Velho do saco

Representação do homem do saco feita no século 17 pelo alemão Abraham Bach der Ältere

Velho do saco ou homem do saco é uma figura mitológica semelhante ao bicho-papão, retratado como um homem com um saco nas costas que carrega crianças malcriadas. Variantes dessa figura aparecem em todo o mundo, incluindo países latinos, como Portugal, Brasil,[1] Espanha e países da América espanhola,[1] onde é conhecido como "el camba bolsa",[1] "hombre do costal", "hombre del saco". Também aparece na Europa Oriental, no Haiti, na África do Sul[2] e em alguns países Ásia.[3][4]

Tradições regionais

No Brasil

No Brasil, o homem do saco é retratado como um homem adulto, alto e imponente, geralmente na forma de um "vagabundo", que carrega um saco nas costas e recolhe crianças desobedientes para fins nefastos. O Papa-figo por vezes considerado uma variação do homem do saco,[5][6] tendo entre as descrições do Papa-figo de ele carregar consigo um saco.[7] Em uma cidade da fronteira com a Argentina há a figura do "velho da bolsa".

Na Espanha

Na Espanha, o hombre del saco geralmente é retratado como um velho malvado e impossivelmente feio e magro que come as crianças que se comportam mal. O assassinato do menino Bernardo Gonzalez Parra por Francisco Leona Romero em Gádor em 1910 popularizou-se como caracterização do termo no país[8] porque os sequestradores usavam um saco de balas para levar com as crianças.[9]

No Chile e Argentina

No Chile e na Argentina, particularmente nas zonas sul e austral, é conhecido principalmente como "El Viejo del Saco" ("O velho do saco"). Em uma cidade argentina fronteiriça com o Brasil há a figura de "el camba bolsa", ou "velho da bolsa", do lado brasileiro.[1]

Ver também

Referências

  1. a b c d Blick, Guilherme (outubro de 2002). Uma pesquisa sobre o imagináro da fronteira: mitos na região de Santo Antonio do sudoeste (Brasil) e San Antonio (Argentina). 2º Congresso Brasileiro de Hispanistas. São Paulo: Associação Brasileira de Hispanistas. Consultado em 1 de dezembro de 2025 
  2. «The first known reference to Antjie Somers, a South African bogy figure, is made in The Friend | South African History Online». sahistory.org.za (em inglês). 16 de março de 2011. Consultado em 2 de dezembro de 2025 
  3. Krensky, Stephen. The Bogeyman. Col: Monster Chronicles (em inglês). [S.l.]: Lerner Classroom. p. 13. ISBN 9780822585213. OCLC 1466367594 
  4. Hopgood, Mei-Ling (2012). How Eskimos keep their babies warm. and other adventures in parenting (from Argentina to Tanzania and everywhere in between). Chapel Hill (Carolina do Norte): Algonquin Books of Chapel Hill. p. 193. 292 páginas. ISBN 9781616201203. OCLC 774685550 
  5. Diana, Daniela. «Lenda do Papa-Figo ou Homem do Saco». Toda Matéria. Consultado em 2 de dezembro de 2025 
  6. da Silva, Maria da Luz (2008). A (re) construção das memórias do mito do Papa-Figo na cidade de Bayeux-PB. XIII Encontro Estadual de História. Guarabira, PB: Universidade Estadual da Paraíba. p. 6. Consultado em 1 de dezembro de 2025 
  7. Cascudo, Luís da Câmara (2015). «Papa-figo». Geografia dos Mitos Brasileiros. São Paulo: Global Editora. ISBN 9788526017290. OCLC 1327833974 
  8. Ayala Sörense, Federico (25 de setembro de 2014). Expósiot, Ángel, ed. «El verdadero «Hombre del Saco»». ABC (em espanhol). Diario ABC, S.L. Consultado em 27 de março de 2018 
  9. Fernández Juárez, Gerardo (2008). Kharisiris en acción: cuerpo, persona y modelos médicos en el Altiplano de Bolivia. [S.l.]: Editorial Abya Yala. p. 61. ISBN 9789978227213