Xerox Alto

Xerox Alto
O Alto tem um teclado, mouse, e um monitor em formato retrato.
DesenvolvedorXerox PARC
FabricanteXerox PARC
Lançamento1 de março de 1973
Características
ProcessadorBaseado em TTL, com um ALU contruida com quatro chips MSI 74181. Tem microcode programavel pelo usuário, usa formato big-endian e o clock da CPU de 5.88 MHz.[1][2]
Memória96[3] – 512 KB (128 KB for $4000)[2]
Média2.5 MB disk cartridge com um prato/disco[2]
Monitor606 × 808 pixels[2]
EntradaTeclado, mouse de três botões, chorded keyboard com cinco teclas
ConectividadeEthernet
Sucessor(es)Xerox Star
O Xerox Alto, cujo monitor possuía uma orientação retrato.

O Xerox Alto foi um microcomputador (computador pessoal) pioneiro desenvolvido no setor de pesquisa Xerox PARC da empresa Xerox Corporation em 1973, foi o primeiro a utilizar a metáfora da "mesa de trabalho" (do inglês desktop) e, uma interface gráfica de usuário (GUI, na sigla em inglês), mouse de três botões, ligação com impressora e, uso de e-mail.[4]

Embora seja citado como o primeiro computador pessoal,[5] alguns sistemas anteriores, como o Datapoint 2200 também se encaixam no termo, porém o Alto nunca foi planejado para ser um produto de fabricação em massa. Mas foi o primeiro a ter uma interface gráfica.[4]

História

O Alto foi idealizado em 1972 num memorando escrito por Butler Lampson, e projetado principalmente por Chuck Thacker. De maior influência foi o sistema educacional PLATO desenvolvido no Education Research Laboratory na Universidade de Illinois.[6] Sendo apenas demonstrado para a diretoria da companhia Xerox, que decidiu manter a estratégia, focada em impressão e sem comercialização. Apenas foi instalado no escritórios da própria companhia e no governo americano e do exército.[4]

Ele tinha 128 KiB (expansíveis até 512 KiB) de memória principal e um cartucho removível com capacidade de 2,5 MiB, tudo isso incluído em um gabinete do tamanho de um pequeno refrigerador. A UCP do Alto era um processador inovador que usava microcódigo para a maioria das funções de E/S em vez de usar hardware. O processador de microcódigo possuía 16 tarefas, uma das quais executava o conjunto de instruções normais (semelhante ao do Data General Nova), e as demais usadas para vídeo, atualização da memória, disco, rede, e outras funções de entrada e saída. Por exemplo, o controlador de vídeo em bitmap era um pouco mais do que um registrador de deslocamento de 16 bits; o microcódigo era usado para buscar os dados na memória principal e colocá-los no registrador de deslocamento.

Além de uma conexão Ethernet o único outro dispositivo comum de saída do Alto era um monitor de vídeo CRT comum (preto e branco), montado em modo vertical ("retrato"), diferentemente da orientação horizontal mais comum ("paisagem"). Seus dispositivos de entrada eram um teclado customizado, um mouse de três botões e um chorded keyset opcional de cinco teclas. Os dois últimos foram tomados de empréstimo ao SRI's On-Line System; o mouse tornou-se um sucesso instantâneo entre os usuários do Alto, o chorded keyset nunca se tornou popular.

O mouse tinha 3 botões. Os primeiros mouses eram mecânicos e usavam dois discos perpendiculares (logo substituídos pelos mouses de bolinha, inventados por Bill English) e os botões eram barras estreitas dispostos de cima para baixo em vez de lado a lado.

Cada tecla do teclado representava um bit em separado num conjunto de registradores. Esta característica era usada para mudar de onde o Alto deveria inicializar o sistema. Os registradores de teclado eram usados como endereço no disco de inicialização, e pressionando-se determinadas teclas ao pressionar o botão de boot, diferentes microcódigos e SOs podiam ser carregados. Isto deu origem à expressão "nose boot", ("inicializar com o nariz"), onde a quantidade de teclas necessárias para inicializar um sistema operacional de teste era maior do que os dedos disponíveis. Os "nose boots" tornaram-se obsoletos com o advento do programa "move2keys" ("mexa duas teclas"), que mudavam arquivos no disco para que uma sequência específica de teclas pudesse ser usada.

Vários outros dispositivos de E/S estavam disponíveis para o Alto, incluindo uma câmera de TV, uma impressora margarida Hy-Type e uma porta paralela, embora não fossem muito comuns. O Alto podia inclusive controlar discos externos e atuar como um servidor de arquivos. Esta era uma aplicação comum para a máquina.

Software

Inicialmente os programas para o Alto foram escritos na linguagem de programação BCPL, e posteriormente na linguagem Mesa, que não foi muito utilizada fora do PARC, mas, mais tarde, influenciou várias outras linguagens, como por exemplo a Modula. O teclado do Alto não possuía o caractere "_", o qual era substituído pelo caractere de "seta para a esquerda" usado na linguagem como operador de atribuição. Esta característica do teclado do Alto pode ter sido a fonte do estilo CamelCase para identificadores compostos. Outra característica do Alto era seu modo programável ao nível de microcódigo pelo usuário.

O Alto ajudou a popularizar o uso de modelos de gráficos raster para todas as saídas, incluindo textos e gráficos. Ele também introduziu o conceito de transferência de blocos de bit, ou Bit blit, como a interface fundamental de programação de tela. A despeito de sua memória reduzida, um bom número de programas inovadores foram escritos para o Alto, incluindo o Bravo, primeiro processador de texto WYSIWYG ("What You See Is What You Get") e o Gypsy, editor de dados gráficos (bitmaps, placas de circuito impresso, CIs, etc), as primeiras versões de ambiente Smalltalk, e um dos primeiros jogos em rede multiplayer (o Alto Trek, de Gene Ball).

Ver também

Referências

  1. «Alto I Schematics» (PDF). Bitsavers. p. 54. Consultado em 21 de julho de 2016. Cópia arquivada (PDF) em 24 de fevereiro de 2021
  2. 1 2 3 4 «History of Computers and Computing, Birth of the modern computer, Personal computer, Xerox Alto». Consultado em 19 de abril de 2016. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2020
  3. Alto Operating System Reference Manual (PDF). [S.l.]: Xerox PARC. 26 de junho de 1975. p. 2. Consultado em 21 de julho de 2016. Cópia arquivada (PDF) em 17 de julho de 2019
  4. 1 2 3 «Essa poderia ter sido a maior empresa da história, de acordo com Steve Jobs». StartSe. Consultado em 2 de janeiro de 2020
  5. «What was the first personal computer?» [Qual foi o primeiro computador pessoal?]. Blinken Lights (em inglês). Personal Computer Milestones. Consultado em 2 de janeiro de 2020
  6. Dear, Brian (2017). The Friendly Orange Glow: The untold story of the PLATO System and the dawn of cyberculture. [S.l.]: Pantheon Books. pp. 186–187. ISBN 978-1-101-87155-3
  • Alto User's Handbook, Xerox PARC, Setembro de 1979.

Leituras adicionais

  • Michael A. Hiltzik, Dealers of Lightning: Xerox PARC and the Dawn of the Computer Age. HarperCollins, Nova York, 1999.
  • Douglas K. Smith, Robert C. Alexander, Fumbling the Future: How Xerox Invented, Then Ignored, the First Personal Computer. William Morrow, Nova York, 1988.

Ligações externas