Venerupis corrugata

Amêijoa-babosa

Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Bivalvia
Subclasse: Heterodonta
Ordem: Veneroida
Género: Venerupis
Espécie: V. corrugata
Nome binomial
Venerupis corrugata
Sinónimos
[1]
  • Petricola rugosa Menke, 1829
  • Pullastra vulgaris Sowerby, 1826
  • Tapes dactyloides Sowerby, 1852
  • Tapes disrupta Sowerby, 1852
  • Tapes pullastra (Montagu, 1803)
  • Venerupis corrugata Deshayes, 1853
  • Venerupis nucleus Lamarck, 1819
  • Venerupis pullastra (Montagu, 1803)
  • Venerupis saxatilis (Fleuriau de Bellevue, 1802)
  • Venerupis senegalensis (Gmelin, 1791)
  • Venus corrugata Gmelin, 1791
  • Venus geographica Gmelin, 1791
  • Venus obsoleta Dillwyn, 1817
  • Venus perforans Montagu, 1803
  • Venus plagia Jeffreys, 1847
  • Venus pullastra Montagu, 1803
  • Venus punctulata Gmelin, 1791
  • Venus saxatilis Fleuriau de Bellevue, 1802
  • Venus saxicola Danilo & Sandri, 1856
  • Venus senegalensis Gmelin, 1791
  • Venus tenorii O. G. Costa, 1829

Venerupis corrugata, comummente conhecida como amêijoa-babosa[2], é uma espécie de molusco bivalve da família dos Venerídeos, que vive enterrada nos sedimentos de areia lamacenta[3], das zonas intermareais e litorais do Atlântico Oriental e do Mediterrâneo, desde a Noruega até à África do Sul.[4] É uma espécie comestível, sendo apanhada e consumida em Portugal[5] e noutros países da Europa Ocidental.[6]

Nomenclatura

Nomes comuns

Além de «amêijoa-babosa», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns: amêijoa-judia[7] e amêijoa-macha.[8]

Nome científico

Esta espécie foi descrita pela primeira vez em 1791, pelo naturalista alemão Johann Friedrich Gmelin, e publicada en: Gmelin, J. F., 1788-1793. In: Linné, C., Systema naturae, Edit. 13 aucta et reformata cura J. F. Gmelin. 10 vols, Lipsiae. 1788-1793 et Lugduni, 1789-1796, co nome de Venus corrugata.[9]

Posteriormente foi identificada como espécie doutros géneros, sendo classificada por George Montagu no género Venerupis, conhecendo-se durante muitos anos como Venerupis pullastra (Montagu, 1803) e, depois, como Venerupis senegalensis (Gmelin, 1791).[9]

Bowden e Heppell, em 1968, demonstraram que o nome muito utilizado Venerupis pullastra (Montagu, 1803) deveria ser substituído pelo mais antigo V. senegalensis (Gmelin, 1791). Porém, segundo Fischer-Piette e Metivier (1971), o nome correcto é V. corrugata (Gmelin, 1791), se bem que, com base no principio do 'primeiro revisor', o nome V. senegalensis também se utilize.[9]

Morfologia e anatomia

Morfologicamente a amêijoa-macha é bastante semelhante às outras amêijoas, distinguindo-se pelo seu formato um tanto mais oval-alongado.[10]

A cor da concha costuma matizar-se entre o creme, o cinzento-pálido e o acastanhado, com manchas irregulares mais escuras e da mesma cor castanha-escura ou púrpura. Conta ainda com linhas ou estrias longitudinais, bastante visíveis.[10] Além das linhas longitudinais, também conta com linhas radiais concêntricas, as quais, por sinal, são mais ténues, não mostrando a quadrícula típica da amêijoa-boa ou da amêijoa-japonesa.[10]

Conta com dois sifões, os quais estão unidos em toda a sua longitude, salvo na extremidade, onde se separam.[10] Esta característica permite a amêijoa-judia das outras espécies de amêijoa.[10] Por serem mais curtos que os sifões das outras amêijoas, a amêijoa-babosa não pode enterrar-se a tanta profundidade como aquelas e resiste mal à baixa-mar.

O miolo da amêijoa-macha é de cor branca e ocupa a totalidade da concha.[10]

Distribuição

A amêijoa-babosa está presente, nas zonas intermareais e litorais do Atlântico Oriental e do Mediterrâneo, dispersando-se, de Norte a Sul, da Noruega até à África do Sul, espraiando-se a Leste até ao Golfo do Suez.[4]

Habitat

Esta espécie medra em bancos de areia fina, cascalho ou lismos, nas zonas intermareais, desde o limite da baixa-mar até uma profundidades de 40 m de profundidade.[6][4] Prefere temperaturas subtropicais, em torno dos 15 graus Celsius.[4]

Comparada com as outras espécies de amêijoas, a amêijoa-babosa é muito mais sensível às mudanças de temperatura e, sobretudo, às mudanças de salinidade da água, pelo que sofre grandes mortalidades por causa das cheias que ocorrem nas alturas de temporais e chuvas abundantes.[11] Também resiste menos que as outras amêijoa fora da água, o que explica que, outrora, a sua comercialização fora das zonas costeiras não fosse comum. Hoje em dia, esta questão já não representa qualquer obstáculo à sua comercialização.[12]

Pesca e comercialização

Amêijoa-babosa

Normalmente, a captura desta espécie faz-se com rede de arrasto ou à vara, com recurso a embarcações, numa modalidade de pesca denominada marisqueio, mas também se pode colher com sacho, na maré-baixa.[12] O tamanho comercial mínimo é de 38 mm de longitude no seu eixo maior.[12]

Gastronomia

A amêijoa-judia pode-se consumir em cru ou cozinhada, se bem que, normalmente, se desaconselha a primeira forma de consumo, porque esta espécie solta muita baba (daí o nome).[12]

Com efeito, o mais comum é consumi-las cozinhadas. É apta a diversos tipos de preparação culinária, desde uma breve cozedura (amêijoas ao vapor [13], com ou sem loureiro), até preparações mais elaboradas (guisadas com arroz[14] [15], em caldeiradas [16], em pratos com robalo[17], com massa, em sopas[18] ou até em empadas[19]).

Referências

  1. «WoRMS - World Register of Marine Species - Venerupis corrugata (Gmelin, 1791)». www.marinespecies.org. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  2. Infopédia. «amêijoa-babosa | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  3. Joaquim, Sandra; Matias, Domitília; Matias, Ana Margarete; Leitão, Alexandra; Soares, Florbela; Cabral, Marina; Chícharo, Luís; Gaspar, Miguel B (abril de 2016). «The effect of density in larval rearing of the pullet carpet shell Venerupis corrugata (Gmelin, 1791) in a recirculating aquaculture system». Aquaculture Research (em inglês) (4): 1055–1066. doi:10.1111/are.12561. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  4. a b c d «Venerupis corrugata, Corrugated venus : fisheries». www.sealifebase.se. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  5. «Venerupis - an overview | ScienceDirect Topics». www.sciencedirect.com. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  6. a b Ramonell, Rosa (1985). Guía dos mariscos de Galicia. Vigo: Galaxia. 293 páginas. ISBN 84-7154-506-3 
  7. Infopédia. «amêijoa-judia | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  8. Infopédia. «amêijoa-macha | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  9. a b c Ríos Panisse, María del C. (1977). «Nomenclatura de la flora y fauna marítimas de Galicia. 1: Invertebrados y peces». Santiago de Compostela: Universidad de Santiago de Compostela. Verba Anexo. 7. ISBN 978-84-7191-008-0 
  10. a b c d e f «Almeja babosa». Oceano Fresco. Consultado em 11 de outubro de 2025 
  11. Huber, Markus (2010). «Compendium of bivalves. 1: A Full-Color Guide to 3300 of the World's Marine Bivalves. A Status on Bivalvia after 250 Years of Research$hMarkus Huber». Hackenheim: ConchBooks. ISBN 978-3-939767-28-2 
  12. a b c d Rolán, Emilio; Otero-Schmitt, Jorge, eds. (1996). Guía dos moluscos de Galicia. Vigo: Ed. Galaxia. ISBN 84-8288-072-1 
  13. Rosa-Limpo, Berta (1952). O livro de Pantagruel: cozinha, doçaria, bebidas. Lisboa: Temas e Debates. p. 94. 1192 páginas. ISBN 9789896441272 
  14. Matos dos Santos, Paula (2013). Receitas e sabores dos territórios rurais. Lisboa: MINHA TERRA – Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local. p. 98. 270 páginas. ISBN 978-989-98813-0-3 
  15. Rosa-Limpo, Berta (1952). O livro de Pantagruel: cozinha, doçaria, bebidas. Lisboa: Temas e Debates. p. 213. 1192 páginas. ISBN 9789896441272 
  16. Matos dos Santos, Paula (2013). Receitas e sabores dos territórios rurais. Lisboa: MINHA TERRA – Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local. p. 170. 270 páginas. ISBN 978-989-98813-0-3 
  17. Trindade, Isabel (2022). O Receituário do Robalo Está Aqui (PDF). Esposende: Câmara Municipal de Esposende. p. 7. 38 páginas 
  18. Rosa-Limpo, Berta (1952). O livro de Pantagruel: cozinha, doçaria, bebidas. Lisboa: Temas e Debates. p. 48. 1192 páginas. ISBN 9789896441272 
  19. Rosa-Limpo, Berta (1952). O livro de Pantagruel: cozinha, doçaria, bebidas. Lisboa: Temas e Debates. p. 338. 1192 páginas. ISBN 9789896441272