Yrlan Cavet
Yrlan Cavet | |
|---|---|
![]() Yrlan Cavet | |
| Período | 1956 a 1963 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 29 de novembro de 1915 |
| Morte | 27 de março de 1978 |
| Nacionalidade | Brasileiro |
| Cônjuge | Lyria Todeschini Cavet |
| Filhos(as) | Leyla, Lyrian e Newton |
| Partido | Partido Democrata Cristão (PDC) (até 1958) Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) (1958) Independente |
| Profissão | Empresário, Político |
Yrlan Cavet (1915 – 1978), grafado ocasionalmente como Irlan Cavet, filho de Benjamin Delatre Cavet e Elisa Lesbat Cavagnari, foi um industrial e político brasileiro. Exerceu dois mandatos como vereador na Câmara Municipal de Curitiba, destacando-se nas décadas de 1950 e 1960 como uma das principais vozes nacionalistas do estado, autor de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e figura influente na sociedade paranaense.
Biografia e Atuação Empresarial
Em 1937, Yrlan Cavet concluiu sua formação acadêmica no curso de madureza do tradicional Gymnasio Parthenon Paranaense. A cerimônia de colação de grau ocorreu nos salões do Clube Curitibano. [1]
Além da vida pública, Yrlan foi um empresário de destaque. Atuou no setor da indústria e comércio de trigo, chegando a capitanear a construção de um moinho de grande porte na cidade de Ponta Grossa no final da década de 1950. [2]
Sua posição social o colocava entre a elite curitibana da época. Em 1957, figurou na lista dos "10 Senhores Mais Elegantes do Paraná", publicada em colunas sociais de grande circulação, ao lado de renomados juristas e médicos. [3]
No âmbito esportivo, manteve laços com o esporte amador, chefiando delegações do Todeschini F.C. (agremiação ligada à família de sua esposa, Lyria Todeschini) em excursões pelo litoral do estado. [4]
Carreira Política
Yrlan Cavet foi eleito para sua primeira legislatura (iniciada em 1956) com 619 votos pela legenda do Partido Democrata Cristão (PDC). [5] Sua trajetória foi marcada por posições firmes e rupturas ideológicas.
Rompimento com o PDC
Inicialmente integrante da Mesa Diretora da Câmara (como 1.º e 2.º Secretário), Yrlan rompeu com o PDC em fevereiro de 1958. O estopim foi uma carta enviada ao presidente do partido, Joaquim de Mattos Barreto, onde criticava a entrada de "paraquedistas" na legenda e denunciava a "interferência indébita e despótica" do então prefeito Ney Braga na eleição da Mesa Diretora para favorecer aliados. [6]
Liderança no PTB
Após sair do PDC, aproximou-se do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), onde chegou a ocupar o posto de Líder da Bancada Trabalhista. Contudo, sua permanência foi breve. Em 31 de agosto de 1958, renunciou à liderança e desfiliou-se, afirmando em carta aberta que a direção partidária não oferecia suporte suficiente à sua luta pela nacionalização dos serviços públicos. [7]
A "Batalha dos Telefones" e a CPI
A atuação mais notória de Yrlan Cavet foi o enfrentamento ao monopólio da Cia. Telefônica Nacional (subsidiária da International Telephone and Telegraph - ITT), episódio conhecido como a "Batalha dos Telefones". Cavet cunhou e popularizou na imprensa o apelido "Major dos Automáticos" para referir-se ao prefeito Ney Braga, criticando sua suposta subserviência aos interesses estrangeiros. [8]
Presidência da CPI
Yrlan presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a telefonia. Seus trabalhos focaram em:
- A Fraude das Debêntures: Denunciou que a empresa emitia debêntures (títulos de crédito) "falsas" ou "nulas", obrigando os usuários a financiarem a companhia sem garantias reais, manobra que classificou como estelionato contra a economia popular. [9]
- Conexão Nacionalista: Buscando apoio para a tese da Encampação (nacionalização) do serviço, Yrlan Cavet telegrafou ao então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, prestando solidariedade e alinhando a estratégia de Curitiba com a encampação da ITT promovida pelo governo gaúcho. [10]
Em seus artigos na seção "Secção Livre" dos jornais, Yrlan sustentou argumentos técnicos e econômicos:
- Superfaturamento: Denunciou que a avaliação dos ativos da rede telefônica teria sido inflada de 29 milhões para 44 milhões de cruzeiros, onerando as tarifas.
- Comparativo Tarifário: Apresentou estudos demonstrando que a assinatura telefônica em Curitiba (Cr$ 169,00) era superior à cobrada no ABC Paulista (Cr$ 120,00), onde operava a Cia. Telefônica da Borda do Campo com tecnologia mais moderna. [11]
- Debate Jurídico: Protagonizou embates públicos com o jurista Rubens Requião, consultor da Associação Comercial, questionando a legalidade da cobrança de debêntures compulsórias aos usuários.
Atuação Legislativa e Urbanismo
Além da infraestrutura, seu mandato abrangeu:
- Urbanismo (Caso "O Mostrengo"): Cavet liderou a oposição à construção de um controverso edifício na Praça Zacarias, apelidado pela população de "O Mostrengo". O vereador alegava que a obra feria princípios básicos de estética urbana no centro histórico. [12]
- Cidadania e Cultura: Foi autor do projeto que concedeu o título de Cidadão Honorário de Curitiba ao artista circense Othelo Queirolo, o popular palhaço "Chic-Chic", reconhecendo o valor da cultura popular. [13]
- Defesa do Consumidor: Atuou junto à COAP contra a majoração abusiva nos preços de produtos farmacêuticos e da carne verde. [14]
- Reforma Administrativa: Foi o portador do projeto de lei aprovado pelo Legislativo que reestruturou a composição orgânica da Prefeitura de Curitiba, entregando o texto final pessoalmente ao então prefeito Iberê de Mattos. [15]
- Cinemas e Cultura: Atuou na regulação das salas de cinema da capital, votando favoravelmente à proibição de propaganda comercial nas sessões e sendo autor da lei que tornou obrigatória a instalação de relógios visíveis ao público dentro das salas de projeção. [16]
Vida Pessoal
Membro da elite social, Yrlan Cavet foi casado com Lyria Todeschini Cavet, com quem teve três filhos: Newton, Lyrian e Leyla. Faleceu em 27 de março de 1978. A missa de sétimo dia foi realizada na Igreja de Santa Terezinha.
Atualmente, possui uma rua em sua homenagem, localizada no bairro Alto Boqueirão, em Curitiba.[17]
Referências
- ↑ «Collarão Gráu Hoje». Correio do Paraná. Curitiba. 27 de janeiro de 1938
- ↑ «Vereador Irlan Cavet - 2.º Secretário». A Divulgação (PR) 3 ed. Curitiba. 1957. p. 19
- ↑ «Os 10 Senhores Mais Elegantes de 57». O Dia (PR). Curitiba. 31 de dezembro de 1957. p. 5
- ↑ «Todeschini x Cruzeiro Amanhã em Guaratuba». Correio do Paraná. Curitiba. 1958
- ↑ «Eleições em Foco: Resultado Oficial». Diário do Paraná. Curitiba. 1955
- ↑ «Vereador Irlan Cavet desliga-se do PDC». O Dia (PR). Curitiba. 7 de fevereiro de 1958. p. 4.
Em carta dirigida ao presidente daquele Partido, o referido vereador manifesta o seu desagrado...
- ↑ Jornal O Estado do Paraná, Coluna "Yrlan Cavet Afasta-se dos Quadros Petebistas", 1958.
- ↑ Cavet, Yrlan (1958). «Nossos Telefones e o Major dos Automáticos». Diário do Paraná. Curitiba
- ↑ «Pedido de Informações Sobre o Contrato Firmado com a Cia. Telefônica Nacional». Diário do Paraná. Curitiba. 1958.
O vereador Yrlan Cavet questiona se as debêntures são 'falsas' e 'nulas'.
- ↑ «Comissão de Inquérito Sobre Telefonica Apoia Brizola». Diário do Paraná. Curitiba. 1959.
O vereador Irlan Cavet telegrafa ao governador Leonel Brizola, solidarizando-se com medida decretada.
- ↑ Cavet, Yrlan. "Nossos Telefones e o Major dos Automáticos". Diário do Paraná, 1958.
- ↑ «O 'Mostrengo' na Câmara Municipal». Diário do Paraná. Curitiba. 1958
- ↑ «Um Queirolo No Coração De Nosso Povo». Diário da Tarde. Curitiba. 17 de setembro de 1958.
Oportuna atitude do ilustre vereador Yrlan Cavet, concedendo o titulo de 'Cidadão Honorario' ao veterano artista Othelo Queirolo.
- ↑ «Pedido à COAP que Evite a Majoração Enunciada nos Produtos Farmacêuticos». Diário do Paraná. Curitiba. 1958
- ↑ Coluna "Aconteceu em Curitiba - Novos Órgãos Administrativos", Jornal Diário do Paraná, 1958.
- ↑ Diário do Paraná, Coluna "Expediente", 1958.
- ↑ «R. Ver. Yrlan Cavet - Alto Boqueirão · Alto Boqueirão, Curitiba - PR, 81720-340, Brasil». R. Ver. Yrlan Cavet - Alto Boqueirão · Alto Boqueirão, Curitiba - PR, 81720-340, Brasil. Consultado em 17 de dezembro de 2025
