Zinha Vaz
| Zinha Vaz | |
|---|---|
| Nascimento | 4 de outubro de 1952 (73 anos) Bissau (Guiné Portuguesa) |
| Cidadania | Guiné-Bissau |
| Alma mater |
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| Ocupação | diplomata, política, educadora, ministro, ativista dos direitos humanos, socióloga |
Francisca Maria Monteira e Silva Vaz Turpin, melhor conhecida como Zinha Vaz (Bissau, 4 de outubro de 1952),[1] é uma educadora, socióloga, activista social e política da Guiné-Bissau.
Em sua carreira política, Vaz foi deputada da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau por vários mandatos pelo Movimento de Resistência da Guiné-Bissau - Movimento Bafatá, também atuando como conselheira presidencial. Em 1999, ela serviu por um tempo breve como Prefeita de Bissau. Ela foi presa por razões políticas por três anos durante a década de 1970, e também em 2003 por vários dias. Foi, também, embaixadora da Guiné-Bissau na Gâmbia.
Biografia
Zinha Vaz nasceu em 4 de Outubro de 1952 na capital da cidade de Bissau e recebeu sua educação em Portugal. Ela recebeu um diploma de Educação do Instituto Superior de Ciências Educativas e em Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Também, trabalhou como professora do ensino primário em Portugal e na Guiné-Bissau.[1]
Carreira política
Apoiante da causa nacionalista, Zinha Vaz juntou-se ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) nos momentos finais da luta pela independência nacional.[2]
Quando o país ganhou a independência, trabalhou como tesoureira, chefe de pessoal e diretora de administração da companhia de gás e petróleo do Estado, a DICOL.[1]
Durante a década de 1970, Zinha Vaz era crítica do sistema do partido único adotado pelo PAIGC após a independência de Guiné-Bissau de Portugal, em 1974. Durante a administração do presidente Luís Cabral, ela foi presa entre 1977 e 1980. Depois de sua libertação da prisão, Zinha Vaz continuou seu ativismo político, passando a residir no exterior.
Fundação do partido RGB-MB
Em 1986, a execução de seis altas figuras políticas, incluindo o primeiro vice-presidente e ministro da justiça Paulo Correia e o ex-procurador-geral Viriato Pã, aconteceu. Os seis foram acusados de tentativa de golpe. Com um grupo de figuras poíticas dissidentes do PAIGC, Zinha Vaz fundou o Movimento da Resistência da Guiné-Bissau - Movimento Bafatá (RGB-MB).[1]
Entre 1992 e 2002, Zinha Vaz foi a fundadora e presidente da Associação de Atividade Econômica da Mulher da Guiné-Bissau,[2] assim como do Banco Popular de Crédito Bambaram. O Banco fornecia recursos para mulheres trabalhando no sector informal da economia.
Depois das primeiras eleições multipartidárias em 1994, Zinha tornou-se membro da Assembleia Nacional Popular pelo RGB-MB. O RGB-MB tornou-se o maior partido de oposição no parlamento, conquistando 19 das 100 cadeiras. Zinha Vaz foi uma das dez legisladoras mulheres. Dois membros da sua família também conquistaram cadeiras pelo RGB-MB, seu irmão Fernando Vaz e seu primo Hélder Vaz Lopes. Como membro do parlamento, Zinha Vaz focou-se em combater a corrupção e o abuso do poder por oficiais governamentais. Ela também tentou promover o papel das mulheres na sociedade da Guiné-Bissau.[2] Entre 1994 e 1999, Zinha Vaz também foi presidente da Comissão de Mulheres e Crianças da Assembleia Nacional Popular.[3]
Como membro da Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zinha Vaz tentou mediar a discussão entre o presidente Nino Vieira o brigadeiro-general e líder do golpe Ansumane Mané na Guerra Civil na Guiné-Bissau ocorrida entre 1998 e 1999.[1]
Prefeita de Bissau e reeleição ao parlamento
Em abril de 1999, nos momentos finais da Guerra Civil na Guiné-Bissau, Zinha Vaz foi nomeada prefeita da cidade-capital Bissau.[2] Sua nomeação como prefeita gerou tensão na cidade, já que a expectativa era que o secretário-geral do PAIGC, Paulo Medina, fosse nomeado. Soldados bloquearam uma rua e montaram barricadas.[4] Paulo Medina havia sido anteriormente prefeito da cidade. Depois que Zinha Vaz foi nomeada prefeita, ela tentou entrar nos prédios para recuperar documentos.[5] Quando Zinha Vaz tentou entrar na prefeitura, ela foi impedida por 24 soldados armados com Uzis. Ela encontrou a prefeitura em um estado de caos, com aparelhos de ar-condicionado levados por seu antecessor, salários não pagos por um ano e todos os recursos esgotados. Como o município não tinha computadores, nem recursos para comprá-los, Zinha Vaz perguntou à UNICEF se poderia receber computadores velhos deles. Durante seu mandato, de abril a novembro de 1999, ela também tentou melhorar o sistema de coleta de lixo na cidade para reduzir o risco de um surto de cólera.[6]
Zinha Vaz foi reeleita para a Assembleia Nacional Popular em 28 de novembro de 1999, e renunciou ao seu cargo de prefeita. Durante as mesmas eleições, Kumba Ialá, do Partido de Renovação Social, ganhou a presidência. Um governo de coalizão abaixo do primeiro-ministro Caetano N'Tchama foi formado em 2000 com ajuda do RGB-MB e, assim, Zinha Vaz foi nomeada conselheira presidencial para assuntos políticos e diplomáticos. No entanto, o governo da coalizão caiu um ano depois, quando políticos do RGB-MB, que estavam na coligação com o governista Partido de Renovação Social, conseguiram aprovar uma moção de desconfiança. Os cinco membros do RGB-MB do gabinete, então se retiraram, incluindo seu primo Hélder Vaz Lopes (Ministro da Economia e Desenvolvimento Regional) e seu irmão Fernando Vaz (Secretário de Estado dos Transportes).[3]
Em 12 de fevereiro de 2003, Zinha Vaz foi presa e detida na estação policial da Segunda Esquadra. Como ainda era membra da Assembleia Nacional Popular ela tinha imunidade, e a prisão foi portanto, considerada ilegal. Ela tinha respondido à difamação do seu pai, João Vaz, pelo Presidente Kumba Ialá, que havia declarado Vaz como traidor do lider do movimento nacionalista de Guine-Bissau, Amílcar Cabral, para defesa do estado de Portugal, PIDE. Zinha Vaz respondeu dizendo que, quando Kumba Ialá ainda era membro do PAIGC em 1986, ele havia denunciado as vítimas das execuções que levaram à fundação do RGB-MB.[3] Zinha foi libertada da prisão dois dias depois de sua detenção, mas uma proibição de viagem permaneceu para ela até julho.[7] Para Ialá, o incidente não teve mais consequências, pois ele desejava nomear Zinha Vaz como Ministra das Relações Exteriores em 31 de junho de 2003. Ela, no entanto, recusou.[3]
Novo partido, candidatura presidencial e carreira como embaixadora
Em 2003, o RGB-MB se desintegrou e Zinha Vaz deixou o partido juntamente com seus familiares. Juntos eles fundaram a Plataforma Unida, que se dissolveu cinco anos depois. Depois das eleições para a Assembleia Nacional do Povo, ela fundou a União Patriótica Guineense, que não participou das eleições presidenciais de 2005, mas apoiou o candidato do PAIGC, Malam Bacai Sanhá.[3] Ele, no entanto, perdeu para o ex-Presidente Nino Vieira, que havia sido deposto na Guerra Civil de 1999-2000. A União Patriótica Guineense (UPG) foi o segundo partido na Guiné-Bissau fundado por uma mulher.[8] A UPG concorreu às eleições parlamentares de 2008, mas não conseguiu conquistar nenhuma cadeira, obtendo 0.61% do total de votos. Ainda, Zinha Vaz foi candidata do partido nas eleições presidenciais de 2009, terminando em nono lugar entre onze.[3][2]
Zinha Vaz depois foi nomeada embaixadora na Gâmbia; ela exerceu essa função até 6 de novembro de 2012.[9]
Referências
- ↑ a b c d e Mendy, Peter Michael Karibe; Lobban, Richard Andrew (2013). Historical dictionary of the Republic of Guinea-Bissau. Col: Historical dictionaries of Africa 4th ed. ed. Lanham [Md.]: Scarecrow Press. p. 393
- ↑ a b c d e «Zinha Vaz e o combate pelas mulheres da Guiné-Bissau». RFI. 8 de março de 2019
- ↑ a b c d e f Mendy, Peter Michael Karibe; Lobban, Richard Andrew (2013). Historical dictionary of the Republic of Guinea-Bissau. Col: Historical dictionaries of Africa 4th ed ed. Lanham [Md.]: Scarecrow Press. p. 394
- ↑ «Opposition MP's naming as mayor raises tension in G. Bissau». SFP. 23 de abril de 1999. Consultado em 22 de maio de 2014. Arquivado do original em 22 de maio de 2014
- ↑ Heitor, Jorge (23 de abril de 1999). «Ecomog evitou reacender da guerra». PÚBLICO. Consultado em 22 de maio de 2014
- ↑ Bossema, Wim (26 de novembro de 1999). «Guinee kampt met verleden van nietsdoen». de Volkskrant (em neerlandês). Consultado em 22 de maio de 2014
- ↑ «Amnesty International Report 2004 - Guinea-Bissau». Refworld (em inglês). Consultado em 22 de maio de 2014
- ↑ «Mujeres de Guinea Bissau Pilares esenciales para el cambio, por Paquita Reche, mnsda». Fundación Sur (em espanhol). Consultado em 22 de maio de 2014
- ↑ «União Patriótica Guineense discorda da presença de militares angolanos». pesquisa.sapo.mz. 24 de março de 2011. Consultado em 22 de maio de 2014