Wagakukodansho

Wagakukodansho
Fundação 1793
Tipo de instituição instituição académica
Localização Edo
Xogunato Tokugawa
35° 41' 29.9" N 139° 44' 35.1" E

Wagakukōdansho (和学講談所, Instituto de Palestras de Clássicos Japoneses), também chamado Wagakukōdanjo, Wagaku-Kōdansho ou Wagaku Kōdansho, foi um importante instituto educacional e de pesquisa localizado em Edo,[1][2] com foco nos clássicos e na história do Japão, notável por seu modelo exclusivo e por operar sob o patrocínio direto do xogunato.

O Instituto produziu e preservou inúmeros documentos e coleções históricas, com contribuições relevantes para os campos da história, literatura e kokugaku.[3] Seu acervo bibliográfico forma hoje parte significativa das coleções dos Arquivos Nacionais do Japão.[4]

História

Fundação

O Wagakukōdansho foi fundado em 1793, durante o governo do 11º xogum Tokugawa Ienari, por Hanawa Hokiichi, um monge cego e renomado estudioso.[5] Estabelecido na região de Banchō, o nome original do Instituto foi Onkodō (温古堂), atribuído pelo rōjū Matsudaira Sadanobu a pedido de Hokiichi.

Inicialmente, tratava-se de uma escola privada sob a jurisdição do Jisha-bugyō. Em 1795, passou para a supervisão do Daigakunokami, do clã Hayashi, e recebeu um subsídio anual de 50 Ryōs, tornando-se um Instituto público reconhecido pelo xogunato. Posteriormente, passou a receber subsídios adicionais conforme a necessidade.

O Instituto foi primeiramente estabelecido nas proximidades da atual Yonbanchō. Em 1803, foi transferido para Omote-Rokubanchō (atual Sanbanchō 24), para um campus mais amplo de 840 pyeong (cerca de 2.800 m²), com salas de aula, aposentos e um santuário dedicado a Tenjin, kami patrono dos estudos, da erudição, do aprendizado e da intelectualidade. Reformas foram realizadas após danos causados por incêndios e desastres, e na Restauração Meiji, restavam seis salas de aula.

Missão

A missão do Wagakukōdansho incluía:

  • Leitura e ensino de obras clássicas japonesas, como o Kojiki e o Rikkokushi;
  • Pesquisa, cópia e preservação de documentos históricos;
  • Consultoria histórica para o xogunato;
  • Edição e publicação de fontes históricas.

No que diz respeito ao ensino, as aulas não eram ministradas diariamente, pois o Instituto priorizava as atividades de pesquisa. No entanto, nos anos finais do xogunato, sua missão educacional foi gradualmente reforçada. Embora fosse formalmente acessível ao público, o ensino era direcionado principalmente à classe samurai. As atividades pedagógicas consistiam sobretudo em pequenos grupos voltados à leitura e interpretação de textos clássicos. Diferenciando-se de outros centros educacionais do período, o Instituto tinha como foco exclusivo a tradição nacional, com ênfase em obras como o Man'yōshū, o Genji monogatari e documentos jurídicos do sistema Ritsuryō.

Em relação às suas atividades de pesquisa, o Instituto produziu grandes coleções históricas, como o Gunsho Ruijū (群書類従; Coleção Classificada de Clássicos Japoneses), com 1.273 volumes; o Zoku Gunsho Ruijū (続群書類従; Segunda Coleção Classificada de Clássicos Japoneses); e o Buke Myōmokushō (武家名目抄; Compêndio de Nomes da Classe Samurai). No final do xogunato, participou da elaboração de estudos que fundamentavam as reivindicações territoriais do Japão em Hokkaido e nas Ilhas Ogasawara, além de redigir cartas diplomáticas. O Instituto também exerceu função censória, e sua biblioteca era consultada por outras instituições, como o Shoheikō e o Bansho Shirabesho.

Depois da morte de Hanawa Hokiichi

Em 1822, após a morte de Hanawa Hokiichi, seu quarto filho, Hanawa Tadatomi (塙忠宝), assumiu a direção do Instituto com apenas 16 anos. Em fevereiro de 1863, Tadatomi foi assassinado em frente ao Instituto. O crime teve origem na interpretação equivocada de uma pesquisa que lhe fora encomendada ao Instituto pelo rōjū Andō Nobumasa, a respeito das cerimônias de recepção de estrangeiros realizadas no Japão antes do período de sakoku. Setores imperialistas entenderam erroneamente que o estudo tinha como objetivo propor a abolição do sistema imperial. Diversas fontes mencionam o jovem Itō Hirobumi, que mais tarde se tornaria o primeiro-ministro do Japão, como um dos coautores do assassinato, ao lado de Yamao Yōzō.[6][7]

Após o assassinato, Hanawa Tadatsugu (塙忠韶), neto de Hokiichi, assumiu a direção até a dissolução do Instituto em 1868, com a queda do Xogunato Tokugawa.

Legado

Placa turística das ruínas do Wagakukōdansho

Após sua desativação, as atividades do Instituto foram gradualmente incorporadas por diferentes agências governamentais ao longo da era Meiji. O atual Instituto Historiográfico da Universidade de Tóquio tem suas origens diretamente ligadas ao Wagakukōdansho.[8] Diversos projetos de compilação iniciados no Instituto ainda permanecem em andamento, especialmente o Dai Nihon Shiryō.

A biblioteca do Wagakukōdansho reuniu um acervo significativo, com numerosas obras de valor histórico, muitas das quais foram posteriormente designadas como Propriedades Culturais Importantes e transferidas para os Arquivos Nacionais do Japão. Entre os exemplos notáveis estão uma cópia do século XIII do Kankenshō (管見抄; Apontamentos a partir de uma visão limitada)[9] e uma edição do século XVIII do Orandahonzōwage (阿蘭陀本草和解; Herbologia traduzida da Holanda)[10], uma obra representativa do rangaku.

Além disso, os 17.244 blocos de madeira utilizados na impressão do Gunsho Ruijū – também reconhecidos como Propriedades Culturais Importantes – estão atualmente sob a guarda do Onkogakkai (温故学会), uma instituição dedicada à preservação e estudo das obras de Hanawa Hokiichi.[11]

Embora os edifícios originais não existam mais, uma maquete e diversos artefatos estão expostos no Museu Memorial Hanawa Hokiichi.[12] O local onde o Instituto se situava foi declarado sítio histórico pelo Governo Metropolitano de Tóquio em 1952[13] e hoje conta com uma placa turística em Sanbanchō.[14]

Referências

  1. Dore, Ronald Philip (1984). «Dore, Ronald Philip (1984). Education in Tokugawa Japan.». University of Michigan. Education in Tokugawa Japan. Athlone Press 
  2. Yamanoshita (1961). «Facts on the Wagaku-Kōdansho]. Historical Studies of Education (in Japanese)»: 62–87 
  3. Saito, Masao (1998). «和学講談所御用留の研究 [Studies on the catalog of the Wagaku-Kōdansho] (in Japanese)». Kokushokankokai 
  4. «"Principal Antique Documents Holdings"» 
  5. Okuma, Shingenobu (1910). «Fifty years of new Japan (Kaikoku gojunen shi). trans. Marcus B. Huish.». London Smith, Elder: 127, 128 
  6. Takii, Kazuhiro (2014). «Itō Hirobumi - Japan's First Prime Minister and Father of the Meiji Constitution. trans. Takeshi Manabu.». Routledge 
  7. «国史大辞典 [Kokushi Daijiten - Great Dictionary of Japanese History] (in Japanese).». Yoshikawa Kōbunkan. 11 
  8. «"Message of the director of the Historiographical Institute of the University of Tokyo"» 
  9. «Digital archive of Kankensho» 
  10. «Digital archive of Orandahonzowage» 
  11. «Onkogakkai home page» 
  12. «Hanawa Hokiichi Memorial Museum» (PDF) 
  13. «Tokyo Cultural Property Database» 
  14. «Chiyoda City Tourism Association Website»