Walter Battiss

Walter Whall Battiss (6 de janeiro de 1906 – 20 de agosto de 1982) foi um artista sul-africano, reconhecido como o criador do conceito "Fook Island".[1]

Início de vida

Battiss nasceu em Somerset East, no Karoo numa família inglesa metodista. O seu interesse pela arqueologia e pela arte tribal começou quando jovem, após se ter mudado para Koffiefontein em 1917. Em 1919, a família estabeleceu-se em Fauresmith, onde Battiss completou os seus estudos, matriculando-se em 1923. Em 1924, tornou-se escrivão no Tribunal de Magistrados em Rustenburg. Os seus estudos formais de arte começaram em 1929 no Witwatersrand Technical College (desenho e pintura), seguindo-se o Johannesburg Training College (diploma de professor) e aulas de gravura. Battiss continuou os seus estudos enquanto trabalhava como escrivão de magistratura obtendo um bacharelato em Belas-Artes na Universidade da África do Sul aos 35 anos.

Carreira

Walter Battiss Museum of Art, na Rua Paulet 45, em Somerset East, Karoo

Battiss foi membro-fundador do New Group, uma associação informal de artistas contemporâneos europeus e americanos de renome. Era um membro singular, originário do que então se consideravam colónias e o único a não ter estudado na Europa ou América do Norte. De facto, foi só em 1938 que visitou a Europa pela primeira vez. No ano seguinte, publicou o seu primeiro livro, "The Amazing Bushman". O seu interesse pela arte rupestre teve um impacto profundo nas suas ideias, considerando a pintura Indígena San uma importante forma de arte. Foi igualmente influenciado pelo artesanato africano, em particular as missangas do Povo Ndebele, e pelas culturas e caligrafia pré-islâmicas em geral.

Em 1949, tornou-se amigo de Picasso, cujo estilo viria posteriormente a influenciá-lo.

Visitou a Grécia entre 1966 e 1968 e as ilhas Seicheles em 1972, ali encontrando a inspiração da sua imaginária Ilha de Fook.

Battiss publicou nove livros, escreveu vários artigos e fundou o jornal "De Arte". Lecionou arte na Pretoria Boys High School entre 1936 à maior parte dos 30 seguintes anos, e simultaneamente no Centro de Arte de Pretória, do qual foi diretor de 1953 a 1958.[2]. Lecionou também na UNISA, onde se tornou professor de Belas-Artes em 1964, tirando a pensão-reforma em 1971. Em 1973, foi condecorado como Doutor em Literatura e Filosofia (honoris causa) pela UNISA.

Em 1981, doou todas as suas obras ao recém-inaugurado "Museu Walter Battiss" na sua cidade natal, Somerset East.

Walter Battiss morreu de ataque cardíaco em Port Shepstone, KwaZulu-Natal a 20 de agosto de 1982.

Influência

A longa carreira artística de Walter Battiss foi dedicada ao estudo do homem no seu meio; primeiro no contexto da África e da arte rupestre e, posteriormente, à interpretação deste conceito no seu sentido mais global. A sua versatilidade, inovação e influência conceptual, além do incentivo que legou a muitos aspirantes a artistas, garantiram-lhe um lugar especial entre os principais artistas sul-africanos.

Ilha Fook

A "ilha da imaginação" foi uma materialização da filosofia de Battiss, que para o efeito criou um mapa, gente, plantas, animais imaginários, uma história local, bem como um conjunto de selos postais, divisas, passaportes, e cartas de condução. Criou também a língua Fookiana com um alfabeto completo. Esta "ilha" utópica era uma composição das muitas ilhas que visitou – incluído Zanzibar, as Seychelles, Madagáscar, as Fiji, o Hawaii, Samoa, as Ilhas Gregas e as Comores – amalgamadas à sua maneira imaginativa habitual. Nas palavras de Battiss, "É algo que não existe. Mas pensei em pegar numa ilha – a ilha que existe em cada um de nós. Transformá-la numa ilha real... dar-lhe um nome". A Ilha Fook nasceu da sua imaginação muito fértil, e simbolizou, ou melhor; materializou a sua oposição ao movimento de Arte Conceitual das décadas de 1960 e 70, na Europa e América. O movimento conceitualista defendia que a construção da arte se limitava ao "momento" em que era criada. Battiss pelo contrário, acreditava que qualquer forma de arte existe no agora, e propunha que esta representava precisamente a Ilha Fook, a qual ficava sempre no agora, isto é, uma parte eterna, essencial da realidade.

Sul-Africanos, entre estes, celebridades da época incluindo a atriz Janet Suzman, o artista (e protegido de Battiss) Norman Catherine, a escritora Esmé Berman e muitos outros, abraçaram e adoptaram a filosofia da Ilha Fook. A jornalista Jani Allan entrevistou Battiss em 1982, e inclusive aceitou o convite para se tornar numa "residente" da ilha imaginária.[3]

A carta de condução Fookiana de Battiss foi aceite nos Estados Unidos e as páginas a cores do seu passaporte Fookiano, têm carimbos de entrada e partida oficiais da Austrália, Grã-Bretanha e Alemanha. Uma nota bancária Fookiana foi também cambiada num aeroporto de Roma, por 10 dólares.

Referências

  1. «Walter Battiss». Olympedia. Consultado em 14 de agosto de 2020 
  2. Johans Borman, "Walter Whall Battiss (1906 – 1982)", Johans Borman, consultado em 10 de Julho de 2011
  3. Allan, Jani (1980s). Face Value. [S.l.]: Longstreet