Viaduto de Entrecampos

O Viaduto de Entrecampos, em Lisboa, Portugal, transpõe a depressão correspondente às avenidas da República e Cinco de Outubro, levando a Linha de Cintura desde a área a norte do Rego até ao cruzamento com a Rua de Entrecampos, locais onde esta assenta a nível no terreno.[1] Substituiu o primitivo aterro ferroviário[2] em sucessivas reconstruções e alargamentos e, desde a sua terceira encarnação, em 1999, esta estrutura constitui na sua totalidade o edifício da estação de Entrecampos.[3]

Vista aérea, de noroeste, em 2012.

História

Mapa de 1908, mostrando os três atravessamentos.

Linha de Cintura (1890)

Na sequência da construção da Linha de Cintura e das avenidas novas, com obras de aterro e de terraplenagem, ficou o terreno no local desnivelado, passando a ferrovia a nível superior,[1] em aterro atravessado por aberturas provisórias, desalinhadas do enfiamento das avenidas e de largura mínima, com o trânsito regulado por semáforos manuais.[2]

Um dos primitivos viadutos, em 1934.

Primeiros viadutos

Já no século XX foram construídos viadutos nas avenidas da República e Cinco de Outubro alinhados com os respetivos arruamentos.[2]

Vista do primeiro viaduto integral, em 1966.

Segundo viaduto (1950)

Em 1950 inaugura-se um viaduto inteiro de maior extensão, entre o Rego e a Rua de Entrecampos, resultante da desmontagem do aterro.[4]:155-156]

Terceiro viaduto (1973)

Vista aérea em 1995, vendo-se o viaduto antes da quadruplicação e o apeadeiro da 5 de Outubro, construído no alinhamento do antigo aterro.

Em 1968, foi aberto um concurso para um novo viaduto da Linha de Cintura sobre as Avenidas 5 de Outubro e da República, que foi desde logo planeado para passar de via dupla para via quádrupla, e para acolher o projeto que existia para expandir a estação do Rego.[5] O seu traçado corre ligeiramente a norte do precedente, o que premitiu a circulação durante as obras; foi inaugurado em 1973.[4]

Alargamento e nova estação (1999)

No virar do século, o viaduto foi complementado com uma via adicional de cada lado, com traça arquitetónica idêntica,[3] no âmbito da quadruplicação da Linha de Cintura neste troço e do alargamento da interface de Entrecampos, que é promovida então de apeadeiro a estação.[6]

Referências

  1. a b Abel Santos: Planta de Lisboa. s/e: Lisboa, 1908: f. 10-M
  2. a b c Norberto de Araújo: Peregrinações em Lisboa XIV: 63-64
  3. a b Carsten Land; Klaus Hucking; Luiz Trigueiros (2005). Arquitectura em Lisboa e Sul de Portugal desde 1974. Lisboa: Editorial Blau. p. 179. 306 páginas. ISBN 972-8311-17-6 
  4. a b Fernando José Ribeiro Pinto: Recomposições e representações sociais das Avenidas Novas numa cidade em transformação. ISCTE - IUL: Lisboa, 2021.09 (tese de doutoramento em Sociologia)
  5. «Jornal do Mês» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 81 (1930). 16 de Outubro de 1968. pp. 121–144. Consultado em 21 de Fevereiro de 2013 
  6. MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. p. 216-217. 446 páginas