Vincent Nichols

Vincent Gerard Nichols
Cardeal da Santa Igreja Romana
Arcebispo emérito de Westminster
Presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales
Info/Prelado da Igreja Católica
Fotografia oficial, 2015
Hierarquia
Papa Leão XIV
Atividade eclesiástica
Diocese Arquidiocese de Westminster
Nomeação 3 de abril de 2009
Entrada solene 21 de maio de 2009
Predecessor Cormac Murphy-O'Connor
Sucessor Charles Phillip Richard Moth
Mandato 2009-2025
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 21 de dezembro de 1969
Roma
por Paul Marcinkus
Nomeação episcopal 5 de novembro de 1991
Ordenação episcopal 24 de janeiro de 1992
Catedral de Westminster
por Basil Cardeal Hume, O.S.B.
Nomeado arcebispo 15 de fevereiro de 2000
Cardinalato
Criação 22 de fevereiro de 2014
por Papa Francisco
Ordem Cardeal-presbítero
Título Santíssimo Redentor e Santo Afonso na Via Merulana
Brasão
Lema Fortis ut Mors Dilectio
(O Amor é tão Forte como a Morte)
Dados pessoais
Nascimento Crosby, Inglaterra
8 de novembro de 1945 (80 anos)
Nacionalidade inglês
britânico
Habilitação académica Teologia Sagrada pela Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma (1970)
Funções exercidas -Bispo auxiliar de Westminster (1991-2000)
-Arcebispo de Birmingham (2000-2009)
Títulos anteriores -Bispo titular de Othona (1991-2000)
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Vincent Gerard Nichols (Crosby, Merseyside, 8 de novembro de 1945) é um prelado inglês. Um cardeal desde 2014, serviu como Arcebispo de Westminster de 2009 até 2025. Serviu também como Arcebispo de Birmingham entre os anos de 2000 e 2009; além disso, é presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales.[1]

Em 8 de novembro de 2020, Nichols ofereceu sua renúncia ao cargo de arcebispo ao completar 75 anos — uma prática habitual. Entretanto, o Pontífice, Francisco, pediu para que ele permanecesse no cargo até que fosse decidido um sucessor.[2]

Um participante do conclave de 2025 que elegeu o Papa Leão XIV, descreveu a experiência como "imensamente tranquila". O pontífice americano-peruano aceitou a renúncia de Nichols em 19 de dezembro de 2025.[3][4]

O Inquerito Independente sobre o Abuso Sexual de Menores (Independent Inquiry into Child Sexual Abuse, IICSA) criticou o cardeal, reinvidicando negligência de responsabilidade, falta de compaixão pelas vítimas e por alegadamente priorizar a reputação da Igreja em detrimento das vítimas. Em resposta, um porta-voz eclesiástico declarou que Nichols não iria renunciar seu cardinalato após as críticas do Inquerito, já que ele estava "determinado a consertar [a situação]".[2]

Primeiros anos e formação

Vincent Gerard Nichols nasceu no dia 8 de novembro de 1945, em Crosby, Lancashire (actualmente Merseyside), filho de Henry Joseph e Mary Nichols, ambos professores. Enquanto criança, quis ser condutor de veículos pesados, mas na adolescência se sentiu vocacionado ao sacerdócio.[5]

Frequentou a St Peter and Paul's Junior School, situada na Liverpool Road, em Crosby, antes de entrar para o St Mary's College, também em sua cidade natal. Frequentou esta última instituição entre os anos de 1956 e 1963.[6]

Realizou seus estudos sacerdotais de 1963 a 1970, no Venerable English College, em Roma, tendo sido ordenado diácono em 1968 e padre em 21 de dezembro de 1969, sendo encaminhado para a Arquidiocese de Liverpool.[7] Em 1970, licenciou-se em Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, também em Roma.

Regressou à Inglaterra e, entre 1970 e 1971, estudou na Universidade de Manchester, onde fez mestrado em Teologia, especializando-se na teologia de São João Fisher. Após isso, serviu como cura na Igreja de Santa Maria, em Wigan, além de capelão das instituições St John Rigby College e St Peter's Catholic High School, na mesma cidade.[8]

Obteve o diploma de Master's in Education na Loyola University, em Chicago em 1974, sendo transferido para a Igreja de Santa Ana em Edge Hill, em 1975.[8]

Nichols permaneceu 14 anos servindo a Arquidiocese de Liverpool. Em 1980, foi apontado como o diretor do Upholland Northern Institute, além de ocupar uma cadeira no conselho arquiepiscopal.[9]

Sacerdócio

Foi ordenado presbítero da Arquidiocese de Liverpool a 21 de dezembro de 1969, em Roma.[10]

Em 1971, foi nomeado vigário paroquial assistente na Paróquia de St Mary, tendo sido também capelão no St Peter's High School, em Gloucester.

Em 1975, foi nomeado para a paróquia de St Anne's em Liverpool, com particular responsabilidade na formação educacional. Em janeiro de 1980, foi nomeado diretor do Instituto North Upholland, onde foi responsável pela formação do clero e cursos de educação pastoral e religiosa. Também foi membro do Conselho de Arcebispos, responsável pela formação e desenvolvimento pastoral na diocese.[8]

Em janeiro de 1984, foi nomeado secretário-geral da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales, ocupando o cargo até 1992. Também foi o moderador do Comitê Gestor do Conselho de Igrejas para a Grã-Bretanha e Irlanda, de 1989 a 1996.[8]

Episcopado

Em 5 de novembro de 1991, foi eleito bispo titular de Othona e bispo auxiliar em Westminster, com responsabilidade sobre a região norte de Londres.[8]

Em 24 de janeiro de 1992, foi consagrado na Catedral Metropolitana do Preciosíssimo Sangue de Jesus, pelo cardeal George Basil Hume, arcebispo de Westminster. Seu lema episcopal é Fortis ut mors dilectio (o Amor é tão forte como a Morte - Cantares 8:6).

Em novembro de 1998, representou os bispos europeus no Sínodo dos Bispos da Oceania[8] e em setembro de 1999, foi nomeado pela Santa Sé para o Sínodo dos Bispos para a Europa, como secretário especial.

Em 15 de fevereiro de 2000, foi promovido à Sé metropolitana de Birmingham.

Recebeu o pálio episcopal do Papa João Paulo II em 29 de junho de 2000, no Vaticano.[8]

Em 3 de abril de 2009, foi transferido para a Sé metropolitana de Westminster. Foi eleito presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales, por aclamação unânime, em 30 de abril de 2009 e empossado como o 11 º arcebispo de Westminster em 21 de maio de 2009, em solenidade no Vaticano, presidida pelo Papa Bento XVI.[8]

Foi nomeado membro da Congregação para os Bispos em 16 de dezembro de 2013 e membro da Congregação para as Igrejas Orientais, em 19 de fevereiro de 2014.[8]

Cardinalato

Em 12 de janeiro de 2014, foi anunciada a nomeação de Nichols como cardeal, que acabou por acontecer no primeiro consistório ordinário do Papa Francisco, em 22 de fevereiro de 2014.[11]

Foi-lhe atribuído o título de Cardeal-presbítero do Santíssimo Redentor e Santo Afonso na Via Merulana.[8][10]

Como cardeal, é Bailio Cavaleiro Grã-Cruz da Justiça da Sagrada Ordem Militar Constantiniana de São Jorge.[12]

Escândalo de abuso de menores

Enquanto era arcebispo de Birmingham, teve de responder aos casos de abuso sexual alegados naquela diocese. Entre os seus primeiros actos públicos no seu papel como Arcebispo de Westminster estava uma declaração sobre a questão do abuso físico e sexual clerical na Irlanda, na sequência de um relatório governamental sobre o funcionamento de escolas industriais. Nas suas próprias palavras: "Cada vez que há um único incidente de abuso na Igreja Católica, é um escândalo. E estou contente por ser um escândalo". No entanto, foi amplamente criticado sobre a questão dos padres confrontados com os seus crimes, onde afirmou: "Isso requer coragem, e também não devemos esquecer que este relato hoje também irá ensombrar todo o bem que eles também fizeram".[13]

Em 2020, o Inquérito Independente sobre Abuso Sexual Infantil ( Independent Inquiry into Child Sexual Abuse) [14], organismo do governo britânico, disse de Nichols, agora cardeal e clérigo católico sénior em Inglaterra e no País de Gales: "Não houve reconhecimento de qualquer responsabilidade pessoal".[15] Nichols, segundo o relatório, protegeu a reputação da Igreja em vez de proteger as vítimas e não teve compaixão por estas. [16] O inquérito também criticou o Vaticano, descrevendo as suas acções como estando em "contraste directo com as declarações públicas do Papa Francisco sobre o abuso sexual de crianças". [16] Um porta-voz da Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales afirmou que Nichols não renunciaria ao seu cargo após o relatório, pois estava "determinado a consertar as coisas." [15]

Sucessão

Nichols escreveu ao Papa Francisco oferecendo a sua demissão como arcebispo a partir do seu 75º aniversário a 8 de novembro de 2020, como é habitual; mas o Papa pediu-lhe que permanecesse como arcebispo até à nomeação de um sucessor.[15]

Referências

  1. «Vincent Nichols becomes a cardinal in Rome ceremony». BBC News (em inglês). 22 de fevereiro de 2014. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  2. a b Bowcott, Owen; Sherwood, Harriet (10 de novembro de 2020). «Child sexual abuse in Catholic church 'swept under the carpet', inquiry finds». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  3. Coppen, Luke. «The Mothman cometh, to Westminster». www.pillarcatholic.com (em inglês). Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  4. «Cardinal reveals what it was like to be part of conclave to choose Pope Leo». www.bbc.com (em inglês). 10 de maio de 2025. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  5. Topping, Alexandra (3 de abril de 2009). «Profile: Archbishop Vincent Nichols». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  6. Shennan, Paddy (18 de maio de 2009). «Vincent Nichols, the new Archbishop of Westminster, looks back to Merseyside childhood». Liverpool Echo (em inglês). Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  7. «Cardinal Vincent Nichols». Catholic Bishops' Conference (em inglês). Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  8. a b c d e f g h i j FIU-Florida International University (2014). «The Cardinals of the Holy Roman Church - Nichols, Vincent Gerard» (em inglês) 
  9. www.emmsit.co.uk, IMDC,. «Pope announces Archbishop-elect of Westminster / Events / Catholic Church / Root - Catholic Church of England and Wales». www.catholicchurch.org.uk (em inglês). Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 8 de abril de 2009 
  10. a b Catholic Hierarchy
  11. «Consistory - 2014» (em inglês). Catholic Hierarchy. 2014. Consultado em 21 de fevereiro de 2014 
  12. «Ordine e Collegio dei Cardinali». Sacro Militare Ordine Costantiniano di San Giorgio (em italiano). Consultado em 23 de novembro de 2025 
  13. «Church failed to act on child sex abuse - report : The Catholic Church was aware long-term sex offenders were repeatedly abusing children while working in Ireland's church and state-run institutions, a damning report has revealed». www.telegraph.co.uk. 20 de Maio de 2009 
  14. «The Roman Catholic Church : Safeguarding in the Roman Catholic Church in England and Wales - Investigation Report November 2020 -A report of the Inquiry Panel» (PDF). 2020 
  15. a b c Bowcott, Owen; Sherwood, Harriet (10 de novembro de 2020). «Child sexual abuse in Catholic church was 'swept under the carpet', inquiry finds- Leader of church in England and Wales refusing to resign despite damning IICSA report». The Guardian (em inglês) 
  16. a b «Catholic Church abuse: Cardinal Vincent Nichols criticised over leadership». BBC News (em inglês). 10 de novembro de 2020 

Ligações externas

Precedido por
Anthony Hitchen

Bispo titular de Othona

19912000
Sucedido por
George Kocherry
Precedido por
Maurice Noël Léon Couve de Murville

Arcebispo de Birmingham

20002009
Sucedido por
Bernard Longley
Precedido por
Cormac Cardeal Murphy-O'Connor

Arcebispo de Westminster

2009 — 2026
Sucedido por
Charles Phillip Richard Moth
Precedido por
Anthony Bevilacqua

Cardeal-presbítero de
Santíssimo Redentor e Santo Afonso
na Via Merulana

2014
Sucedido por
(incumbente)