Zareavã (Airarate)

 Nota: Para outros significados, veja Zareavã.

Zareavã (em armênio: Զարեհաւան; romaniz.: Zarehawan) foi uma localidade do distrito (gavar) de Zalcota ou Bagrauandena, da província de Airarate, do Reino da Armênia.

Nome

Zareavã é um topônimo composto por Zaré (Զարեհ, Zareh), a grafia armênia de Zariadres, e -avã (ավան, -awan), "cidade". Nesse sentido, seu nome significa "Cidade de Zariadres".[1]

História

A localização exata de Zareavã é desconhecida e o assentamento pode ter pertencido ao distrito (gavar) de Zalcota ou Bagrauandena, da província de Airarate, do Reino da Armênia. Foi sugerido que pudesse ser a futura Diadine, mas o historiador Łevond Ališan considerou a sugestão pouco plausível e identificou Zareavã com a futura vila de Juchã. Nesse sentido, Zareavã não estava muito longe de Diadine, no sopé do monte Nifates, perto da nascente do rio Murate, em sua margem direita, próximo a Bagauna, na rota das caravanas entre Tabriz, Carim (atual Erzurum) e Trapezo (atual Trebizonda).[2] A julgar por seu nome, Zareavã deve ser uma cidade helenística fundada no século II a.C. por Artaxias I (r. 189–160 a.C.) em honra a seu pai Zariadres, aos moldes das inúmeras cidades batizadas como Alexandria. Configurou-se como um importante centro comercial e urbano.[3][4]

Zareavã foi mencionada pela primeira vez por Ptolomeu no século II como Zaruana (em grego: Ζαρουάνα; romaniz.: Zarouána).[5] Fausto, o Bizantino (século IV) citou que tinha uma população armeno-judaica, e é possível que os habitantes judeus tenham sido levados para lá no reinado de Tigranes, o Grande (r. 95–55 a.C.).[2] Em 368-369, como consequência da Paz de Nísibis assinada pelo Império Romano e o Império Sassânida, o xainxá Sapor II (r. 309–379) invadiu a Armênia e saqueou a cidade, cuja população foi deportada. Desde sua destruição, foi referida por fontes posterior (Lázaro de Farpe, Sebeos e Estêvão de Taraunitis) como uma cidade pouco povoada e/ou uma vila sem importância.[6] No contexto da revolta de Vardanes II (450–451) contra a autoridade do xainxá Isdigerdes II (r. 438–457), os rebeldes, liderados pelo católico José I, massacraram os magos zoroastristas de Zareavã que estavam tentando cortar o abastecimento de água.[7][2]

Nos anos 650, no contexto da conquista muçulmana da Armênia, os árabes evitaram confrontos com as tropas do Império Bizantino na região e fugiram pelo rio Murate rumo a Zareavã, onde se fortificaram. Essa menção indica que, no século VII, era um assentamento murado. Simbácio de Zareavã (século IX) foi líder do movimento camponês-sectário que se espalhou a partir da vila de Tondraque. Embora não seja mencionado nos séculos subsequentes, existiu como uma pequena vila habitada por armênios até o século XIX, e na segunda metade daquele século já estava deserta, e os habitantes haviam migrado para várias direções.[8][2]

Referências

Bibliografia

  • Adontz, Nicholas (1970). Armenia in the Period of Justinian. The Political Conditions Based on the Naxarar System. Translated with Partial Revisions, a Bibliographical Note and Appendices, by N.G. Garsoïan. Lovaina: Peeters Publishers 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachussetes: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Hakobyan, Tadevos (1987). «Զարեհավան». Patmakan Hayastani kʻałakʻnerě Պատմական Հայաստանի քաղաքները [Cities of historical Armenia]. Erevã: Hayastan 
  • Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Զարեհաւան». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան [Dicionário da Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House 
  • Stone, Michael E.; Topchyan, Aram (2022). Jews in Ancient and Medieval Armenia: First Century BCE to Fourteenth Century CE. Oxônia: Oxford University Press