Valva aórtica bicúspide

Valva aórtica bicúspide
A válvula aórtica controla o fluxo sanguíneo proveniente do ventrículo esquerdo do coração (a válvula está dentro da caixa amarela). Existem cinco tipos de valva bicúspide, sendo o tipo 1 o mais comum.
EspecialidadeCardiologia
SintomasA princípio nenhum[1]
Início habitualDesde o nascimento[1]
CausasGenética, espontânea[1]
Método de diagnósticoEcocardiograma[1]
TratamentoMonitoramento, avaliação de familiares, cirurgia[1]
Frequência1,5%[1]
Classificação e recursos externos
CID-11LA8A.22
OMIM109730
DiseasesDB1392
MedlinePlus007325
eMedicine893523
MeSHD000082882
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A valva aórtica bicúspide (VAB) é uma cardiopatia congênita caracterizada pela presença de apenas duas (em vez das três normais) válvulas valvares.[2] Inicialmente, a condição é geralmente assintomática.[1] No entanto, pode ser identificado sopro cardíaco durante o exame clínico.[1] Com o tempo, podem surgir complicações como aneurisma da aorta torácica, que ocorre em metade dos pacientes; dissecção aórtica; estenose ou regurgitação aórtica; endocardite infecciosa; insuficiência cardíaca; e morte súbita.[1][3]

A condição pode ser herdada dos pais, frequentemente de forma autossômica dominante; embora também possa ocorrer de forma espontanea.[1] Aproximadamente 15% dos casos ocorrem em famílias.[1] A VAB pode estar associada a diversas síndromes, incluindo a síndrome de DiGeorge, Marfan e Turner.[1] O mecanismo subjacente envolve a falha de separação das válvulas valvares durante desenvolvimento enbrionário precoce o desenvolvimento inicial.[1] O diagnóstico é geralmente feito por ecocardiograma.[1] A avaliação por imagem da aorta ascendente é recomendada para descartar complicações.[3] Familiares de primeiro grau devem ser avaliados para a presença da condição.[1]

Se os exames iniciais não revelarem complicações, deve-se repetir a avaliação a cada 5 a 10 anos.[1] Entre pacientes com aneurisma aórtico, deve-se limitar atividades físicas intensas, e pode-se recomendar cirurgia antes da gravidez.[1] A cirurgia é geralmente recomendada quando o diâmetro da aorta excede 5,0 cm a 5,5 cm.[1] Caso seja necessário reparar a valva, pode-se optar pela substituição da aorta torácica se o diâmetro ultrapassar 4,0 cm a 4,5 cm.[1][3]

A valva aórtica bicúspide é a cardiopatia congênita mais comum, afetando aproximadamente 1,5% das população.[1][4] Acomete três vezes mais homens do que mulheres.[1] A condição foi descrita pela primeira vez por Sir William Osler em 1886.[5]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u Shah, Shailee Y.; Higgins, Andrew; Desai, Milind Y. (Outubro de 2018). «Bicuspid aortic valve: Basics and beyond». Cleveland Clinic Journal of Medicine. 85 (10): 779–784. PMID 30289756. doi:10.3949/ccjm.85a.17069 
  2. Mubarik, A; Sharma, S; Law, MA (Janeiro de 2023). «Bicuspid Aortic Valve.». StatPearls. PMID 30480953 
  3. a b c Isselbacher, Eric M. (15 de fevereiro de 2005). «Thoracic and Abdominal Aortic Aneurysms». Circulation. 111 (6): 816–828. doi:10.1161/01.CIR.0000154569.08857.7A 
  4. Hraska, Viktor; Block, Joseph R. (2020). «91. Congenital valvular and supravalvular aortic stenosis». In: Raja. Cardiac Surgery: A Complete Guide (em inglês). Switzerland: Springer. pp. 829–838. ISBN 978-3-030-24176-6. Consultado em 29 de maio de 2023. Cópia arquivada em 30 de junho de 2023 
  5. Vojacek, Jan; Zacek, Pavel; Dominik, Jan; Holubek, Tomas (2018). «6. Congenital anomalies of the aortic valve». In: Vojacek; Zacek; Dominik. Aortic Regurgitation (em inglês). [S.l.]: Springer. 43 páginas. ISBN 978-3-319-74213-7. Consultado em 29 de maio de 2023. Cópia arquivada em 30 de junho de 2023