Victor Nussenzweig
| Victor Nussenzweig | |
|---|---|
| Nascimento | |
| Morte | 11 de agosto de 2025 (96 anos) |
| Residência | Brasil |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Alma mater | Universidade de São Paulo (graduação e doutorado) |
| Prêmios | Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico(1998)[1] |
| Carreira científica | |
| Orientador(es)(as) | Michel Rabinovitch |
| Instituições | |
| Campo(s) | Medicina |
| Tese | Trypanosoma cruzi (1958) |
Victor Nussenzweig (São Paulo, 20 de novembro de 1928 – 11 de agosto de 2025) foi um parasitologista, pesquisador e professor universitário brasileiro.[2]
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências, grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico e professor da Universidade de Nova Iorque, Victor fez contribuições importantes para a pesquisa da malária, onde desenvolveu a base de imunizantes contra o parasita causador da doença.[3]
Biografia
Nussenzweig nasceu em São Paulo em 1928. Era o segundo dos três filhos de Michel e Regina Nussenzweig, judeus poloneses que vieram para o Brasil para escapar do antissemitismo na Europa. Seus irmãos eram Israel Nussenzveig (1925-2019), que se tornou nefrologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), e Herch Moysés (1932-2022), que foi físico e professor da USP e da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, antes de se tornar docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).[4]
Começou a estudar medicina na Universidade de São Paulo no final da década de 1940. Lá conheceu sua futura esposa e parceira de pesquisa Ruth Sonntag Nussenzweig, que havia fugido da Áustria depois da anexação pela Alemanha nazista com seus pais em 1939. Juntos, sob a direção do professor Samuel Pessoa, voltaram-se para a parasitologia, inicialmente pesquisando a doença de Chagas, descobrindo que a violeta de genciana mata o patógeno Trypanosoma cruzi. Victor terminou seus estudos médicos em 1953 e o casal se casou na biblioteca da Faculdade de Medicina em 1952, antes de concluir a graduação.[4]
Cinco anos depois, Victor se doutorou e depois trabalhou como professor assistente na Universidade de São Paulo. Seu trabalho em São Paulo só foi interrompido por uma estadia de pesquisa em Paris de 1958 a 1960.[4] Em 1963, Victor e Ruth iniciaram outro período de pesquisa na Universidade de Nova Iorque (NYU), nos Estados Unidos. No entanto, devido ao Golpe de Estado no Brasil em 1964, o casal não retornou ao Brasil permanentemente, passando a pesquisar e ensinar em Nova York. Em 1965 ambos foram nomeados professores assistentes na NYU, e posteriormente pesquisaram tópicos diferentes pela primeira vez. Victor pesquisou o sistema do complemento, mas logo se juntou às pesquisas de sua mulher sobre malária. Em 1971 tornou-se professor titular antes de se tornar Hermann M. Biggs Professor of Preventive Medicine em 1987. Ele manteve essa posição na Universidade de Nova Iorque, mesmo após sua aposentadoria.[4]
Trabalho científico
Victor Nussenzweig passou a maior parte de sua carreira científica pesquisando a malária, em particular desenvolvendo uma potencial vacina contra a malária. Para isso, ele e sua mulher estudaram a biologia do plasmódio, o agente causador da malária. Em 1980 a dupla descobriu uma proteína nos esporozoítos de plasmódio, a que deram o nome de Circumsporozoite Protein (CSP). Após a clonagem molecular e sequenciamento de DNA da proteína, levou a uma série de avanços na pesquisa da malária e abriu o caminho para a RTS,S, uma das primeiras vacinas. A RTS,S usa a proteína descoberta pelos Nussenzweigs como antígeno na vacinação. Além disso, Nussenzweig lidava com a resposta imune humana ao plasmódio, por exemplo, o efeito de linfócitos T secretores de interferon-γ no fígado.[5]
Honrarias
Em 1985 Nussenzweig dividiu com sua esposa o Prêmio Carlos J. Finlay. Além disso, recebeu um doutorado honorário da Universidade do Chile em 1993. Em 1998 foi eleito para a Academia Brasileira de Ciências, bem como para a Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos em 2002. Em 2015, recebeu o Warren Alpert Foundation Prize com sua esposa.[3][4]
Vida pessoal
Com sua esposa Ruth, Victor teve três filhos, todos seguindo o exemplo científico de seus pais: os médicos Michel Claudio Nussenzweig e André Nussenzweig, e a antropóloga Sonia Nussenzweig.[4][6]
Morte
Victor morreu em 11 de agosto de 2025, aos 97 anos, na capital paulista.[2][7][8][9]
Referências
- ↑ «Agraciados pela Ordem Nacional do Mérito Científico». Canal Ciência. Consultado em 18 de janeiro de 2025
- ↑ a b Trufanni, Maurício (11 de agosto de 2025). «Victor Nussenzveig (1928 - 2025) - Victor Nussenzveig, referência no combate à malária, morre aos 97 anos». Folha de S.Paulo. Consultado em 11 de agosto de 2025
- ↑ a b «Victor Nussenzweig». Academia Brasileira de Ciências. Consultado em 18 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f Mariana Ceci (ed.). «O imunologista Victor Nussenzweig foi pioneiro no estudo da vacina contra malária». Revista Pesquisa Fapesp. Consultado em 18 de dezembro de 2025
- ↑ «A Fresh Start, Back in Brazil, at 85». Science Magazine. Consultado em 18 de dezembro de 2025
- ↑ Marcos Pivetta (ed.). «Uma química que deu certo». Revista Pesquisa Fapesp. Consultado em 18 de dezembro de 2025
- ↑ «Referência em pesquisa sobre a malária, Victor Nussenzweig morre aos 97 anos». Jornal da USP. Consultado em 18 de dezembro de 2025
- ↑ «Morre um dos pais da vacina da malária: brasileiro casou na biblioteca e fez carreira nos EUA». UOL. Consultado em 18 de dezembro de 2025
- ↑ «Nota de pesar: Victor Nussenzweig». Academia Brasileira de Ciências. Consultado em 18 de dezembro de 2025
Ligações externas
- Victor Nussenzweig, MD, PhD na página da Universidade de Nova York