemênida, os cadúsios e outras tribos montanhesas declararam independência. Armênia tornou-se uma satrapia separada. Contudo, a Assíria foi unificada com a Pequena Média numa única província administrativa. Por esse motivo, Xenofonte refere-se à Assíria como parte da Média em sua obra Anábase.[126]
Assim, foi sobre as ruínas do Império Medo que surgiu o Império Aquemênida, o primeiro império da história dominado pelos persas.[119]
Revolta de Qaumata
O motivo central dos épicos persas, a disputa Irã-Turã, e o início dos conflitos persas-turcos originaram-se da luta pelo poder entre a nobreza persa e medo, com frequentes golpes de Estado na corte do Império Persa, ora vitoriosos os persas, ora os medos. Uma dessas revoltas foi a célebre revolta de Qaumata (Qaumata). Apesar de dezenas de iranistas estudarem exaustivamente o papel dessa figura histórica no Império Persa, nenhum tentou definir sua etnia.
Heródoto relata essa disputa étnica pelo ponto de vista do segundo rei aquemênida, Cambises II (filho de Ciro I). Ao ouvir da revolta de Qaumata, Cambises convoca os nobres persas e diz: Predefinição:Citação início "Invocando os deuses que vingam os reis, digo a vocês o que devem fazer; especialmente a vocês, aquemênidas. Não permitam que o trono caia nas mãos dos medos, mesmo que o façam pela astúcia; se for à força, retomem à força com seus exércitos. Se obedecerem a isto, desejo que vossa terra produza fartura, vossas esposas gerem filhos e vossos rebanhos prosperem. Vivam sempre livres. Mas se não reconquistarem o trono, ou não tentarem, peço aos deuses que sofram calamidades e que todos os iranianos terminem como eu." Predefinição:Citação fim
No mês de março de 522 a.C., durante a campanha do Egito, o segundo rei aquemênida Cambises recebe a notícia de que seu irmão mais novo, com o nome Bardiya, um mago chamado Qaumata, havia iniciado uma revolta e usurpado o trono. Enquanto retornava às pressas, Cambises morreu misteriosamente no caminho. Qaumata assumiu o poder e transferiu a capital para Ecbátana. Assim, o trono voltou à dinastia medo. Sete meses depois, sete nobres persas tramaram um assassinato e mataram o mago durante a noite. Um deles, Dario I, foi escolhido rei e restaurou o poder aquemênida aos persas. Dario mandou gravar os eventos em três línguas (persa antigo, elamita e acádio) na rocha de Behistun. Heródoto e outros historiadores registram os acontecimentos com pequenas variações, refletindo os momentos críticos da luta Irã-Turã, que mais tarde ganhou contornos religiosos no Avesta.
Heródoto comenta que Smerdis (Qaumata) era muito amado pelo povo, pois fizera grandes benefícios; quando morreu, "exceto os persas, toda a Ásia chorou por ele".[127] Dario, que não teve coragem de enfrentá-lo abertamente, agiu como um assassino furtivo.[128] Após Qaumata, muitos territórios do império rebelaram-se contra Dario, numa revolta popular sem precedentes que varreu a Ásia Menor.
Entre os heróis de Dede Korkut está Kam-büre ("lobo sagrado"), e embora não diretamente envolvido, o nome de Bayındır Khan, respeitado líder de tribo e descendente do grande xamã Kam-qan (Kam Khan), é lembrado com reverência. Líderes oghuz consultavam Bayındır Khan e seguiam suas recomendações em assuntos estatais. Entre os bálios do estado huno de Átila, também existia um título Ata-Kam. Na região do Cáucaso Norte, o nome Kam-bulat foi usado por um governador Nogai (século XVII) e um príncipe de Kabarda.
O estudioso I. M. Dyakonov alerta que não se deve idealizar Qaumata,[129] enquanto M. A. Dandamayev afirma que, na verdade, não existiu tal rebelde chamado Qaumata. Porém, mesmo que se considere Heródoto um fabulador, não se pode explicar a inscrição trilingue deixada por Dario I que cita Qaumata.[130]
Entre os sete persas que mataram Qaumata, Dario é o mais astuto. Heródoto descreve-o claramente, narrando que Dario chantageava seus colegas para não adiar o assassinato: se não terminassem o trabalho naquela noite, ele próprio denunciaria à Qaumata.[131] Dario admitia que usava mentiras para conseguir acesso ao palácio, dizendo: Predefinição:Citação início "Direi que venho da Pérsia com notícias de meu pai para o rei. Onde a mentira é necessária, não devemos hesitar em mentir; seja mentira ou verdade, o objetivo é o mesmo." Predefinição:Citação fim
Dario e seis persas entraram secretamente no palácio e mataram Qaumata, trazendo os medos novamente sob o domínio aquemênida. Embora tenha havido revoltas subsequentes em vários territórios, a última grande rebelião medo foi derrotada por um exército poderoso. Ainda assim, cerca de 200 anos depois, a região medo de Atropatena se separou e tornou-se um estado independente.
Período helenístico
Segundo Arriano, após a conquista de todo o Império Aquemênida por Alexandre, o Grande em 330 a.C., em 328 a.C. Atropates, general de Dario III e de origem medo, foi nomeado novamente sátrapa da Média. Apesar de Alexandre depor todos os sátrapas persas, apenas Atropates foi mantido na posição devido à sua lealdade e recebeu autonomia interna.[132] Embora a Grande Média tenha sido incorporada ao domínio de Alexandre, a Pequena Média — atual Azerbaijão — preservou sua independência interna como vassala. Após a morte de Alexandre e início das lutas pelo poder entre seus sucessores, a Pequena Média permaneceu intacta e todas as tribos do Azerbaijão foram unificadas sob o governo de Atropates.[133]
Apesar de Ecbátana e toda a Grande Média terem passado para a dinastia Selêucida, em torno de 310 a.C., durante o reinado de Antíoco I, Atropates proclamou a independência da Pequena Média, fundando o estado de Atropatena, herdeiro étnico e cultural do antigo império medo e continuador de suas tradições estatais.[133]
Organização
| Governante | Período | Nota | |||
| *Heródoto | *George Cameron | *Edvin A. Grantovski | *I. M. Diakonoff | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Déjoces | 700−647 a.C. | 728−675 a.C. | 672−640 a.C. | 700−678 a.C. | Filho de Fraortes |
| Fraortes | 647−625 a.C. | 675−653 a.C. | 640−620 a.C. | 678−625 a.C. | Filho de Déjoces |
| Mádies | X | 653−625 a.C. | 635−615 a.C. | X | Governante interino cita |
| Ciaxares | 625−585 a.C. | 625−585 a.C. | 620−584 a.C. | 625−585 a.C. | Filho de Fraortes |
| Astíages | 585−550 a.C. | 585−550 a.C. | 584−550 a.C. | 585−550 a.C. | Filho de Ciaxares |
| Todas as estimativas cronológicas são da Enciclopédia Iranica (Média - Dinastia Meda) | |||||
Gerenciamento administrativo
Atualmente, não possuímos informações diretas sobre a estrutura política, econômica e social dos medos. No entanto, é provável que em muitos aspectos o sistema administrativo medo se assemelhava ao da Assíria, sob cuja influência os medos estiveram por um longo período. Alguns elementos do sistema administrativo introduzido pelos assírios podem ter persistido nas províncias medas mesmo após a queda da Assíria.[1] Em vez de ser uma monarquia centralizada, o Estado medo era mais como uma confederação com vários governantes. O sistema de governo medo favorecia uma estrutura piramidal de lealdade, onde pequenos governantes prestavam sua lealdade a um rei provincial, que por sua vez, devia lealdade à corte central em Ecbátana. Esse sistema lembrava em certa medida o sistema satrapal e feudal.[134] O exercício de autoridade sobre os vários povos, iranianos e não-iranianos, na forma de uma confederação está implícito no antigo título real iraniano, “rei dos reis”.[61]
Os discursos de Jeremias datados de 593 a.C. mencionam "reis da Média" no plural, junto com sátrapas e governadores. Heródoto dá essa caracterização da estrutura do reino medo (1, 134): "... um povo governava outro, mas os medos governavam sobre todos e especialmente sobre aqueles que habitavam mais perto deles, e esses governavam sobre seus vizinhos, e assim por diante".[102] É assumido por alguns estudiosos que a estrutura administrativa meda mais tarde tenha se tornado uma forma mais desenvolvida no sistema administrativo do Império Aquemênida.[135]
Provavelmente, nunca existiu um império medo strictu sensu.[136] E o termo “império” para se referir à entidade política que os medos construíram pode não ser adequado.[137] Segundo Andreas Fuchs, o reino medo era provavelmente apenas uma frouxa federação de chefes e reis do Irã ocidental cuja unidade era mantida por seus laços pessoais com o rei medo, que era menos um monarca absoluto do que um primeiro entre iguais. Isso se encaixa na descrição de outros governantes "que marcham ao lado" do rei medo mencionados em fontes babilônicas.[63] Maria Brosius visualiza a Média como um território de chefaturas que, entre 614 e 550 a.C., uniram suas forças militares sob um senhor da cidade, tendo Ecbátana como sua base de poder.[138]
Corte real

As informações disponíveis sobre a corte meda são muito limitadas e não totalmente confiáveis. Em sua descrição encantadora da juventude de Ciro II, Heródoto sugere que a corte meda incluía guarda-costas, mensageiros, o "olho do rei" (uma espécie de agente secreto) e construtores. Ctésias menciona o copeiro real como um dos cargos da corte meda. Ao fundar o Império Aquemênida, Ciro provavelmente continuou a organização e as práticas da corte meda, incluindo formas de etiqueta, cerimonial e protocolo diplomático que os medos, por sua vez, herdaram da Assíria.[139]
De acordo com Heródoto, assim que assumiu o trono, Déjoces ordenou que uma cidade-fortaleza fosse construída para ser sua capital; toda a autoridade governamental estava centralizada nesta cidade, Ecbátana.[59] Ele estabeleceu uma guarda real e um protocolo de corte muito rigoroso, de tal forma que os líderes das grandes famílias medas "o consideraram um ser de natureza diferente da deles".[48] Em circunstâncias normais, o monarca se mantinha isolado em seu palácio e ninguém poderia vê-lo, a menos que ele formalmente solicitasse uma audiência e fosse apresentado à presença real por um oficial. Ele estava cercado por guarda-costas para sua segurança pessoal e raramente deixava seu palácio, contentando-se com os relatórios do estado de seu reino que eram transmitidos a ele de vez em quando por seus oficiais.[69] Ninguém poderia rir ou cuspir diante da presença real, bem como na presença de qualquer outra pessoa, pois tal ato era considerado indigno e vergonhoso. Consolidada a autoridade real, Déjoces pôs-se a fazer justiça com toda severidade. Os processos lhe eram enviados por escrito; ele os julgava e os devolvia com a sentença.[140] Ele impôs a lei e a ordem introduzindo "observadores e ouvintes" em todo o seu reino, vigiando as ações de seus súditos.[59] Do mesmo modo como outros governantes orientais, o monarca medo tinha várias esposas e concubinas; e a poligamia era comumente praticada entre as classes mais ricas e proeminentes. As principais características da corte meda pode ter sido semelhantes ao da corte assíria.[69]
Os magos, segundo Heródoto, eram uma casta sacerdotal muito influente na corte considerados como pessoas honradas, tanto pelo rei, quanto pelo povo. Eles atuavam como intérpretes de sonhos, feiticeiros e conselheiros sobre diversos assuntos, inclusive os assuntos políticos. O cerimonial religioso estava sob sua responsabilidade, e provavelmente altos cargos de Estado foram concedidos a eles. A principal diversão da corte era a caça, que frequentemente ocorria em uma floresta onde se poderia encontrar leões, leopardos, ursos, javalis, jumentos selvagens, antílopes, gazelas, asnos selvagens e veados. Como de costume, esses animais eram perseguidos a cavalo e miravam-se neles com arco ou dardo.[69]
Exército
Sabe-se pouco sobre o exército medo, mas certamente ele desempenhou um papel importante na história meda.[69] No final do século VII a.C., os medos alcançaram notável progresso militar sob Ciaxares, que, segundo Heródoto, dividiu o exército em unidades especiais; soldados de infantaria, lanceiros, arqueiros e cavaleiros, pois os gêneros mistos anteriores levaram a confusão do exército no campo de batalha. Isso indica que antes de Ciaxares, os medos entraram em guerra em organização tribal - cada chefe trazendo e liderando sua infantaria e tropas montadas - e que o rei treinou as forças em um exército dividido em grupos táticos com armas unificadas. Os medos usavam a carruagem com menos frequência e contavam principalmente com a cavalaria equipada com cavalos niseanos. Seus equipamentos marciais eram a lança, o arco, a espada e a adaga. Seu país montanhoso e natureza guerreira contribuíram para o desenvolvimento de um traje adequado para cavalaria: calças justas geralmente feitas de couro com um cinto extra para colocar uma espada curta; uma túnica longa e justa de couro e um elmo redondo de feltro com abas nas bochechas e protetor de pescoço, que também pode cobrir a boca; e um manto longo variegado jogado sobre os ombros e preso ao peito com mangas vazias suspensas nas laterais. O traje medo rapidamente ganhou popularidade entre outros povos iranianos.[141] A presença de soldados medos nos palácios assírios evidentemente influenciou significativamente a reestruturação das táticas militares medas, adotando técnicas mais avançadas.[36] A cavalaria meda era altamente treinada e bem equipada, e teve um papel importante na batalha contra os assírios.[142]
Ocupando a segunda posição mais importante no Império Aquemênida, os medos pagavam menos tributos, mas forneciam mais soldados ao exército persa do que outros povos. Assim os medos compunham uma porção significativa do exército aquemênida, isso é evidenciado pelos relevos de Persépolis e por Heródoto, bem como pelo fato de que muitos generais medos, como Hárpago, Mazares e Dátis, serviram no exército persa.[141] Segundo Heródoto, durante as guerras greco-persas os soldados medos não diferiram muito dos persas. Ambos lutavam a cavalo e também a pé usando lanças, arcos e adagas, grandes escudos de vime e carregando as aljavas nas costas. As características do exército medo original, conforme indicado nas Escrituras Hebraicas e por Xenofonte, é mais simplista que a descrição de Heródoto. O exército medo aparenta ter sido baseado na arquearia a cavalo. Treinados desde a infância numa diversidade de exercícios equestres e no uso do arco, os medos procederam contra seus inimigos montados a cavalo, semelhante aos citas, e obtiveram suas vitórias sobretudo por sua destreza ao disparar flechas enquanto avançavam ou recuavam. Evidentemente o terror que os medos inspiravam surgiu de sua habilidade excepcional na arquearia.[69]
Economia

Os medos viviam um estilo de vida pastoral, com sua principal atividade econômica sendo criação de animais como gado, ovelhas, cabras, jumentos, mulas e cavalos. Este último era um dos principais prêmios cobiçado pelos assírios uma vez que os textos cuneiformes sobre as incursões assírias na Média mostram que os medos criavam uma excelente raça de cavalos. Em relevos assírios, os medos são às vezes representados usando o que parece serem capas de pele de ovelhas sobre as suas túnicas, e com botas altas com cordões, equipamento necessário para o trabalho pastoril nos planaltos, onde os invernos traziam neves e frio intenso. A evidência arqueológica mostra que os medos possuíam hábeis trabalhadores em bronze e ouro.[57]
O rico material arqueológico de Tepe Nus-i Jã, Godin Tepe e outros locais antigos, bem como relevos assírios, demonstram que na primeira metade do primeiro milênio a.C. existiram assentamentos do tipo urbano em várias regiões da Média, que eram centros de produção de artesanato e de uma economia agrícola e pecuária sedentária. Dos distritos medos, os assírios receberam tributo a cavalos, gado, ovelhas, camelos bactrianos, lápis-lazúli, bronze, ouro, prata e outros metais, além de tecidos de linho e lã.[1] Partes da Média eram ricas e produtivas, mas também havia muitas terras áridas. Nas regiões favorecidas da Média, como o Zagros e o Azerbaijão, o solo é quase todo cultivável e capaz de produzir uma excelente safra de grãos.[69] Ao sul do Cáspio há uma estreita faixa de solo fértil, onde a terra é coberta por uma densa floresta[57] que proporciona uma madeira de excelente qualidade.[69] A economia das aldeias se baseava em culturas como cevada, farro, pão de trigo, ervilhas, lentilhas e uvas. As montanhas generosamente arborizadas proporcionavam uma extensa gama de caça, mas a criação de animais continuava nobre; a amostra de ossos domésticos em Nus-i Jã inclui nove espécies, sendo as mais comuns ovelhas, cabras, porcos e gado. Há também indícios, inteiramente de acordo com a reputação milenar das pastagens da Média, de que a criação de cavalos acima mencionada desempenhava um papel significativo na economia local.[47]
Hilary Gopnik vê o Estado medo como uma "força econômica dominante" no controle das rotas comerciais do norte do Zagros nos séculos VII e VI a.C.[49] Sendo o povo mais poderoso no planalto iraniano na primeira metade do século VI a.C., os medos podem ter exigido tributo de povos como os persas, armênios, partas, drangianos e arianos.[115][76] A importância do tráfego da Média está principalmente relacionada ao controle de grande parte da rota leste-oeste que era conhecida na Idade Média como Rota da Seda. Essa rota ligava os mundos oriental e ocidental, e conectava a Média à Babilônia, Assíria, Armênia e ao Mediterrâneo no oeste, e à Pártia, Ária, Báctria, Sogdiana e China no leste. Outra estrada importante conectava Ecbátana com as capitais da Pérsia, Persépolis e Pasárgada. Além de controlar o comércio leste-oeste, a Média também era rica em produtos agrícolas. Os vales dos Zagros são férteis, e a Média era bem conhecida por suas plantas, ovelhas e cabras. O país poderia alimentar uma grande população e ostentava muitas aldeias e algumas cidades como Rages e Gabas.[35]
Os textos assírios mencionam cidades medas ricas, mas os saques registrados consistiam principalmente em armas, gado, jumentos, cavalos, camelos e ocasionalmente lápis-lazúli, obtido por meio do comércio medo mais a leste. Na época de sua unificação ou pouco depois, parece que os medos adquiriram meios para se abastecerem com riquezas mais substanciais. Isso é inferido por um trecho da "Crônica Babilônica" do século VI a.C., que menciona que o rei Ciro II levou prata, o ouro, bens, propriedades de Ecbátana como despojo para Ansã.[34]
Território
A extensão geográfica da Média é objeto de debate.[51] As fronteiras da Média mudaram gradualmente ao longo do tempo, resultando em uma extensão geográfica cujo detalhes precisos permanecem desconhecidos. O território original da Média, como era conhecido pelos assírios durante o período do último terço do século IX a.C. até o início do século VII a.C., era delimitado ao norte por Gizilbunda, localizada nas montanhas de Qaflankuh, ao norte da planície de Hamadã. A oeste e noroeste, a Média não se estendia além da planície de Hamadã e era delimitada pelas montanhas Zagros, exceto no sudoeste, onde a Média ocupava o vale de Zagros e sua fronteira se estendia até a cordilheira de Garrin, que a separava do reino de Elipi, localizado ao sul de Quermanxá. Ao sul, fazia fronteira com a região elamita de Simaški, que corresponde à atual província de Lorestão. A leste e sudeste, a Média parece ter sido delimitada pelo deserto de Cavir. Patusarra e o Monte Bicni provavelmente foram os territórios mais remotos da Média que os assírios penetraram durante sua maior expansão na segunda metade do século VIII a.C. e nas primeiras décadas do século VII a.C. Normalmente, os estudiosos identificam Bicni com o Monte Damavand, localizado a nordeste de Teerã. Outros estudiosos, no entanto, o identificam com o Monte Alvande, imediatamente a oeste de Hamadã. Se essa identificação estiver correta, significa que os assírios nunca cruzaram esta montanha e que todo o território medo que eles conquistaram ou conheciam ficava a oeste de Hamadã.[1] A evidência arqueológica disponível é limitada, mas o sítio mais a leste com cerâmica potencialmente meda é Tepe Ozbaki, situado a 75 km a oeste de Teerã; portanto, é provável que no leste a Média tenha se estendido pelo menos até lá.[51]
No século VI e depois, grande parte do norte do Irã e alguns territórios vizinhos foram atribuídos à Média. Isso foi o resultado das conquistas medas da segunda metade do século VII.[80] É comumente assumido que após a queda da Assíria no final do século VII a.C., os medos assumiram controle sobre uma vasta área estendendo das proximidades de Teerã, no leste, até o rio Hális, no oeste. Assim, o "Império Medo" teria governado sobre o Irã, a Armênia, o leste da Anatólia e o norte da Mesopotâmia, enquanto os babilônios controlaram o sul da Mesopotâmia e o Levante. No entanto, há dúvidas sobre essa assumida enorme expansão territorial.[96]
Pátria dos Maday
As fronteiras das regiões de povoamento original dos maday são objeto de debate entre os estudiosos. Fontes assírias indicam que os maday estavam localizados ao sudoeste das fronteiras dos mannaítas, ao noroeste da província de Parsua. Nessas fontes, a fronteira sul da área original de povoamento dos maday é indicada como sendo o Monte Bikni. A maioria dos pesquisadores identifica o Monte Bikni com o Monte Damavand, embora alguns também o localizem como sendo o Monte Alvand, próximo à cidade de Hamadan.
No entanto, considerando que Hamadan (antiga Ecbátana) era a capital do Estado medo, não parece verossímil que a capital estivesse situada junto à fronteira.[143]
O pesquisador Q. Qeybullayev escreve sobre as regiões iniciais de povoamento dos maday: "Nos primeiros tempos, a tribo maday viveu principalmente nas bacias do rio Kizilbunda (atualmente o Qızıl Üzən, no Azerbaijão Meridional). Após vários séculos de sangrentos confrontos com a Assíria, fundaram seu próprio Estado em 673 a.C."[144]
Apesar de haver diferentes opiniões entre os estudiosos sobre as fronteiras exatas das áreas de povoamento dos maday, todos os pesquisadores concordam em situá-las no território do Azerbaijão histórico. É geralmente aceito que os maday estavam entre as mais antigas tribos autóctones do Azerbaijão e desempenharam papel importante na formação étnica da população local, incluindo os atuais turcos azerbaijanos.[145]
Expansão meda
O rei medo Ciáxares (Kiaksar) tentou incorporar ao seu Estado as ricas terras da Lídia, localizadas a oeste até o rio Hális (atual Kızılırmak), bem como as cidades comerciais gregas, após submeter os persas, conquistar os territórios do Irã Oriental, destruir o poderoso Estado da Assíria, e subjugar Manna, Urartu e o reino dos citas.
Segundo Heródoto, a guerra contra a Lídia começou em 590 a.C. Durante a Batalha do Hális, em 28 de maio de 585 a.C., ocorreu um eclipse solar, que foi interpretado como um mau presságio por ambos os lados. A guerra foi interrompida, e um tratado de paz foi firmado, estabelecendo o rio Hális como fronteira entre a Mídia e a Lídia.
No mesmo ano do fim da guerra, morreu Ciáxares, considerado por Ésquilo como "o fundador da dominação sobre a Ásia". O território de seu Estado era vasto. Além do Reino da Mídia propriamente dito, incluía Manna, o Reino dos citas, Urartu, as regiões chamadas de "Siro-Mádia" (antigas províncias assírias como Zamua, Parsua, Kishshesu, Kharkhar etc.), os próprios territórios da Assíria (como mencionado por Xenofonte), bem como Hircânia, Pártia e todas as regiões orientais do Irã (segundo a tradição grega).
Assim, os limites do Estado medo estendiam-se desde a Ásia Central no leste até o rio Hális no oeste. Parte da fronteira norte do Estado passava próxima à região da Cólquida. É quase certo que partes do norte do Azerbaijão também estavam integradas ao Estado medo. Já havia pelo menos algumas das futuras satrapias mencionadas nas inscrições dos reis persas dentro dos domínios da Mídia.

De acordo com Heródoto, Fraortes expandiu o reino redo conquistando a Pérsia, que nesse momento provavelmente era um Estado relativamente pequeno ao sul da Média.[51] O evento é descrito como parte de uma ampla onda de conquistas, onde Fraortes e seus sucessores subjulgaram vários principados ao longo da cordilheira de Zagros.[48] No entanto, a ideia de que a Pérsia teria sido um "vassalo" da Média baseia-se apenas em fontes clássicas posteriores e é considerada bastante improvável por alguns estudiosos.[36][96] Aparentemente, os medos não compartilhavam uma fronteira direta com o território neoelamita. No período neoassírio, a principal entidade ao norte de Elão era o reino de Elipi, mas seu poder parece ter declinado, e por volta de 660 a.C. o reino desapareceu dos registros históricos. É possível que, talvez após a queda da Assíria, os medos e elamitas tenham preenchido o vácuo deixado por Elipi. Com base em fontes bíblicas, Zawadzki sugeriu que Elão caiu sob o domínio dos medos pois Elão teria sido enfraquecido após as campanhas assírias na década de 640 a.C. Dandamayev chegou a uma conclusão semelhante, mas com a aceitação de uma dominação babilônica antes. Interpretações de passagens de Jeremias (Jer. 49:34-38) e Ezequiel (Eze. 32:24-25), que sugerem que Elão foi subjugado, são difíceis e não são destinadas como declarações históricas precisas. Uma vez que as evidências textuais e arqueológicas do Irã não indicam uma dominação meda do Cuzistão e tanto as fontes bíblicas quanto babilônicas não mencionam explicitamente a supremacia da Média sobre Elão, a ideia enfrenta muito ceticismo.[136]
O reino medo provavelmente anexou Manai ao seu território após a derrota dos assírios em uma batalha em 616 a.C.[146] O envolvimento dos medos com a Assíria de 615 a 610 é marcada por três, talvez quatro, campanhas, cada uma concluída com o saque de uma cidade importante. A partida dos medos após cada conquista sugere uma falta de interesse no controle político sobre o coração do antigo Império Assírio. Julian Reade sugere que as províncias assírias dentro do Zagros, como Mazamua, e talvez as regiões de Tušhan e Šupria no Tigre superior, eram as únicas mais adequadas para a expansão meda devido à sua familiaridade com o território medo. No entanto, às vezes é sugerido que os medos assumiram o controle do coração assírio, conforme afirmado por fontes gregas posteriores. Heródoto (1, 106), escrevendo por volta de 450 a.C., relata que Ciaxares conquistou toda a Assíria; o que quer que tenha sido entendido por Assíria nesse contexto. Ctésias, por volta de 400 a.C., menciona o reassentamento de Nínive sob o domínio medo. Xenofonte, que viajou pelo país em 401 a.C., considera a Assíria metropolitana como parte da Média. Ele chegou a dizer que Ninrude e Nínive eram antigas cidades medas conquistadas pelos Persas. A relevância dessas informações para a situação no século VI a.C. é duvidosa. A Crônica Babilônica registra que em 547 a.C., o rei persa Ciro passou por Arbela (atual Erbil) a caminho de atacar um reino cujo nome está danificado, mas que frequentemente se supõe que tenha sido a Lídia.[79] Foi argumentado que a travessia do Tigre a jusante de Arbela é uma evidência de que esta região em direção ao Baixo Zabe estava sob controle dos persas, indicando um controle medo anterior da região, enquanto o território ao sul deste rio era babilônico. No entanto, é possível que a Crônica apenas mencione a rota tomada por Ciro porque ele estava passando por território babilônico, com ou sem permissão.[147][79] A identificação de Xenofonte da margem leste do Tigre ao norte de Bagdá como 'Média' e a menção de Heródoto à região baixa de Matiene (5. 52. 5) permanecem questionáveis em termos de controle histórico medo a oeste do Zagros. A principal evidência da presença meda nas planícies da Mesopotâmia após 610 a.C. gira em torno de Harã. As inscrições de Nabonido indicam que a cidade estava vulnerável a incursões dos medos na década de 550 a.C., embora isso possa ter ocorrido em outros períodos também.[97] Os medos são descritos por Nabonido como responsáveis pela destruição do Ehulhul em Harã e como um impedimento ao seu desejado trabalho de reconstrução lá. Isso sugere que os medos controlavam o templo e, portanto, Harã. No entanto, a Crônica Babilônica registra a conquista de Harã em 610 a.C. e implica controle babilônico na cidade. Alguns estudiosos favorecem a versão da crônica, enfatizando os elementos propagandísticos das inscrições de Nabonido.[49][96] Em 550 a.C., Ciro conquistou Gutium, o que sugere que havia uma região no Zagros Ocidental que não estava sob controle medo nesse período, embora a localização exata de Gutium permaneça desconhecida. O papel de Ugbaru de Gutium como apoiador de Ciro pode decorrer de Gutium ter rejeitado recentemente a autoridade meda.[97]
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Segundo Heródoto, o controle medo no oeste se estendeu até o rio Hális, onde eles teriam compartilhado uma fronteira com os lídios. Ao contrário do problema de quem detinha o controle político sobre Harã, não há fontes contemporâneas que atestem uma presença meda se estendendo até o rio Hális.[96] O historiador Robert Rollinger reconhece uma guerra lido-meda. No entanto, ele questiona a fronteira do Hális, apontando para descrição errônea do curso do rio dada por Heródoto e a ausência de detalhes históricos na sua narrativa explicando como o Hális se tornou a fronteira entre os domínios lídios e medos.[96] Ele admite que os medos podem ter estado na Anatólia por um breve período de tempo e até mesmo concluído um tratado com os lídios, mas desconsidera que houve controle medo permanente na Anatólia oriental e central no século VI a.C.[148] O fim do reino de Urartu permanece obscuro devido à ausência de fontes escritas após os anos quarenta do século VII a.C. No entanto, parece haver um consenso de que o reino foi destruído pelos medos visto que a fronteira no Hális é aceita por muitos estudiosos.[96] A destruição de Urartu por forças externas tem sido convencionalmente datada por volta de 590 a.C., com base em referências na Bíblia Hebraica e nas crônicas babilônicas. S. Kroll, no entanto, observou que os textos relevantes podem se referir a uma região geográfica em vez de um Estado político, e ele sugere que o Estado urartiano se desintegrou por volta de 640 a.C. após uma invasão cita.[149] Sem nenhuma estrutura regional para resistir a incursões militares, os babilônios invadiram Urartu em 608-607 a.C., e talvez em 609 a.C., e mais tarde os medos devem ter afirmado sua autoridade sobre a região.[97] A Crônica de Nabonido relata uma campanha de Ciro, o Grande, em 547 a.C. para uma terra cujo nome está danificado no texto e apenas o primeiro caractere ainda é reconhecível. Embora seja debatido, a interpretação predominante o identifica como Lídia, lendo o caractere danificado como Lu-. No entanto, Joachim Oelsner identificou o sinal como Ú, o primeiro sinal de Urartu. É provável que Ciro, após conquistar a Média em 550 a.C., tenha passado vários anos estabelecendo seu poder sobre regiões que antes estavam sob controle medo como Urartu.[150] No entanto, considerando a visão da fragilidade do poder medo em sua ala ocidental e as dúvidas sobre a existência de um Império Medo, Rollinger conclui que Urartu provavelmente sobreviveu apenas para ser conquistado por Ciro. Mas pode ter havido um período de supremacia ou suserania meda, já que a inscrição de Beistum trata as revoltas no primeiro ano do reinado de Dario nessa região como parte das revoltas na Média, dividindo a 'Média' em pelo menos três partes: Média propriamente dita, Sagárcia e Urartu (Armênia).[147]
Heródoto e Ctésias sugerem que a autoridade meda se estendeu para o leste além dos Zagros, mas a extensão exata do domínio dos medos a leste permanece incerta. Ao ler a inscrição de Beistum de Dario para reconstruir uma Média que, sob Astíages, abrangia Média, Armênia e Sagárcia, parece razoável, mas a inscrição diferencia regiões orientais que muitos postulariam como tendo estado sob autoridade meda com base em fontes clássicas.[43] Pártia e Hircânia, por exemplo, são tratadas como entidades separadas.[97] Muitas áreas orientais que aparecem como partes do Império Aquemênida na inscrição de Beistum encontram pouca ou nenhuma menção nas fontes relevantes para a história política dos cinquenta anos anteriores, por exemplo, Ária, Drangiana e Aracósia, entre outras. Permanece desconhecido como e quando essas áreas foram incorporadas ao Império Persa.[43] Uma lista aquemênida inicial coloca a Média na décima posição, seguida por Armênia, Capadócia e províncias iranianas orientais (Pártia, Drangiana, Ária, etc.). A inclusão da Armênia e Capadócia em uma seção que começa com Média e depois se estende para o leste pode ser interpretada como uma indicação da antiga extensão territorial dos medos.[97] Segundo Ctésias, a vitória de Ciro sobre Astíages levou à submissão dos hircânios, partas, citas e bactrianos ao rei persa.[43] Segundo Heródoto, quando Ciro conquistou a Média, ele se deparou a leste com a missão de conquistar os masságetas, um povo nômade da Ásia Central, e Báctria (no atual Tajiquistão e norte do Afeganistão). Isso sugere que as regiões situadas mais a oeste, Hircânia, Pártia, Ária, Drangiana, já deviam pertencer aos medos. O fato de que durante as revoltas de 522 a.C. a Hircânia e a Pártia apoiaram o rebelde medo Fraortes também pode apontar para um controle anterior dos medos nessas regiões.[102]
De acordo com uma estimativa, a área do Império Medo pode ter abrangido um território de pouco mais de 2.800.000 km² tornando-o um dos maiores impérios da história,[151] mas é possível que nunca tenha ultrapassado o tamanho do Império Neoassírio, que em seu auge cobria 1.400.000 km².[152] Uma reavaliação recente das evidências históricas, tanto arqueológicas quanto textuais, levou estudiosos modernos a questionar noções anteriores sobre a extensão territorial dos medos. Assim, alguns estudiosos começaram a retirar da composição do “Império Medo” muitas de suas supostas “províncias” e “reinos dependentes”, como a Pérsia, Elão, Assíria, norte da Síria, Armênia, Capadócia, Drangiana, Pártia e Ária.[49] Assim, a influência e extensão territorial do Estado medo começou a se limitar ao território adjacente à de Ecbátana.[153][154]
Administração e estrutura interna
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Acredita-se que a estrutura administrativa do Estado medo foi uma forma desenvolvida do sistema Assírio-Urartu, posteriormente refletida no modelo da monarquia aquemênida. Os chamados sátrapas, que chefiavam a administração, justiça e sistema financeiro, teriam competências semelhantes às dos governadores provinciais assírios (bēl pihāti, pihātu).[155]
De fato, os sátrapas medos eram versões apenas ligeiramente diferentes dos "governadores" da Assíria e Urartu.
Na Bíblia e em outras fontes do Antigo Oriente, menciona-se o "rei da Média" e os "reis auxiliares", ou ainda os "reis vassalos" do rei medo — o que indica que os sátrapas poderiam ser governantes subordinados ou vassalos.[156]
Apesar de sua existência ter durado apenas cerca de 60 a 80 anos (final do século VII a.C. até a primeira metade do século VI a.C.), a criação do Estado medo teve importância incontestável para a história das tribos e povos do planalto iraniano e do Oriente Próximo.[157]
A base produtiva do Estado medo estava centrada principalmente nos membros livres das comunidades. Cada cidadão livre era também um guerreiro. Essa característica era uma das principais fontes de força da sociedade meda. Ciáxares baseou-se justamente nesse modelo para iniciar suas campanhas expansionistas.
A partir das grandes guerras de conquista conduzidas por Ciáxares, os medos estabeleceram contato com as antigas culturas do Oriente. Apesar de breve, esse contato fez da Média uma das potências mais relevantes da Ásia Ocidental. O contato com sociedades já hierarquizadas acelerou o colapso das estruturas patriarcais da sociedade medo.

As influências culturais de sociedades mais desenvolvidas corroíam rapidamente os pilares sobre os quais se sustentava o poder medo. A diferença entre os membros livres das comunidades e a nobreza intensificou-se, surgindo uma elite aristocrática. A exploração dos camponeses livres aumentou, e o uso do trabalho escravo ganhou peso na economia. Escravos eram empregados não apenas nas propriedades reais (como relatado por Heródoto), mas também nas propriedades dos nobres e nas terras dos templos. Polieno já menciona a existência de propriedades templárias na época de Deioces.[157]
Os magos — sacerdotes do zoroastrismo — formavam uma força poderosa na sociedade medo, ao lado da aristocracia. O Avesta informa que os magos possuíam vastas terras desde tempos antigos. Dotados de grande riqueza e prestígio popular, tornaram-se uma classe organizada com capacidade de influenciar as decisões políticas internas e externas dos governantes.
Essas transformações internas provocaram o colapso da estrutura social tradicional. O sistema patriarcal foi rapidamente substituído por relações sociais de tipo classista. O Estado medo iniciou uma transição de uma organização tribal e militar-democrática para um Estado típico do Antigo Oriente.
Segundo Heródoto, a luta de classes já existia na sociedade medo mesmo antes da formação do Estado. O profeta Isaías também testemunha que, nos primeiros tempos, os medos "não davam valor à prata nem cobiçavam o ouro", sugerindo um estágio ainda inicial de desenvolvimento.[158]
Apesar de as campanhas militares expansionistas inicialmente fortalecerem a Média e tornarem-na um poderoso Estado escravista, essas mesmas guerras acabaram acelerando seu colapso. Não há dúvida quanto à relevância do Estado medo e seu legado cultural, político e religioso.
Mesmo existindo por pouco tempo, a Média influenciou diversas tribos e povos muito além dos limites do planalto iraniano. Tornou-se um centro cultural e religioso do mundo iraniano. Estrabão escreveu: "Os medos foram os precursores dos armênios e, anteriormente, dos persas, seus reis e seus costumes de domínio na Ásia."[159]
O período medo marcou conquistas e transformações significativas na história das tribos do Azerbaijão Meridional. Os magos medos exerceram papel especialmente relevante na vida religiosa das populações do Irã e do Azerbaijão Meridional.
População
O Reino da Média foi fundado e governado principalmente pelo povo medos. A maioria dos iranólogos europeus e russos presume que os medos eram um povo de língua iraniana.[160][161][162][163][164][165][166][167][168]
Alguns autores generalizam os conceitos de "medos" e "habitantes da Média", assumindo que todos os medos falavam línguas iranianas. Palavras dialetais distintas do persa oficial da época, mas pertencentes ao ramo iraniano, são por vezes chamadas de *medismos*, apontadas como prova da origem iraniana dos medos.[169]
O historiador Qiyasaddin Qeybullayev argumenta que: "Se por medos entendemos todos os habitantes do Império Medo, então havia certamente iranófonos — antecessores dos atuais persas, curdos, talis, gileques, tates e outros. Porém, em nenhum período a população iranófona foi majoritária nos territórios da Média, Aquemênidas ou Sassânidas. Se o termo 'medos' se refere apenas aos portadores do etnônimo 'mada', então não se pode afirmar que fossem iranófonos."[170]
A obra *História do Azerbaijão* (vol. I) afirma: "As tribos da Média não eram iranófonas; somente após a conquista da Média pelos persas houve certo grau de assimilação linguística… Durante o reinado de Fraortes, os medos submeteram o reino de Manna, que caiu. O conceito de 'medos' passou a abranger também os mannas e outras tribos da região sul do atual Azerbaijão."[171]
O historiador Igrar Aliyev, por sua vez, citando E. A. Grantovski em seu estudo sobre Atropatena, afirma que havia significativos elementos iranófonos no reino de Manna, e que a população da Atropatena era majoritariamente iranófona.[172]
A pesquisadora S. Kasumova utilizou o termo "dialetos iranianos da antiga Média" para se referir à linguagem falada no sul do Azerbaijão entre os séculos III e VII.[173] A ideia de que o idioma azeri pertencia a um ramo iraniano é baseada nessas análises.
Essa hipótese se baseia em relatos do cronista árabe do século X, Iacute de Hama, que escreveu: "Os habitantes das cidades e regiões do Azerbaijão eram uma mistura de persas azeris e os antigos javidânidas da cidade de al-Bazz onde viveu Babak Khorramdin."[174] Qeybullayev argumenta que o trecho não afirma que todos os habitantes da Atropatena falavam azeri, e que as evidências sobre o azeri iraniano são restritas ao nordeste da região, como o distrito de Ardabil.[175]
O historiador X. Khalili afirma: "Todas as fontes e pesquisas apontam que a cultura material e espiritual dos medos era claramente distinta da dos persas — superior, inclusive. Os persas, como recém-chegados, absorveram a cultura dos medos. Após a queda dos aquemênidas, os persas foram subjugados, enquanto os medos conquistaram independência e fundaram um Estado próprio. Nesse processo, o nome do país e do povo mudou de Média para Atropatena."[176]
Período moderno inicial
Durante o período moderno inicial, aproximadamente de 1500 a 1800, os impérios passaram por significativa expansão territorial, impulsionada por novos métodos de navegação, avanços tecnológicos e motivações comerciais, religiosas e políticas. Esse período marcou o início da colonização global por potências europeias.
O Império Espanhol e o Império Português foram os pioneiros da expansão ultramarina, estabelecendo vastas redes coloniais na América, África, Ásia e Oceania. O Império Espanhol foi o primeiro a ser descrito como "o império no qual o sol nunca se põe". A competição entre os impérios coloniais europeus levou ao surgimento e expansão de outras potências, como o Império Britânico, o Império Francês, o Império Neerlandês e o Império Russo.
O Império Otomano, com base em Istambul, controlava vastas porções do sudeste europeu, oeste asiático e norte da África. No sul da Ásia, o Império Mogol consolidou sua hegemonia sobre o subcontinente indiano, sendo notável por sua riqueza cultural e arquitetura monumental, como o Taj Mahal.
Na China, o Império Qing sucedeu à dinastia Ming e expandiu significativamente as fronteiras do país, tornando-se uma das maiores potências territoriais da época. No Japão, o Xogunato Tokugawa estabeleceu um sistema centralizado de poder, embora tecnicamente sob o Imperador, que levou a um período de paz e isolamento relativo.
O período moderno inicial também viu o crescimento das economias mercantilistas e o desenvolvimento de companhias comerciais como a Companhia Britânica das Índias Orientais e a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais, que agiam como braços imperialistas dos respectivos estados.
Este período pavimentou o caminho para o imperialismo moderno e para os impérios globais do século XIX.
Dinastia governante
A dinastia que governou a Média está documentada em fontes antigas como Heródoto e registros assírios. Os principais monarcas incluem Deyoces, Fraortes, Ciaxares e Astíages. A linhagem teria conexões diplomáticas e matrimoniais com outras casas reais do Oriente Próximo, incluindo os babilônios, lídios e persas.
Historicidade
Até o final do século XX, os estudiosos geralmente concordavam que o colapso do Império Assírio foi seguido pela ascensão de um império medo. Dizia-se que o Império Medo se assemelhava ao posterior Império Aquemênida e governava uma vasta porção do antigo Oriente Próximo por meio século, até seu último rei, Astíages, ser derrubado por seu próprio vassalo, Ciro, o Grande.[5] Em 1988, 1994 e 1995, a historiadora Heleen Sancisi-Weerdenburg questionou a existência de um Império Medo como uma entidade política possuidora de estruturas comparáveis às dos Impérios Neoassírio, Neobabilônico ou Aquemênida. Ela lançou dúvidas sobre a validade geral de nossa fonte mais importante, ou seja, Medikos Logos de Heródoto, e apontou para lacunas nas fontes não-clássicas, principalmente para a primeira metade do século VI a.C.[96][147] Sancisi-Weerdenburg também destacou que praticamente apenas fontes clássicas gregas foram usadas pela historiografia moderna para construir a história meda, e que as fontes do antigo Oriente Próximo foram quase completamente ignoradas.[177] Ela argumentou que não há evidências diretas ou indiretas substanciais, não provenientes de Heródoto, que sustentem a existência de um Império Medo, e que tal império é uma construção grega a partir de poucos dados disponíveis via Babilônia.[97] Em 2001, foi realizado um simpósio internacional em Pádua, Itália, focado no problema do Império Medo. Não foi alcançado um consenso sobre a existência de um Império Medo, mas foi geralmente acordado que não há prova conclusiva para sua existência. A discussão persiste até o presente.[177][147][178]
Em torno de 650 a.C., as informações sobre as províncias assírias nos Zagros foram consideravelmente reduzidas, e as fontes assírias não mencionam mais os medos. Quando os medos reaparecem nos registros contemporâneos em 615 a.C., eles estão atacando a Assíria. Não há indicação de como Ciaxares trouxe uma força meda unificada para um uso tão eficaz e devastador. Atualmente existem dois pontos de vista acadêmicos contrastantes: a perspectiva tradicional vê Ciaxares como o rei de um Estado medo unificado que confrontou a Assíria como uma potência igual, enquanto a visão alternativa considera os medos como uma força militar que contribuiu para a queda da Assíria, mas carecia de coesão política.[49] A ausência de evidências assírias relevantes após 650 a.C. não descarta a existência de uma autoridade meda mais ampla centrada em Ecbátana. Algumas teorias sugerem que as demandas tributárias e a exploração comercial ao longo da Grande Estrada de Coração podem ter contribuído para o acúmulo de riqueza pelos chefes medos, levando um indivíduo ambicioso a buscar autoridade mais ampla. Alternativamente, conflitos entre chefes medos levaram à intervenção assíria convidada em 676 a.C. e o juramento de fidelidade em 672 a.C. As preocupações assírias com ameaças potenciais dos medos, citas e cimérios durante esse período podem ter criado uma oportunidade para o surgimento de um líder dominante. O ataque à Assíria de 615 a 610 a.C. provavelmente desempenhou um papel crucial na consolidação da autoridade desse líder.[97] David Stronach afirma que não há motivos suficientes para postular a existência de um reino medo robusto, independente e unificado em qualquer data antes de 615 a.C. No entanto, ele discorda de estender essa avaliação negativa para o período de 615 até meados do século VI.[51] Para o período de 615 a 550 a.C. as fontes babilônicas contêm duas informações importantes que estão de acordo com o relato de Heródoto: em 615-610 a.C., os medos, unidos sob a liderança de Ciaxares, destruíram as capitais assírias; em 550 a.C., o exército medo, sob a liderança de Astíages, desertou para rei persa Ciro, o que foi seguido pela conquista de Ecbátana. Assim, o início e o fim de um reino medo independente parece está presente, embora a natureza de tal reino não é necessariamente igual à descrita por Heródoto como um verdadeiro império prenunciando o Império Aquemênida.[36] É provável que um reino medo unificado tenha exercido controle sobre uma parte significativa do norte do Irã, pelo menos na primeira metade do século VI a.C. No entanto, alguns estudiosos também levantaram dúvidas sobre a existência de um reino medo unificado e de curta duração.[5] O historiador Mario Liverani propôs que não houve transição de senhores da cidade para governantes regionais ou reis, mas sim uma breve unificação sob um rei medo principal, especificamente para confrontar uma Assíria enfraquecida na década de 610 a.C., seguida por um rápido retorno ao status quo anterior.[44][36] Esta visão, no entanto, não é amplamente apoiada.[51][5]
Enquanto alguns estudiosos ainda consideram a Média um poderoso e estruturado império que teria influenciado o Império Aquemênida,[153] a existência de tal império ainda carece de evidências arqueológicas concretas.[148] Outros estudiosos consideram o Império Medo uma ficção criada por Heródoto para preencher uma lacuna entre o Império Assírio e o Império Persa em sua visão de uma sequência de impérios orientais.[153][96][36] Karen Radner conclui que, sem Heródoto e a tradição grega, é "altamente duvidoso" que os pesquisadores modernos postulariam a existência de um Império Medo. Heleen Sancisi-Weerdenburg expressou esse ponto de vista ao dizer que "o Império Medo existe para nós porque Heródoto diz que existiu".[58] Uma visão alternativa à noção de um império medo propõe uma frouxa confederação de tribos capazes de causar efeitos devastadores, como a conquista da Assíria, mas sem as estruturas, mecanismos e burocracias de controle imperial centralizado.[37][43] Essa confederação operaria por meio de alianças e dependências frouxas, impulsionadas por metas e ambições momentaneamente sobrepostas. Se alguma autoridade organizada e estável existisse, provavelmente estaria centrada na região central de Zagros, entre o Lago Urmia e Elão. A hipótese é sustentável e plausível, mas permanece uma probabilidade, uma vez que a evidência textual não é conclusiva.[148] Embora a evidência arqueológica apoie muitos dos julgamentos baseados em fontes textuais, pelo menos para o período até aproximadamente 650, ainda há incerteza suficiente para o período após 650 a.C. A reconsideração dos medos como uma confederação ou coalizão, em vez de um império "tradicional", se alinha com as evidências limitadas, mas tal reconsideração não necessariamente desvaloriza sua importância na história do Oriente Próximo.[43]
Segundo Matt Waters, a evidência existente mostra um rei medo exercendo influência ou autoridade diretamente ou indiretamente sobre muitos povos por meio de um sistema de governo hierárquico e informal, sem a existência de um "Império Medo" formal, ou seja, uma estrutura centralizada e burocrática.[44] Nos anos 590 a.C., Jeremias menciona 'os reis dos medos' (51:11) e 'os reis dos medos, seus vice-reis (pechah), todos os seus governadores (sagan) e todas as terras (eretz) de seus domínios (memshalah)' (51:27-28). A pluralidade de "reis" é impressionante (embora a Septuaginta use o singular “rei”); se o fato de que Jeremias (25:25) também lista "todos os reis de Elão e da Média" entre as nações condenadas mostra que o plural e o singular são simplesmente retoricamente intercambiáveis é discutível. A possível explicação pode ser encontrada nas referências de Nabonido aos "Ummān-manda, seu país e os reis que marcham ao lado deles". Nabonido está apontando para uma ameaça unitária, composta por componentes que incluem uma pluralidade de reis. A fórmula de Jeremias pode ser uma maneira alternativa de expressar isso, especialmente porque o profeta hebreu não está preocupado com as complexidades da situação. As descrições de Nabonido e Jeremias são consistentes com a descrição do domínio medo por Heródoto em 1.134:[97]
| “ | Quando os medos dominavam, da mesma forma as nações governavam umas às outras. Os medos governavam todos juntos e (diretamente) aqueles que viviam mais próximos; e estes, por sua vez, governavam seus vizinhos e assim por diante, seguindo o mesmo princípio pelo qual os persas estimam os outros. Assim, de fato, progrediu, cada nação governando e governando (seu vizinho). | ” |
Religião
Já nos primeiros séculos do I milênio a.C., os conceitos religiosos dos medos estabelecidos no Azerbaijão do Sul e no Curdistão Iraniano são revelados por meio de materiais onomásticos; especialmente, os nomes de governantes e divindades mencionados nos textos de Assíria. Posteriormente, as escavações arqueológicas realizadas na antiga Média revelaram templos relacionados a essas crenças.
A onomástica da região, datada dos séculos IX–VIII a.C., apresenta conceitos mazdaicos específicos, o que sugere aos estudiosos a difusão do mazdaísmo ou de alguns de seus ensinamentos nos territórios da Média e adjacências a oeste.
Porém, especialistas encontram dificuldades em afirmar até que ponto esse mazdaísmo inicial corresponde ao zoroastrismo mazdaico (mais precisamente, ao mazdeísmo) refletido no Avesta.[179]
As concepções religiosas dos medos coincidem com aspectos expressos no "Videvdat", refletindo crenças originárias das províncias do oeste do Irã (mais precisamente no Azerbaijão do Sul). Acredita-se que os compiladores do Videvdat fossem magos medos. Diógenes Laércio relata que, segundo os magos, o fogo, a terra e a água são divindades. Assim como no zoroastrismo inicial, o culto idolátrico era desconhecido para eles; os magos não reconheciam representações divinas.
Ainda no início do I milênio a.C., as províncias do Irã Ocidental (Azerbaijão do Sul) praticavam a adoração do fogo. Os templos do culto do fogo, como o templo medo em Nushi-Çantepe (datado do século VIII a.C.), confirmam isso.
Além das crenças e mitologia, a cultura espiritual dos medos também valorizava a criação épica. Sabe-se que, já em tempos antigos, na Anatólia, existiam diversas obras épicas cujos enredos frequentemente se relacionavam com mitos.
Politeísmo
Os sistemas religiosos dos medos destacam-se como elemento característico da sua ideologia. A história religiosa da Média divide-se em três fases principais.[180]
No primeiro período, não existia um sistema religioso unificado obrigatório para todas as tribos medas. Entre os medos difundiram-se várias doutrinas religiosas que, em parte, se refletem no Avesta e que, em períodos posteriores, persistiram como doutrinas "heréticas". A natureza religiosa das tribos medas baseava-se no politeísmo, culto a forças naturais.
A primeira fase corresponde ao período anterior ao século VII a.C.; a segunda, aos séculos VII a.C. e VI–V a.C.; a terceira teve início na segunda metade do século V a.C.[181]
Na primeira fase, as doutrinas de Zoroastro ainda não haviam emergido. Nos séculos IX–VIII a.C., prevaleciam as crenças religiosas das tribos medas do norte — kutilos, lulubis, cassitas — fortemente influenciadas pela visão de mundo suméria. Até as crenças religiosas babilônicas influenciaram a cultura meda.
Uma região central da Média recebeu o nome Bit-Ištar ("Casa de Ištar"), em referência à deusa suméria da fertilidade, amor e prosperidade, Ištar. Durante ataques assírios, na proximidade da futura capital média, Ecbatana, foram encontradas crenças relacionadas ao deus babilônico Marduk, já enraizadas entre os medos. Governantes originários da Média Ocidental frequentemente portavam nomes divinos sumérios.
A influência da cultura e crenças religiosas sumérias e assírias sobre a Média Ocidental foi forte nesse período.[182]
Nos séculos IX–VIII a.C., as tribos medas cultuavam Ahura ("governante", "espírito") Mazdā ("muito sábio", "memorioso") — um deus benevolente e salvador. Sua religião politeísta incluía o culto a espíritos tribais (devas). Diferentes tribos adoravam espíritos divinos e benéficos. A veneração do totem serpente entre os medos e a crença de que os medos eram "nascidos da serpente"[183] são produtos desse período. Contudo, na segunda fase, os medos partidários de Zoroastro tornaram-se inimigos ferrenhos das antigas crenças nos totems, inclusive a serpente. Nesta fase, entre as tribos medas difundiram-se narrativas mitológicas e poéticas, incluindo hinos ao deus solar Mitra (Mehr), que Zoroastro incorporou em sua poesia religiosa, representando-o como defensor pacífico dos lares e inimigo dos causadores de desgraças.[184] As divindades da fertilidade, crescimento e água, como Anahita, e o culto a vários deuses tribais totêmicos também pertencem a essa fase.
Zoroastrismo
Na segunda fase, nos séculos VII–VI a.C., a Média torna-se um centro cultural e religioso do Oriente Próximo. Entre os séculos VI e finais do IV a.C., o livro sagrado do zoroastrismo, o Avesta, foi escrito em escrita aramaica.[185] Alguns pesquisadores supõem que este livro tenha sido escrito na região de Atropatena, na Média Superior, em idioma médio, pelo profeta Zoroastro e seus discípulos, sofrendo múltiplas revisões posteriores.[186]
No século VI a.C., Zoroastro surgiu como profeta e fundador do Zoroastrismo. Ele aboliu o politeísmo tribal meda, promovendo o monoteísmo. Zoroastro preservou o deus tribal antigo Ahura Mazda como o único deus supremo, "governante muito sábio" (kamalidövlə). Ele desqualificou os antigos deuses tribais e espíritos benéficos (devas) como espíritos malignos, "demônios do mal". Alguns "devas" foram mantidos, mas perderam independência e passaram a ser executores das múltiplas funções de Ahura Mazda, como Rtiš (justiça), Vohu Manah (pensamento benevolente e moral), Armaiti (terra) e Xšaθra Vairya (outros assuntos). Posteriormente, estes executores foram agrupados e chamados de "imortais santos" (Dinastia Aquemênida os denominava "Ameša Spenta").[187]
O princípio moral supremo do Zoroastrismo era obedecer à lei sagrada e às regras sociais, denominado no Avesta de "o maior bem — Aša". Segundo Zoroastro, a maior bondade consiste no trabalho sobre a terra, o esforço laborioso. Este esforço era considerado a principal forma de obediência à lei, ou Aša, que representa a atividade de Ahura Mazda. Zoroastro exigia respeito, amor e valorização ao trabalho pacífico dos agricultores.[188]
A moral de Zoroastro refletia as crenças morais antigas dos agricultores e pastores do Azerbaijão. O Avesta relata que "Zoroastro, devido às suas ideias sobre reforma agrária, foi perseguido pelos grandes proprietários, ricos e sacerdotes; ele teve que fugir de sua cidade natal, Raga (Rei) na Média; seus bens foram confiscados, e ele foi declarado fora da lei".[189]
Após a conquista da Média pelos aquemênidas (550–331 a.C.), os reis persas utilizaram o zoroastrismo para manter o povo sob seu controle, adaptando-o aos seus interesses políticos. Os primeiros reis aquemênidas, Dario I (552–486 a.C.) e Xerxes I (485–465 a.C.), adotaram parcialmente as reformas religiosas de Zoroastro e reconheceram Ahura Mazda como único deus.
Xerxes proibiu as crenças tribais antigas e destruiu templos de divindades antigas como Mitra, Anahita e Verethragna. Os reis aquemênidas aceitaram a ideia do monoteísmo promovida por Zoroastro, mas rejeitaram seus aspectos democráticos e sociais que beneficiavam agricultores e pastores. Eles negavam Zoroastro como profeta da religião, autoproclamando-se "grandes governantes" e "líderes religiosos".[190]
No entanto, essa religião era praticada apenas pelas cortes reais, templos e escravos. O povo comum permaneceu fiel às suas crenças pré-zoroastristas. Por isso, os reis aquemênidas Artaxerxes I (462–424 a.C.) e Dario II (424–405 a.C.) foram obrigados a restaurar e legalizar as antigas crenças religiosas. No terceiro período religioso, além de Ahura Mazda, eram adoradas antigas divindades como Mitra, Anahita e outras, chamadas "yazatas".[191]
Nesse terceiro período, os adoradores do fogo se denominavam "mazdayasna" e "zoroastristas". Essa não era a verdadeira religião de Zoroastro, mas sim uma religião sincrética posterior. Os "mazdayasnas" amaldiçoavam os antigos deuses tribais (devas) e rezavam aos yazatas. Na realidade, ambas as concepções religiosas tinham a mesma essência.
Por volta de 440 a.C., foi registrada a primeira crônica mazdaica, e o Avesta foi seriamente editado pelos mazdaístas. Essa versão do Avesta uniu o monoteísmo de Zoroastro com o politeísmo pré-existente, restaurando os direitos dos antigos deuses — as "seis santidades" (Ameša Spenta) — e oficializando divindades como Mitra, Anahita, Tishtrya, Rtiš, Verethragna e Homa.
Cultura Meda
A Média possuía uma cultura própria. Posteriormente, como os médos se consolidaram etnicamente com outras tribos da região do Azerbaijão, sua cultura misturou-se com a cultura de outras tribos túrquicas da região, formando uma cultura unificada do Azerbaijão[192].
Apesar da curta duração, o Estado de Média influenciou muitas tribos e povos além dos limites do Azerbaijão, tornando-se um centro cultural e religioso do Oriente Próximo. Estrabão escreveu que os médos foram os fundadores dos armênios e anteriormente dos persas, de seus governantes e dos costumes de governo na Ásia.[193] Certamente, o período de Média marcou importantes conquistas e mudanças na história das tribos do Sul do Azerbaijão. O papel dos magos medos foi especialmente grande na vida religiosa do Irã e do Sul do Azerbaijão.
A cultura e as crenças religiosas da população do Sul do Azerbaijão se desenvolveram em intercâmbio com diversas culturas vizinhas. As tribos iranianas que chegaram a esta região trouxeram sua cultura, porém, por serem culturalmente inferiores às tribos locais — os médos e outros — não exerceram grande influência, e ao contrário, assimilaram muitos traços culturais dos médos. Eles adotaram muitos elementos dos aborígenes, especialmente o vestuário antigo dos médos, conhecido a partir dos relevos assírios. Também é válido dizer o mesmo sobre os tecidos medos. Embora depois tenha surgido uma vestimenta sacerdotal entre os médos, eles foram retratados usando essa indumentária nos relevos de Persépolis. Parece que a vestimenta antiga permaneceu apenas entre os cáspios que viviam nas regiões costeiras do Mar Cáspio no Azerbaijão. Os tecidos e vestimentas medas tornaram-se famosos em toda a antiguidade. Na peça "As Rãs" de Aristófanes menciona-se que os tecidos de Média tinham estampas de cavalos-galo, cabras-veados e outros animais fantásticos. Os mantos de Média (saias) eram amplamente usados em todo o Oriente Próximo.[194]
As evidências da cultura material dos médos são inferidas a partir das representações das fortalezas medas em relevos de Assur, das escavações arqueológicas na capital meda Ecbatana, em Baba-Jan Tepe e Nushi-Jan Tepe[195], entre outras.[196]
Os achados culturais medos mais antigos foram encontrados em Luristão, na famosa zona dos "bronzes de Luristão". Algumas de suas temáticas são claramente de origem Avesta, desempenhando papel essencial no surgimento e desenvolvimento da cultura e arte da Média.
Escrita
Devido à falta de escavações arqueológicas em cidades medas, ainda não foram encontrados vestígios escritos médios. Apesar da existência de inscrições do rei Dario I em rochas na fronteira da Média com a Pérsia, que incluem textos em línguas antigas da Pérsia e Elam, não há inscrições médicas. Isso é explicado pelos especialistas pelo fato de os médos conhecerem tanto o idioma elamita quanto o persa.
Pesquisadores supõem que a partir do século VII a.C. houve uso da escrita cuneiforme em Média central e oriental.[197] As inscrições de Assur indicam que no final do século VIII a.C. os governantes de Manna também usavam a escrita cuneiforme.[198] Durante esse período, a escrita hieroglífica também era empregada em Média. As inscrições encontradas sobre uma taça de prata em Ziviyeh comprovam isso.[199] Foi determinado que os antigos persas receberam sua escrita cuneiforme dos médos.[199]
Características etnográficas

Diversas características etnográficas dos médos, como formas de vestimenta e adorno, armas, meios de transporte, ferramentas, rituais religiosos, e suas representações como agricultores, guerreiros, nobres e sacerdotes (magos) foram estudadas não só na região da Média, mas também em sítios arqueológicos de países vizinhos. Exemplos desses achados incluem relevos de Assur e Taq-e Bostan, selos gravados e outras descobertas arqueológicas.
Um relevo assírio datado do século VII a.C., em Nínive, mostra a deportação forçada dos médos. As figuras estão alinhadas; homens medos à frente e ao fim da fila, mulheres e crianças ao centro, acompanhados por três soldados assírios. A postura dos pés e das mãos indica movimento, e a composição da cena dá a impressão de aceleração da marcha ao longo de um caminho sinuoso. Este relevo oferece informações sobre as roupas longas, cabelos e outras características dos homens, mulheres e crianças medas. As vestimentas masculinas são decoradas com padrões similares ao doce paxlava e calçados altos amarrados na frente. Os cabelos e barbas permitem identificar os médos em outros relevos assírios.
Relevos assírios do final do século VIII a.C. em Dur-Sharrukin mostram guerreiros médos armados com lanças, conduzindo dois cavalos de carro de guerra. Eles vestem trajes tradicionais médios.
Um relevo de Persépolis do século V a.C. retrata uma carruagem de guerra puxada por dois cavalos com cavaleiros médios. Esta imagem complementa as anteriores e fornece detalhes sobre o sistema de arreios utilizado pelos médos.
Outro relevo de Persépolis do século V a.C. mostra servos e escravos do rei da Média. Aqui aparece uma forma diferente de vestimenta, atribuída a nobres medos. Figuras com trajes típicos podem ser encontradas em várias partes dos relevos de Persépolis. A mais detalhada dessas imagens é a dos três médos juntos: o do centro veste roupas idênticas às das imagens assírias e outras de Persépolis, enquanto os dois laterais vestem trajes e portam armas semelhantes aos nobres médios retratados em outros relevos persas.
Representações dos sacerdotes da Média — os magos — também estão presentes nos relevos de Persépolis do século V a.C. Nesses relevos são mostrados seus trajes e diversos rituais religiosos. Destacam-se duas cenas: em uma, um jovem meda leva um cabrito para sacrifício (oferta). Segundo İ. M. Dyakonov, esta figura representa um mago levando um cabrito para sacrifício.[200] O chapéu do mago é claramente visível e cobre as orelhas, em conformidade com as regras de Avesta. No entanto, sua roupa é mais curta e compacta do que a mostrada em outros relevos de Persépolis, o que levou alguns pesquisadores a sugerirem que se trata não do mago em si, mas de um ajudante do templo do fogo — um assistente do sacerdote.[201]
Na segunda cena, magos carregam recipientes com a bebida sagrada homa. Embora suas faixas na cabeça e calçados leves lembrem o ajudante anterior, seu chapéu alto e roupas largas os aproximam mais da imagem dos magos do templo de Qizqapan. O recipiente de homa tem tampa para impedir que espíritos malignos contaminem sua pureza. Geralmente, a bebida era armazenada em vasos cilíndricos de argila. Especialistas consideram essa figura como a verdadeira representação de um mago.[202]
Essas duas representações dos servos do templo do fogo são feitas em estilo realista e habilidoso. De ambas, conclui-se que os sacerdotes usavam calçados leves e curtos (sandálias). Uma pequena estátua de prata encontrada no século IV a.C. na região do Amu-Dária em Ásia Central retrata um mago com vestimenta similar: chapéu comprido, roupas largas, calçados leves e cinto. A diferença é que suas pernas estão envoltas em faixas. Essas três representações indicam que o cinto era uma característica essencial da vestimenta dos sacerdotes.
İ. M. Dyakonov associa a baixa estatura das figuras dos relevos de Persépolis à tradição da escultura na Média. Ele observa que essas imagens foram criadas por artistas que permaneceram fiéis às tradições de seus ancestrais médios. Citação:
Em selos cilíndricos datados dos séculos VII a IV a.C., há representações interessantes de armas, vestimentas e técnicas de combate dos guerreiros médios. Um selo elamita do século VII-VI a.C. retrata um guerreiro montado de uma tribo meda chamada Ariazant. Em uma composição dinâmica, ele ataca um inimigo com uma lança enquanto cavalgava um cavalo galopante. Seu segundo armamento é um arco e flecha.
Outro selo dos séculos V-IV a.C. mostra o confronto entre guerreiros médios e citas. À esquerda, soldados a pé médios; à direita, guerreiros citas. Os médios estão armados com arco e lança, vestindo uma túnica leve sobre uma cota de malha para proteção do peito. Assim como nos relevos, os combatentes são mostrados de perfil em movimento. Essa obra destaca a posição dominante dos médios na batalha. Existem também imagens em selos que mostram combates entre soldados médios e hoplitas gregos. Duas imagens de selos do século V a.C. são conhecidas: na primeira, um soldado médio, armado com armas leves e vestindo traje de combate original, enfrenta um guerreiro grego; na segunda, um guerreiro médio com armadura tradicional, arco e lança subjuga um guerreiro grego, obrigando-o a se render. Heródoto afirma que os soldados aquemênidas adotaram os trajes e armas dos médios.[203]
Arte
A arte média foi fortemente influenciada tanto por antigas crenças religiosas quanto pelas ideias do Avesta. Os motivos representados nas obras do período médio confirmam essa influência.[204]
Como não houve escavações arqueológicas nas principais regiões da Média (sul do Azerbaijão), o estudo da arte média baseia-se principalmente nos materiais arqueológicos das regiões circunvizinhas.
Arqueólogos da França, dos Estados Unidos e, mais recentemente, do Irã, encontraram em sítios próximos a Damghan, como Tepihisar, perto de Kashan (Tepesiyalk), perto de Nahavand (Tepəgiyan), perto de Urmia (Göytəpə), Hasənlitəpə e Ziviye, antigos objetos de arte que permitem uma compreensão da arte média. A maioria dessas obras é atribuída a períodos anteriores, indicando a base cultural sobre a qual as tribos médias se formaram. Outras relíquias são datadas do início do primeiro milênio a.C. (séculos X–VIII a.C.), época das primeiras formações estatais do Azerbaijão, e são importantes para o estudo da arte média.[205]
As tribos antigas de Manna e Média mantinham relações políticas, econômicas e culturais próximas. Após Manna submeter-se à Média, essa proximidade cultural fortaleceu-se ainda mais, baseada em princípios comuns de desenvolvimento artístico. Os artesãos médios continuaram e desenvolveram as tradições artísticas dos mestres de Manna.
Escavações em regiões remotas da Média revelaram várias obras artísticas. Segundo especialistas, essas obras indicam que na Média houve desenvolvimento em cerâmica, artes decorativas em metal e escultura.
Artes decorativas
As primeiras amostras da cerâmica datam do Eneolítico, entre 4200 e 3400 a.C., encontradas em Tepesiyalk. São vasos de barro pintados com formas plásticas complexas e ornamentos muito coloridos. As peças são geralmente de cores claras (branco, amarelo, rosa) com desenhos em marrom ou preto, realçando os padrões geométricos, vegetais e animais. Os vasos mais simples possuem bocas largas e corpos cilíndricos. Pequenos recipientes para água apresentam desenhos de triângulos ondulados, linhas nervuradas, padrões semelhantes ao “paxlava” (folhado), figuras de árvores, entre outros.
Muitos vasos têm corpo que afina progressivamente para cima e para baixo, criando uma forma bicônica. Bases em forma de cone melhoram a beleza plástica das peças. Para reforçar esse efeito, os vasos bicônicos eram apoiados em suportes cilíndricos com base circular. Às vezes, a base cilíndrica também era feita da mesma forma. As partes superiores eram decoradas com linhas horizontais rítmicas, ondulações, imagens de pássaros e cabras, padrões em forma de tabuleiro de xadrez e outros ornamentos, que realçam a beleza plástica dos objetos.
Ceramistas dessa época deixaram um rico legado em formas plásticas e ornamentos decorativos. Exemplos incluem vasos pintados produzidos em Tepesiyalk no III milênio a.C. e em Tepəgiyan no II milênio a.C. A escola cerâmica de Tepesiyalk influenciou fortemente a cerâmica artística média posterior. Normalmente, os artefatos médios baseavam-se nas tradições locais antigas de cerâmica. A harmonia das formas plásticas e o ritmo na disposição dos ornamentos são fruto da invenção dos ceramistas do Eneolítico.
No sudoeste da Média, em Nahavand, foi encontrado um vaso cilíndrico com uma alça única do período da Idade do Bronze (II milênio a.C.) decorado com a imagem de um animal fantástico: uma criatura alada com um único chifre, cauda de serpente e corpo semelhante a um leão. Pesquisadores acreditam que se trata de uma representação simbólica do deus do mal e senhor do mundo dos mortos, Ahriman. Uma representação semelhante, porém sem asas, aparece na inscrição pictórica de um cinto de bronze do período médio encontrada no distrito de Gadabay.[206]
Ceramistas de Tepesiyalk dos séculos XII a X a.C. continuaram suas buscas em formas plásticas e ornamentos decorativos, criando novas peças de cerâmica. Destacam-se vasos cilíndricos com alças estreitas na cintura, vasos esféricos pequenos com padrões de xadrez e recipientes trípodes com uma alça única. Os pequenos vasos com base circular e boca larga eram produzidos em massa, decorados com linhas retas, padrões em xadrez e símbolos solares. Essas cerâmicas eram amplamente utilizadas no cotidiano.
Para cerimônias religiosas, os ceramistas de Tepesiyalk produziam vários tipos de copos (cálices) com base baixa, boca larga, hastes altas e cilíndricas, alças únicas e adornos zoomórficos. As bocas dos copos eram decoradas com figuras que lembram cabeças de touro, ovelha ou cervo. Esses recipientes eram usados em rituais de bênção e fertilidade. Ceramistas de Tepəgiyan também confeccionavam tais rituais. Além disso, os ceramistas de Tepesiyalk produziam vasos simples, pequenos e trípodes.
No início do primeiro milênio a.C. (séculos X a VIII a.C.), os artesãos médios permaneceram fiéis às antigas tradições cerâmicas, criando novas formas plásticas e elementos decorativos. A invenção dos vasos com bocal tubular (“lüləyinli”) ocorreu nesse período. Esses bicos eram fixados junto à boca dos vasos. Exemplares com decorações mais simples são encontrados na fronteira ocidental da Média, em Rovanduz, e os mais complexos em Tepesiyalk.
Foram criados três tipos de vasos com bico em Tepesiyalk: com o bico na posição vertical, horizontal, e um terceiro tipo com o bico horizontal afastado da boca. Esses vasos eram frequentemente decorados com símbolos solares e desenhos retangulares em padrão xadrez, provavelmente utilizados em cerimônias religiosas ou mágicas.
Muitos desses vasos apresentam imagens de cavalos, sugerindo uso por devotos do deus sol Mitra (Mehr). A decoração e motivos destes vasos podem ser correlacionados com as descrições sobre Mitra no X Yašt do Avesta.[207]
Um dos vasos apresenta a imagem de um cavalo com o sol sobre a cabeça e, acima à direita, um retângulo semelhante a um tabuleiro de xadrez. A base do bico possui desenhos que lembram os raios solares.
No Avesta, o Yašt X descreve Mitra como um herói que possui vastos pastos, concede rebanhos e crianças, e protege terras e cavalos dos inimigos. O retângulo abaixo do cabo do vaso provavelmente representa esses "vastos pastos" sob a proteção de Mitra.[208]
Uma característica original da cerâmica de Tepesiyalk dos séculos X a VIII a.C. era a confecção vertical das alças. Ceramistas de Tepesiyalk dedicaram atenção especial à riqueza plástica dos artefatos. Os vasos apresentavam corpos retangulares, esféricos, cilíndricos, muitas vezes apoiados em três pés. Os gargalos eram alongados e decorados com entalhes e anéis salientes. Os corpos dos vasos eram ornamentados tanto com desenhos coloridos quanto com relevos.

Taças com e sem alça possuíam silhuetas elegantes. Os ceramistas de Tepəgiyan modificaram significativamente as silhuetas das taças, tornando a estrutura plástica mais complexa e acrescentando novos elementos decorativos em relevo. As conquistas dos ceramistas de Tepesiyalk e Tepəgiyan eram muito próximas, compondo um conjunto artístico único da arte média.
Durante esse período, os ceramistas de Tepesiyalk produziram muitos vasos zoomórficos relacionados a crenças religiosas. Eles apresentavam formas de carneiros, pássaros e patos. Além disso, vasos cilíndricos pintados e recipientes cônicos de boca larga tinham alças decoradas com figuras de carneiros e cervos. Frequentemente, essas figuras zoomórficas eram fixadas nos corpos dos vasos e apontavam para dentro ou para fora. Esses elementos "mágicos" supostamente protegiam o interior do vaso contra influências malignas externas.[210] Raramente, motivos zoomórficos como serpentes e cabras eram pintados externamente nos vasos. A decoração focava no contraste de cores, disposição rítmica e composição dinâmica.
Influenciados pela cultura da Babilônia e Suméria, os ceramistas médios criaram um estilo original de cerâmica, que também influenciou a cultura dos povos de língua persa que migraram para as terras altas do Irã.
Durante a Média, a criação de objetos metálicos de grande valor artístico demonstra o amplo conhecimento e habilidade dos médios nessa área. Entretanto, escavações em cidades médias importantes, como Ekbatan, Hirbe e Raga, são escassas, tornando esses artefatos raros.
Em Tepihisar, foi encontrada uma cabeça de cetro de bronze datada do século XX a.C. Sua cabeça mostra figuras esquemáticas de um lavrador com dois bois arando, sugerindo que o cetro possuía um propósito mágico.[211] Acredita-se que esse cetro pertenceu a um rei ou líder tribal e era usado em cerimônias de encantamento.
Um cálice de ouro preservado no Museu de Arte de Cincinnati é considerado um dos exemplos mais interessantes da arte média por Helen Kantor.[212] A folha de palmeira em relevo no cálice lembra os palmetos de Ziviye, e as cabras com duas cabeças são similares às gravuras em vasos de prata aquemênidas.
No Tesouro do palácio de Dario (522–486 a.C.) em Teerã, foi encontrado um estojo de espada de ouro pertencente ao comandante médio.[213] O estojo apresenta rica decoração trabalhada a martelo, com grupos de figuras humanas, animais e palmeiras voltados em direções opostas. As figuras estão alinhadas e em movimento numa única direção. Pequenos leões guardiões têm as costas viradas para trás. Abaixo deles, fileiras de cabras de cabeça virada diminuem progressivamente em tamanho. A ponta triangular do estojo é decorada com desenhos que lembram cães.
O cálice de ouro encontrado na capital média Ekbatan (Hamadan), datado do século V a.C., dá uma boa ideia do talento dos artesãos médios. A superfície cônica do cálice foi dividida em pequenas faixas para aumentar os efeitos de luz e sombra e realçar seu caráter decorativo. Essas faixas apresentam padrões rítmicos de crescente lunar e protuberâncias ovais trapezoidais, aumentando a beleza plástica do cálice. No gargalo do cálice, preservado no Museu de Arte de Teerã, há inscrições referentes ao rei persa Xerxes (485–465 a.C.) em persa, elamita e babilônico.[214]
Escultura
A principal fonte para o estudo da escultura média são os relevos esculpidos em rochas. Esses relevos podem ser encontrados nas câmaras funerárias rochosas dos reis da Média e nas rochas de Bisutun.
A mais antiga câmara funerária rochosa da Média está localizada ao sul de Kermanshah, perto de Sakavand. Nesta câmara, foi esculpida uma plataforma para colocar o corpo dentro da rocha. Na parte superior há um altar de fogo e ao redor dele três grandes relevos humanos, um grande e dois pequenos. As imagens são grosseiras e desproporcionais. Sua interpretação e técnica de execução lembram os relevos dos Lulubis e Elamitas. A quem pertence essa câmara funerária é objeto de debate.[215]
Entre Kermanshah e Hamadã, na localidade chamada Sahne, há uma câmara funerária rochosa que lembra uma habitação fechada por quatro paredes. Acima da porta está esculpido um disco solar alado, símbolo amplamente difundido entre os antigos sumérios, representando a luz e o deus sol. Posteriormente, os persas (parsas) adotaram este símbolo, modificando-o e complexificando-o, adicionando a figura de Ahura Mazda (Hormuz). Como outras câmaras rochosas, esta lembra uma casa suspensa. Estima-se que estas duas câmaras rochosas datam do século VII a.C.[216]
Exemplos posteriores de câmaras rochosas da Média são Dukani Davud e Qizqapan, ambas do século VI a.C.[217]
A câmara funerária Dukani Davud está localizada no caminho de Hamadã para a Babilônia. I. M. Dyakonov acredita que esta câmara pertenceu ao rei médio Astíages (584–550 a.C.) e foi esculpida na rocha no vale de Shahrizar, perto da aldeia de Surdash, próxima a Suleimânia. Qizqapan seria a câmara funerária do rei médio Ciáxares (625–584 a.C.). As duas tumbas são estruturalmente muito semelhantes.[218]
Na entrada da câmara funerária Dukani Davud está esculpida a figura em relevo de um mago. À sua frente, a área está vazia — a imagem parece incompleta, mal trabalhada ou apagada posteriormente. O mago é representado vestindo uma túnica longa, com um chapéu na cabeça, uma faixa no rosto, segurando um baresma, com as mãos estendidas para frente em atitude de oração. Sobre a postura de oração dos magos, o segundo livro do Avesta, Yasna (29,5 e 50,8), fornece informações.[219] Quando seguravam o baresma, os magos envolviam a boca com uma faixa para não profanar as entidades sagradas com sua respiração. Nesta imagem, o mago também tem a boca enfaixada por estar segurando uma bebida ritual.
As colunas da câmara funerária Qizqapan têm forma de pilastra. Entre elas estão esculpidos em relevo símbolos divinos: um disco circular com uma figura tetrápode, abaixo um disco com a lua e no centro um disco com a figura humana, e um disco circular com uma estrela no topo.
E. Hersfeld considera os dois primeiros símbolos como representações de Ahura Mazda e Mitra. O terceiro — o disco estrelado — representava Ishtar e o planeta Vênus na antiga Suméria, e neste monumento acredita-se ser o símbolo de Anahita.[220]
Nos relevos desta câmara, à esquerda, está um sacerdote em trajes típicos de mago. Ele veste sobre a túnica longa uma aba larga e solta. O sacerdote usa um chapéu (denominado "patidana" no período aquemênida) e uma faixa na boca. À sua frente há um altar de fogo com três níveis. À direita do altar está um rei com roupas curtas, também com a boca enfaixada. Ambos seguram um arco com a mão esquerda — símbolo de vitória e poder. Pelo movimento da mão direita, entende-se que estão rezando diante do altar.[221] Este relevo é organizado em uma composição simétrica rigorosa. As figuras são representadas pequenas, porém dinâmicas, e o altar é retratado com grande pompa e majestade.
Neste trabalho, por o rei estar representado segurando o arco — símbolo de vitória e autoridade — na mão esquerda do sacerdote, presume-se que a cerimônia diante do altar retrata uma celebração da vitória. Nas inscrições dedicadas ao antigo Lishir Pirini em Bisutun, que mostram Dario I, o arco também é símbolo de triunfo, indicando que os especialistas consideram o arco no relevo de Qizqapan como um símbolo tradicional de vitória e poder.[222]
Os relevos das duas câmaras rochosas Dukani Davud e Qizqapan são tão detalhados, proporcionais e tecnicamente bem executados que não ficam atrás dos famosos relevos aquemênidas. I. M. Dyakonov supõe que os relevos aquemênidas foram produzidos por artesãos médios — prisioneiros ou seus discípulos — junto com outros artesãos médios. Ele aponta que a repetição do tema do rei Anuban de Lulubi na composição em relevo de Bisutun não é casual. A representação relativamente achatada e baixa das figuras nos relevos de Takht-e Jamshid também é uma característica herdada dos relevos mais antigos da Média.[220]
Os artesãos médios tinham tradições plásticas muito antigas e ricas, além de ampla experiência e habilidade na escultura.[223] Os relevos das câmaras funerárias rochosas dos reis médios confirmam isso. A escultura média baseia-se nas antigas tradições lulubi-kuti. Além disso, a escultura média foi influenciada positivamente pelos relevos assírios e elamitas, provavelmente por intermédio de artesãos capturados como prisioneiros.[224]
A arquitetura das câmaras funerárias rochosas da Média é inspirada em construções populares. Seus relevos são mais grosseiros e primitivos do que as esculturas de pedra que decoravam os palácios e templos médios. As esculturas maiores, que não chegaram até nós, eram produzidas em oficinas especializadas. Como não houve escavações arqueológicas na capital da Média, Ekbatan, e em outras cidades, os especialistas baseiam seus estudos em fontes como relatos dos antigos historiadores gregos, relevos assírios e de Takht-e Jamshid, selos gravados e monumentos arqueológicos descobertos em regiões remotas da Média.
As tribos da Média tiveram contato e influências culturais próximas com os mannaenses, babilônios e assírios, que eram herdeiros culturais dos sumérios. Essa proximidade foi possível pela localização geográfica da Média, vizinha da Suméria, e pelas relações econômicas, culturais e militares com os medos, babilônios e assírios. Nos séculos VII–VI a.C., a Média influenciou seus vizinhos com suas crenças religiosas, arte e cultura.
Arquitetura
Baba-Çantape é um importante sítio da cultura Manda, especialmente para a arquitetura, localizado em Pi-e-Kuh, Luristão, espalhado por várias colinas. É um sítio multilayer que cobre os períodos II e III da Idade do Ferro (séculos X–VI a.C.). As camadas mais antigas pertencem ao período pré-Manda, enquanto a camada superior está ligada ao início do período Manda. Este sítio é um dos principais descobrimentos arqueológicos dos anos 1960, próximo a Nuşi-Çantape.
O complexo Nuşi-Çantape situa-se no topo de uma colina natural numa ampla planície e é composto principalmente por dois templos, uma cidadela e uma sala com colunas. O templo central do fogo é arquitetonicamente complexo, consistindo em uma torre alta em forma de losango com vários andares, contendo um santuário e um púlpito. Neste local o “fogo sagrado” era aceso, e seus vestígios permanecem nas tijolos queimados escurecidos. Este templo é o mais antigo da área Nuşi-Çantape e foi o primeiro objeto mazdaísta na Média que atendia a todos os requisitos do zoroastrismo.[225]
O complexo Nuşi-Çantape foi criado em meados do século VIII a.C. durante o auge da confederação tribal Manda e do estado Manda, e continuou a existir até o período selêucida. As influências arquitetônicas e culturais de Urartu e Assíria são evidentes em todos os complexos do início do período Manda.[226]
A inscrição do rei urartiano Sarduri II (meados do século VII a.C.) indica que foram realizadas grandes obras de construção nas províncias noroeste da Média (hoje Azerbaijão). Segundo esta inscrição, vinte fortalezas e cento e vinte assentamentos foram construídos nas fronteiras sudoeste do Azerbaijão.[227][228]
Muitos tipos de construções do período Média já haviam sido criados anteriormente na época dos Mannas. Particularmente no entorno do Lago Urmia, muitas câmaras funerárias rochosas, rochas e construções retratadas nos relevos assírios de Dur-Sharrukin (final do século VIII a.C.) devem ser atribuídas ao início do período Média.[229][230][231]
Durante o período Média, a arquitetura no território do atual Azerbaijão — especialmente no Azerbaijão do Sul (ao sul do rio Aras) e regiões do sul da atual República do Azerbaijão — desenvolveu-se principalmente na área ao redor do Lago Urmia. O desenvolvimento da arquitetura média foi influenciado tanto por habitações rochosas quanto por estruturas de madeira. A arquitetura monumental consistia principalmente em construções de pedra.
Formada como um grande estado no século VII a.C., a Média teve um papel significativo no desenvolvimento da arquitetura do Oriente Próximo.
A transformação da Média em um poderoso império criou condições para a construção de magníficos palácios. As crônicas históricas fornecem informações detalhadas sobre as grandes construções em Ekbatan, capital da Média. Segundo os antigos autores Heródoto e Políbio, “havia um grande palácio dentro da cidade. Ele possuía muralhas circulares poderosas, com a acrópole construída de modo que uma muralha circular ficava sobre a outra... Todas as muralhas eram sete, e na última estava o palácio do rei e o tesouro”.[232]
Políbio destacou a extensão e riqueza decorativa dos palácios de Ekbatan, mencionando colunas feitas de cedro e cipreste cobertas com folhas de prata e ouro.[233]
Numerosas fortalezas e cidades fortificadas representavam outro tipo de arquitetura média. Essas construções, majestosas e impressionantes em volume e silhueta, também possuíam decorações elaboradas. As fontes históricas relatam várias fortalezas médias com saliências. Ekbatan estava em bom estado durante a campanha de Alexandre, o Grande, que enviou ali fundos trazidos de Persépolis para guardar.[234] Sacrifícios a Alexandre e competições de ginástica em Ekbatan[235] confirmam que a cidade estava bem conservada no século IV a.C.[236]
Legado
A formação do reino medo é um dos momentos decisivos da história iraniana. Foi o prenúncio da ascensão ariana ao poder dinástico, que continuou daí em diante, moldando a vida cultural e política no planalto iraniano e em outros territórios ocupados pelos iranianos.[237] Os povos iranianos se uniram pela primeira vez, criando um contrapeso político as principais potências do oeste, Lídia e Babilônia. A vitória persa sob a Média constituiu um passo em direção à glória para Ciro II, que então seguiu uma série de vitórias e funda o Império Aquemênida, o maior e mais poderoso Estado iraniano da história.[35] Segundo as fontes clássicas a vitória persa sobre os medos em 550 a.C. teria concedido ao rei Ciro um império já estabelecido, estendendo-se do rio Hális até a Ásia Central. Assim, o Império Aquemênida foi estabelecido com base em uma herança direta do Império Medo.[36] Alguns historiadores, ao analisarem o vocabulário administrativo e palaciano aquemênida, sugerem que os empréstimos linguísticos medos eram particularmente frequentes na titulatura real e na burocracia. Além disso, é hipotetizado que os medos transmitiram indiretamente tradições assírio-babilônicas e urartianas aos persas. A inferência é que Ciro assimilou as tradições medas, dada a supremacia política anterior da Média.[48]
Recentemente, vários estudiosos tem enfatizado, em vez disso, o papel crucial desempenhado pelos impérios desenvolvidos do Oriente Próximo, especialmente Elão e Babilônia, na articulação do Império Aquemênida.[82][49][136][48] A noção de que o Império Medo serviu como um canal para a transmissão das tradições assírias para o Império Aquemênida, impactando vários aspectos da arte, arquitetura e administração, tem sido questionada devido à "natureza nebulosa da entidade política meda". Enquanto a arte e a arquitetura apresentam evidências menos problemáticas para essa cadeia de transmissão proposta, o aspecto da administração e governo é onde as contribuições medas são mais questionáveis. A suposta transmissão de influências assírias para os aquemênidas via o Império Medo inclui elementos como o serviço postal assírio, a estrada real, deportações em massa, títulos reais, o sistema assírio de governo provincial e um sistema feudal de posse de terras. No entanto, o sistema governamental e administrativo neobabilônico parece ter sido muito semelhante ao sistema neoassírio, tornando-o um elo plausível para a influência das tradições assírias nos aquemênidas. Mas traços culturais assírios también podem ter chegado aos persas através do noroeste do Irã mesmo sem a existência de um Império Medo.[238]
Devido à sua localização, os persas eram muito suscetíveis à influência elamita. A permanência da influência elamita em todos os aspectos da vida social e política sugere que a organização do Reino de Ciro e de seus sucessores deve mais ao legado elamita, que pode ser identificado precisamente, do que aos empréstimos medos, que são muito difíceis de isolar.[48][36] No entanto, a importância significativa do Estado medo, e seu domínio através do Irã, centralizado ou não, como precursora da Pérsia aquemênida, não pode ser subestimada.[37] O papel da Média no Império Aquemênida é bastante peculiar. Não há uma conclusão definitiva, mas é possível que questões relacionadas a ideologias religiosas e sociais tenham sido a causa dessa peculiaridade.[36] Os gregos tendiam a confundir medos e persas, e o termo "medo" era frequentemente usado para se referir ao "persa". É a terminologia com a qual os gregos da Anatólia reagiram aos sucessores de Ciro II, mais tarde assumida por outros gregos, e é recorrente no conceito de medismo. É provável que esse fenômeno reside no caráter medo do território no qual o rei lídio Creso tentou conquistar e de sua desculpa para fazer isso, talvez reforçada por memórias do caráter temeroso dos medos com quem seu antecessor conseguira fazer um acordo.[97] Além dos gregos, os judeus, egípcios e outros povos do mundo antigo também chamavam os persas de “medos” e consideravam o domínio persa uma continuação do dos medos.[1]

Os textos bíblicos consideram a Média como uma potência significativa. Os livros de Isaías e Jeremias retratam os medos como um inimigo potencial e viciosamente destrutivo da Babilônia.[97] O livro de Daniel menciona a visão das quatro bestas, que representam as antigas monarquias do Antigo Oriente que governaram a cidade de Babilônia:
- O leão com asas de águia: Império Neobabilônico;
- O urso: Império Medo;
- O leopardo de quatro cabeças com asas: Império Aquemênida;
- A besta de dez chifres com dentes de ferro: Império Macedônio de Alexandre, o Grande;
Há pouca dúvida sobre essa interpretação, mas o problema da interpretação é precisamente o Império Medo, que nunca conquistou a Babilônia e só é citado como um império importante mundial em textos gregos. O livro de Daniel menciona um governante chamado Dario, o Medo, que teria conquistado a Babilônia, mas essa figura é desconhecida em outras fontes históricas. É muito provável que o autor de Daniel, que escreveu por volta de 165 a.C., tenha sido influenciado pela visão grega da história e por isso tenha dado a Média uma importância exagerada.[118]
Na teoria da sucessão de impérios, a Média está após a Assíria e antes da Pérsia, ou seja, num período de entre 612 e 550 a.C. Na historiografia grega, esse esquema incluía o Império Assírio, Império Medo, Império Aquemênida e, mais tarde, o Império Selêucida foi incluído nele. Após a vitória de Pompeu sobre os selêucidas em 63 a.C., os historiadores romanos completaram o conceito dos quatro impérios, incluindo o Império Romano como o quinto e último. Os gregos consideravam o Estado medo como um império universal, cujo modelo correspondia ao aquemênida e, em geral, ao modelo oriental de Estado. Na tradição hebraica, o Império Babilônico ocupa o lugar do Império Assírio. Mas nem as tradições greco-romanas nem as hebraicas privaram a Média de seu papel proeminente na história. Somente na literatura judaica e cristã tardia que o segundo Estado foi identificado como Império Medo-Persa, o que, privou os medos de um papel independente na história mundial.[153]
Notas e referências
Notas
- ↑ As datas que o historiador grego Heródoto atribui aos quatro reis medos (Déjoces, Fraortes, Ciaxares e Astíages) somam 150 anos, colocando o início da dinastia meda em 700 a.C. No entanto, Heródoto também afirma que os medos governaram a Ásia por 128 anos. Assim, o início desses 128 anos teria sido em 678 a.C., que, segundo a cronologia proposta por George Rawlinson, é o ano em que o reinado de Fraortes começa. Fraortes teria derrubado o domínio assírio e, como afirma Heródoto, subjugado os persas e outros povos. Quanto a Déjoces, caso tenha existido, provavelmente foi apenas um chefe dos medos, que começou a consolidar a unidade das tribos medas.[1]
- ↑ A palavra "medo" (sentimento) é escrita da mesma forma que a palavra "medo" (referindo-se à Média ou ao seu habitante). No entanto, essas duas palavras têm pronúncias diferentes. "Medo" (sentimento) tem sua origem no latim "metu-" e é pronunciado como /mê-du/. Por outro lado, "medo" (referindo-se à Média) vem do latim "medu-" e é pronunciado como /mé-du/.[31]
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Bibliografia complementar
Antiguidade
- Heródoto – "História", livro I, pp. 94–144
- Ctésias – "Persika", livros IV–VI
- Beroso – "Babilonika"
- Nicolau de Damasco – "História Universal"
Época Moderna
- Igor Dyakonov – História da Média, Moscou – Leningrado, 1956
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- David Stronach – O monumento médio Nuşi-Çantape, Cambridge, 1985
- Ikrar Aliyev – História da Média, Baku, 1960
- Ikrar Aliyev – O antigo estado da Média no território do Azerbaijão, Baku, 1965
- Gunnar Heinsohn – Cyaxares: Media’s Great King in Egypt, Assyria & Iran, 2006
- Max Duncker – The History of Antiquity, Londres, 1881
- Robert Anderson Edward – The Story of Extinct Civilizations of the East, 1904
- George Rawlinson – The Seven Great Monarchies of the Ancient Eastern World, Nova York, 1885 (reedição 2007)
