Cigarro eletrônico

Os cigarros eletrônicos, também chamados Electronic Nicotine Delivery Systems (ENDS), são dispositivos que aquecem um líquido para gerar um aerossol inalável, geralmente composto de propilenoglicol (PG), glicerina vegetal (VG), nicotina e aromatizantes. Criados comercialmente em 2003 pelo farmacêutico chinês Hon Lik, os dispositivos evoluíram para diversas gerações, incluindo modelos recarregáveis, mods e versões descartáveis. Diferentemente do cigarro convencional, os cigarros eletrônicos operam sem combustão, o que resulta em emissões químicas distintas e, em geral, substancialmente inferiores às do tabaco queimado.

A literatura científica indica que os cigarros eletrônicos não são isentos de risco, mas expõem usuários a níveis muito menores de tóxicos relacionados à combustão quando comparados ao cigarro tradicional. Relatórios internacionais, como os do Royal College of Physicians, da Cochrane e do Office for Health Improvement and Disparities (Reino Unido), sugerem que esses dispositivos podem desempenhar um papel importante na redução de danos do tabagismo para adultos fumantes que substituem completamente o cigarro convencional. Entretanto, persistem incertezas quanto aos efeitos de longo prazo, devido ao uso relativamente recente em larga escala.

O uso de cigarros eletrônicos varia globalmente, sendo mais comum entre fumantes adultos e ex-fumantes, embora preocupações sobre iniciação de jovens tenham influenciado políticas públicas e restrições de marketing em diversos países. Episódios como o surto de EVALI em 2019 — posteriormente atribuído principalmente a cartuchos ilícitos de THC adulterados — e a ampla cobertura midiática de riscos potenciais contribuíram para debates públicos acentuados e percepções divergentes de risco.

As abordagens regulatórias diferem amplamente entre países: vão desde proibições totais até modelos permissivos baseados em redução de danos. Alguns governos, como o Reino Unido e a Nova Zelândia, incorporam os dispositivos em estratégias de cessação do tabagismo, enquanto outros adotam restrições rígidas ou proibições de comercialização. Além disso, o rápido crescimento dos dispositivos descartáveis ampliou discussões ambientais sobre resíduos eletrônicos e baterias de lítio. O debate científico, regulatório e social sobre cigarros eletrônicos permanece em evolução, refletindo a complexidade tecnológica, sanitária e econômica desses produtos.

Cigarro eletrônico

Exemplos de dispositivos de vaporização

Tipo
Dispositivo eletrônico
Características
Composto de
bateria
battery carrier (d)
tanque
vaporizador
e-liquid (d)
Descoberto
Data
Utilização
Uso
Alternativa ao cigarro convencional; redução de danos

História

Antecedentes e primeiros protótipos

Experiências com dispositivos destinados a produzir vapores inaláveis remontam ao início do século XX. Em 1927, o inventor norte-americano Joseph Robinson depositou uma patente para um vaporizador elétrico destinado à administração de substâncias medicinais por inalação, embora não haja registro de comercialização em larga escala do aparelho.[1]

Na década de 1960, o norte-americano Herbert A. Gilbert registrou uma patente para um “cigarro sem fumaça e sem tabaco”, que substituía a combustão por ar aquecido e aromatizado. Embora o dispositivo não contivesse nicotina e não tenha sido produzido comercialmente, é frequentemente citado como um precursor conceitual dos cigarros eletrônicos[nota 1] modernos.[2] Nas décadas seguintes, grandes fabricantes de cigarros desenvolveram produtos aquecidos — como o Premier e o Eclipse — que utilizavam tabaco aquecido em vez de queimado, mas tiveram aceitação limitada entre consumidores.[2]

Invenção do cigarro eletrônico moderno

O dispositivo considerado a base dos cigarros eletrônicos atuais foi desenvolvido no início dos anos 2000 pelo farmacêutico chinês Hon Lik. Motivado pela morte do pai, fumante pesado, por câncer de pulmão, Hon concebeu um aparelho que inicialmente utilizava um elemento ultrassônico e posteriormente uma resistência elétrica para vaporizar uma solução contendo nicotina, produzindo um aerossol inalável.[3] Em 2003, Hon registrou uma patente para esse projeto, e o produto começou a ser comercializado na China em 2004 sob a marca Ruyan.[2]

Os primeiros modelos eram geralmente dispositivos de formato semelhante ao cigarro convencional (“cigalikes”), com cartuchos descartáveis e baterias de baixa capacidade. Apesar das limitações, esses produtos marcaram a transição para um mercado internacional de dispositivos de vaporização de nicotina.[2]

Expansão na China e internacionalização

A partir de meados da década de 2000, fabricantes instalados principalmente em Shenzhen, na China, passaram a produzir cigarros eletrônicos para exportação em larga escala. Estimativas sugerem que, em 2014, existiam mais de 400 marcas no mercado global e que, em 2018, cerca de 95% dos dispositivos eram fabricados na China.[2][4]

Durante a década de 2010, o uso de cigarros eletrônicos cresceu rapidamente na América do Norte, Europa e partes da Ásia, acompanhado pela expansão de lojas especializadas e comércio eletrônico. Relatórios estimam que o número de usuários adultos passou de alguns milhões no início da década para dezenas de milhões em 2020.[2][5]

Entrada da indústria do tabaco

As primeiras empresas a comercializar cigarros eletrônicos em larga escala eram independentes de pequeno e médio porte. A partir do início da década de 2010, grandes fabricantes de cigarros passaram a investir nesse mercado, seja desenvolvendo marcas próprias, seja adquirindo empresas estabelecidas.[2]

A marca blu, lançada em 2009 nos Estados Unidos, foi adquirida pela Lorillard em 2012, em uma das primeiras operações em que uma grande empresa de tabaco passou a controlar uma marca relevante de cigarro eletrônico.[6] Em 2013, a British American Tobacco lançou no Reino Unido o Vype, considerado o primeiro cigarro eletrônico comercializado por uma multinacional do tabaco nesse mercado.[7] No mesmo período, a Reynolds American introduziu a marca Vuse nos Estados Unidos.[8]

A entrada dessas empresas acelerou a expansão comercial e contribuiu para a consolidação de marcas globais.

Gerações de dispositivos

Com a diversificação tecnológica, passou-se a classificar informalmente os cigarros eletrônicos em diferentes “gerações”. A primeira geração incluía dispositivos semelhantes ao cigarro convencional (“cigalikes”) e cartuchos pré-preenchidos. A segunda geração trouxe tanques recarregáveis e baterias de maior capacidade. A terceira geração introduziu aparelhos ajustáveis (“mods”), com controles de potência e atomizadores intercambiáveis. A partir da segunda metade da década de 2010, os sistemas de cápsulas (“pod systems”), alguns deles utilizando sais de nicotina, tornaram-se amplamente populares pela simplicidade e pela entrega eficiente de nicotina.[9][2]

Essas classificações não são formalmente padronizadas, mas são amplamente utilizadas em publicações científicas e relatórios de mercado.

História no Brasil

Os cigarros eletrônicos foram desenvolvidos na China no início dos anos 2000 e passaram a ser comercializados em países da Europa e da América do Norte antes de chegar ao Brasil.[10][11] Relatos da CONICQ indicam que, a partir da segunda metade da década de 2000, os dispositivos começaram a circular no país por meio de importações individuais e comércio pela internet.[12]

Em 2009, a Anvisa publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.º 46, proibindo a comercialização, a importação e a propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar no território nacional.[13][14]

Apesar da restrição, estudos e reportagens descreveram o crescimento de um mercado informal, alimentado por comércio eletrônico e fronteiras terrestres, o que motivou debates recorrentes sobre possíveis revisões regulatórias.[15]

Funcionamento e componentes

Os cigarros eletrônicos são dispositivos que aquecem uma solução líquida para gerar um aerossol inalável. Embora variem amplamente em tamanho, formato e tecnologia, a maioria dos modelos compartilha elementos estruturais comuns: uma bateria, um elemento de aquecimento (bobina), um reservatório ou cápsula e um mecanismo de ativação.[16][17]

Estrutura básica

A estrutura fundamental de um cigarro eletrônico inclui:

  • Bateria, geralmente de íons de lítio, responsável por fornecer energia ao sistema;
  • Atomizador, que inclui a resistência e o pavio, responsável pela vaporização do líquido;
  • Reservatório, que pode ser um tanque recarregável ou cápsula substituível;
  • Bocal para inalação do aerossol.

A ativação ocorre por botão ou sensores de fluxo que detectam a inalação.[18]

Bateria e controle de potência

As baterias variam desde pequenas células integradas até baterias removíveis de alta capacidade, presentes em dispositivos avançados. Em modelos ajustáveis, o usuário pode definir a potência ou a tensão, influenciando produção de aerossol e temperatura da bobina.[19]

Modelos recentes incorporam circuitos para regular temperatura, evitar superaquecimento e reduzir formação de compostos indesejados.[17]

Atomizador

O atomizador contém uma resistência metálica (kanthal, níquel, cromo ou aço inoxidável) envolvida por material poroso que absorve o líquido. Quando aquecida, a resistência vaporiza o líquido impregnado no pavio.

A eficiência depende de:

  • material da bobina;
  • resistência elétrica;
  • área de contato;
  • temperatura de operação;
  • viscosidade do líquido.

A configuração do atomizador influencia diretamente a produção de aerossol e a formação de subprodutos.[20]

Reservatórios, tanques e cápsulas (pods)

Os sistemas de armazenamento podem incluir:

  • Cartuchos pré-preenchidos;
  • Tanques recarregáveis;
  • Cápsulas (pods).

Os pods frequentemente utilizam sais de nicotina, que permitem maior eficiência de absorção e menor irritação na garganta.[21]

Líquidos para vaporização

Os líquidos geralmente contêm propilenoglicol (PG), glicerina vegetal (VG), nicotina e aromatizantes. O PG tende a gerar maior sensação de impacto na garganta, enquanto o VG produz maior volume de vapor. A proporção entre ambos influencia densidade do aerossol, temperatura de vaporização e formação de subprodutos térmicos.[17]

Mecanismo de geração do aerossol

Ao ser ativado, o dispositivo aquece a bobina, vaporizando o líquido e formando um aerossol composto principalmente de microgotículas de PG/VG e nicotina.[22]

Modelos avançados utilizam sensores e controladores eletrônicos para manter temperatura estável e evitar condições que favorecem o “dry puff”.[17]

Composição do aerossol e avaliação toxicológica

O aerossol produzido por cigarros eletrônicos resulta da vaporização de uma solução composta principalmente por PG, VG, nicotina e aromatizantes. Diferentemente da fumaça de cigarro, que é gerada pela combustão do tabaco, esse aerossol consiste em microgotículas líquidas e contém quantidades substancialmente menores de substâncias tóxicas quando comparado ao cigarro convencional.[17][22][23]

Base líquida: PG, VG e aromatizantes

A maioria dos líquidos para vaporização contém uma combinação de propilenoglicol (PG) e glicerina vegetal (VG), ambos amplamente utilizados em produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos. O PG proporciona maior impacto na garganta (“throat hit”), enquanto o VG é mais viscoso e gera maior volume de aerossol. Esses solventes atuam como veículos para a dissolução de nicotina e aromatizantes.[24]

Os aromatizantes utilizados em líquidos de cigarro eletrônico são, em sua maioria, substâncias classificadas como seguras para ingestão (GRAS), embora essa classificação não se aplique automaticamente à inalação. Avaliações toxicológicas indicam que a composição, a estabilidade e a pureza desses componentes influenciam a formação de subprodutos térmicos durante o aquecimento.[25]

Formação de aldeídos e condições de uso (incluindo “dry puff”)

O aquecimento de PG e VG em temperaturas elevadas pode gerar aldeídos, como formaldeído, acetaldeído e acroleína. No entanto, estudos demonstram que níveis elevados desses compostos ocorrem principalmente em condições extremas de aquecimento, conhecidas como “dry puff”, quando o pavio não está adequadamente saturado. Esse fenômeno produz sabor intensamente desagradável, funcionando como mecanismo de autoproteção para o usuário.[26]

Estudos que replicam padrões realistas de uso indicam que, em condições normais de vaporização, os níveis de aldeídos são substancialmente menores do que aqueles detectados na fumaça do cigarro convencional. Esses níveis variam de acordo com fatores como potência, design do dispositivo, composição do líquido e técnica de inalação.[27]

Metais e fontes possíveis (bobinas, soldas, ligas)

Traços de metais podem ser encontrados no aerossol de dispositivos eletrônicos, geralmente derivados da resistência metálica, soldas, ligas ou outros componentes internos. Os principais metais detectados incluem níquel, cromo, estanho e chumbo, em concentrações que variam amplamente entre modelos e condições de uso.[28]

A presença e a concentração de metais são influenciadas por fatores como:

  • material da bobina (kanthal, níquel, aço inoxidável),
  • padrões de aquecimento,
  • qualidade da soldagem,
  • desgaste e envelhecimento do dispositivo.

Embora a exposição detectada seja, em geral, significativamente menor do que a associada à fumaça do cigarro convencional, órgãos de saúde pública destacam a importância de padrões de fabricação e controle regulatório para minimizar eventuais riscos.[17]

Comparação química com a fumaça do cigarro

A fumaça do cigarro resulta da combustão e contém milhares de substâncias químicas, das quais pelo menos 70 são carcinogênicas reconhecidas. Em contraste, o aerossol de cigarros eletrônicos contém uma quantidade muito menor de compostos orgânicos voláteis, hidrocarbonetos, partículas sólidas e produtos de combustão.[22][29]

O relatório do Royal College of Physicians (2016) afirma que a exposição a toxinas decorrente do uso de cigarros eletrônicos é “provavelmente substancialmente menor” do que aquela associada ao tabagismo convencional. Avaliações mais recentes, como a do Office for Health Improvement and Disparities (2022), reforçam essa conclusão, embora ressaltem incertezas relativas aos efeitos de longo prazo.[22][23]

Variabilidade toxicológica em mercados não regulamentados

A composição química do aerossol pode variar amplamente em contextos onde não há padrões de fabricação, controle de qualidade ou fiscalização sanitária. Em mercados não regulamentados, estudos relatam:

  • inconsistência na pureza de PG e VG;
  • presença acidental de solventes ou diluentes inadequados;
  • variação na concentração real de nicotina;
  • maior risco de formação de compostos degradados devido ao uso de materiais de baixa qualidade.[30]

O surto de EVALI nos Estados Unidos em 2019 exemplificou os riscos associados a produtos ilícitos, especialmente cartuchos de THC adulterados com acetato de vitamina E, comercializados fora de cadeias regulatórias. A discussão detalhada sobre o surto encontra-se na seção EVALI (2019).[31] .[32] .[33]

Relatórios científicos recomendam que padrões regulatórios — incluindo controle de pureza, limites de temperatura, certificação de materiais e rotulagem adequada — são importantes para reduzir riscos toxicológicos potenciais.[17][23]

Efeitos na saúde

O impacto dos cigarros eletrônicos na saúde humana depende de fatores como composição do aerossol, padrão de uso, qualidade dos dispositivos, existência de regulamentação e histórico prévio de exposição ao tabaco. A literatura científica reconhece que os dispositivos apresentam riscos, mas tais riscos diferem substancialmente daqueles associados ao cigarro convencional devido à ausência de combustão.[17][22][23]

Risco absoluto

O uso de cigarros eletrônicos expõe o usuário a diversos compostos químicos, incluindo nicotina, aerossóis de PG/VG e traços de aldeídos e metais. Estudos toxicológicos e clínicos indicam que:

  • a nicotina pode causar dependência e efeitos fisiológicos, como elevação transitória da frequência cardíaca;
  • a inalação de aerossóis pode provocar irritação respiratória em alguns indivíduos;
  • os efeitos de longo prazo ainda não são completamente conhecidos, dado o uso relativamente recente dos dispositivos.[34]

Órgãos de saúde pública recomendam cautela, especialmente em populações vulneráveis, como jovens, gestantes e indivíduos não fumantes.[35]

Risco relativo comparado ao cigarro convencional

Relatórios e revisões internacionais indicam que os cigarros eletrônicos apresentam risco substancialmente menor do que o cigarro convencional para adultos fumantes que realizam substituição completa. A ausência de combustão resulta em níveis drasticamente reduzidos de alcatrão, monóxido de carbono e carcinógenos presentes na fumaça do tabaco.[22][23]

Estudos comparativos de biomarcadores mostram que fumantes que migram para o uso exclusivo de cigarros eletrônicos apresentam reduções significativas na exposição a substâncias tóxicas, como NNAL, benzeno e acrilonitrila.[36]

A National Academies of Sciences concluiu que os cigarros eletrônicos, embora não isentos de risco, são “provavelmente muito menos prejudiciais” do que os produtos de combustão para adultos fumantes.[17]

Exposição cardiovascular, pulmonar e sistêmica

Sistema cardiovascular

Estudos observacionais e experimentais indicam que o uso de cigarros eletrônicos pode causar aumentos transitórios na frequência cardíaca e na pressão arterial, efeitos atribuídos principalmente à nicotina. A literatura sugere que a exposição a compostos tóxicos cardiovasculares é menor do que aquela resultante do cigarro convencional.[37]

Sistema pulmonar

O impacto pulmonar inclui potenciais efeitos irritativos decorrentes do PG, VG e alguns aromatizantes. Estudos de função pulmonar apresentam resultados heterogêneos: alguns relatam pequenas alterações de curto prazo, enquanto outros observam ausência de mudanças clinicamente relevantes em usuários adultos.[38]

Exposição sistêmica

A absorção de nicotina varia conforme o dispositivo, técnica de uso e composição do líquido, mas geralmente permanece inferior ou semelhante à observada no cigarro convencional. A exposição sistêmica a compostos carcinogênicos é significativamente menor do que no tabagismo combustível.[39]

Evidências sobre longo prazo (incertezas e lacunas de pesquisa)

Como os cigarros eletrônicos passaram a ser amplamente utilizados apenas a partir da década de 2010, a literatura científica ainda carece de estudos longitudinais de longo acompanhamento. Relatórios destacam que:

  • efeitos crônicos podem existir, mas seu caráter e magnitude permanecem incertos;
  • coortes acompanhadas por períodos superiores a 10–20 anos serão essenciais para conclusões definitivas;[17]
  • riscos residuais provavelmente são menores do que os do cigarro convencional devido à ausência de combustão, embora não possam ser descartados.[23]
  • Organizações internacionais de saúde recomendam que indivíduos não fumantes não iniciem o uso de cigarros eletrônicos.[40]

Controvérsias, interpretações públicas e comunicação de risco

A comunicação científica sobre cigarros eletrônicos tem sido marcada por controvérsias, em parte devido à rápida evolução dos dispositivos, à heterogeneidade dos produtos e à disseminação de informações tanto alarmistas quanto minimizadoras.[41]

Eventos como o surto de EVALI em 2019 contribuíram para confusão pública ao serem inicialmente atribuídos de forma ampla ao “vaping”, embora investigações posteriores tenham identificado ligação predominante com produtos ilícitos de THC adulterados.[42]

Pesquisas de opinião mostram que a percepção pública dos riscos dos cigarros eletrônicos tornou-se mais negativa ao longo dos anos, frequentemente superando os riscos relativos observados em estudos comparativos.[43]

A literatura destaca a importância de comunicações equilibradas que distingam:

  • riscos absolutos;
  • riscos relativos (menores que os do cigarro convencional para fumantes adultos);
  • incertezas científicas sobre efeitos de longo prazo.[23]

Redução de danos do tabagismo

A redução de danos[nota 2] é uma abordagem de saúde pública que busca minimizar prejuízos associados ao uso de substâncias psicoativas quando a eliminação completa do comportamento não é possível ou não ocorre de imediato. No contexto do tabagismo, a estratégia envolve o uso de produtos de nicotina que apresentem menor risco do que os cigarros combustíveis, como cigarros eletrônicos, produtos de tabaco aquecido e terapias de reposição de nicotina (TRN).[44]

Conceito internacional de redução de danos (HIV, drogas, álcool)

A estratégia de redução de danos ganhou reconhecimento internacional a partir da década de 1980, inicialmente em resposta à epidemia de HIV entre pessoas que utilizavam drogas injetáveis. Medidas como programas de troca de seringas, educação em saúde e terapias assistidas com medicamentos reduziram significativamente a transmissão de doenças e a mortalidade em diversos países.[45]

A abordagem também foi aplicada ao consumo de álcool, com políticas de redução de riscos em ambientes recreativos, e ao uso de outras drogas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a redução de danos como um componente válido de estratégias de saúde pública.[46]

Aplicação ao tabagismo (Michael Russell e sucessores)

O conceito de redução de danos no tabagismo é frequentemente associado ao pesquisador britânico Michael Russell, que, na década de 1970, observou que “as pessoas fumam pela nicotina, mas morrem pelos alcatrões”.[47]

Essa formulação fundamentou pesquisas posteriores sobre produtos de nicotina menos nocivos, como TRN, tabaco aquecido e, mais recentemente, cigarros eletrônicos. A partir dos anos 2000, grupos acadêmicos e órgãos de saúde passaram a avaliar sistemas alternativos de nicotina como potenciais ferramentas de redução de danos para fumantes que não conseguem cessar totalmente.[48]

Relatórios científicos que reconhecem potencial de redução de danos

Diversos relatórios técnicos e revisões internacionais avaliaram os cigarros eletrônicos como parte de estratégias de redução de danos para fumantes adultos.

Royal College of Physicians (RCP)

O relatório Nicotine Without Smoke (2016) afirma que o risco de longo prazo associado aos cigarros eletrônicos é “provavelmente substancialmente menor” do que o risco do cigarro convencional e que tais dispositivos podem representar uma oportunidade significativa para fumantes que realizam substituição completa.[22]

National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (NASEM)

A revisão de 2018 conclui que os cigarros eletrônicos são “substancialmente menos prejudiciais” do que os produtos de combustão, embora não isentos de risco, e que a substituição completa reduz a exposição a compostos tóxicos.[17]

Office for Health Improvement and Disparities (OHID), Reino Unido

A revisão de 2022 indica que produtos de nicotina sem combustão proporcionam reduções expressivas de exposição a carcinógenos e tóxicos, reforçando seu potencial como ferramenta de redução de danos para fumantes adultos.[23]

Revisões Cochrane

A revisão sistemática da Cochrane (2023) conclui, com alto nível de confiança, que cigarros eletrônicos com nicotina são mais eficazes para cessação do que TRN tradicional e que usuários que realizam substituição completa tendem a apresentar níveis menores de tóxicos relacionados à combustão.[49]

Críticas e debates acadêmicos

Embora haja consenso de que cigarros eletrônicos apresentam menor risco do que o cigarro convencional, debates persistem sobre:

  • impactos populacionais de longo prazo;
  • possível iniciação entre jovens não fumantes;
  • desigualdades regulatórias entre mercados;
  • influência da indústria do tabaco em pesquisa e marketing.[50]

Críticos argumentam que, embora exista potencial de redução de danos para fumantes adultos, permanecem incertezas quanto a efeitos crônicos, dual use (uso simultâneo de cigarros e e-cigarettes) e possíveis impactos na prevalência populacional de tabagismo.[51]

Por outro lado, diversos autores destacam que políticas públicas devem diferenciar entre produtos combustíveis e não combustíveis, de modo que a comunicação de risco seja proporcional aos níveis reais de dano e evite distorções na percepção pública.[52]

Eficácia na cessação do tabagismo

A eficácia dos cigarros eletrônicos como ferramenta de cessação do tabagismo tem sido tema de numerosos estudos, incluindo ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e revisões sistemáticas. A literatura científica indica que, para fumantes adultos, o uso de cigarros eletrônicos com nicotina pode aumentar as taxas de abandono do cigarro quando comparado a algumas abordagens tradicionais, embora persistam incertezas e debates sobre o impacto populacional de longo prazo.[17][23]

Ensaios clínicos randomizados

Ensaios clínicos randomizados (ECRs) compararam cigarros eletrônicos a outras intervenções de cessação, como terapias de reposição de nicotina (TRN) e suporte comportamental isolado. Em um dos estudos de maior impacto, conduzido no Reino Unido, participantes fumantes foram randomizados para receber cigarros eletrônicos com nicotina ou TRN à escolha (adesivos, gomas etc.), ambos combinados com apoio comportamental. Após 12 meses, a taxa de abstinência contínua foi significativamente maior no grupo de cigarros eletrônicos (18%) em comparação ao grupo de TRN (9,9%).[53]

Outros ECRs, com diferentes desenhos e populações, também relataram taxas de abstinência maiores ou similares em grupos que utilizaram cigarros eletrônicos, em comparação a TRN ou apenas aconselhamento. Entretanto, as taxas de sucesso variam amplamente conforme tipo de dispositivo, intensidade do suporte, concentração de nicotina e características dos participantes.[54]

Revisões sistemáticas (Cochrane e outras)

Revisões sistemáticas e meta-análises sintetizaram os achados de múltiplos ECRs e estudos observacionais. A revisão da Cochrane (atualizada em 2023) concluiu, com alto nível de confiança, que cigarros eletrônicos contendo nicotina aumentam as taxas de cessação quando comparados a cigarros eletrônicos sem nicotina e a algumas formas de TRN, quando utilizados por fumantes adultos motivados a parar de fumar.[55]

Outras revisões apresentam conclusões semelhantes, embora ressaltem a heterogeneidade entre estudos, limitações metodológicas e a necessidade de acompanhamento prolongado para avaliar a manutenção da abstinência.[56]

Comparação com terapias convencionais de reposição de nicotina

A evidência disponível sugere que cigarros eletrônicos com nicotina podem ser mais eficazes do que algumas formas isoladas de TRN (como adesivos ou gomas) para promover cessação em fumantes adultos, especialmente quando utilizados em combinação com suporte comportamental estruturado.[57]

Ao mesmo tempo, organizações de saúde enfatizam que nenhuma intervenção é universalmente eficaz e que a escolha da ferramenta deve considerar o perfil do fumante, preferências individuais, disponibilidade de apoio clínico e contexto regulatório.[58]

Uso prático em programas de saúde pública (Reino Unido, Nova Zelândia)

Alguns países incorporaram os cigarros eletrônicos em suas estratégias de controle do tabagismo. No Reino Unido, serviços de cessação vinculados ao sistema público de saúde (NHS) passaram a oferecer cigarros eletrônicos como uma das opções disponíveis para fumantes interessados em parar de fumar, em combinação com aconselhamento profissional.[59]

Na Nova Zelândia, políticas de redução do tabagismo incluem a promoção de produtos de nicotina de menor risco, como cigarros eletrônicos, associada a aumento de impostos sobre cigarros combustíveis, campanhas educacionais e metas nacionais de redução do tabagismo.[60]

Relatórios desses países sugerem que o acesso regulado a cigarros eletrônicos, aliado a políticas abrangentes de controle do tabaco, pode contribuir para o aumento das taxas de cessação em nível populacional, embora o efeito isolado de cada medida seja difícil de quantificar.[23]

Limitações metodológicas e debates

Apesar das evidências favoráveis em ECRs e revisões sistemáticas, permanecem limitações e pontos de debate, incluindo:

  • variação entre tipos de dispositivos e concentrações de nicotina utilizados nos estudos;
  • dificuldade de mensurar a adesão ao uso dos produtos ao longo do tempo;
  • uso dual (cigarro convencional + cigarro eletrônico) em parte dos participantes;
  • diferenças regulatórias, econômicas e culturais entre países.[17]

Alguns pesquisadores argumentam que, embora os cigarros eletrônicos possam ser eficazes para indivíduos que os utilizam com esse propósito, o impacto líquido em saúde pública depende de fatores como iniciação entre jovens, prevalência de uso dual e mudanças na percepção de risco do tabagismo.[61]

Por outro lado, outros autores destacam que subestimar ou comunicar de forma imprecisa o potencial de cessação pode desencorajar fumantes de migrar para alternativas menos nocivas, o que pode afetar negativamente a redução de doenças relacionadas ao tabaco.[62]

Algumas organizações de saúde, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), argumentam que a substituição completa do cigarro tradicional por cigarros eletrônicos não deve ser classificada como “cessação”, uma vez que o usuário continua consumindo nicotina e permanece dependente. Essa perspectiva sustenta que intervenções de cessação deveriam priorizar a interrupção total do consumo de nicotina. Críticos dessa posição destacam, entretanto, que essa definição mais restrita não considera reduções substanciais de risco para fumantes que migram integralmente para produtos sem combustão.[63][64]

Padrões de uso e epidemiologia

O uso de cigarros eletrônicos varia amplamente entre países, refletindo diferenças culturais, econômicas e regulatórias. Pesquisas epidemiológicas têm analisado padrões de uso entre fumantes adultos, ex-fumantes, jovens e outras populações específicas, bem como a prevalência global dos dispositivos e suas tendências ao longo do tempo.[65]

Uso entre adultos (ex-fumantes e fumantes atuais)

Entre adultos, cigarros eletrônicos são utilizados predominantemente por fumantes atuais e ex-fumantes. Estudos populacionais em países de alta renda indicam que a maior parte dos usuários regulares é composta por ex-fumantes que migraram parcial ou totalmente para os dispositivos.[66]

Pesquisas também sugerem que a prevalência de uso diário tende a ser maior entre ex-fumantes do que entre fumantes ocasionais, possivelmente refletindo o uso como substituto completo do cigarro de combustão.[67]

Uso duplo (dual use)

Uma parcela dos usuários pratica o chamado “uso duplo”, combinando cigarros convencionais e cigarros eletrônicos. O uso duplo pode reduzir parcialmente a exposição a tóxicos quando há diminuição substancial do consumo de cigarros, embora os benefícios sejam menores do que na substituição completa.[68]

O impacto populacional do uso duplo permanece tema de debate. Para alguns usuários, pode representar uma etapa transitória rumo à cessação; para outros, pode prolongar o consumo de produtos combustíveis.[17]

Prevalência global

A prevalência mundial de uso de cigarros eletrônicos varia amplamente. Estimativas internacionais sugerem que dezenas de milhões de adultos utilizam esses produtos, com maior concentração na América do Norte, Europa Ocidental e partes da Ásia.[69]

Fatores como renda, disponibilidade de produtos, políticas regulatórias, tributação e percepção de risco influenciam significativamente a adoção em distintos países. Contextos com regulamentação permissiva e controle sanitário estruturado tendem a apresentar prevalência maior e mais estável, enquanto cenários de proibição frequentemente exibem mercados informais heterogêneos.[70]

Uso entre jovens

Tendências internacionais

O uso de cigarros eletrônicos entre jovens varia significativamente entre países e ao longo do tempo. Em algumas regiões, observou-se aumento no uso experimental durante a década de 2010, seguido de estabilização ou queda recente. Mudanças regulatórias, políticas sobre saborizantes, campanhas educativas e fiscalização do mercado ilegal influenciam diretamente essas tendências.[71]

Dados dos EUA e queda pós-regulamentação

Nos Estados Unidos, o National Youth Tobacco Survey (NYTS) registrou um pico de uso entre estudantes do ensino médio em 2019, quando cerca de 27,5% relataram uso atual de cigarros eletrônicos. Após a implementação de medidas regulatórias federais e estaduais — incluindo exigências do FDA para autorização pré-comercialização (PMTA), proibição de venda a menores e restrições de saborizantes — a prevalência diminuiu de forma contínua.

Em 2023, o índice caiu para aproximadamente 10%, e para 7,8% em 2024, representando redução relativa superior a 70% em relação ao pico de 2019.[72]

Autoridades de saúde pública afirmam que a queda coincide com o fortalecimento do arcabouço regulatório e com maior fiscalização do mercado ilegal, embora múltiplos fatores possam ter contribuído para essa tendência.[73]

Fatores sociais, culturais e econômicos

Padrões de uso de cigarros eletrônicos são influenciados por fatores como:

  • percepção de risco em comparação ao cigarro tradicional;
  • preço relativo e políticas tributárias;
  • influência de pares e normas sociais;
  • disponibilidade de produtos e presença de mercado ilícito;
  • campanhas publicitárias e mensagens de saúde pública.[74]

Estudos apontam que a percepção pública sobre cigarros eletrônicos — frequentemente moldada pela cobertura midiática, por políticas locais e por debates científicos — desempenha papel central na adoção, no abandono ou na experimentação desses produtos em diferentes populações.[75]

Eventos e controvérsias de saúde pública

Diversos episódios e debates de saúde pública influenciaram a percepção sobre cigarros eletrônicos ao longo dos anos. Alguns envolveram substâncias específicas, como o diacetil, enquanto outros estiveram relacionados a produtos ilícitos ou a interpretações equivocadas de dados científicos.

“Pulmão pipoca” (bronquiolite obliterante) e o papel do diacetil

A bronquiolite obliterante, popularmente conhecida como “pulmão pipoca”, é uma doença pulmonar rara observada inicialmente em trabalhadores expostos a níveis elevados de diacetil em ambientes industriais. O composto, utilizado para aromatizar produtos como pipoca de micro-ondas, pode causar dano pulmonar quando inalado em concentrações muito altas e de forma ocupacional.[76]

O diacetil também foi identificado em alguns líquidos saborizados de cigarros eletrônicos, embora em concentrações muito inferiores às encontradas nos ambientes ocupacionais que originaram os casos clínicos.[77]

Importante notar que o diacetil está presente em níveis significativamente maiores na fumaça de cigarros convencionais — frequentemente dezenas a centenas de vezes superiores aos encontrados em muitos líquidos de vaporização — e, ainda assim, o cigarro tradicional não é associado à bronquiolite obliterante na literatura médica.[78]

Até o momento, órgãos como o CDC e o NIOSH afirmam que não há casos clínicos confirmados de bronquiolite obliterante associados ao uso de cigarros eletrônicos em condições normais de consumo.[79]

Predefinição:Ancoragem

EVALI (2019): causas, produtos THC ilícitos e impacto na percepção pública

Em 2019, os Estados Unidos registraram um surto de lesões pulmonares graves associado ao uso de determinados produtos de vaporização, condição denominada EVALI pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC).[42]

As investigações identificaram que a maior parte dos casos estava relacionada a cartuchos ilícitos contendo THC adulterados com acetato de vitamina E, um aditivo inadequado para inalação.[80] Análises laboratoriais detectaram acetato de vitamina E no fluido pulmonar de pacientes afetados, reforçando seu papel causal no surto.[81]

Embora inicialmente atribuído de forma ampla ao “vaping”, o surto foi posteriormente reconhecido como um evento específico ligado principalmente a produtos ilícitos de THC, e não a cigarros eletrônicos de nicotina comercializados de forma regulamentada.[42]

O episódio impactou fortemente a percepção pública, resultando em aumento nas percepções de risco e mudanças de políticas em alguns países, apesar das evidências que diferenciaram produtos regulados de produtos adulterados.[82]

Casos de desinformação e correções científicas

A rápida expansão dos cigarros eletrônicos gerou episódios de desinformação e interpretações equivocadas de estudos científicos. Entre os exemplos documentados na literatura incluem-se:

  • estudos laboratoriais realizados em condições irreais de uso (como simulações de “dry puff”) interpretados como representativos do uso típico;[83]
  • análises sobre metais ou aldeídos baseadas em temperaturas excessivas ou dispositivos defeituosos;
  • reportagens que atribuíram hospitalizações ao “vaping” sem diferenciar produtos de nicotina de produtos ilícitos contendo THC;
  • confusão recorrente entre risco absoluto e risco relativo em mensagens de saúde pública.[84]

Correções científicas e revisões de órgãos como FDA, CDC, NASEM e OHID reforçam que avaliações de risco devem considerar:

  • condições reais de uso;
  • distinção entre produtos regulamentados e produtos ilícitos;
  • comparações apropriadas com o cigarro convencional;
  • incertezas sobre efeitos de longo prazo.[17][23]

Regulamentação

A regulação de cigarros eletrônicos varia amplamente entre países, refletindo diferenças culturais, sanitárias, econômicas e políticas. De modo geral, os modelos regulatórios incluem proibição total, regulação restritiva, permissiva, medicalizada ou baseada em mercado controlado. Essa diversidade influencia diretamente a disponibilidade dos produtos, a prevalência de uso e a dinâmica dos mercados lícitos e ilícitos.[85]

Modelos regulatórios (proibição, permissivo, medicalizado, mercado controlado)

Os principais modelos regulatórios identificados na literatura incluem:[86]

  • Proibição total: venda, importação e produção são proibidas; em alguns países, a propaganda também é restringida.
  • Regulação restritiva: produtos permitidos sob controles rigorosos, como limites de nicotina, embalagens padronizadas, restrições de saborizantes ou venda apenas em locais autorizados.
  • Modelo permissivo: dispositivos legalizados e regulados como bens de consumo, com controles sanitários e tributários semelhantes aos aplicados a outros produtos de nicotina.
  • Modelo medicalizado: produtos tratados como terapêuticos, exigindo aprovação semelhante à de medicamentos (exemplo: Austrália).
  • Mercado controlado: padrões de fabricação, autorização de produtos e monitoramento contínuo estabelecidos por legislação específica (exemplo: Estados Unidos).

Reino Unido, Nova Zelândia e abordagem de redução de danos

O Reino Unido adota uma política baseada em redução de danos, reconhecendo cigarros eletrônicos como alternativa menos nociva para adultos fumantes. Relatórios oficiais afirmam que os dispositivos podem auxiliar na cessação e reduzir significativamente a exposição a tóxicos presentes no cigarro convencional.[23][22]

O sistema público de saúde britânico (NHS) permite que serviços de cessação ofereçam cigarros eletrônicos como opção terapêutica dentro de programas estruturados.[87]

A Nova Zelândia também adota políticas explícitas de redução de danos dentro da estratégia “Smokefree 2025”. A legislação autoriza a comercialização de cigarros eletrônicos com requisitos de qualidade, rotulagem, limites de nicotina e restrições de publicidade.[88]

União Europeia e TPD

Na União Europeia, a Diretiva de Produtos do Tabaco (Tobacco Products Directive, TPD) estabelece um marco regulatório comum para cigarros eletrônicos. Entre as principais disposições estão:[89]

  • limite de concentração de nicotina de 20 mg/mL;
  • volume máximo de 2 mL para cápsulas e 10 mL para frascos de líquido;
  • notificação prévia de produtos às autoridades;
  • advertências sanitárias padronizadas;
  • proibição de publicidade transfronteiriça.

Embora haja diretrizes comuns, países da UE mantêm autonomia para adotar regras adicionais, resultando em variações internas significativas.

Estados Unidos (processo PMTA da FDA)

Nos Estados Unidos, cigarros eletrônicos são regulados pela Food and Drug Administration (FDA) como produtos de tabaco. Desde 2020, todos os dispositivos e líquidos devem passar pelo processo de autorização pré-comercialização (Premarket Tobacco Product Application, PMTA), que exige evidências de que o produto é “apropriado para a proteção da saúde pública”.[90]

A FDA avalia toxicidade, padrões de uso, impacto populacional e potenciais efeitos sobre jovens. Milhares de produtos foram removidos do mercado por ausência de documentação adequada ou por não atenderem aos critérios estabelecidos.[91]

Ásia, América Latina e Oceania

As abordagens regulatórias variam de forma acentuada:

  • Ásia: Japão e Coreia do Sul permitem cigarros eletrônicos com diferentes níveis de tributação e restrições; Tailândia e Índia implementaram proibições totais.[92]
  • América Latina: há grande diversidade, com Brasil e México mantendo proibições de comercialização, enquanto Uruguai e Chile permitem sob regulações restritivas. A região apresenta expansão documentada do mercado ilícito associada à proibição.[93]
  • Oceania: a Austrália adota modelo medicalizado, permitindo produtos com nicotina apenas mediante prescrição; a Nova Zelândia segue modelo regulado focado em redução de danos.[94]

Brasil: histórico, RDC 46/2009, debates públicos e RDC 855/2024

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2009 a RDC nº 46, que proibiu a comercialização, importação e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar. A norma não proibiu a posse ou o uso individual.[95]

Ao longo dos anos, a Anvisa realizou consultas públicas para revisar a regulamentação. Na consulta pública de 2023–2024, a maior parte das manifestações enviadas pela sociedade posicionou-se contra a manutenção da proibição.[96]

Em 2024, a agência publicou a RDC nº 855, que manteve a proibição da comercialização, importação e propaganda dos dispositivos, reafirmando que a vedação não se aplica à posse ou ao uso individual, que permanecem sem penalização federal.[97]

Mercado ilícito

Estudos e reportagens indicam que a proibição favoreceu a expansão de um mercado ilícito, com circulação de produtos sem controle sanitário, grande variação de qualidade e ausência de rastreabilidade.[98]

Não proibição de posse e uso

Embora a comercialização seja proibida, a legislação brasileira não criminaliza nem penaliza a posse ou o uso dos dispositivos, o que contribui para a continuidade do consumo e para dificuldades estruturais de fiscalização.

Resultados da consulta pública

Segundo o relatório oficial da Anvisa, a maioria das contribuições enviadas na Consulta Pública 2023–2024 foi favorável à regulamentação com padrões de controle sanitário. A agência destacou, contudo, que manifestações públicas não têm caráter decisório e que a análise técnica final considerou múltiplos fatores, incluindo incertezas científicas e recomendações internacionais.[99]

Mercado global

O mercado de cigarros eletrônicos expandiu-se rapidamente desde meados da década de 2000, impulsionado por inovação tecnológica, internacionalização da produção e mudanças nos padrões de consumo. A indústria global inclui fabricantes independentes e grandes empresas do tabaco, com atuação em mercados domésticos, exportação, comércio eletrônico e circuitos informais.

Tamanho do mercado mundial

Estimativas de dados da indústria e de organizações de saúde indicam que, no início da década de 2020, o mercado global envolvia dezenas de milhões de consumidores e movimentava bilhões de dólares por ano. A volatilidade regulatória e fiscal entre países, porém, dificulta a consolidação de números globais recentes.[100]

Predominância da China e da região de Shenzhen

A produção mundial de dispositivos de vaporização concentra-se majoritariamente na China, especialmente na região de Shenzhen, que reúne centenas de fábricas e fornecedores de componentes, acessórios e líquidos. Esse predomínio estrutural facilita a exportação para mercados regulados e informais em todo o mundo.[101]

Participação da indústria do tabaco

A partir da década de 2010, grandes empresas tradicionais do tabaco passaram a investir de forma crescente no setor de vaporização, adquirindo marcas estabelecidas ou desenvolvendo seus próprios produtos. Essa movimentação aumentou a escala de produção, fortaleceu cadeias logísticas e ampliou o acesso a canais convencionais de distribuição.[102]

Marcas líderes

Ao longo dos anos, diferentes marcas alcançaram destaque internacional, incluindo fabricantes independentes e empresas vinculadas à indústria tradicional do tabaco. A composição desse grupo varia conforme inovações tecnológicas, regulação, preferências de consumidores e competitividade regional.

Comércio eletrônico e impacto na distribuição

O comércio eletrônico — incluindo vendas diretas, marketplaces, importações individuais e comércio transfronteiriço — desempenha papel central na distribuição global de cigarros eletrônicos. Em países que adotam proibição ou regulamentação restritiva, plataformas digitais tornam-se importantes canais de aquisição, o que desafia a fiscalização e contribui para um mercado global fragmentado e pouco transparente.[103]

Mercado ilícito em países com proibição de vendas

Em países onde a venda de cigarros eletrônicos é proibida, como no Brasil, observa-se frequentemente a formação de mercados ilícitos abastecidos por importações paralelas, comércio informal e canais digitais. A persistência da demanda, combinada à ausência de um mercado regulado, favorece a circulação de produtos sem controle sanitário e com qualidade variável.

Brasil

A comercialização, importação e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas desde a RDC 46/2009, proibição reafirmada pela RDC 855/2024. Embora a posse e o uso individual não sejam proibidos, a ausência de um mercado legal tem sido acompanhada por aumento significativo da entrada irregular desses produtos.[104][105]

Dados da Receita Federal mostram crescimento expressivo nas apreensões de cigarros eletrônicos. Em 2024, a instituição registrou o maior volume já contabilizado, incluindo uma operação que reteve cerca de 500 mil dispositivos no Porto de Santos.[106][107]

Em reunião realizada em 3 de setembro de 2024 entre a Receita Federal e a Anvisa, registrada em ata oficial, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, expressou preocupação com o crescimento do mercado irregular e afirmou que combater a entrada desses dispositivos seria “como enxugar gelo”, destacando a dimensão do mercado ilícito e os desafios de fiscalização.[108][109]

Especialistas apontam que a proibição, apesar de vigente, não eliminou a circulação dos dispositivos no país, mas deslocou a oferta para circuitos paralelos.

Outros países

Fenômenos semelhantes são relatados em países da América Latina, África e Ásia que adotaram proibições ou restrições severas, onde mercados informais passaram a suprir parte expressiva da demanda.[110]

Aspectos sociais e culturais

O uso de cigarros eletrônicos gerou, ao longo dos anos, dinâmicas sociais específicas, incluindo comunidades de usuários, práticas de modificação de dispositivos, subculturas próprias e ampla atenção midiática. Esses elementos influenciam a percepção pública dos dispositivos, bem como debates sobre regulação, riscos e comportamentos de consumo.

Comunidades de usuários (vapers)

Em diversos países, formaram-se comunidades de usuários conhecidas como vapers, que compartilham informações sobre dispositivos, líquidos, técnicas de uso, manutenção e estratégias de cessação do tabagismo. Essas comunidades se organizam tanto presencialmente — em lojas especializadas e eventos — quanto em espaços digitais, como fóruns, redes sociais e vídeos de demonstração técnica.[111]

Em alguns contextos, esses grupos desempenham papel de apoio entre ex-fumantes, trocando experiências sobre redução de danos e estratégias de transição do cigarro convencional para produtos sem combustão. Pesquisadores destacam que tais comunidades ajudam a explicar padrões de adoção dos dispositivos e a formação de identidades associadas ao uso.[112]

Cultura dos mods e DIY

Desde o início da popularização dos cigarros eletrônicos, parte dos usuários passou a modificar dispositivos para alterar desempenho, capacidade de bateria, produção de vapor ou características estéticas. Essa prática — conhecida como modding — evoluiu para uma subcultura própria, com fabricantes independentes, competições, criação artesanal de peças e forte presença online.[113]

O movimento “DIY” (do-it-yourself) também se desenvolveu, especialmente entre usuários que produzem seus próprios líquidos, personalizam resistências ou constroem sistemas mecânicos. Embora representem uma parcela pequena dos consumidores, esses grupos exercem influência cultural desproporcional, moldando tendências estéticas, linguagem, práticas de uso e presença em plataformas digitais.[114]

Cobertura midiática e representações culturais

A representação dos cigarros eletrônicos na mídia tem variado amplamente, oscilando entre reportagens que destacam potenciais riscos e outras que discutem seu papel na redução de danos do tabagismo. Episódios como o surto de EVALI em 2019, embora posteriormente associado a produtos ilícitos de THC, receberam ampla atenção e influenciaram percepções públicas sobre a segurança dos dispositivos.[115]

Estudos sobre cobertura jornalística indicam que narrativas centradas em risco, moralização ou proteção de jovens são predominantes, enquanto potenciais benefícios para fumantes adultos recebem menos destaque. Essa assimetria contribui para divergências entre a percepção social e os consensos presentes em avaliações científicas sobre risco relativo.[116]

A presença de cigarros eletrônicos em redes sociais, produções audiovisuais e conteúdos de influenciadores digitais também desempenha papel crescente na difusão dos dispositivos, sobretudo entre jovens adultos. Em resposta, plataformas como YouTube, TikTok e Instagram passaram a adotar políticas mais restritivas quanto à veiculação de conteúdo relacionado a vaping, afetando a circulação de material promocional e educativo.[117]

Indústria, marketing e estratégias comerciais

A indústria de cigarros eletrônicos passou por transformações significativas desde seu surgimento no início dos anos 2000, envolvendo empresas tradicionais do tabaco, fabricantes independentes e startups de tecnologia. O setor combina inovação constante, competição intensa, diversidade de produtos e debates regulatórios sobre publicidade, rotulagem e proteção de jovens.

Evolução da indústria e principais agentes

Nos primeiros anos, o mercado foi dominado por empresas independentes, principalmente na China, onde a maior parte dos dispositivos era fabricada. A partir da década de 2010, grandes empresas do tabaco passaram a adquirir marcas ou desenvolver seus próprios sistemas de vaporização, contribuindo para a consolidação do setor e ampliando a capacidade de distribuição global.[118]

O mercado permanece heterogêneo, incluindo multinacionais, fabricantes independentes asiáticos e empresas especializadas em inovação tecnológica. Apesar do processo de consolidação, há grande número de fabricantes de pequeno e médio porte atuando em nichos específicos.

Produtos descartáveis e mudanças de mercado

A partir de 2018, dispositivos descartáveis ganharam destaque devido à praticidade, ao custo relativamente baixo e à ausência de manutenção, como recarga ou troca de bobinas. O segmento cresceu rapidamente em diversos países e passou a representar parcela significativa das vendas globais.[119]

Autoridades de saúde têm apontado desafios relacionados aos descartáveis, incluindo impactos ambientais, variabilidade de qualidade e maior atratividade entre jovens. Como resposta, diferentes países passaram a considerar restrições ou regulamentações específicas para esse tipo de produto.

Estratégias de marketing (antes e depois das restrições)

Nos primeiros anos da indústria, campanhas publicitárias utilizavam mídias digitais, influenciadores e apelos de estilo de vida. Com o tempo, diversos países adotaram regras restritivas de publicidade para reduzir o alcance entre jovens, limitando a promoção em meios tradicionais, plataformas digitais e materiais de marketing.[120]

Atualmente, em mercados regulamentados, a publicidade deve seguir critérios estritos, incluindo advertências sanitárias, direcionamento exclusivo a adultos fumantes e transparência sobre composição e riscos.

Rotulagem, embalagens e conformidade regulatória

Em países com regulação estruturada, fabricantes devem cumprir requisitos sobre composição, limites de nicotina, padronização de advertências, relatórios toxicológicos e notificações prévias de produto. A União Europeia (TPD), a FDA nos Estados Unidos (via PMTA) e a Nova Zelândia são exemplos de marcos regulatórios abrangentes que exigem documentação de segurança e avaliação de impacto populacional.[121][122]

Há também crescente foco em embalagens, com medidas que incluem advertências de saúde, padrões visuais restritos e limitações ao uso de imagens que possam atrair adolescentes.

Distribuição global e comércio eletrônico

A cadeia de distribuição inclui lojas especializadas, plataformas de comércio eletrônico, importações individuais e redes informais. Em países com proibição ou restrição severa, o comércio eletrônico desempenha papel central, facilitando o acesso a produtos importados e alimentando mercados paralelos.[123]

No mercado global, fabricantes dependem frequentemente de distribuidores internacionais e estruturas logísticas sediadas na China, especialmente na região de Shenzhen, onde se concentra grande parte da produção mundial de dispositivos e componentes.

Controvérsias sobre marketing direcionado a jovens

Debates sobre marketing e juventude são recorrentes na literatura. Autoridades de saúde e pesquisadores argumentam que determinadas práticas promocionais — como sabores adocicados, embalagens coloridas ou conteúdos publicados por influenciadores — podem aumentar o apelo entre adolescentes.[124]

Indústrias e defensores da redução de danos afirmam que o foco do marketing é direcionado a adultos fumantes e que, em muitos países, as restrições já são severas, tornando a circulação de conteúdo juvenil mais associada a repostagens, uso informal ou divulgação orgânica em redes sociais. O debate permanece ativo e influencia decisões regulatórias em diversas jurisdições.

Comunicação pública, debates científicos e desinformação

Os cigarros eletrônicos tornaram-se tema central em debates de saúde pública, recebendo grande atenção de órgãos reguladores, pesquisadores, mídia e organizações da sociedade civil. A complexidade tecnológica dos dispositivos, a diversidade de produtos, as incertezas científicas sobre efeitos de longo prazo e a rápida evolução do mercado contribuem para divergências na interpretação de riscos, na formulação de políticas e na comunicação ao público.

Divergências na interpretação científica

Embora exista consenso de que cigarros eletrônicos eliminam a combustão e reduzem significativamente a exposição a tóxicos encontrados no cigarro convencional, pesquisadores divergem quanto ao grau dessa redução, aos impactos de longo prazo e às consequências em nível populacional. Relatórios como os do Royal College of Physicians, OHID e da Cochrane enfatizam reduções substanciais de exposição e potencial para auxiliar na cessação; outras publicações destacam incertezas, limitações metodológicas e possíveis riscos residuais.[22][23][125]

Essa pluralidade de interpretações contribui para diferentes abordagens políticas ao redor do mundo, que variam de modelos de redução de danos até proibições totais.

Cobertura midiática e amplificação de riscos

Estudos indicam que reportagens sobre cigarros eletrônicos frequentemente enfatizam riscos potenciais, como uso juvenil, acidentes com baterias, intoxicações e episódios como o surto de EVALI em 2019. Pesquisas sugerem que a mídia tende a retratar o vaping de forma mais negativa do que o consenso das avaliações toxicológicas comparativas, contribuindo para percepções distorcidas sobre risco absoluto e relativo.[126]

A cobertura intensa do episódio EVALI — inicialmente atribuída genericamente a “cigarros eletrônicos” — ilustrou o impacto da comunicação imprecisa na opinião pública. Investigações posteriores confirmaram que o surto estava relacionado principalmente a cartuchos ilícitos de THC adulterados com acetato de vitamina E, e não a dispositivos de nicotina regulamentados.[127]

Desinformação, pânico moral e circulação de narrativas conflitantes

A disseminação de informações imprecisas, interpretações equivocadas de estudos e conteúdos virais em redes sociais contribui para confusão pública sobre os riscos dos dispositivos. Pesquisadores descrevem esse fenômeno como um “pânico moral contemporâneo”, caracterizado pela amplificação de riscos pouco prováveis, generalizações indevidas e associações equivocadas entre produtos distintos, como vaporizadores de nicotina e cartuchos ilícitos de THC.[128]

A circulação de mensagens contraditórias — incluindo afirmações alarmistas, por um lado, e interpretações excessivamente otimistas, por outro — dificulta o entendimento público e a formulação de políticas equilibradas.

Comunicação de risco por autoridades de saúde

Órgãos de saúde pública adotam estratégias distintas de comunicação. No Reino Unido e na Nova Zelândia, autoridades priorizam comparações de risco, enfatizando que produtos sem combustão são significativamente menos nocivos que o cigarro convencional. Outras instituições, como o CDC, adotam abordagens de precaução ampliada, destacando incertezas e recomendando evitar qualquer uso por não fumantes.[129][130]

A diversidade de posicionamentos oficiais contribui para mensagens inconsistentes, refletidas em campanhas, documentos técnicos e orientações clínicas.

Conflitos entre evidência científica, políticas públicas e interesses institucionais

Os debates sobre cigarros eletrônicos envolvem interações complexas entre ciência, regulação, economia e política. Organizações de saúde globais, governos, pesquisadores, indústria do tabaco, fabricantes independentes e grupos de defesa pública frequentemente adotam posições divergentes sobre o papel dos dispositivos na cessação e nos riscos para jovens.

Alguns estudos sugerem que políticas extremamente restritivas podem favorecer o crescimento de mercados ilícitos ou dificultar a redução do tabagismo entre adultos fumantes; outros defendem regulações rígidas como forma de prevenir a iniciação juvenil.[131]

Essas tensões refletem, em parte, diferentes valores dentro da saúde pública: a busca pela eliminação completa da nicotina versus políticas voltadas à redução de danos para fumantes adultos.

Impacto ambiental

Os cigarros eletrônicos geram diferentes tipos de resíduos, incluindo plásticos, metais, baterias de íons de lítio e restos de líquidos contendo nicotina e outras substâncias químicas. Esses componentes representam desafios específicos para a gestão ambiental, pois se enquadram simultaneamente como lixo eletrônico, plástico e, em alguns casos, resíduo perigoso.[132][133]

Resíduos, baterias e contaminação

Dispositivos de vaporização contêm baterias recarregáveis ou seladas, circuitos eletrônicos, metais (como alumínio, cobre e lítio) e plásticos de longa duração. Quando descartados no lixo comum, podem contribuir para:

  • risco de incêndios em caminhões de coleta e centrais de triagem, devido a curto-circuitos em baterias de íons de lítio;
  • lixiviação de metais e substâncias tóxicas em aterros sanitários;
  • geração de microplásticos pela degradação das carcaças plásticas.[134][135]

Estudos que desmontaram dispositivos descartáveis identificaram a presença de metais potencialmente tóxicos e evidenciaram a complexidade material desses produtos, o que dificulta sistemas de reciclagem seguros e economicamente viáveis.[136]

Dispositivos descartáveis (single-use)

Os dispositivos descartáveis (single-use vapes) concentram grande parte das preocupações ambientais por combinarem alta popularidade, curta vida útil e descarte imediato após o esgotamento da bateria ou do líquido. No Reino Unido, estimativas indicaram que milhões de unidades eram descartadas semanalmente, contribuindo significativamente para o volume nacional de lixo eletrônico e plástico.[137][138]

Relatórios apontam que cada unidade descartável pode conter bateria selada, metais, nicotina residual e plásticos persistentes, configurando um resíduo de difícil manejo e com potencial de liberação de substâncias tóxicas em solo e água quando descartado inadequadamente.[139]

Exemplo internacional: proibição de descartáveis no Reino Unido

Em 2025, o Reino Unido aprovou a proibição da venda de cigarros eletrônicos descartáveis, mantendo a legalidade de dispositivos recarregáveis e com refil. A medida foi justificada por preocupações ambientais — especialmente o volume crescente de resíduos contendo baterias de lítio — e por objetivos de redução do uso juvenil.[140][141]

Avaliações oficiais de impacto regulatório destacaram que a proibição de descartáveis foi considerada a alternativa com maior potencial de reduzir rapidamente o volume de resíduos gerados e os riscos associados ao descarte incorreto, em comparação com programas isolados de reciclagem ou campanhas educativas.[142]

Resíduos, reciclagem e logística reversa

Diversos países discutem como integrar cigarros eletrônicos às políticas de gestão de resíduos, especialmente no que diz respeito a:

  • enquadramento como lixo eletrônico (e-waste);
  • implementação de sistemas obrigatórios de coleta e reciclagem;
  • responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, comerciantes e consumidores.[143][144]

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, estabelece princípios de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e determina sistemas de logística reversa para categorias como pilhas, baterias, eletroeletrônicos e resíduos especiais.[145][146]

Caso dispositivos eletrônicos para consumo de nicotina venham a ser regulamentados como produtos legais no país, eles poderiam ser enquadrados em políticas de logística reversa similares às aplicadas a equipamentos eletrônicos portáteis, o que obrigaria fabricantes e importadores a estruturar sistemas de coleta e destinação pós-consumo. Essa abordagem tem sido discutida internacionalmente como forma de mitigar parte do impacto ambiental associado a dispositivos descartáveis e outros componentes de vaporização, alinhando o setor às normas gerais de gestão de resíduos eletrônicos.[147]

Conclusão

Os cigarros eletrônicos tornaram-se objetos centrais em debates científicos, regulatórios e sociais desde a sua popularização no início do século XXI. A literatura especializada indica reduções substanciais de exposição a tóxicos quando comparados ao cigarro convencional e sugere potencial de auxílio na cessação do tabagismo para adultos fumantes. Contudo, incertezas permanecem quanto aos efeitos de longo prazo, ao impacto populacional e às implicações do uso entre jovens.

A diversidade de políticas adotadas globalmente reflete interpretações distintas sobre risco relativo, prioridades de saúde pública e estratégias para equilibrar proteção juvenil e redução de danos. Questões ambientais, como o descarte de dispositivos descartáveis, também tornaram-se relevantes em análises recentes. A evolução contínua das evidências científicas e das tecnologias de vaporização sugere que o tema continuará a ser objeto de ajustes regulatórios, revisões periódicas e debates públicos nos próximos anos.

Bibliografia adicional

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Ver também

  • Tabagismo
  • Redução de danos do tabagismo
  • Cigarro
  • Produtos de tabaco aquecido
  • Nicotina
  • Dependência de nicotina
  • Terapias de reposição de nicotina
  • Política de controle do tabaco
  • Vaporizador

Ligações externas

Notas

  1. Termos como “cigarro eletrônico”, "DEFs", “vape”, “ENDS” (electronic nicotine delivery systems) e “ENNDS” são usados por diferentes órgãos reguladores e pela literatura científica. Para evitar inconsistências, este artigo utiliza “cigarro eletrônico” como termo principal.
  2. Neste artigo, “redução de danos” refere-se à estratégia de diminuir riscos associados ao consumo de nicotina ao substituir produtos combustíveis por alternativas comprovadamente menos nocivas, conforme descrito em relatórios como os do Royal College of Physicians e OHID.

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