Valentine Penrose
| Valentine Penrose | |
|---|---|
| Nascimento | 1 de janeiro de 1898 Mont-de-Marsan, Landes, França |
| Morte | 7 de agosto de 1978 (80 anos) Chiddingly, Sussex, Inglaterra |
| Nacionalidade | francesa |
| Movimento(s) | Surrealismo |
Valentine Penrose (nascida Boué; 1 de janeiro de 1898 – 7 de agosto de 1978) foi uma poetisa, autora e colagista surrealista francesa. Boué era uma mulher independente que se opôs às expectativas sociais impostas a ela; como mulher, esperava-se que ela fosse uma musa e objeto de desejo para artistas surrealistas masculinos.[1] Lésbica, seus relacionamentos com mulheres eram um tema central de sua arte, bem como seu interesse em filosofia oriental e ocultismo.[2]
Biografia
Valentine Penrose, nascida Boué, nasceu em 1898, em uma família militar de Mont-de-Marsan, Landes, na França. A família de Valentine mudou-se para Paris em seus primeiros anos de vida.[3]
Casou-se em 1925 com o pintor surrealista, historiador e poeta inglês Roland Penrose, e logo se tornou parte da comunidade de surrealistas da Europa. Valentine era lésbica,[4] e seu casamento nunca foi consumado.[5]
Ela e seu marido se mudaram para a Espanha em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, ano em que se juntou à milícia operária pró-revolução na Espanha.[6] Se separaram em 1937, mas moraram juntos novamente em Londres durante a Segunda Guerra, junto da fotojornalista americana Lee Miller, namorada de Roland, de quem rapidamente se tornou amiga, e o fotógrafo David E. Scherman, amigo e amante de Lee.[3][7]
Estilo literário e influências
Valentine Penrose teve seu primeiro contato com o surrealismo no final da década de 1920. Ela foi uma das primeiras mulheres a se envolver no movimento surrealista.[8] Fez parte da primeira edição do periódico La Révolution Surréaliste, de André Breton;[1] sendo uma das oito mulheres envolvidas na publicação. Foi publicada no periódico pela primeira vez com uma resposta a Inquérito sobre o amor, de 1929, na décima edição do La Révolution Surréaliste.[1]
Penrose interessava-se por temas como misticismo feminino, filosofia oriental,[8][9] alquimia e ocultismo. Ela estudou sânscrito enquanto estava na Índia, período em que converteu-se brevemente ao hinduísmo.[8] Em 1936, fez uma longa viagem à Índia com a poetisa e pintora Alice Paalen (mais tarde Alice Rahon). Tornaram-se muito próximas, e seu relacionamento é mostrado em poesia escrita entre os anos de 1936 e 1945.[3][10][11][12]
Apesar de ser conhecida sobretudo por sua biografia da assassina em série Elizabeth Báthory, Valentine era sobretudo uma poetisa surrealista, exercitando técnicas do movimento como a escrita automática, colagem e pintura.[3] Seu trabalho era considerado demasiadamente erótico e violento para mulheres da época, ilustrando as viagens de duas mulheres e suas aventuras eróticas.[13] A partir de 1937, começou a escrever sobre lesbianismo com as mesmas amantes: Emily e Rubia. Isso domina a Ópera de Martha (1945) e Dons des Féminines (1951).[3]
Ela morreu em 7 de agosto de 1978 em Chiddingly, East Sussex, Inglaterra, na fazenda de Roland Penrose.
Ver também
- Surrealismo
- Mulheres surrealistas
- Elizabeth Báthory, tema de seu livro "The Bloody Countess: The Atrocities of Erzsebet Bathory"
Referências
- ↑ a b c «Gisèle Prassinos», Surrealist Painters and Poets, ISBN 9780262270076, The MIT Press, 2001, doi:10.7551/mitpress/6565.003.0068
- ↑ «Valentine Penrose». AWARE Women artists / Femmes artistes (em inglês). Consultado em 5 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e Colvile, Georgiana (1997). «Penrose, Valentine Boué». In: Makward Christiane P.; Cottenet-Hage, Madeleine. Dictionnaire littéraire des femmes de langue française: De Marie de France à Marie NDiaye (em francês). [S.l.]: Karthala. pp. 463–465
- ↑ «Valentine Penrose». AWARE Women artists / Femmes artistes (em inglês). Consultado em 5 de setembro de 2025
- ↑ Lambirth, Andrew (25 de junho de 2016). «The surreal life – and loves – of Roland Penrose». The Spectator. Consultado em 31 de maio de 2019
A review of King, James (2016). Roland Penrose : the life of a surrealist. [S.l.]: Edinburgh University Press. ISBN 978-1474414500 - ↑ The Yale Anthology of Twentieth-Century French Poetry. New Haven: Yale University Press. 2004. ISBN 9780300133158. OCLC 182530178
- ↑ Kellaway, Kate (22 de agosto de 2010). «Tony Penrose: 'With Picasso, the rule book was torn up'». The Guardian. Consultado em 8 de maio de 2014
- ↑ a b c Rosemont, Penelope, ed. (1998). Surrealist Women: An International Anthology. [S.l.]: University of Texas Press. ISBN 978-0292770881
- ↑ Hubert, Renée Riese (1994). Magnifying mirrors : women, surrealism, & partnership. Lincoln: University of Nebraska Press. ISBN 978-0803223707. OCLC 28182787
- ↑ Roush, Paula; Lusitano, Maria (2013). «Les deux amies / The two girlfriends (Gifts of the Feminine)» (PDF). Fundação EDP, Lisbon. Consultado em 10 de maio de 2014
- ↑ Colvile, Georgiana M. M. (1996). «Through an Hour-glass lightly: Valentine Penrose and Alice Rahon Paalen». In: King, Russell; McGuirk, Bernard. Reconceptions Reading Modern French Poetry (PDF). [S.l.]: University of Nottingham. Cópia arquivada (PDF) em 15 de setembro de 2012
- ↑ Dunwoody, Maitland (1 de maio de 2017). «Les auteures surréalistes : French and Francophone Women Surrealist Writers -- Joyce Mansour, Valentine Penrose and Gisèle Prassinos». Masters Theses
- ↑ Humphreys, Karen (dezembro de 2006). «Collages Communicants: Visual Representation in the Collage-Albums of Max Ernst and Valentine Penrose». Contemporary French and Francophone Studies. 10 (4): 377–387. ISSN 1740-9292. doi:10.1080/17409290601040379