Villa romana de São Pedro de Pulgão
| Villa romana de São Pedro de Pulgão | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Construção | Época romana |
| Geografia | |
| País | |
| Localização | Lagos |
| Região | Alentejo |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
A Villa romana de São Pedro de Pulgão é um sítio arqueológico situado nas imediações da cidade de Lagos, na região do Algarve, em Portugal.
Descrição e história
O sítio arqueológico encontra-se nas imediações da Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos, nas redondezas da cidade de Lagos, no sentido de Portimão.[1] Esta área era propícia para a instalação de uma propriedade agrícola, devido à fertilidade dos solos e à presença da Ribeira de Bensafrim, que facilitava o transporte de mercadorias.[1]
Os vestígios romanos foram encontrados durante obras na quinta em redor da ermida, tendo sido identificados como um lanço de muro, várias tégulas, fragmentos de estuque canelado ornamentado com pinturas a fresco, tesselas, e peças de cerâmica, incluindo terra sigillata africana e hispânica, ânforas e vidros.[1] De acordo com os trabalhos feitos no local, a área edificada da pars urbana, correspondente às zonas funcionais do antigo complexo,[2] teria cerca de 70 m², com os materiais arqueológicos a acentuar-se nos sentidos meridional e ocidental.[1] A villa romana tinha um peristilo com pátio central, e duas alas, uma meridional, onde se encontrava a entrada principal, e outra setentrional.[3]
Parte das estruturas antigas foram destruídas pelas obras da urbanização da Colina do Sol.[1]
De acordo com os materiais encontrados no local, o complexo romano foi ocupado durante um período alargado, provavelmente desde o século I a VI d.C., tendo sido identificadas várias fases de habitação.[2] Os vestígios mais antigos consistem em fragmentos de cerâmica hispânica em terra sigillata e de tipologia comum, provavelmente dos séculos I ou II d.C., estando assim integrados na época alto-imperial.[2] Entre os séculos II a III verifica-se um forte desenvolvimento na ocupação, enquanto que no século IV a villa terá sido novamente expandida, devido à presença de mosaicos cuja tipologia aponta para este período.[2] Estes três novos compartimentos poderão ter sido utilizados até aos séculos V ou VI, já nas fases de colapso do domínio romano.[2]
Em 2001 o Loteamento da Colina de São Pedro em 2001 foi alvo de sondagens arqueológicas, dirigidas por Nuno Gonçalo Viana Pereira Ferreira Bicho e António Manuel Faustino de Carvalho, tendo sido encontrados os indícios de uma lixeira, que provavelmente estava associada à villa romana.[4] Em 2008 voltaram a ser feitos trabalhos de acompanhamento na mesma área, coordenados por Ana Maria Duarte Santos Gonçalves e Cláudia Leonor Piteira Romão, tendo sido descoberto um grande número de vestígios da villa romana em si.[2] Nesse ano também teve início um programa de investigação, no âmbito de um protocolo entre a Universidade de Marburgo e a autarquia de Lagos.[5] A equipa era liderada pelo Dr. Félix Teichner, especialista em villas romanas, e que também estudou outros sítios arqueológicos deste tipo na região, como Milreu e a Abicada.[5] Em 2009 foi feita uma nova campanha arqueológica, que incluiu a realização de trabalhos geofísicos no lote 15, para tentar identificar o grau de dispersão de estruturas.[3] Confirmou-se assim que os materiais encontrados na área investigada no ano anterior correspondiam à parte setentrional da villa.[3] Em 2014 estava prevista a realização de mais sondagens geofísicas em São Pedro do Pulgão, por parte da Universidade de Marburgo.[6]
De acordo com o documento Grandes Opções do Plano e o Orçamento para 2026, apresentado pela Câmara Municipal de Lagos em Dezembro de 2025, a villa romana de São Pedro do Pulgão e as ruínas romanas no Monte Molião foram consideradas como de grande importância na interpretação da história da cidade, motivando a necessidade de promover o seu estudo, através do estabelecimento de acordos com instituições de ensino superior, e a sua divulgação. Desta forma, uma das intervenções planeadas no âmbito deste programa era a instalação de pontos informativos e de um centro de interpretação.[7]
Ver também
- Lista de património edificado em Lagos
- Estação Arqueológica de Monte Molião
- Estação Romana da Quinta da Abicada
- Estação Arqueológica Romana da Praia da Luz
Referências
- ↑ a b c d e «São Pedro de Pulgão/ Colina de São Pedro». Portal do Arqueológo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 15 de Janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f «Acompanhamento (2008)». Portal do Arqueológo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 16 de Janeiro de 2026
- ↑ a b c «Sondagem (2009)». Portal do Arqueológo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 18 de Janeiro de 2026
- ↑ «Sondagem (2001)». Portal do Arqueológo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 16 de Janeiro de 2026
- ↑ a b «Lagos: Escavações arqueológicas no "Monte Molião" abertas à população». Algarve Primeiro. 9 de Agosto de 2014. Consultado em 19 de Janeiro de 2026
- ↑ «Monte Molião volta a estar de portas abertas para mostrar escavações arqueológicas». Sul Informação. 11 de Agosto de 2014. Consultado em 19 de Janeiro de 2026
- ↑ «Grandes Opções do Plano e o Orçamento para 2026». Lagos: Câmara Municipal de Lagos. Dezembro de 2025. p. 34. Consultado em 16 de Janeiro de 2026
Ligações externas
- São Pedro de Pulgão/ Colina de São Pedro na base de dados Portal do Arqueólogo da Direção-Geral do Património Cultural