Zivia Lubetkin

Zivia Lubetkin
Conhecido(a) poruma das líderes do Levante do Gueto de Varsóvia
Nascimento
Byteń, Governorato de Grodno, Império Russo
Morte
11 de julho de 1978 (63 anos)

Lohamei HaGeta'ot, Israel
Nacionalidadepolonesa
CônjugeYitzhak Zuckerman

Zivia Lubetkin (em polonês: Cywia Lubetkin Cukierman; Byteń, 9 de novembro de 191411 de julho de 1978) foi uma das combatentes do Levante do Gueto de Varsóvia.

Foi instrutora e líder dos movimentos juvenis Dror e Hechalutz, foi uma das fundadoras do kibutz dos Combatentes dos Guetos e do Museu Casa dos Combatentes dos Guetos, além de ter sido militante do partido Ahdut HaAvodá e do movimento Kibutz Meuhad.

Biografia

Lubetkin nasceu em 1914, na cidade de Byteń, perto de Slonim, na Polônia Russa (atualmente parte de Belarus). Cresceu em um lar judaico tradicional e era uma das sete filhas do casal. Aos 16 anos, Lubetkin ingressou no movimento “Frayhayt” (“Dror”, ou “Liberdade”), e por meio dele passou a participar dos kibutzim de treinamento do movimento Hechalutz (“O Pioneiro”), primeiro no kibutz de Łuck, e em 1935, no kibutz de Kielce.[1]

Em 1938, Lubetkin foi chamada a se transferir para Varsóvia, capital da Polônia, para trabalhar no centro do movimento Hechalutz, onde atuou como coordenadora dos programas de treinamento da organização. Posteriormente, tornou-se uma das líderes do Hechalutz Hatzair (“O Jovem Pioneiro”) até 1939 e, a partir da fundação do Dror em dezembro de 1939, passou a integrar também sua liderança.[1]

Em agosto de 1939, participou como delegada do 21º Congresso Sionista, realizado em Genebra. O congresso foi interrompido com a notícia da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, e Lubetkin retornou à Polônia para se juntar a seus alunos, embora já tivesse obtido um visto de imigração para Israel.[1]

Segunda Guerra Mundial

Em 1942, Lubetkin ajudou a fundar o Bloco Antifascista Sionista de Esquerda, a primeira organização de resistência do Gueto de Varsóvia a enfrentar as forças alemãs em combate.[1]

Ela também foi uma das fundadoras da ŻOB (Żydowska Organizacja Bojowa, ou Organização Judaica de Combate) e atuou no Conselho Político da Comunidade Judaica de Varsóvia, conhecido como Comitê Nacional Judaico (Żydowski Komitet Narodowy – ŻKN). Além disso, participou do Comitê de Coordenação, uma entidade que reunia o ŻKN e o Bund, o partido socialista judaico não sionista, responsável por apoiar a ŻOB.[1][2][3]

Durante os anos em que esteve envolvida na resistência clandestina, o nome “Cywia” passou a ser usado como palavra-código para “Polônia” em cartas trocadas por diferentes grupos de resistência, tanto dentro quanto fora do gueto. Lubetkin foi uma das líderes do Levante do Gueto de Varsóvia e uma das apenas 34 combatentes que sobreviveram à guerra. Nos últimos dias da insurreição, em 10 de maio de 1943, ela conduziu seu grupo de sobreviventes pelos esgotos de Varsóvia, com a ajuda de Simcha “Kazik” Rotem, conseguindo escapar do gueto.[1][3]

Depois disso, continuou suas atividades de resistência no restante da cidade, fora do gueto, e participou da Insurreição de Varsóvia de 1944, lutando nas fileiras da Armia Ludowa (Exército Popular). Embora as forças judaicas tenham sido quase totalmente dizimadas pelos alemães, Lubetkin e alguns companheiros sobreviveram ao se refugiar em um hospital que concordou em escondê-los.[1]

Em 1 de março de 1945, tentou emigrar para a Palestina junto com o líder partigiano Abba Kovner, mas a tentativa fracassou porque a única rota disponível foi bloqueada, o que a obrigou a retornar a Varsóvia. Lubetkin chegou a receber um passaporte paraguaio emitido pelo Grupo Ładoś, que falsificava documentos para salvar judeus durante o Holocausto.[1]

Pós-guerra

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Tzivia Lubetkin passou a atuar junto à comunidade de sobreviventes do Holocausto na Europa e ajudou a organizar a Bricha, uma rede de resistência formada por voluntários que auxiliavam judeus da Europa Central e Oriental a cruzar fronteiras rumo à Mandato Britânico da Palestina, utilizando rotas de imigração clandestina.[1]

Ela própria imigrou para a Palestina em 1946. Casou-se com Yitzhak Zuckerman, comandante da ŻOB, e, junto com outros sobreviventes do gueto e combatentes partisans, fundou o kibutz Lohamei HaGeta’ot (“Combatentes dos Guetos”) e o Museu Casa dos Combatentes dos Guetos, construído em seu território. Em 1961, Lubetkin testemunhou no julgamento de Adolf Eichmann, o criminoso de guerra nazista capturado e julgado em Jerusalém.[1]

Seus dois filhos, Shimon (nascido em 1947) e Yael (nascida em 1949), nasceram no kibutz Lohamei HaGeta’ot, onde Lubetkin viveu até sua morte, em 11 de julho de 1978. Sua neta, Roni Zuckerman, fez história em 2001, tornando-se a primeira piloto de caça da Força Aérea de Israel. No mesmo ano, Lubetkin foi retratada pela atriz britânica Sadie Frost no filme para televisão Uprising.[1]

Vida pessoal e morte

Tzivia casou-se com Yitzhak Zuckerman, mas nunca mudou seu sobrenome. Foi mãe de Shimon, nascido em Kibutz Yagur quando ela tinha 33 anos, o primeiro bebê do grupo, e de Yael, nascida dois anos depois no Kibutz Lohamei HaGeta’ot. Como esposa, Lubetkin costumava assumir tarefas extras no kibutz para compensar o tempo de trabalho que Yitzhak perdia enquanto se dedicava às atividades do museu.[1]

Em 1976, após anos de tabagismo intenso, Lubetkin foi diagnosticada com câncer. Mesmo em seu leito de morte, continuou envolvida na edição de seu livro Bimei Kilayon U’Mered (“Nos Dias da Destruição e da Revolta*”) e pediu que a obra fosse publicada somente após sua morte.[1]

Morte

Ela faleceu em sua casa em 11 de julho de 1978, aos 63 anos, e foi sepultada no cemitério de seu kibutz. Em sua lápide está gravado apenas seu primeiro nome: “Tzivia”.[1]

Após sua morte, Yitzhak Zuckerman dedicou-se à publicação do livro, que acabou recebendo o Prêmio Yitzhak Sadeh de Literatura Militar.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o Tikva Fatal-Kna'ani (1 de março de 2009). «Zivia Lubetkin (1914–1978)». Jewish Women: A Comprehensive Historical Encyclopedia. Consultado em 12 de outubro de 2025 
  2. «Zivia Lubetkin-Zuckerman Dead at 64» (PDF). Jewish Telegraphic Agency. 13 de julho de 1978. Consultado em 12 de outubro de 2025 
  3. a b Bartrop, Paul R.; Dickerman, Michael, eds. (2017). The Holocaust: An Encyclopedia and Document Collection. Santa Barbara, California: ABC-CLIO. 412 páginas. ISBN 9781440840838. OCLC 967417159