Vananda

Vananda (em armênio: Վանանդ; romaniz.: Vanand) ou Vandi (em georgiano: ვანდი), segundo a Geografia de Ananias de Siracena (século VII), segundo a Geografia de Ananias de Siracena (século VII), foi um gavar (cantão) da província de Airarate, na Armênia.[1]
Geografia
Vananda estava situado na metade norte do vale do Acuriã, entre Acuriã e Ciro Superior. É possível que, de início, fizesse parte do cantão de Bassiana, visto que os romanos não conheciam o topônimo, ainda que conhecessem bem a geografia da zona na qual estava situado, e por vezes é referido como Alta Bassiana. Englobava área de 4 725 quilômetros quadrados.[2] Para Moisés de Corene, seu nome deve ter se originado dos hunos onogures que ali parcialmente se assentaram desde o século V, mas o nome já é citado antes do período, o que torna a etimologia improcedente.[3]
História


Nos séculos IX e VIII a.C., o território do futuro cantão era ocupado pelos taocos. Se sabe que sob Menua (r. 810–786 a.C.) e Arguisti I (r. 786–764 a.C.) de Urartu, os urartitas atacaram o seu rei Utupursi. Quatro séculos depois, em 401-400 a.C., Xenofonte dá indícios de que ainda povoavam ali. É a última menção a eles como povo e depois, ao que parece, migraram ao norte, ocupando os territórios de Taique (Tao) e Javaquécia, situadas a norte e noroeste de Vananda, respectivamente. Essa migração deve ter ocorrido devido à expansão da Armênia sob a dinastia orôntida.[4]
Segundo Moisés de Corene, no tempo do mítico Valarsaces I, o rei permitiu que Velendur Bulgar Vunde instalasse uma colônia no distrito e se deu nome derivou o topônimo Vananda.[5] No século IV, Vananda foi um Estado principesco. É possível que a região foi evangelizada por Gregório, o Iluminador.[6] Desde 387, com a Paz de Acilisena celebrada pelo imperador Teodósio I (r. 378–395) e pelo xainxá Sapor III (r. 383–388), Vananda pertenceu à Armênia sob domínio do Império Sassânida. Ársaces III (r. 378–387), rei-cliente dos romanos, invadiu a Armênia a partir de Vananda para depor Cosroes IV (r. 385–389), rei-cliente dos iranianos, mas foi derrotado na planície de Erevel.[7]
Em cerca de 575, o marzobã Glones Mirranes e o príncipe Filipe Siuni atacaram a vila de Otemus, em Vananda, mas foram derrotados. [8] Em 579, provavelmente confrontando os generais bizantinos Curs e João Mistacão, o marzobã Varaz Vezur fez o mesmo movimento, sendo inicialmente repelido, mas então venceu.[9] Em 591, com a nova divisão da fronteira na Armênia entre os Impérios Bizantino e Sassânida no rescaldo da guerra iniciada em 572, o imperador Maurício (r. 582–602) recebeu Vananda do xainxá Cosroes II (r. 590–628), que foi incluída na província da Armênia Inferior, que corresponde, grosso modo, à extinta província armênia de Airarate.[10] Por sua localização, na rota comercial norte entre o Planalto Iraniano, a Anatólia e o mar Negro, prosperaria na Idade Média.[11] Na década de 640, quando o imperador Constante II (r. 641–668) conduziu expedições militares no Oriente para impedir o avanço do Califado Ortodoxo, se encontrou com os príncipes de Vananda para coordenar os esforços.[12]
No fim, a região foi anexada no Emirado da Armênia. No século VIII, passou aos bagrátidas. Em 962, o rei Asócio III (r. 951–977) cedeu Vananda ao seu irmão Musel I, que fundou um reino independente.[11] Em 1064, Cacício abdicou em favor do Império Bizantino e entregou a sua capital Cars, que no ano seguinte foi conquistada pelo Império Seljúcida antes de ser tomada pelo Reino da Geórgia e integrar o distrito de Cari (Kari). No século XIII, foi tomada pelo Império Mongol antes de deixar de existir como entidade separada. Brevemente pertenceu aos senhores turcomanos e então caiu sob controle do Império Otomano.[13]
Referências
- ↑ Hewsen 2001, p. 103, 204.
- ↑ Hewsen 2001, p. 204.
- ↑ Hewsen 2001, p. 110, nota 21.
- ↑ Hewsen 2001, p. 206.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 133, nota 39.
- ↑ Toumanoff 1963, p. 240.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 303-304.
- ↑ Grousset 1973, p. 245.
- ↑ Greatrex 2002, p. 162; 289.
- ↑ Hewsen 2001, p. 212.
- ↑ a b Hewsen 2001, p. 148; 214.
- ↑ Sebeos 1999, p. 137.
- ↑ Hewsen 2001, p. 214.
Bibliografia
- Lázaro de Farpe (1985). Bedrosian, Robert, ed. History of the Armenians. Nova Iorque: Fontes da Tradição Armênia
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachussetes: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvarde
- Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9
- Grousset, René (1973) [1947]. Histoire de l'Arménie: des origines à 1071. Paris: Payot
- Hewsen, Robert H. (2001). Armenia: A historical Atlas. Chicago e Londres: Imprensa da Universidade de Chicago. ISBN 0-226-33228-4
- Moisés de Corene (2006). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press
- Sebeos (1999). The Armenian History Attributed to Sebeos. Traduzido por Thomson, R. W. Liverpul: Imprensa da Universidade de Liverpul. ISBN 0853235643
- Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Imprensa da Universidade de Georgetown