Registro de Endereços da Internet para a América Latina e o Caribe

O Registro de Endereços da Internet para a América Latina e o Caribe[1] (LACNIC) é o Registro Regional da Internet para a região da América Latina e Caribe.
O LACNIC[2] fornece a alocação de recursos numéricos e serviços de registo que suportam a operação global da Internet. É uma organização sem fins lucrativos, cujos membros incluem fornecedores de serviços Internet e organizações similares.
LACNIC contribui para o desenvolvimento da Internet na região mediante uma política ativa de cooperação, promove e defende os interesses da comunidade regional e colabora na geração das condições necessárias para que a Internet seja um instrumento efetivo de inclusão social e de desenvolvimento econômico na América Latina e Caribe.[3]
É administrado e comandado por uma Diretoria de oito membros eleitos por seus associados, um conjunto de mais de 13000 organizações que operam as redes e prestam serviços em 33 territórios da América Latina e do Caribe.
Saiba mais da história do LACNIC clicando aqui
Visão
Construímos uma comunidade regional para uma Internet global aprimorada.
Missão
Gerenciar os recursos de numeração da Internet da América Latina e o Caribe, mantendo padrões de excelência e transparência e promovendo o modelo participativo de formulação de políticas.
Liderar a construção permanente da comunidade regional, fortalecendo as capacidades tecnológicas e a pesquisa aplicada para o desenvolvimento de uma Internet estável e aberta.
Funções
LACNIC é responsável pela alocação e administração dos recursos de numeração da Internet (IPv4, IPv6), Números Autônomos e Resolução Inversa para a região.
História
Desde 1993, organizações acadêmicas na América Latina discutiram a necessidade de um registro específico para a América Latina. Em 1998, durante uma reunião no Panamá, este tema foi discutido e soube-se que outro grupo formado por organizações comerciais também discutiam a ideia de um registro da América Latina.
Em 30 de janeiro de 1998, Ira Magaziner, então assessor sênior de ciência do presidente norte-americano Bill Clinton, publicou um documento conhecido como o "Livro Verde" após o incidente sobre a autoridade da raiz do DNS. Uma versão revisada conhecida como o "Livro Branco" foi lançada em 5 de junho. O trabalho propunha uma nova organização para lidar com os recursos da Internet (que mais tarde culminou na formação da ICANN).
Após este lançamento, uma série de grupos organizaram conferências para discutir essa proposta e fazer sugestões, entre elas, o Fórum IFWP.
O IFWP organizou quatro reuniões, a última em Buenos Aires, que contou com a participação de vários indivíduos e organizações. Entre eles, Oscar Messano, Anthony Harris e Edmundo Valiente, da CABASE, Fábio Marinho, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e presidente da ASSESPRO - Associação Brasileira de Empresas de Software Serviços de Informática e Internet, Raimundo Beca - AHCIET - Associação Hispanoamericana de Centros de Investigación y Empresas de Telecomunicaciones, NIC México - Oscar Robles e German Valdez , Dunayevich Julian, y Echeverria Raul, ENRED.
Essas organizações, unidas por ECOMLAC - Federación Latino Americana y Caribeña para Internet y el Comercio Electrônico -, argumentou que os endereços IPs da América Latina poderiam ser tratados por uma entidade local e chegaram a um acordo para a sua criação.
Outras pessoas participaram dessas discussões iniciais, entre elas: Cadenas Eliezer (ENRED), Vienegas Fidel (AHCIET) e Raphael Mandarino (CGI.br).
Finalmente, o acordo para a criação do LACNIC (Latin American and Caribbean IP Address Regional Registry), foi assinado em Santiago em 22 de agosto de 1999, durante a segunda reunião da ICANN.
Um conselho provisório foi definido com seis membros:
- AHCIET - Raimundo Beca;
- CABASE - Jorge Plano, que foi posteriormente substituído por Oscar Messano;
- CGI.br - José Luis Ribeiro;
- ENRED - Julian Dunayerich, mais tarde substituído por Raul Echeverria;
- NIC.mx - German Valdez;
- ECOMLAC - Fabio Marinho;
Essa diretoria interina do LACNIC apresentou o acordo em 26 de agosto de 1999 a Esther Dyson, então Presidente do Conselho Provisório da ICANN para a aprovação da entidade.
Um plano de negócios para esta nova organização foi desenvolvido e apresentado ao ARIN, a organização responsável por essa região naquele momento. Um estatuto foi criado e foi decidido que a sede do LACNIC seria em Montevidéu, com o pessoal técnico e equipamentos operando em São Paulo, nas instalações do NIC.br.
Uma vez que o LACNIC estava em total conformidade com os critérios[4] para um novo registro regional de Internet, tal como estabelecido pela comunidade de Registries Internet e a ICANN, foi formalmente reconhecido pela ICANN durante a reunião em Xangai, em 31 de outubro de 2002.[5]
O LACNIC foi inaugurado em 2001, com sede administrativa em Montevidéu, Uruguai e com meios técnicos fornecidos pelo CGI.br[6] em São Paulo.
Área de cobertura do LACNIC
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Diretoria Executiva
| Nome | Cargo | País de residência | Fim de mandato |
|---|---|---|---|
| Alejandro Guzmán | Presidente | Colômbia | Dezembro de 2027 |
| Evandro Varonil | Vice Presidente | Brasil | Dezembro de 2027 |
| Gabriel Adonaylo | Tesoureiro | Argentina | Dezembro de 2026 |
| Wardner Maia | Segundo Tesoureiro | Brasil | Dezembro de 2025 |
| Esteban Lescano | Secretário | Argentina | Dezembro de 2027 |
| Carmen Denis | Segundo Secretário | México | Dezembro de 2026 |
| Javier Salazar | Diretor | México | Dezembro de 2025 |
| Rafael Lito Ibarra | DiretoR | El Salvador | Dezembro de 2026 |
Diretor Executivo: Ernesto Majó. O Diretor Executivo do LACNIC participa nas reuniões da Diretoria com direitos equivalentes ao de um diretor, porém sem voto.
Composição
As organizações que recebem endereços IP diretamente do LACNIC automaticamente tornam-se membros. De acordo com o tamanho do espaço de endereços que cada organização administra, há categorias de membros e diferentes níveis. A associação é aberta a qualquer pessoa ou organização interessada, o que significa que as organizações que não recebam endereços IP diretamente do LACNIC também podem solicitar a adesão.
Não é necessário se tornar um membro do LACNIC antes de solicitar um bloco de endereços IP (ou qualquer outro recurso), tampouco será mais fácil obtê-los ao fazer isso.
Acordos de Cooperação do LACNIC
Desde a sua criação, LACNIC adotou uma política de cooperação ativa, buscando consolidar-se como uma organização para reforçar a sua participação no crescimento e desenvolvimento da Internet na região e para satisfazer o seu objetivo principal da gestão dos recursos da internet para a região da América Latina e no Caribe.
Um exemplo disso são os primeiros acordos assinados com Comitê Gestor da Internet no Brasil e o NIC México. Através do primeiro acordo, foi possível obter a infraestrutura técnica e recursos humanos necessários para o centro operacional do LACNIC na cidade de São Paulo durante os dois primeiros anos de sua existência. No caso do acordo com o NIC México, foi possível implementar planos de LACNIC formação para a organização, através da elaboração de material e organização de reuniões em diferentes países da região.
Esses dois acordos tiveram um papel importante na conquista de estabilidade e viabilidade do LACNIC durante seus estágios iniciais.
Da mesma forma, através da geração de acordos de cooperação e actividades diferentes LACNIC foi possível contribuir significativamente para o fortalecimento da instituição, bem como para o crescimento e desenvolvimento da comunidade de Internet na região.
A participação do LACNIC em cada acordo é variada e depende dos recursos que estão disponíveis em cada caso, mas a intenção sempre é complementar os recursos e ações de cada organização. Por essa razão, em alguns casos, o LACNIC participa usando seus próprios recursos ou obtendo fundos provenientes do exterior da região, enquanto em outros facilita a institucionalização das organizações regionais de integração e co-participa da organização de fóruns e outros eventos, bem como o apoia a investigação em questões estratégicas.
Assim, embora não seja sua função principal, o LACNIC contribui para o crescimento e evolução da comunidade regional, reforçando a sua presença internacional e relevância, resultando em um maior grau de envolvimento sobre a definição de políticas e de gestão global de recursos da rede em nível internacional.
A Number Resource Organization
Com os outros RIRs, o LACNIC é um membro do Number Resource Organization (NRO), que existe para proteger o conjunto de recursos numéricos não-alocados, para promover e proteger o processo de desenvolvimento de políticas bottom-up e ser o ponto focal para a entrada no sistema de RIRs.
Referências
- ↑ «Memorando de Entendimento entre o LACNIC (Registro de Endereços da Internet para a América Latina e o Caribe, aqui referido como "LACNIC") e o Internet Systems Consortium, Inc. (referido aqui como "ISC")» (PDF). Consultado em 19 de outubro de 2010. Arquivado do original (PDF) em 6 de outubro de 2010
- ↑ «LACNIC Eleições da Diretoria»
- ↑ «Acerca do LACNIC». www.lacnic.net. Consultado em 22 de setembro de 2025
- ↑ «ICANN ICP-2 criteria»
- ↑ «Regular Meeting of the Board Minutes». ICANN. 31 de outubro de 2002. Consultado em 7 de outubro de 2010
- ↑ «Inicio do processo eleitoral do CGI.br». CGI.br. Consultado em 7 de outubro de 2010
Ligações externas
- Lacnic.net- site oficial.
- Sobre a filiação ao LACNIC, lacnic.net
- ICANN reconhece LACNIC, icann.org
- Desenvolvimento do Sistema de Registro Regional da Internet, nro.net