Usina Hidrelétrica de Xingó

Usina Hidrelétrica Xingó

Usina de Xingó
Localização
Localização Piranhas e Canindé de São Francisco, Alagoas e Sergipe, Brasil Editar isso no Wikidata
Rio Rio São Francisco
Coordenadas -9.620891,-37.79108
Dados gerais
Empresa geradora CHESF
Operador CHESF
Obras 1987-?
Data de inauguração 1994
Características
Tipo Barragem de Enrocamento com Núcleo de Argila, Barragens de Gravidade em Concreto
Altura 141 m
Reservatório
Área alagada 62,23 km²
Capacidade de geração 3162 MW
Unidades geradoras 6
Website
http://www.chesf.gov.br

Descrição técnica da Usina Hidrelétrica de Xingó

A Usina Hidrelétrica de Xingó (UHE Xingó) é um empreendimento hidrelétrico de grande porte integrante do complexo energético do Rio São Francisco, localizada no trecho do Baixo São Francisco, entre os municípios de Canindé de São Francisco (SE) e Piranhas (AL), a aproximadamente 6 km e 12 km desses municípios, respectivamente. O empreendimento é operado pela Eletrobras Chesf e possui potência instalada total de 3.162 MW, desempenhando papel estratégico na geração de energia elétrica para o Sistema Interligado Nacional (SIN) .

O aproveitamento hidrelétrico é constituído por uma barragem principal do tipo enrocamento com face de concreto (CFRD), com altura máxima de aproximadamente 151 m sobre as fundações e comprimento de crista de cerca de 850 m, complementada por quatro diques auxiliares (Diques 1, 2, 3 e 4), responsáveis pelo fechamento lateral do reservatório nas áreas de menor cota topográfica .

O reservatório da UHE Xingó é classificado como de acumulação, apresentando área aproximada de 60 km² na cota máxima normal de operação (El. 138,00 m), volume total de 3.793,135 hm³ e volume útil reduzido, da ordem de 41 hm³, característica que confere ao empreendimento comportamento operacional próximo ao de usinas a fio d’água, especialmente no que se refere à regularização de vazões .

O sistema extravasor é composto por um vertedouro de superfície, localizado na margem esquerda do rio, com capacidade máxima de descarga de 33.000 m³/s, dimensionado para a cheia decamilenar. O vertedouro possui duas calhas independentes, equipadas com 12 comportas do tipo segmento, cada uma com 14,8 m de largura e 20,7 m de altura, além de canal rápido e dissipador de energia do tipo salto de esqui, garantindo condições adequadas de dissipação hidráulica a jusante .

A tomada d’água e a casa de força localizam-se na margem direita. A tomada d’água é do tipo gravidade, composta por 10 blocos estruturais, com soleira na cota 107,15 m, cada um dimensionado para uma vazão de projeto de 500 m³/s, alimentando condutos forçados de aço com diâmetro de 9,5 m. A casa de força é do tipo semi-abrigada, a céu aberto, e abriga seis unidades geradoras, associadas a sistemas auxiliares mecânicos, elétricos e de controle distribuídos em múltiplos níveis estruturais .

Do ponto de vista da segurança de barragens, a UHE Xingó foi projetada com critérios conservadores e dispõe de um Sistema de Gestão de Segurança de Barragens, apoiado por extensa instrumentação geotécnica e estrutural, incluindo piezômetros, extensômetros, medidores de vazão, pêndulos diretos e invertidos, drenos e estação sismográfica. O monitoramento contínuo é integrado ao sistema corporativo SYSDAM, permitindo avaliação permanente do comportamento estrutural e resposta imediata a eventuais anomalias .

O empreendimento conta ainda com um Plano de Ação de Emergência (PAE) estruturado conforme a Lei nº 12.334/2010 (Política Nacional de Segurança de Barragens) e a Resolução Normativa ANEEL nº 1.064/2023, contemplando estudos de ruptura hipotética, mapeamento de áreas potencialmente afetadas, definição das Zonas de Autossalvamento (ZAS) e Zonas de Segurança Secundária (ZSS), além de protocolos de comunicação, alerta e articulação com os órgãos de Defesa Civil .

Construção

Os estudos técnicos iniciais para o aproveitamento hidrelétrico de Xingó inserem-se no contexto do planejamento energético do Rio São Francisco, com levantamentos e análises preliminares realizados a partir da década de 1950. No entanto, a efetiva viabilização do empreendimento ocorreu apenas décadas depois, com a formalização dos contratos de construção em 1982, após a consolidação dos estudos de engenharia, geologia, hidrologia e viabilidade econômico-financeira.

As obras civis da Usina Hidrelétrica de Xingó tiveram início em março de 1987, abrangendo a implantação da barragem principal, diques auxiliares e estruturas associadas. Em setembro de 1988, os trabalhos foram temporariamente interrompidos em decorrência de restrições financeiras impostas por uma crise econômica nacional, que impactou o fluxo de investimentos do setor elétrico.

A construção foi retomada em 1990, com a reestruturação do cronograma físico-financeiro e a continuidade das obras civis e eletromecânicas. Em 1994, foi concluída a fase principal de implantação da barragem e de suas estruturas associadas, permitindo o início da operação hidráulica do empreendimento.

O represamento do Rio São Francisco teve início em 10 de junho de 1994, com o enchimento gradual do reservatório, conduzido de forma controlada e monitorada, em conformidade com os critérios de segurança de barragens. Em 15 de novembro de 1994, o reservatório atingiu sua cota máxima operacional.

A entrada em operação da usina ocorreu de maneira progressiva, acompanhando o comissionamento das unidades geradoras. A primeira unidade entrou em operação em dezembro de 1994, seguida pela incorporação de duas unidades em 1995, mais duas em 1996, culminando com o comissionamento da última unidade geradora em agosto de 1997, quando a UHE Xingó passou a operar com sua capacidade instalada total de 3.162 MW.

Barragem

A Barragem de Xingó é do tipo enrocamento com face de concreto (Concrete Face Rockfill Dam – CFRD), projetada para o aproveitamento hidrelétrico do Rio São Francisco. A estrutura principal possui aproximadamente 830 metros de comprimento de crista e 140 metros de altura máxima, constituindo-se em uma das maiores barragens desse tipo no Brasil.

O maciço da barragem é composto por cinco zonas distintas de enrocamento, totalizando cerca de 12,9 milhões de metros cúbicos de material, predominantemente rocha granítica, selecionada e disposta conforme critérios geotécnicos e estruturais específicos para garantir estabilidade, impermeabilidade e desempenho hidráulico adequados. A vedação hidráulica é assegurada por uma face de concreto armado, executada no paramento montante.

Além da barragem principal, o aproveitamento conta com quatro diques auxiliares, responsáveis pelo fechamento do reservatório em áreas de menor cota topográfica, assegurando a contenção do volume útil e a conformação do lago.

O sistema extravasor está localizado a nordeste da barragem, sendo constituído por um vertedouro de superfície equipado com 12 comportas, com capacidade máxima de descarga da ordem de 33.000 m³/s, dimensionado para atender aos critérios de segurança hidráulica associados a cheias extremas.

A barragem forma um reservatório com volume total aproximado de 3,8 km³, área de espelho d’água de cerca de 60 km² na cota máxima operacional e bacia de contribuição da ordem de 630.000 km², abrangendo extensa área da Região Hidrográfica do São Francisco.

Parte do reservatório e os cânions situados a jusante do empreendimento, até o Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, encontram-se inseridos em área ambientalmente protegida, correspondente à Unidade de Conservação Monumento Natural do Rio São Francisco, com aproximadamente 26.736 hectares, o que confere relevância ambiental e paisagística adicional ao empreendimento.

Usina

A Usina Hidrelétrica Xingó, empreendimento estratégico da Eletrobras Chesf, apresenta uma complexa infraestrutura de engenharia civil e eletromecânica situada no baixo Rio São Francisco. Sua Casa de Força, do tipo abrigada e localizada na margem direita (Alagoas), possui dimensões de 240,75 metros de comprimento, 59 metros de altura e 27 metros de largura. A estrutura foi projetada pela Promon Engenharia e conta com uma Tomada D'água do tipo gravidade, composta por 10 blocos de 24 metros de largura e altura máxima de 71 metros.

Atualmente, a usina opera com uma potência instalada de 3.162 MW, distribuída em seis unidades geradoras. Cada unidade é equipada com turbinas tipo Francis, fabricadas pela Siemens, com capacidade nominal de 527 MW e dimensionadas para uma vazão de projeto de 500 m³/s por conduto forçado. O arranjo geral foi tecnicamente concebido para uma futura expansão, prevendo a inclusão de mais quatro geradores idênticos, o que elevaria a capacidade total do complexo para 5.270 MW.

Para garantir a segurança estrutural e operacional, o complexo integra um sistema extravasor de alta capacidade, composto por um vertedouro de encosta com 12 comportas tipo segmento, capaz de verter até 33.000 m³/s. Todo o monitoramento é realizado através do sistema Sysdam, que integra dados de instrumentação como piezômetros, pêndulos e extensômetros para análise contínua da estabilidade do barramento.

Ver também

Referências