Walter Schültz Portoalegre
| Walter Schültz Portoalegre | |
|---|---|
| Nascimento | Porto Alegre |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | compositor |
Walter Schültz Portoalegre (Porto Alegre, 30 de março de 1907 — Rio de Janeiro, 19 de setembro de 1957) foi um compositor brasileiro, de origem teuto-gaúcha, que se destacou no cenário musical do Rio Grande do Sul e do Brasil nas décadas de 1940 e 1950. Sua obra é notável pelo caráter nacionalista, com forte emprego de temas e elementos do folclore brasileiro, e por sua prolífica produção em diversos gêneros, incluindo música de câmara, sinfônica e música para cinema. Produziu cerca de 27 trilhas sonoras para filmes. Embora depois de sua morte sua obra tenha caído no esquecimento, está recentemente sendo resgatada. Nesse movimento, foi um marco a reapresentação em Porto Alegre, em 2001, de sua ópera Boiúna – A Lenda da Noite, com libreto do poeta Sylvio Moreaux, que havia sido estreada em 1955 no Rio de Janeiro.[1] A partitura foi perdida e só sobreviveu uma redução para piano, que foi reconstruída pelo maestro Ion Bressan, gravando a ópera em um CD com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.[2]
Biografia e carreira
Nascido em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, Walter Schültz Portoalegre iniciou sua formação musical no ambiente cultural gaúcho. Tornou-se uma figura ativa no cenário musical da região, atuando tanto como compositor quanto em atividades de promoção cultural, chegando a participar de eventos importantes como os festejos do Bicentenário da Cidade de Porto Alegre.
Sua carreira floresceu ao longo das décadas de 1940 e 1950, período em que estabeleceu uma reputação como compositor de concerto. Sua produção é considerada vasta e abrange uma diversidade de formas musicais. Entre suas obras de maior envergadura, destacam-se:
• Duas Sinfonias
• Dois Bailados
• Numerosas peças de câmara
A estética composicional de Schültz Portoalegre alinhava-se à corrente do Nacionalismo Musical no Brasil, um movimento que buscava criar uma identidade musical nacional a partir da incorporação de ritmos, melodias e temas folclóricos regionais. O pesquisador de sua obra, Felipe Trindade de Castro, em sua dissertação, aborda o processo de "tornar-se brasileiro" do compositor, examinando as mudanças estilísticas em suas obras que o inseriram plenamente no contexto cultural brasileiro.[3]
Obras selecionadas
Sua obra, como o Concerto Sinfônico Popular, era apresentada em salas de concerto importantes, como no Salão do Clube Concórdia em Curitiba em 1949, evidenciando sua circulação para além do Rio Grande do Sul.
- Serenata
- Sozinha (com letra de Barbara Norton)
- Ave Maria (registrada em fonograma)
- Peças se câmara diversas [4]
Cinema
Além da música de concerto, Schültz Portoalegre também contribuiu para a indústria cinematográfica brasileira. Seu nome está associado à composição de trilhas sonoras para diversos filmes da época, incluindo:[5]
- Paixão nas Selvas
- Almas Adversas
- Estranho Mundo (ou Mundo Estranho)
- Mulher do Diabo
- Pecadora Imaculada
A Ópera Indígena de Walter Schültz
Boiúna – A Lenda da Noite é a única ópera conhecida de Walter Schültz Portoalegre (1907–1957), com libreto do poeta Sylvio Moreaux. A obra representa um marco no cenário da ópera nacionalista, sendo um notável esforço de Schültz Portoalegre para consolidar uma identidade musical genuinamente brasileira por meio do folclore.[6]
Origem e Contexto Cultural (Anos 50)
A ópera tem sua gênese na rica mitologia amazônica, inspirada na lenda da Boiuna ou Cobra Grande, uma gigantesca serpente que, em diferentes versões do folclore, é a guardiã do elemento primordial da noite.
A narrativa mais comum da lenda, utilizada em contextos culturais (e que inspirou o libreto), conta que, no início dos tempos, só existia o dia. A noite estava guardada nas profundezas do rio, sob o domínio da Boiúna. A filha da Cobra Grande, casada com um jovem na terra, sente falta da escuridão para dormir. O marido e seus amigos buscam a noite com a Boiúna, que a entrega contida em um caroço de tucumã. Por curiosidade, os amigos abrem o caroço antes da hora, libertando a noite e, por vezes, transformando-se em animais noturnos como punição.
A composição, que estreou em meados da década de 1950, insere-se diretamente no movimento do Nacionalismo Musical Brasileiro. Este período foi marcado por compositores que, seguindo o legado de Villa-Lobos e outros, buscavam temas nacionais e regionais, afastando-se de enredos europeus tradicionais para criar uma arte erudita com raízes brasileiras. A escolha de uma lenda indígena, em vez de um tema histórico ou romântico europeu, reflete o desejo de Schültz Portoalegre de "tornar-se brasileiro" em sua expressão artística. O próprio projeto de resgate da obra a classificou como uma "ópera indígena".[7]
Apresentações e o Desafio da Preservação
Estreia e Período Inicial:
A Boiúna ou Boiúna – A Lenda da Noite, ópera em 1 ato, estreou em 18 de dezembro de 1955, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com produção do Teatro Experimental de Ópera (TEO). Teve como elenco Esther Meeli (Boiúna), Cecilia Mota (Iná), Paulo Paiva (Maneco), Gil Carlos Mesquita (Thiago) e Armando Maciel (Miguel). A direção cênica foi de Romeu Gonçalves e a regência ficou a cargo do próprio Walter Schültz.[8]
Ver também
Referências
- ↑ Joe, Jimi. "O resgate da ópera regional brasileira". Revista Extra-Classe, Ano 6 nº 56, 2001.
- ↑ Joe, Jimi. "Araújo Vianna é o próximo projeto". Revista Extra-Classe, 21/10/2001
- ↑ Bressan, Ion Fábio (2022). «Tornar-se brasileiro: vida e obra de Walter Schultz Portoalegre». www.oasisbr.ibict.br. Consultado em 18 de outubro de 2025
- ↑ «Composição». Discografia Brasileira. Consultado em 18 de outubro de 2025
- ↑ «Walter Schultz Porto Alegre | Composição, Música, Ator». IMDb. Consultado em 18 de outubro de 2025
- ↑ Hartkopf, Alessandra Lucas Lopes. H329 Ópera brasileira nos séculos XX e XXI : de1950 a 2008 / Alessandra Lucas Lopes Hartkopf, 2010. v, 174f.
- ↑ «O resgate da ópera regional brasileira». Extra Classe. 21 de outubro de 2001. Consultado em 19 de outubro de 2025
- ↑ ÓPERA BRASILEIRA NOS SÉCULOS XX E XXI DE 1950 A 2008 ALESSANDRA LUCAS LOPES HARTKOPF