Zarevanda
Zarevanda (em armênio: Զարևանդ; romaniz.: Zarevand) ou Zaravanda (Զաաևանդ, Zaravand), segundo a Geografia de Ananias de Siracena, foi um gavar (cantão) da província da Persarmênia, na Armênia.[1] Na atualidade, faz parte do condado de Salmas, no Irã.[2]
Nome
Zarevanda, por vezes referida como Zareavã, é um topônimo composto por Zaré (Զարեհ, Zareh), a grafia armênia de Zariadres, e -avã (ավան, -awan), "cidade". Nesse sentido, seu nome significa "Cidade de Zariadres".[3]
História
Inscrições urartianas mencionam uma região chamada Zaranda, que incluía Zaravanda, Maranda e Her.[4] Uma das menções mais antigas a Zarevanda é feita na Vida de São Gregório, onde é registrada como Zaurabando (em grego: Ζαυραβανδων; romaniz.: Zaurabandōn).[5] Fazia fronteira com Zareavã, que compartilha a mesma raiz etimológica de seu nome. Por serem adjacentes e pela semelhança de seus nomes, supõe-se que a ideia de que fossem distritos separados pode ser decorrente da confusão das fontes.[4] Ao citar a região na qual Zareavã e Zaravanda existiam, Ptolomeu utilizou o topônimo Zaruana, que pode aludir a uma das duas ou ambas.[6]
Zarevanda compreendia uma área de 500 quilômetros quadrados.[4] Junto de Her, compunha um principado governado por uma dinastia homônima.[7] O nome Persarmênia, que define a província onde Zarevanda-Her (Sigrianica para os gregos[8]) estava localizado, não foi utilizado pelas fontes armênias anteriores a Ananias de Siracena e é possível, segundo Robert Hewsen, que a província como um todo tinha o mesmo nome do principado, com o nome atribuído por Ananias aludindo à sua anexação pelo Império Sassânida com base nos termos da Paz de Nísibis de 363.[9]
Entre os séculos IX e XI, juntamente com os distritos de Arna e Tambera, foi incorporado ao principado e posteriormente Reino de Vaspuracânia dos arzerúnidas.[10] Em períodos posteriores, formou-se ali o cantão de Salmas, que era predominantemente habitado por armênios. Após o Tratado de Turcamanchai (1828), milhares de armênios emigraram dessa região para a Armênia Oriental. Atualmente, ainda existem aldeias armênias preservadas dentro do distrito de Salmas.[11]
Referências
- ↑ Hewsen 1992, p. 63-63A, 232, 251, 299, 314.
- ↑ Hewsen 1992, p. 178-179.
- ↑ Stone & Topchyan 2022, p. 50-51.
- ↑ a b c Hewsen 1992, p. 179.
- ↑ Hewsen 1992, p. 174.
- ↑ Hewsen 1992, p. 334.
- ↑ Toumanoff 1963, p. 219.
- ↑ Hewsen 1992, p. 147.
- ↑ Hewsen 1992, p. 171, 292.
- ↑ Hakobyan, Melik-Baxšyan & Barsełyan 1988–2001, p. 277.
- ↑ Hakobyan, Melik-Baxšyan & Barsełyan 1988–2001, p. 277-278.
Bibliografia
- Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Զարեհաւան». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 1–5. Erevã: Yerevan State University Publishing House
- Hewsen, Robert H. (1992). The Geography of Ananias of Širak. The Long and Short Recensions. Introduction, Translation and Commentary. Wiesbaden: Dr. Ludwig Reichert Verlag
- Stone, Michael E.; Topchyan, Aram (2022). Jews in Ancient and Medieval Armenia: First Century BCE to Fourteenth Century CE. Oxônia: Oxford University Press
- Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Georgetown University Press