Villa del Salto (vapor)

Villa del Salto
Villa del Salto (vapor)
Operador Armada Nacional del Uruguay
Fabricante J. & G. Thomson
Lançamento 3 de julho de 1861
Comissionamento 1863
Descomissionamento 7 de setembro de 1865
Estado Destruído
Características gerais
Comprimento 173 ft (52,7 m)
Boca 23 ft (7,01 m)
Pontal 9,2 ft (2,80 m)
Propulsão Máquina a vapor
2 rodas laterais
- 110 cv (80,9 kW)

Villa del Salto foi um vapor fluvial operado pela Marinha do Uruguai de 1863 a 1865. A embarcação foi construída na Escócia e lançada ao mar em 1861. Pertenceu a uma empresa privada incialmente, sendo incorporada à Armada em 1863. Durante a Guerra do Uruguai, enfrentou três canhoneiras imperiais brasileiras, encalhando de propósito e sendo incendiada por seus tripulantes para evitar cair em mãos inimigas.

Início

Villa del Salto foi construída pelo estaleiro escocês J. & G. Thomson. No dia 3 de julho de 1861, o vapor foi lançado ao mar por encomenda da companhia uruguaia Salteña. Este evento marcou o início da história de um navio que logo se tornaria parte integral da história marítima daquele país. O navio possuía 173 pés de comprimento, 23 pés de boca e 9,2 pés de pontal. O casco do navio era inteiramente de ferro. Sua propulsão constituía-se de um motor a vapor de dois cilindros com 110 HP de potência que movimentava duas rodas laterais. Originalmente, a embarcação era um À medida que o tempo passava, em 1863, o navio encontrava-se no centro de acontecimentos históricos, quando foi usado pelas forças do partido Colorado durante a Guerra Civil Uruguaia. Entretanto, em dezembro de 1864, ele foi bloqueado em Paysandú por forças do Brasil, durante a Guerra do Uruguai.[1]

Guerra do Uruguai

No contexto da Guerra do Uruguai, ocorreu um episódio que envolveu o vapor Villa del Salto, o general Leandro Gómez e a marinha brasileira. A ação teve início quando o General Gómez deu ordens para que o Villa del Salto se dirigisse ao porto de Paysandú. Contudo, o comandante do navio tomou uma decisão inesperada, conduzindo a embarcação ao porto do Salto, contrariando as instruções recebidas. Ao ter conhecimento da situação, o General Gómez decidiu enviar o Capitão Pedro Rivero com a missão de assumir o controle do Villa del Salto e conduzi-lo até Paysandú. Em 6 de setembro, Rivero assumiu o comando do navio e deu início à viagem rio abaixo. Durante esse percurso, o navio foi seguido pelas canhoneiras brasileiras Belmonte e Araguari, que posicionaram-se estrategicamente em um ponto por onde o Villa del Salto necessariamente passaria.[1]

O capitão Rivero, ciente da possibilidade de um confronto com as canhoneiras brasileiras, decidiu aguardar até o dia seguinte, ancorando o Villa del Salto nas proximidades da foz do rio Daymán. Na manhã de 7 de setembro, a embarcação suspendeu âncora e, cerca de uma hora depois, avistou as canhoneiras brasileiras navegando em formação na altura de Capicúa. Diante dessa situação, Rivero preparou o navio para um possível embate. Para a organização da defesa, foram designados os oficiais Falion, Sierra, Espino, López, Linble e Argerich para posições específicas a bordo. A bandeira nacional foi fixada na popa da embarcação. O tenente Sierra foi nomeado para assumir o comando em caso de impedimento de Rivero, com o alferes Argerich como substituto eventual, de modo a assegurar a continuidade da missão.[1]

Quando o Villa del Salto aproximou-se das canhoneiras brasileiras, estas prepararam-se para o confronto. As embarcações brasileiras posicionaram-se para o combate, com os canhões a postos e a tripulação em prontidão. O Villa del Salto manteve sua rota em direção ao porto de Paysandú, sem alterar o curso diante da formação inimiga. As canhoneiras Belmonte, Araguari e Jequitinhonha encontravam-se alinhadas, com o objetivo de interceptar o navio uruguaio. Durante o breve confronto, o Villa del Salto respondeu aos disparos da marinha imperial brasileira, sem registrar danos significativos em nenhuma das partes. Às 13 horas, a embarcação ancorou no porto de Paysandú, procedendo ao desembarque da tripulação, da artilharia e das bagagens. Posteriormente, as embarcações brasileiras aproximaram-se do porto com a intenção de capturar o navio, mas foram surpreendidas por uma explosão a bordo do Villa del Salto, que resultou em um incêndio e inviabilizou sua apreensão.[1][2][3][4]

Referências

  1. a b c d Mey, Carlos J.; Benítez, Fernando Pontolillo; Galdeano, Miguel A. «El Villa del Salto». Historia y Arqueología Marítima. Consultado em 17 de outubro de 2023 
  2. Barroso, Gustavo (1935). História Militar do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional. p. 205. OCLC 2538894 
  3. Maia, Prado (1975). A Marinha de Guerra do Brasil na Colônia e no Império 2ª ed. Rio de Janeiro: Cátedra. p. 285. OCLC 3495853 
  4. Schneider, Louis (2009). A Guerra da Tríplice Aliança Contra o Paraguai. Porto Alegre: Pradense. p. 61. ISBN 978-85-89072-13-7