Ville de Victoria (1883)


Ville de Victoria
Ville de Victoria (1883)
Fotografia do navio-vapor Ville de Victoria
 França
Operador Societé Postale Française de l'Atlantique (1883)
Compagnie Maritime des Chargeurs Réunis (1883–1886)
Fabricante Ateliers et Chantiers de la Loire
Custo Fr1000000 (1 milhão de francos)
Homônimo Halifax (antes do lançamento)
Vitória
Construção 1882
Estaleiro Ateliers et Chantiers de la Loire, Nantes
Lançamento 7 de abril de 1883 (142 anos)
Porto de registro Le Havre, França
Rota Le HavreRio de Janeiro (escala em Lisboa)
Período de serviço 18831886
Estado Naufragado
Destino Afundou no Rio Tejo a 24 de dezembro de 1886
Características gerais
Tipo de navio Transatlântico
Arqueação 2 548 t (2 550 000 kg)
Tonelagem 1 775 t (1 780 000 kg)
Maquinário 1x máquina a vapor de expansão dupla
Comprimento 310 ft (94,5 m)
Boca 37,3 ft (11,4 m)
Pontal 20,3 ft (6,19 m)
Calado 27 ft (8,23 m)
Altura 33 ft (10,1 m)
Propulsão 1x máquina a vapor de expansão múltipla
2x mastros com vela
- 1 420 cv (1 040 kW)
Velocidade 13 kn (24,1 km/h)
Profundidade 25 m
Tripulação 44
Passageiros 26 (1.ª classe)
16 (2.ª classe)
43 (2.ª classe)
Notas
Dados de: Lloyd's 1885-1886 [nota 1]

O Ville de Victoria foi um navio transatlântico francês, operado pela Compagnie des Chargeurs Réunis, e construído pelos estaleiros da Ateliers et Chantiers de la Loire, em Nantes. O seu lançamento deu-se a 7 de abril de 1883 e naufragou no rio Tejo, na véspera de Natal de 1886.[1]

Construção

A sua construção deu-se em inícios da década de 80 do século XIX, nos estaleiros de Nantes da Ateliers et Chantiers de la Loire. Inicialmente, a encomenda foi feita pela Societé Postale Française de l'Atlantique juntamente com Ville de Maceió e Ville de Maranhão, tendo o navio o nome incial de Ville de Halifax. No entanto, antes do seu lançamento, o navio foi adquirido por outra empresa, a Compagnie Maritime des Chargeurs Réunis — empresa essa que detinha fortes ligações e interesses à anterior — que o renomeou para Ville de Victoria. Era um navio de tipo escuna com máquina a vapor, sendo propulsionado por uma máquina a vapor de expansão dupla com uma chaminé, ou, podendo também ser propulsionado por dois mastros com vela.[2][1][3]

Características

Dimensões do navio

O Ville de Victoria foi registado no porto da cidade de Le Havre, na França. Possuía, aproximadamente[nota 2], de comprimento, 94,5 metros, boca de 11,4 metros e de um pontal de 6,19 metros.[4] Possuía uma arqueação bruta de 2588,9 toneladas métricas, uma arqueação líquida de 1803,5 toneladas métricas. O seu tombadilho da popa era de 9,75 metros, a sua ponte encontrava-se a 24,38 metros e o castelo de proa a 14,63 metros da linha de água.[4]

Especificações de propulsão

O Ville de Victoria era uma escuna, com casco de metal, e com dois mastros, podendo ser propulsionado à vela. Fora esse meio, possuía também, uma máquina a vapor de expansão múltipla, construída nos mesmos estaleiros dos Ateliers et Chantiers de la Loire — neste, caso, motor a vapor de expansão dupla, com diâmetros de cilindros de 96,52 cm (o de alta pressão) e 165,1 cm (o de baixa pressão) — com uma potência nominal de 1043,98 kW e curso de 111,76 cm.[4]

História

Após a sua reclassificação, renomeação e o seu batismo, Ville de Victoria é lançado ao mar a 7 de abril de 1883.[1] Projetado para o serviço entre França e América do Sul (especialmente Brasil), fazia escala em Lisboa. A 10 de dezembro de 1883, aquando uma viagem, chegando perto de Lisboa, dá-se a fratura e posterior rutura do hélice do navio, o que obrigou à troca do mesmo no Rio de Janeiro.[5] Teve, durante toda a sua vida, mais quatro instâncias similares, de rutura e danos ao hélice do navio.

Naufrágio

No dia de 22 de dezembro de 1886, pela manhã, chega ao porto de Alcântara o navio Ville de Victoria. Este, estava fundeado com duas âncoras, de frente do atual estaleiro da Rocha Conde de Óbidos. Fundeados com duas âncoras, uma delas com 72 braças (132 m) de cabo a jusante, e 63 braças a montante. Pela uma e meia da tarde do dia seguinte, chega ao porto de Lisboa, também, o navio da marinha real inglesa, o HMS Sultan.[6]

Pelas 04 da manhã, o Ville de Victoria encontrava-se ao largo, a findar as preparações para sair, pela manhã, da barra do rio Tejo, com destino ao Rio de Janeiro. Aproximadamente quinze minutos antes das cinco da madrugada, com a corrente e o mau tempo sentido, as amarras e os cabos do navio inglês rompem-se, levando a navegar à deriva até embater no estibordo de vante do Ville de Victoria. Devido à falta de visibilidade derivado da hora, às más condições climatéricas sentidas e àquela hora haverem vários passageiros a dormirem nos conveses inferiores, dá-se a perda de 37 pessoas, tendo sido das mesmas sete passageiros e o resto tripulação do navio e pessoal do porto. Era a 13.ª viagem desde o seu batismo de mar.[6][7][8]

O naufrágio do Ville de Victoria, gravura presente no periódico "O Occidente" de 1 de janeiro de 1887, por José Pardal.
Naufrágio do Ville de Victoria, por Alexandre Jean-Baptiste Brun, 1887

Pela boa conduta do seu capitão, Joseph Louis Simonet, tendo sido o último a abandonar o navio e demonstrado heroísmo em todo o naufrágio, foi agraciado com o grau de cavaleiro da Legião de Honra.[1][9]

Notas

  1. Lloyd's Register of Shipping 1885, pág. 813.
  2. Os valores registados nos livros de registo da Lloyd's variam levemente.

Referências

  1. a b c d Beaugé, Jean; Cogan, René-Pierre (1 de janeiro de 1984). Histoire maritime des Chargeurs réunis et de leurs filiales françaises (em francês). [S.l.]: FeniXX. Consultado em 28 de agosto de 2025 
  2. Foundation, Lloyd's Register (1 de janeiro de 1883). Lloyd's Register of Shipping 1883 (em inglês). [S.l.]: Lloyd's Register. Consultado em 28 de agosto de 2025 
  3. Smith, Eugene W. (1963). Passenger ships of the world, past and present. Boston: G. H. Dean Co. Consultado em 28 de agosto de 2025 
  4. a b c Foundation, Lloyd's Register (1 de janeiro de 1885). Lloyd's Register of Shipping 1885 (em inglês). [S.l.]: Lloyd's Register. Consultado em 28 de agosto de 2025 
  5. Beaugé, Jean; Cogan, René-Pierre (1 de janeiro de 1984). Histoire maritime des Chargeurs réunis et de leurs filiales françaises (em francês). [S.l.]: FeniXX. Consultado em 28 de agosto de 2025 
  6. a b «Naufrage de La "Ville de Victoria"» (em francês) 
  7. «Ville de Victoria SS [+1886]» 
  8. «O Occidente» (PDF). Hemeroteca Digital Câmara Municipal Lisboa. 1 de janeiro de 1887. Consultado em 28 de agosto de 2025 
  9. «Recherche - Base de données Léonore». www.leonore.archives-nationales.culture.gouv.fr. Consultado em 28 de agosto de 2025